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Cultura Digital

Cultura Digital

Ricardo Oliveira traz novidades, dicas e opinião sobre o mundo da tecnologia, mercado digital, mídias sociais, games e tudo que respira bits. Toda quarta, na página 4 do caderno de Economia. Contato com o colunista: culturadigital@jornaldaparaiba.com.br

Não existe marketing digital



Meu chão na área de comunicação, marketing e publicidade não é de hoje. Aprendi cedinho, sem livros, e-books, webinários, sem meu curso de comunicação social ou o mestrado na UFPB, o que era marketing, publicidade, jornalismo. Aprendi fazendo - entendi a teoria depois.

A única coisa que eu nunca fiz e nunca pretendo fazer é tratar a comunicação como uma solução fácil pra qualquer coisa. E é isso que a nova turma do "marketing digital" faz.

A partir do momento que alguém resolveu resumir práticas desenvolvidas por pensadores como Philip Kotler em "8Ps do marketing digital", a coisa desandou profundamente. Era apenas um vestígio do que estava por vir. O que chegou depois foi muito pior.

O segmento de marketing sempre foi torturado por figuras que utilizam seus conceitos à serviço de um discurso secundário e perigoso. E o hype da vez é "o novo marketing digital", baseado em técnicas específicas de marketing de afiliados.

"7 passos para ganhar dinheiro na Internet sem investir um centavo".

Parece promissor. É impossível não clicar. O discurso não é exagerado como os antigos "Ganhe milhares de dólares, em poucas horas, sem sair de casa". Mas este mesmo papo também está lá. A ideia é quase a mesma.

Marketing de conteúdo, fórmulas de lançamento e infoprodutos são os clichês básicos desse discurso danoso. Explico:
A ideia vem sendo propagada por uma figura chamada Jeff Walker. Ele é o autor de um livro de título tão grande, que eu vou logo traduzi-lo pra facilitar: "Lançamento: a fórmula secreta de um milionário de internet para vender quase tudo online, construir um negócio que você e viver a vida dos seus sonhos".

Walker e seus seguidores ensinam que é possível ganhar muito dinheiro vendendo produtos informativos, como e-books e conferências online, investindo pouco, através da sua rede de contatos.

O "sonho" chegou ao Brasil. A fórmula consiste em uma metodologia de atração de clientes, relacionamento e venda de produtos digitais através de afiliados. Parece inocente, já que, a princípio, o método é usado por gigantes do varejo online, por exemplo.

O problema, porém, se resume a alguns fatores importantes:

1. Foco em conquistar afiliados formando mailing: tradicionalmente, essa é uma prática do chamado marketing de multi nível, também conhecido como Pirâmide, adaptada para o e-mail marketing. Quanto mais "parceiros" você tem para propagar uma ideia, maiores serão seus lucros. Esses afiliados ganham uma comissão na sua venda, o que diferencia a prática de pirâmide, mas não a afasta totalmente do método. "Quanto maior a rede, maiores os resultados". No fim das contas, a rede vale mais que o produto, mais que a sua marca. E o agregador de afiliados sempre ganha mais, muito mais que todos eles. Pior? Uma bolha se forma e ela vai explodir.

2. Os "gurus" e seu obscurantismo: esses métodos são propagados por gurus bem espertos. Eles limparam todas as arestas herdadas do marketing multi nível que o fazem parecer pirâmide. Também utilizam um discurso misterioso e cheio de "storytelling" com seus cases de sucesso (especialmente usando a fórmula) que não vem de lugar nenhum. Esses gurus de marketing digital e empreendedorismo, entretanto, não aparecem endossados em instituições tradicionais ou consagradas como Endeavor, HSM, Meio & Mensagem. Tão pouco possuem uma autoridade validada por outros profissionais consagrados, mas apenas pelos seus seguidores e afiliados.

3. O dinheiro pode não ser fácil, mas a solução é: uma das principais maquiagens dessa "máquina de vendas" é de que não é fácil ganhar dinheiro com ela. E realmente não é. Exige a dedicação de divulgar produtos para ganhar comissões, desenvolver produtos e conquistar mais afiliados. A solução, entretanto, é vendida como perfeita. Simples de entender: se a solução é igual para todos, não é empreendedorismo.

