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Construção Civil

Análises e notícias sobre o setor da   construção   civil, as medidas que geram impacto para o segmento, informações sobre novos empreendimentos e sobre as empresas que atuam no mercado local.

Reajustes de contratos: bancos

No recebimento das chaves, quando o cliente não quita o saldo do imóvel com recursos próprios nem o financia direto com o construtor, entram em cena os bancos, cuja função, neste estágio, é a de refinanciar o débito para o primeiro, em longo prazo e suaves prestações, além de reembolsar o segundo, em uma única parcela. Porém, antes de evoluir no raciocínio, permitam-me fazer uma pequena contextualização histórica, já que o retorno do capital bancário ao setor imobiliário é recente.
Durante as décadas de 1980 e 1990, as instituições creditícias, tanto públicas como privadas, praticamente suspenderam as operações de financiamento da casa própria. À exceção da Caixa Econômica Federal, executora das descontinuadas políticas habitacionais do Governo, as demais preferiram não adentrar nesse mercado. A meu ver, a razão era, inicialmente, a inflação galopante, praga que corrompe os contratos de extensa duração; e, mais adiante, o receio da sua volta. Acumulou-se, então, o extraordinário déficit, superior a 8 milhões de unidades, que tanto preocupa o país.
Desde a estabilização econômica, obtida a partir de 1994 e consolidada ao longo dos anos seguintes, entretanto, o negócio voltou a atrair a banca, sobretudo após a aprovação da lei nº 10.931, em 2003, que permitiu que a alienação fiduciária substituísse a ultrapassada hipoteca, instrumento este que, com sua lerdeza, beneficia o comprador inadimplente. Neste ambiente - de carência, estabilidade e organização jurídica -, o crédito imobiliário triplicou em termos de participação no PIB, em poucos anos. E continua crescendo, para o bem de milhares de famílias brasileiras.
E tem mais: com a solidez da economia e o acirramento da concorrência entre os banqueiros, arrisco dizer que o consumidor tem, atualmente, as melhores condições de todos os tempos para financiar seu imóvel. Inclusive com reduções significativas das taxas de juros, em função da renda, o que é mais do que justo, e do “funding” utilizado. Se o proponente for beneficiário do FGTS, então, as taxas são realmente de primeiro mundo. Isso significa que, se contraído com responsabilidade, o crédito da casa própria deixou de ser o bicho-papão que era no passado. Estudam-se até mesmo prestações fixas, sem reajuste. Vejam que evolução!
Para concluir, há que se registrar um fator bastante positivo nisso tudo: a desburocratização que alcançou a concessão do financiamento. Claro que operações de crédito imobiliário continuam complexas. Não é como comprar um automóvel. Contudo, a saudável concorrência agiu neste aspecto, e os processos tramitam cada vez mais rápidos, com gerentes disputando quem libera o dinheiro em menos tempo.


Números do Banco Central
De novembro de 2010 a outubro de 2011, somados os financiamentos para aquisição e para construção de imóveis habitacionais no âmbito do SFH, chegou-se à cifra de R$ 60,04 bilhões para um total de 423.263 moradias. Para o período de novembro de 2009 a outubro de 2010, foram R$ 44,67 bilhões para 368.801 unidades financiadas. Os números representaram acréscimo de 34,41% no volume de recursos e de 14,77% na quantidade de imóveis financiados.

Crédito habitacional
Também até outubro de 2011, com relação aos financiamentos habitacionais às taxas de mercado, destinados a imóveis residenciais, segundo o Relatório do BC, o montante foi de R$ 12,09 bilhões, para 41.812 unidades, contra R$ 5,56 bilhões, para 23.554 unidades, em outubro 2010. Tivemos, portanto, acréscimo de 117,28% nos recursos alocados e um aumento de 77,52% na quantidade de imóveis financiados.

Financiamento por região
A distribuição, por regiões geográficas, do valor global dos contratos de financiamentos imobiliários concedidos no mês de outubro de 2011 concentrou 60,56% no Sudeste, 15,08% no Sul, 11,25% no Nordeste, 10,53% no Centro-Oeste e 2,58% no Norte. A distribuição dos depósitos de poupança no SBPE no mesmo mês foi de 63,73% no Sudeste, 17,02% no Sul, 11,88% no Nordeste, 4,94% no Centro-Oeste e 2,44% na Região Norte.