Álcool e violência
Na semana pré-natalina, reúno os operários da minha empresa para singela confraternização. Um evento descontraído, no qual prevalece a camaradagem. As reuniões abordando temas específicos acontecem o ano inteiro, e são vitais para o desenvolvimento profissional. Nestas, há análise de resultados e estabelecimento de metas. Entendo, contudo, que, como líderes, somos também responsáveis pela educação das pessoas que trabalham conosco. Sou um humanista incorrigível. Nada me faz descrer do gênero humano. Acho que disparidades financeiras são administráveis. O complicador são os maus hábitos, os quais interferem negativamente na harmonia do conjunto e na esfera familiar de cada um.
Assim sendo, amanhã, entre abraços, refrigerantes e salgadinhos, falar-lhes-ei sobre dois cavaleiros do apocalipse, interligados umbilicalmente, que têm reflexos devastadores na vida dos que os abraçam e que, infelizmente, ainda estão bem presentes em todos os estratos sociais, independentemente do nível de rendimentos. Refiro-me ao alcoolismo e à violência doméstica.
Sem puritanismo, porque vez por outra tomo meus goles, pretendo alertar-lhes para o quanto é tênue a linha que separa a cervejinha de final de turno da necessidade urgente de tomar aquela 'lapada' que, a pretexto de aliviar a angústia, afunda o alcoolista numa lama movediça. Como se torna difícil parar naquela dose que anima sem ofender, uma vez que o vício instala-se na mente. E como custa ao cidadão assumir-se precisado de ajuda. Quando o faz, tarde, as vísceras muitas vezes já pediram arrego. E o bolso, o mais sensível órgão do corpo? Não há dinheiro que chegue para quem bebe em excesso. Não existem prioridades. Nada se submete à branquinha, à pretinha, tenha lá qual cor tiver. Nem a escola das crianças, nem o remédio da patroa, nem o de comer. Adiante, galopando no rastro do primeiro, vem o outro cavaleiro. Com os sentidos tolhidos e a razão obscurecida pelo consumo da droga lícita, o pai de família, não necessariamente mau, torna-se violento. Não suporta um “ai” da esposa. A criança que chora lhe exaspera. Tudo é motivo para uma explosão de cólera, cujas conseqüências são terríveis para todos, inclusive para o autor. E então, bêbado e furioso, o desmantelo está feito. Vemos isso diariamente no noticiário.
Dir-lhes-ei que dezembro é um tempo de esperança: se não nos é possível modificar o passado, é-nos permitido fazer o futuro melhor. Enfim, como ora desejo a você, caro leitor, desejarei que todos tenham um Natal abençoado!
Nordeste e Paraíba
Segundo a mesma pesquisa, o Nordeste tem 28,7% das favelas do país. Na Paraíba, vivem 130.927 pessoas em 36.360 habitações subnormais das 90 favelas. Há, portanto, elevada demanda por moradia popular e longo caminho a se percorrer. Note-se que, pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, tinha-se como meta de financiamento apenas 21 mil unidades. Algo bem distante da carência efetivamente constatada.
Absenteísmo e acidentes
No Brasil, cerca de 16 milhões de pessoas são dependentes do álcool. Este consumo é a terceira causa de absenteísmo (falta ao) no trabalho, o que compromete quase 5% do Produto Interno Bruto – PIB. Também reduz a produtividade, eleva a taxa de acidentes de trabalho e à rotatividade de mão de obra. O álcool está relacionado a 50% das mortes por acidentes de carro, 50% dos homicídios e 25% dos suicídios.
11 milhões de pessoas em favelas
De acordo com Censo Demográfico - Aglomerados Subnormais de 2010, do IBGE, 11.425.644 de brasileiros vivem em 6.329 favelas. Eles representam 6% da população. Os dados foram divulgados ontem. Nesses locais, quase 3,3 milhões de unidades habitacionais foram construídas E, mais: 88,6% dos domicílios de favela se encontram em regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes e apenas 11,8% em cidades isoladas. São Paulo, Rio de Janeiro e Belém se somadas concentravam quase metade (43,7%) do total de favelas do País.
Mais urbana
O Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (IDEME) também, ontem, divulgou estudo sobre a urbanização da Paraíba que passou de 71%, em 2000, para 75,5% em 2010. O grau de urbanização do paraibano é, inclusive, maior que o do Nordeste, que chegou a 73% em 2010.
