O preço da violência
O tsunami de violência que avança sobre a Paraíba tem causado estragos difíceis de mensurar. Por certo perpassarão gerações. Contabilizam-se inúmeras famílias que ficaram sem pais, mães sem filhos e todos nós, a sociedade organizada, aprisionados dentro dos nossos apartamentos, perguntando-nos não mais se seremos as próximas vítimas, mas quando o seremos.
João Pessoa, até bem pouco tempo uma das mais pacatas capitais, sonho de morada de dez entre dez aposentados brasileiros, mudou para muito pior, exibindo uma taxa de homicídios por 100 mil habitantes equivalente aos sítios com sérios conflitos: 80,3, segundo a última revista Veja. Leio variadas análises sobre o triste fenômeno.
Algumas atribuem o desmantelo à expansão das drogas, que se consolidaram entre os estratos emergentes graças a um subproduto da cocaína de preço acessível e elevadíssimo poder de adição chamado “crack”. Esse demônio provoca a dependência a partir dos primeiros usos e leva o consumidor a rapidamente endividar-se junto ao fornecedor. Como não há notas promissórias que possam ser cobradas nesse comércio infernal, as dívidas são pagas com a vida, nos acertos de contas entre traficantes e usuários inadimplentes.
Outras alegam que João Pessoa entrou na rota da violência depois da duplicação das rodovias que a interligam com capitais circunvizinhas, algumas das quais, como Recife, encetando severos programas de contenção da criminalidade. Há, ainda, quem atribua o avanço da bandidagem ao despreparo humano e técnico das polícias. Com remunerações insatisfatórias, portando armamentos com décadas de uso e sem um setor de inteligência capaz de desarticular as armações criminosas previamente, resta aos nossos policiais um papel reativo.
Quaisquer que sejam as causas, contudo, algo precisa ser feito. Urgente. Como não acredito em pirotecnia nem sou especialista na matéria, miro-me em exemplos bem sucedidos. O caso de Nova Iorque é marcante. Com a chamada “tolerância zero” adotada na década de 1990, a “Big Apple” pacificou zonas degradadas, reduziu a corrupção policial e aumentou as penas para os delitos. Um modelo mais próximo de nós é São Paulo, a problemática megalópole de anos atrás, que, de 1995 para cá, trouxe sua taxa de homicídios para a satisfatória marca de 13 por grupos de 100 mil pessoas, graças ao empenho inicial de Mário Covas, que foi adotado pelos seus sucessores.
A meu juízo, ou copiamos esses bons exemplos e fazemos investimentos significativos na segurança pública ou, em curto prazo, a trajetória de recuperação econômica da Paraíba ficará seriamente comprometida. Quem quererá morar ou investir numa região permanentemente em guerra?
O que é Tolerância Zero
Em Washington, o número de assassinatos caiu de 482 há 20 anos para 131 em 2010. Em Nova York, a queda foi de 2.245 homicídios em 1992 para pouco mais de 500 em 2010. A política criminal de Tolerância Zero foi aplicada em Nova Iorque, durante a gestão do Prefeito Rudolph Giuliani e significa aplicação da lei no seu rigor máximo, a partir do da visão de que uma pequena infração urbana, quando tolerada, pode levar a um enfraquecimento das normas sociais, o que gerará as condições propícias para que crimes mais graves floresçam. Houve, também, reformulação na polícia, com forte combate à corrupção.
A situação em São Paulo
Segundo o Mapa da Violência 2012, o estado de São Paulo, de uma posição de destaque no contexto da violência nacional, em poucos anos passa a ser um dos estados com os menores índices do país. Efetivamente, em 1999, com uma taxa de 44,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, o estado ocupa o 5º lugar no plano nacional. Para o ano 2010, depois de fortes e sistemáticas quedas, os índices despencam para 13,9 homicídios em 100 mil habitantes, passando a ocupar o posto 25, como um dos 3 estados mais tranquilos do país.
A influência na construção
O cotidiano das pessoas é modificado para se adequar ao contexto em que está inserido. Na construção civil, os projetos passaram a incluir modificações na forma e localização das portarias, nos acessos com eclusas, em muros mais altos e maior investimento em automação com acompanhamento das áreas comuns através de câmeras funcionando 24h. Nos condomínios, as guaritas são fortalecidas com vidros blindados e muita iluminação para facilitar a identificação dos visitantes. Há ainda os sistemas de alarme e cercas elétricas.
A perda de valor
Quem faz avaliação afirma que a localização é tudo num imóvel, no entanto, outros fatores contribuem na definição do preço. No bairro de Manaíra, quando mais distante do bairro São José maior é o valor e de modo inverso, um apartamento ou casa próximo do bairro vizinho chega a perder até 70% do preço.