Nessas horas eu lembro de Martha Gabriel, autora do excelente livro "Marketing na Era Digital". Segundo ela, não existe "marketing digital", porque o conceito não pode servir à plataforma. Reféns de ferramentas cheias de clichê cansativos, os gurus e afiliados do "novo marketing" ainda não entenderam o que ela quis dizer com isso. E seguem envenenando o mercado.

Leitura dinâmica do futuro

Há pouco mais de um ano, eu falei por aqui sobre o Spritz. A tecnologia de leitura dinâmica sem movimentação dos olhos estava em testes e nos últimos meses ganhou forma real em aplicativos de terceiros. Para quem não lembra, o Spritz é um app para leitura de textos em navegadores de PC e dispositivos móveis. Ele exibe uma palavra de cada vez, fazendo com que você leia no mínimo 20% mais rápido que o normal. Enquanto a leitura média movimentando os olhos da esquerda para direita é de 220 palavras por minuto, com o Spritz você aumenta essa média.
Usando o app ReadMe! (Android/iOS, pago) eu estou lendo 300 palavras por minuto, em português. O app permite que você abra arquivos ePubs (nada de PDF) e escolha qual a velocidade de leitura desejada. Existe um processo de adaptação, que pra mim teve um pouco de cansaço visual.
A sensação, porém, é de que com o hábito você consegue evoluir a sua velocidade e realmente ganhar muito tempo com suas leituras. Entretanto, não qualquer leitura. Livros com muitos verbetes desconhecidos, ilustrações e gráficos devem gerar dificuldade na absorção. Outro ponto a ser ajustado é a velocidade de exibição de palavras maiores. Não me parece fazer sentido exibir "casa" na mesma velocidade que "ornitorrinco", por exemplo.
Para quem deseja testar a funcionalidade sem precisar pagar por um app, dá pra usar a tecnologia Spritz direto no navegador. Acesse www.spritzlet.com e instale o botão na sua barra de favoritos. Basta clicar nele para ler o texto da página, por exemplo. A minha velocidade de leitura no PC é mais rápida que no mobile (por conta do tamanho das palavras), chegando a 400 wpm (words per minute).
E a absorção? Essa foi exatamente a mesma pergunte que me fiz quando comecei a testar, na semana passada. Isso também envolve hábito, claro, mas está longe de ser deficitária como poderia se imaginar. O Spritz me parece uma opção concreta para ganhar tempo e conhecimento numa tacada só.


Adobe Slate

Dando passos mais interessantes que simplesmente adaptar apps, a Adobe lançou o Slate. O aplicativo, gratuito para iPad, é um "diagramador" para quem não entende disso e está cansado de softwares de slides. Slate é uma solução redondinha e muito prática pra quem quer enviar uma proposta, projeto, orçamento, apresentação ou reportagem com um visual diferente. São vários templates personalizáveis, podendo inserir textos e imagens (quase) do jeito que você quiser. Um recurso bem interessante é poder fazer uma busca imediata por imagens livres para uso, com licença Creative Commons. Vale o download.


Quarentona

No último sábado a Microsoft virou quarentona. Uma empresa de meia idade, em plena reformulação. O dia foi celebrado com um e-mail de Bill Gates, relembrando o início tudo, quando sonharam com PCs na mesa de todo mundo. Cada vez mais engajado em causas sociais, Gates afirmou que a empresa tem "os recursos para resolver e lidar com problemas difíceis. Estamos envolvidos em todas as facetas da computação moderna, e temos o maior compromisso na indústria em pesquisa e desenvolvimento". O fundador da Microsoft fez essas afirmações exaltando o poder de inovação de produtos como o Hololens e o novo navegador, o Cortana.

Em busca do ouro perdido



Este ano tem tudo para ser divisor de águas na indústria da música. Com a evidente mudança do paradigma físico para o digital, artistas e gravadoras se movimentaram nos últimos anos tateando possibilidades, distanciando-se de várias e abraçando outros rumos.

O início de tudo foi o mundo dos singles através do iTunes. A Apple promoveu uma evolução considerável em um cenário que já caía vertiginosamente diante do MP3. Através do iPod, Steve Jobs mudou o nosso jeito de consumir música, trazendo aos artistas a "esperança" em torno de micro-lançamentos. O álbum ficou em segundo plano e os singles renderam milhões.

