Central(ização) de informações
Nem na Delegacia de Homicídios da Capital, nem na Gerência de Medicina Legal (Gemol), nem no Hospital de Emergência e Trauma: muitos jornalistas se queixam que a imprensa não tem mais acesso às informações sobre ocorrências policiais nestes órgãos. A lista não se restringe a João Pessoa. Em Campina Grande, as principais reclamações dizem respeito à Central de Polícia e ao Núcleo de Medicina Legal (Numol).
Os repórteres e produtores de rádio, TV e sites se depararam com a surpresa desagradável do novo Governo neste mês de fevereiro ao tentarem checar fatos que poderiam ser noticiados. Segundo funcionários de setores da Segurança Pública e da Saúde, as secretarias repassaram ordens para que os dados sobre ocorrências sejam divulgados apenas pelas suas assessorias de imprensa.
A dificuldade de acesso prejudicou especialmente os profissionais que trabalham com a 'ronda policial', que para alguns repórteres já começa antes mesmo das 5h da manhã. Como ter acesso aos boletins de ocorrência neste horário, se os assessores de imprensa só estão em seus birôs a partir das 8h? A indignação foi manifestada especialmente nas rádios da Capital e de Campina Grande e no Twitter.
Apesar das reclamações compartilhadas nas redes sociais e na própria imprensa, a diretora de Jornalismo da Secretaria Estadual de Comunicação, Marly Lúcio, disse não ter recebido nenhuma queixa. Ela disse que a determinação provavelmente foi dada pelo secretário de Segurança Pública (SSP), Cláudio Lima, com a finalidade de organizar as informações repassadas.
“Acredito que essa foi uma postura adotada por ele para centralizar as informações. Não queremos esvaziar as pautas dos veículos, nossa preocupação é ter uma unidade na informação policial”, comentou Marly. Segundo ela, está sendo planejada a divulgação de três boletins diários da SSP, assim como acontece hoje com o Hospital de Emergência e Trauma.
A medida, no entanto, dificulta a apuração de fatos que possam acontecer no intervalo da publicação destes boletins. “Isso não impede que a imprensa cheque os acontecimentos. Os jornalistas têm suas fontes”, defendeu. Marly criticou o contato de policiais militares, por exemplo, com repórteres, com o objetivo de se promoverem individualmente. “Às vezes passam alguma informação equivocada, antes mesmo de prestar informação ou serviço à sociedade”, respondeu.
Enquanto o novo plano de comunicação da Segurança Pública não entra em ação, nos perguntamos: como fica o acesso livre à informação?
