Renato Félix
Do Jornal da Paraíba
Lançado direto em DVD no Brasil, Guerra ao Terror (The Hurt Locker, Estados Unidos, 2008) precisou ser indicado ao Oscar para a Imagem Filmes lançá-lo com muito atraso nos cinemas. E precisou ganhar para ser exibido em João Pessoa. Agora consagrado com seis prêmios da Academia, finalmente o filme de Kathryn Bigelow (primeira mulher a levar o prêmio de melhor direção) entra em cartaz.
Leia a crítica do blogueiro Renato Félix sobre Guerra ao Terror
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Marcado aqui por essa trajetória inusitada, nos Estados Unidos o filme também teria passado despercebido, se não tivesse sido tirado da obscuridade pelos críticos e suas associações. Custando US$ 11 milhões de dólares, arrecadou pouco mais de US$ 12 milhões nos EUA - a conta sobe um pouco mais se contar com os guichês do resto do mundo.
O filme nem estreou nos Estados Unidos, na verdade, mas na Itália, em outubro de 2008, logo após vencer o Prêmio Gucci no Festival de Veneza - concedido a pessoas que não estão no negócio do cinema, mas deram uma contribuição importante à arte (nesse caso, o jornalista Mark Boal, que escreveu o roteiro de Guerra ao Terror). Nos EUA, ele só estreou em junho do ano passado, em minguadas quatro salas. Em agosto, esse número já havia subido para 535.
O filme surgiu de uma reportagem que Boal fez no Iraque para a revista Playboy, acompanhando a rotina de grupos que desarmam bombas nas áreas urbanas de Bagdá. Depois, transformou tudo em um roteiro focado em um trio de personagens: o sargento Sanborn (Anthony Mackie, que apareceu como um boxeador em Menina de Ouro, 2004) e o especialista Eldridge, que recebem o novo líder da sua equipe, o sargento William James (Jeremy Renner).
James é bom companheiro, honesto, extremamente competente. Mas também destemido em excesso. Prefere desarmar as bombas olho no olho e sem usar robôs, o que leva seus colegas à loucura. Faltam poucos dias para Companhia Bravo terminar sua jornada no Iraque, mas será que eles conseguirão chegar vivos até lá?
Kathryn Bigelow faz seu filme se equilibrar em um fio que nem demoniza os soldados e tampouco elogia a intervenção americana no Oriente Médio. Seu enfoque é o humano, onde predominam a tensão e o suspense. O filme começa com a frase “A guerra é uma droga”, de uma citação do correspondente de guerra Chris Hedges. A guerra é uma droga e James é um viciado - assim como os EUA enquanto país.
A rotina do trio é massacrante e cada bomba a ser desarmada é tema para minutos de tensão esplendidamente orquestrados por Bigelow.
A diretora mostra muita perícia em cenas de ação (é seu estilo, tendo já dirigido, entre outros, Caçadores de Emoção, 1991; Estranhos Prazeres, 1995; e K-19: The Widowmaker, 2002), aproximando sua câmera do rosto dos atores e criando um ar documental. O ar despojado é deixado de lado para tirar proveito gráfico de uma grande cena de explosão, mostrada em câmera lentíssima. É o horror apresentado em detalhes para depois os espectadores saberem o que devem temer.
A Imagem deu um show de descrédito com relação a The Hurt Locker. O principal foi lançá-lo direto em DVD, um mico para entrar para a história, mas há outros. Passando por colocar três atores que fazem participações especiais (David Morse, Ralph Fiennes e Guy Pearce) na capa do DVD como se fossem os principais (com nomes e foto grande de Morse) e até pela escolha do título brasileiro. Convenhamos: Guerra ao Terror é, no mínimo, um título preguiçoso.
Novo Scorsese e 'Monstros' em uma ótima semana
A Ilha do Medo (Shutter Island, Estados Unidos, 2010) é o quarto filme em que Martin Scorsese dirige Leonardo DiCaprio. É uma parceira que fez bem aos dois: Scorsese reencontrou o vigor e DiCaprio cresceu ainda mais como ator.
Agora, depois de tornar moderno os filmes de gangsters que acabaram se tornando sua assinatura, Scorsese leva o novo bom companheiro a mais uma releitura de gênero: o suspense.
O filme se passa em 1954, mostrando um agente do FBI (DiCaprio) que investiga a fuga de um assassino de um hospital para criminosos insanos que fica na Ilha Shutter. Baseado no livro Paciente 67 (já devidamente rebatizado aqui com o nome do filme), de Dennis Lehane (o mesmo autor de Sobre Meninos e Lobos).
Um filme muito aguardado, mas que teve uma distribuição muito limitada no Brasil, chega hoje a João Pessoa: Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are, Estados Unidos, 2009), de Spike Jonze.
O diretor de Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002) agora arrisca em um universo mais ou menos infantil.
A base é o livro Os Monstros, de Dave Egger, e a trama conta sobre um garoto com muita imaginação que foge de casa não apenas fisicamente mas também mergulha na própria imaginação: lá, ele encontra um mundo formado por monstros que acabam ficando amigos do menino e o tornando rei deles.
Lembranças
Robert Pattinson deixou um pouco de lado o mundo da fantasia - além de ser o vampiro Edward da série Crepúsculo, ele fez também Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005) - para estrelar o romance Lembranças (Remember Me, Estados Unidos, 2010).
No verão de 2001, ele se apaixona pela personagem de Emily de Ravin e isso o ajuda ambos a superar suas próprias tragédias pessoais.
Embora procure encarar um rebelde no filme dirigido por Allen Coulter, Pattinson ainda estará de volta nos dois (talvez três) filmes finais da série dos vampiros. As fãs podem ficar sossegadas.