Acontece que o mercado se movimentou bastante em torno da força do streaming. Muitos não têm paciência para o limitado armazenamento de arquivos e preferem a nuvem. Serviços como Spotify, Deezer e Rdio trouxeram de volta a noção do álbum. As prateleiras digitais dessas plataformas dão novo fôlego à música na Internet, reduzindo a pirataria e garantindo lucros.

Esses lucros, entretanto, não agradam a todos. Nesta semana foi divulgado o lançamento da plataforma de streaming de música e vídeo Tidal. Assinada pelo rapper Jay-Z e uma lista enorme de artistas que são sócios, o Tidal fez bastante barulho. Coldplay, Jack White, Madonna, Beyonce, Daft Punk, Alicia Keys e muitos outros estão juntos na divulgação, falando de qualidade sonora e mais justiça nos lucros.

O Tidal pode parecer uma opção interessante, a princípio. Seu principal argumento é de um som de alta qualidade, acima dos 320kbps que as melhores plataformas já entregam. Além disso, também conta catálogo de vídeos e é endossado pelos artistas.
A pergunta que surge é se essa diferença de áudio, apresentada como principal argumento, é o suficiente para atrair usuários. Afinal, quem percebe de fato uma mudança entre 320kbps e arquivos de 1.400kbps em um fone comum é um especialista.

Quem também se movimenta sobre o assunto é a Apple, agora abraçando a revolução que ela não cumpriu. Desde a compra da marca de headphones Beats, a maçã tem fundamentado rumores sobre o tema. Agora, a notícia é que Trent Reznor vai chefiar toda a esfera da música da empresa. A ideia aqui é reformular por completo o aplicativo de músicas da Apple, considerando que Reznor já foi diretor de criação na própria Beats. Reznor é o líder da banda Nine Inch Nails e vencedor do Oscar de melhor trilha sonora por A Rede Social.

A grande dúvida, diante de tudo isso, é para onde vai o consumo de música. Ainda que o streaming tenha ajudado a recuperar o fôlego das gravadoras, ele ainda não parece ser a solução (muito menos o Tidal). Diante dos últimos atropelos da Apple, também fica difícil acreditar que eles podem aparecer com novidades realmente disruptivas. As incertezas que sempre foram a base de toda essa história permanecem firmes e fortes.

 

Estamos ao vivo

Fique ligado na tendência em alta para 2015: transmissões ao vivo em dispositivos móveis. Através de aplicativos como o Meerkat e o Periscope (do Twitter), usuários podem usar seus smartphones e tablets para transmitir o que quiserem ao vivo. Ambos gratuitos, os apps transmitem com facilidade, de qualquer lugar, para sua rede de amigos no Twitter, Facebook, etc. O Periscope permite gravar suas transmissões por até 24 horas.

Indie game pra galera

Brasil Game Show é um evento de porte internacional que acontece em São Paulo anualmente, trazendo as principais empresas e franquias de games do mundo. Funcionando como uma grande feira, o foco é nos lançamentos e na diversão dos gamers, com competições e testes. Aparentemente inspirado no modelo, acontece na próxima sexta o João Pessoa Game Show, evento da Secretaria de Ciência e Tecnologia da prefeitura. O evento será na Praça da Paz, nos Bancários, das 15h às 22h.
O evento da PMJP tem proporções diferentes, claro. A ideia é apresentar à população o que vem sendo desenvolvido no mundo dos games por aqui. Estarão por lá os estúdios Noir, Fenrir Entertainment, Kaipora Digital, Ni Digital Studio, Nars Vera, Yupi Studios, Think Box, Firaga, R.M.A.L., Yo-Ho Studio, Mago Cinzento, além do curso de jogos digitais da Facisa e a escola de efeitos visuais Gracom.
Sim, a gente tem isso tudo de produção formal de games em nosso Estado. Essa é a galera que tem se organizado e vai apresentar por lá produções que passam com destaque por eventos com o SBGames.
"É um evento que mostra o interesse dos setores públicos na temática e vai ser excelente para as empresas testarem os jogos direto com o público", contou-me Pablo Laranjeira por telefone, um dos organizadores do evento. Ele é coordenador pedagógico e professor da Gracom e organiza o evento junto a Bruno Elias, Anderson Philip e Rodrigo Motta, que é coordenador do curso de jogos digitais da Facisa.
Totalmente gratuito, o João Pessoa Game Show também terá uma estação móvel de acesso à Internet e jogos digitais, com 11 notebooks disponíveis à população. Segundo André Valentim, coordenador geral do evento, a ideia é transformar o João Pessoa Game Show em parte do calendário anual do município. "Nós já enviamos essa sugestão à Câmara Municipal, para a criação do Dia do Desenvolvedor de Jogos Digitais", explica Valentim.
Ainda que pareça realmente fora de tempo (diante do ritmo dos gamers e desenvolvedores da capital), o evento tem sua importância. O contato da população com a produção local de games é praticamente nulo e o João Pessoa Game Show pode ser um bom passo inicial.


