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Construção Civil

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Análises e notícias sobre o setor da   construção   civil, as medidas que geram impacto para o segmento, informações sobre novos empreendimentos e sobre as empresas que atuam no mercado local. Contato com o colunista: Iquintans@uol.com.br  

Juros baixos: bom para todos

Os bancos públicos, portentosos referenciais do setor, fustigados por um enérgico movimento da presidente Dilma com vistas à retomada do crescimento ameaçado por uma conjuntura internacional desfavorável, anunciaram nesta semana diminuições expressivas nos preços dos seus empréstimos.
Tal iniciativa pressupõe um saudável corte nos chamados spreads, assim entendidos como a diferença entre o custo de captação do recurso e as taxas das operações de crédito. Dizem as autoridades monetárias que, por aqui, estão entre os mais elevados do planeta. Não é à toa, portanto, que estabelecimentos bancários ocupam sempre os primeiros lugares entre as empresas campeãs de lucratividade, conquanto os banqueiros se queixem, como todos os brasileiros, da exorbitante carga tributária incluída nesse spread. Reclamam também, e aí com propriedade, do recolhimento compulsório que o Banco Central exige de parte dos depósitos à vista. Essa regra é um enxugamento da liquidez e, no Brasil, é praticada de maneira radical, como resquício da indevida associação que se fazia no período inflacionário de que crédito farto é nocivo para a economia.
Não acho, apesar de tudo, que a diretriz do Planalto deva ser executada à força, como se delineou em princípio, com a Fazenda adotando um tom ameaçador para o segmento, por meio de um arsenal (sic) de retaliações. Minha convicção é a de que tais embates devem ser travados no mercado, o octógono onde se enfrentam os agentes econômicos. A presidente da República conta, a seu favor, com a força, a popularidade e a capilaridade, como mencionei, de um Banco do Brasil e de uma Caixa Econômica Federal, instituições centenárias com milhares de agências e milhões de clientes.
O fato é que a redução das taxas de juros ora em curso, espontânea ou impelida, não importa, atinge a construção civil em duas frentes. E ambas positivas. Uma é o barateamento do crédito, seja às empresas para a produção imobiliária, seja às empreiteiras na antecipação de contratos de obras públicas, seja ao consumidor no desligamento final das unidades habitacionais.
A outra, tão impactante quanto a primeira, é a opção que os poupadores fazem pelo investimento imobiliário, em épocas de remunerações decrescentes nas aplicações financeiras. O dinheiro represado em poupanças e fundos em geral migra para imóveis comerciais, residenciais e fundos imobiliários, este último consolidado hoje como rentável opção para quem deseja ratear o custo da aquisição do imóvel.
Espero que essa expectativa se confirme. Serão mais imóveis e mais empregos à disposição do povo brasileiro.

 

Capilaridade do BB e da CAIXA
Para melhor avaliar o impacto da adesão dos bancos públicos no mercado, um dos elementos relevantes é a capilaridade do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O primeiro tem uma rede de 5.201 agências, com 131.299 funcionários, em todo o país. É o banco mais presente no território nacional. O segundo tem 2.300 unidades e 110.242 colaboradores. Esse é um enorme diferencial, porque facilita o acesso ao crédito e a prestação de serviços bancários.


Primeiros colocados
Só em depósitos, segundo relatório do Banco Central, o Banco do Brasil recebeu, em 2011, R$ 442 bilhões, enquanto que a Caixa registrou um volume de R$ 259 bilhões. Ambos ocupam a liderança e a vice na relação dos maiores bancos, por esta classificação. E também são bastane sólidos: o ativo total de BB, em dezembro passado, beirou R$ 950 bilhões, com lucro líquido de R$ 6 bilhões. Já a Caixa, em 2011, registrou ativo total de R$ 511 bilhões e lucro líquido de R$ 2,9 bilhões.


Influência no mercado
Pelos números que detêm, quando essas duas instituições bancárias avançam em determinada direção, causam forte influência no mercado financeiro. Um exemplo claro é o financiamento imobiliário, área dominada pela Caixa há décadas, mas que, agora, é disputado por quase todas as instituições financeiras privadas. Aliás, esta semana, a Caixa divulgou que, após a redução das taxas, o volume de crédito para pessoas físicas e jurídicas cresceu 17 e 9%, respectivamente. Sem dúvida, uma excelente notícia.