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Construção Civil

Análises e notícias sobre o setor da   construção   civil, as medidas que geram impacto para o segmento, informações sobre novos empreendimentos e sobre as empresas que atuam no mercado local.

Moradias anormais

As manchetes são estarrecedoras: 11,5 milhões de pessoas, ou 6% da população brasileira, moram naquilo que se convencionou chamar de um eufemismo: habitação subnormal. A rigor, não se trata de morar, no sentido que o inconsciente coletivo confere ao verbo. Imagine o leitor a vida num barraco de cômodo único, à margem de um córrego infectado e sujeito a inundações, que não oferece a menor condição de uma família viver senão na mais indigna promiscuidade, o que favorece toda a sorte de contravenções domésticas. Isso não é moradia subnormal; é anormal mesmo. Ou imoral, talvez seja mais adequado.
Os estudiosos da matéria sabem que esta carência - a de habitação - está na raiz de muitos dos males contemporâneos, de doenças físicas a distúrbios psíquicos. A incerteza gerada pela falta de um recanto no qual o trabalhador deixe a sua família protegida ao sair, e, ao voltar da labuta, encontre repouso, não tem similar. Nos incertos dias atuais, não possuir um teto digno é estar numa floresta, à noite, sem fogo e sem abrigo. Note-se que escrevi trabalhador, não marginal. Pois é majoritariamente de honestos operários e operárias que é composto esse quadro de tristes tintas.
Tem-se tentado mapear e compreender as causas que geraram tamanha desordem social. Uns atribuem à incapacidade do poder público de cumprir cláusula pétrea da Constituição. Outros creditam ao vírus inflacionário que, por três décadas, fustigou o Brasil sem piedade, inviabilizando o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de financiamento habitacional. Alguns, ainda, atribuem ao êxodo rural, cuja conseqüência foi o inchaço das metrópoles, que nos transformou numa nação eminentemente urbana. A meu ver, cada um desses fatores contribuiu para a gênese do desastre.
Claro que temos que estancar as origens, rapidamente. A economia vai bem, portanto o efeito nefasto da inflação está minimizado. A redução da migração campo-cidade tem sido objeto de atenção de algumas políticas agrícolas, voltadas para a manutenção do homem na atividade primária. E, de uns anos para cá, o Governo Federal reabilitou as ações de Estado na área de habitação de interesse social, criando o revolucionário programa Minha Casa, Minha Vida.
Todavia, os números não mentem. O abismo que suga a casa do trabalhador de baixa renda permanece profundo. Enquanto não conseguirmos resolver esse gargalo, é apenas ostentação o título de sexto PIB mundial.


E na Paraíba?
A nossa disparidade também é grande. O Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba (Ideme) divulgou estudo Características do Crescimento Populacional da Estado da Paraíba, referente ao período de 2000 a 2010. Os indicadores apontam que o grau de urbanização cresceu de 71,06% para 75,37%. O Estado acompanhou o comportamento nacional, que também subiu a taxa de 81,20% para 84,40%. Em números absolutos, 391.466 pessoas passaram a viver em zona urbana, enquanto na zona rural foi observada a redução de 67.953 habitantes. A Capital registrou o maior grau de urbanização, aumentando de 92,56% para 93,36%.


130 mil vivem em favelas
De acordo com o Censo do IBGE realizado em 2010, a Paraíba tem uma população estimada em cerca de 3,7 milhões de habitantes e 3,5 por cento da população, que representa cerca de 130.927 pessoas, vivem em aglomerados subnormais distribuídos em 36.380 domicílios. Os dados foram divulgados em dezembro passado. A maioria dos domicílios subnormais se concentram nas cidades de João Pessoa, Campina Grande, Bayeux, Cabedelo e Santa Rita. A Capital tem a maior concentração de pessoas morando em domicílios considerados subnormais com 65,5% dessa população. Campina Grande vem em segundo lugar com 20 %dessa população e Bayeux com 8,8 %população que mora em aglomerados subnormais.


Em João Pessoa
O IBGE tem o cadastro de 64 bairros na cidade de João Pessoa e de acordo com o Censo de 2010, existem aglomerados subnormais (favelas) em 59 bairros, o que representa 12,7 por cento da população da Capital, o que equivale a 91 mil e 351 habitantes. A pesquisa mostrou que as maiores concentrações populacional em aglomerados subnormais estão nos bairros de Mangabeira, Cristo, Alto do Mateus e Oitizeiro. Há muito caminho a percorrer. Melhorar renda, expandir acesso aos serviços de água tratada e de esgotamento sanitário e com isso, evoluir na qualidade de vida.