Paraíba Digital

Outro evento que promete chamar atenção de quem curte cultura digital na Paraíba é a Expotec. Trazido pela Associação Nacional para a Inclusão Digital, que já realizou a Conferência Brasil-Canadá 3.0, a Expotec amplia o calendário de eventos nesta área para nosso Estado. Entre 27 e 30 de maio, o Centro de Convenções terá palestras, debates, workshops e muito conteúdo na área de software livre, robótica, desenvolvimento, inclusão digital, blogs e ativismo digital. Por sinal, ao mesmo tempo, acontece o IV Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais, buscando discutir mídias alternativas, Marco Civil e outras temáticas. Com palestrantes nacionais e internacionais, a Expotec traz à Paraíba novamente Maddog, que é o diretor-executivo da Linux Internacional. O evento tem taxa de inscrição por R$ 200 e 50% de desconto para estudantes. Mais informações em http://expotec.org.br


Windows 10 para piratas

Para finalizar, a notícia que deixou muita gente surpresa e muito mais gente ainda bem feliz. A atualização do novo Windows 10, que deve chegar entre julho e setembro, será não somente gratuita para usuários de Windows 7 e Windows 8, como para todos que usarem o sistema da Microsoft em versão pirata. Durante 12 meses será possível atualizar o seu PC com a nova versão, que continua tentando integrar mais o PC com dispositivos móveis. A tentativa aqui é frear especialmente o mercado chinês, onde há altíssimo consumo de versões pirateadas do Windows.

Mario touchscreen

Que a Nintendo parou no tempo a gente já sabe. O clichê "nunca é tarde para recomeçar" pode ser inválido na economia de hoje, mas é exatamente nesse princípio que ela está de olho em seu novo anúncio. Os rumores já circulavam desde o ano passado, com uma menção do presidente da companhia e, agora, tudo se confirmou: a japonesa vai começar a produzir games para dispositivos móveis.
A parceria para tudo isso foi fechada com a DeNA, uma gigante nipônica do mundo mobile. A ideia aqui é utilizar as franquias consagradas e lançar novos jogos para as plataformas móveis. Informalmente, já é possível jogar games da Nintendo em Android e Windows Phone há bastante tempo, através de emuladores diversos. Agora, nada de relançamentos simples que apenas compensariam esse consumo ilegal. A ideia é conteúdo original.
O anúncio ainda prometeu um novo console, que por enquanto está com codinome NX. É possível que ele já traga novidades como uma integração entre smartphones e consoles, que também foi prometida.
Acordada, a Nintendo parece animar os fãs mais ávidos e aqueles que têm alguma relação com seus games tradicionais, da franquia Mario e Zelda. Resta saber se virão com algo inovador o suficiente para bater a qualidade de gigantes do mundo mobile como a Rovio.


Encontro geek
A turma de Ciência da Computação da UFPB recebe os feras com muito conteúdo na próxima semana. De 23 a 27 de março acontece a Semana da Computação, um evento gratuito, com palestras, minicursos e treinamentos da plataforma Linux. O encontro trará para os participantes apresentações sobre cultura hacker, empreendedorismo, mercado de games paraibano, robótica e tendências no mundo do desenvolvimento. As inscrições podem ser feitas no site http://semcomp20151.petccufpb.com.br até a próxima sexta.


TV self-service
Algo que vem me inquietando nos últimos tempos é a ausência de um serviço de TV a cabo mais self-service. A amarração das operadoras a combos sempre foi predatória e acarreta para o usuário um custo desnecessário. A transição que vemos foi uma consequência desse processo: a gente passou a assinar mais sistemas de conteúdo em vídeo sob demanda, como Netflix. Mas e quem quer assinar apenas um canal de esportes, por exemplo, e nada mais? Parece que a Apple está ligada nisso e pretende fornecer algo parecido através da sua Apple TV. Segundo o Wall Street Journal, a empresa estaria preparando para lançar na primavera um sistema de assinatura de pacotes com menos canais e mais qualidade.


Palavreado
Pra quem gosta de caça-palavras, a opção brazuca pra conhecer é o Letra Dourada. Desenvolvido pela Cupcake, o jogo tenta resolver a falta de bons jogos digitais nesse estilo, mas com opção em português brasileiro. Disponível para Facebook e Android, Letra Dourada é gratuito e é divido em fases, como o famoso Candy Crush. Cada conquista nas fases vale pontos e, por ser conectado a sua rede de amigos, é possível disputar com eles. Acesse hwww.cupcakese.com/ para baixar o jogo.

As horas da Apple

A gente sabe que tem algo fora do lugar quando, após um keynote da Apple, a imprensa tem mais dúvidas do que certezas e mais críticas do que elogios. A última segunda-feira foi dia de apresentar o Apple Watch na prática e um novo Macbook, mas nem todo mundo celebrou.
O relógio inteligente ainda gera incertezas, até mesmo entre os que tiveram a oportunidade de testar o gadget na prática. Vai ser realmente útil? A pergunta é vital, considerando que mesmo com inúmeros smartwatches disponíveis no mercado, eles não são exatamente populares. Ainda não existe um senso comum de que estamos diante de uma tecnologia disruptiva, que muda a vida de todo mundo, como os smartphones. Todas essas dúvidas, vejam só, também valem para o relógio da Apple.
A interface apresentada pela Apple tem aplicativos em dependência ou independência do seu iPhone. E nessa dependência, para consumir conteúdo do Instagram por exemplo, surgem novas perguntas: porque eu veria isso nessa telinha de 35 mm se posso ver no iPhone?
As suas utilidades mais práticas pareceriam incríveis (notificações rápidas, SMS ditadas por voz e até pedir um táxi pelo aplicativo Uber), não fosse a estranha duração de bateria: apenas 18 horas. Quem quer, afinal, mais um gadget pra se preocupar em carregar diariamente? E o que realmente significam essas horas em termos de uso ao longo do dia?
Produzidos em alumínio, aço inoxidável e ouro, os Apple Watches custam entre US$ 369 e 10.000 obamas, em preços iniciais. Seus valores variam bastante, considerando que ele é customizável nas opções de pulseiras. Existem versões em ouro, por exemplo, que chegam a 17 mil dólares.
O problema é que a pergunta mais importante tem uma resposta totalmente incerta. Não se sabe se vale a pena, porque os testes até agora foram muito rápidos. As certezas podem vir a partir de 24 de abril, quando ele chega as lojas de todo mundo. Essas convicções não influenciam em uma verdade que se tornou absoluta: o Apple Watch vai vender muito.


Tem MacBook também

Quem também deu as caras no evento da Apple foi um novo MacBook. Nada de Pro ou Air - é o retorno do MacBook raiz. Claro que a Apple quis apresentar inovações e assim fez: ele consegue ser surpreendentemente mais fino que um MacBook Air, que já era conhecido como papel. São quatro milímetros a menos na espessura e um peso de apenas 907 gramas. A tela é de 12 polegadas com Retina Display e o notebook tem um novo trackpad chamado Fource Touch. O sistema permite não apenas o clique tradicional, mas também por pressão, acionando recursos diferentes.
O ponto de discussão disso tudo é que, para toda essa redução, a Apple precisou diminuir as entradas do dispositivo. Isso quer dizer que existem apenas duas: uma para headphone/microfone e outra para todo o resto. Sim, a nova USB-C é, ao mesmo tempo, entrada de força, USB, HDMI, VGA e tudo mais. A invenção da Apple, claro, exige um adaptador para todo resto e isso quer dizer custo.
O novo MacBook vai custar a partir de R$ 8.499,00, com 256 GB de SSD e 8GB de memória Ram e seu adaptador sai por R$ 429,00. O preço americano deixa claro do que estamos falando aqui: US$ 1.299,00. O novo MacBook, além da versão tradicional em prateado, vem em dourado e cinza espacial.


 

Parece, mas não é

Para os androidmaníacos, a expectativa da temporada está no Samsung Galaxy S6 e no S6 Edge. São os smartphones topo de linha da empresa coreana, chegando pra agradar quem tem bolso pra bancar aparelhos que custarão, no mínimo, R$ 3.000 quando chegarem por aqui. A imprensa internacional teve acesso a testar os aparelhos na Mobile Word Congress, em Barcelona. O evento, que acontece nesta semana, é o maior encontro de produtos móveis do mundo.

Entre as principais novidades do S6 está a atualização mais robusta no design de produto, fazendo dele um aparelho bem parecido com o iPhone 6. As bordas são arredondadas, o corpo é de metal cromado e foi adicionado um vidro Gorilla Glass na parte traseira. Isso certamente deve dar mais "presença" ao Galaxy, que sempre teve o corpo baseado em plástico.

A tela do Samsung é caprichada. Em seus 5,1 polegadas com 2560 x 1440 pixels de resolução, o que é mais que Full HD. A tela do Edge tem como diferencial uma curva que desce pela lateral em ambos os lados. Esse charme passou a ser recurso de usabilidade, permitindo um acesso rápido a contatos tocando na borda da tela, em forma de widgets.

O S6 vem com processador de oito núcleos, 3GB de RAM, Android Lollipop 5.0 e opções em 32, 64 e 128 GB de memória interna, sem opção de expansão via microSD. A previsão de chegada ao Brasil é durante o mês de abril.


Pra correr e relaxar

Alto's Adventure é uma experiência diferente, diante de tantos endless running que a gente a oportunidade de jogar. Primeiro, porque ele se afirma como inspirado em um jogo do mesmo gênero, o belo Tiny Wings. Tal qual sua inspiração, Alto's é exclusivo para iOS e acerta em cheio em um design que traduz uma experiência relaxante. Apesar do jogo ser sobre uma descida de snowboard em alta velocidade, ele é mais relaxante que eletrizante. Isso porque o clima do gameplay, junto à sua trilha sonora, proporcionam uma calmaria engraçada. Tudo isso faz Alto's ser mais um jogo de momentos legais fazendo backflips no pôr-do-sol de montanhas nevadas do que a tentativa de alcançar objetivos e mais pontos. Por conta disso eu nem lembro meu recorde por lá, mas recomendo cada um dos seus 2 valiosos obamas.


Criado-mudo-carregador
A sempre inovadora Ikea, marca de móveis sueca, trouxe ao Mobile World Congress algo para deixar o hype nas alturas: móveis que recarregam seus gadgets. Não estamos falando de mesinhas que tem tomadas embutidas, mas de carregamento wireless, que está disponível para os dispositivos Samsung Galaxy e Google Nexus (ainda sem previsão para gadgets Apple). O esquema é a tecnologia Qi Wireless, que carrega por indução em uma área específica da superfície do móvel. As escrivaninhas, mesas e luminárias que contam com o sistema obviamente precisam estar conectadas na energia. Por enquanto, os produtos vão estar disponíveis na Inglaterra e Estados Unidos e custam a partir de 50 euros. A ideia veio, claro, pensando em reduzir aqueles fios que ficam espalhados nas mesinhas de cabeceira. Insuportáveis, você sabe.

E aí, Siri?



Usuários de iPhone celebram: Siri em português! A versão beta do iOS 8.3 finalmente revelou que a atualização trará a versão nacional da assistente do smartphone da Apple. Longe de ser perfeita, mas ainda assim uma grande mão na roda, a Siri permite que comandos de voz sejam dados para diversas funções do aparelho. Enviar SMS, adicionar um lembrete, ler suas últimas mensagens, publicar no Facebook etc.

Um primeiro teste na versão beta (ainda em testes) foi feito pelo Blog do iPhone, revelando que ainda existem ajustes a serem feitos na dicção e compreensão do que é solicitado. Isso, por sinal, ainda é um problema mesmo nos pedidos em inglês e já virou motivo de piada.

Na versão em inglês, é possível usar o comando "Ok, Siri", para dar comandos de voz sem precisar tocar no smartphone (apenas quando ele está conectado a uma fonte de energia). Para os brasileiros, o comando passa a ser "E aí, Siri?"

O assistente da Apple ganhou concorrentes de peso nos últimos tempos, como o Google Now (Android) e o Cortana (Windows). O sistema da Google, inclusive, já saiu na frente funcionando em português e muito bem.

Ainda nesta atualização do iOS, novos Emojis serão adicionados, tornando a ferramenta mais internacional e inclusiva: estarão disponíveis bandeiras de mais países, todos os rostinhos terão diferentes cores de pele e também existem emojis que representam casais e famílias formadas por homossexuais.
Entre março ou abril deve sair a versão 8.2 do iOS, com a chegada do Apple Watch. Ainda não há previsão de quando será disponibilizado o 8.3, que traz essas atualizações.



Para pequenos

Não é novidade pra ninguém que crianças bem novinhas já sabem usar dispositivos touch screen. Nessa facilidade do mundo dos smartphones e tablets, o aplicativo do YouTube é um dos mais procurados, já que os pais usam a plataforma para rodar vídeos de conteúdo infantil. Dali pra frente, muitas vezes a interação fica no comando da própria criança e aí surgem os riscos. Pensando nessa situação, o YouTube lançou sua versão Kids em formato de aplicativo para dispositivos móveis. O app ainda não está disponível no iTunes brasileiro, mas não deve demorar. Essencialmente, o YouTube criou uma "programação" mais focada em conteúdo 100% infantil: animações, programas de ciência, etc. A interface é formada por ícones e bem menos texto e não tem a opção de comentários. Mesmo se o pequeno fizer uma busca por termos como "sexo", os resultados previstos na plataforma normal não são exibidos. O app é gratuito e disponível para Android e iOS.



Música do mundo

Quem realmente gosta de ouvir música, sabe que parte do prazer desse hábito envolve descobrir novos artistas. Se antes o hábito era vasculhar as prateleiras das lojas de discos e CDs, hoje o processo passa pela visita a blogs especializados e aos sistemas de streaming. Uma plataforma que pode ajudar aos que tem fome de música nova é a Beehype, que foi uma dica dada por Maísa Oliveira, que é blogueira na área e cuida também do conteúdo da Cabo Branco FM na web. O site é um ambiente de curadoria de DJs e especialistas do mundo inteiro, permitindo que você descubra a música que está no hype em todos os continentes. A seleção é bem indie e despreocupada com os hits das rádios, o que torna o processo ainda mais interessante. Acesse www.beehy.pe e confira.

Jogos de ontem remasterizados



Desde que inventaram os emuladores e ROMs, a gente não perde uma boa oportunidade de relembrar algum jogo do Super Nintendo ou do Mega Drive. O processo, que nunca foi oficializado e continua numa ilegalidade aceita pelas produtoras, revela o quão nostálgico nós somos. A evidência mais interessante é justamente o fato de que existem características dos videogames que são atemporais: a história e o game design.


Game design é a estrutura que faz do jogo ser o que ele é: desafiador, divertido, conectado à narrativa. Um bom game design (não confunda com a direção de arte) alcança esses fatores com maestria, sendo quase independente da jogabilidade ou dos gráficos, que podem ficar datados. Super Mario World, por exemplo, pode parecer estranho se jogado numa TV de LED de 40 polegadas, mas nunca vai deixar de ser divertido e desafiador.


Já as narrativas vivem uma revolução única na geração atual dos consoles, mas também influenciam nesse processo nostálgico. Permanecem no imaginário do gamer especialmente aquelas que se fizeram essenciais ao jogo para existir. Os jogos de aventura point and click, por exemplo, estão de volta.
Dois títulos famosos, de "décadas passadas", voltaram em 2015 em versões remasterizadas. O primeiro deles foi Grim Fandango, clássico para PC de 1998 que tem a assinatura de um dos principais nomes do gênero, Tim Schafer. O jogo se passa em um mundo dos mortos em estilo film noir, mesclando o gênero cinematográfico com a cultura asteca. A versão remasterizada tem melhores as texturas, efeitos sonoros e uma trilha sonora renovada. Grim Fandango Remastered está disponível para PS4, PSVita, PC, Mac e Linux. Vale ressaltar que o jogo só voltou para os consoles graças a uma campanha muito bem sucedida de financiamento coletivo.


Outra pedida para quem gosta do estilo é Fahrenheit: Indigo Prophecy, jogo desenvolvido pela mesma produtora de Heavy Rain e Beyond: Two Souls. Fahrenheit, que antes havia sido lançado para PS2, Xbox e PC, agora está disponível em versão remasterizada para iOS e, em breve, para Android.


O hábito da indústria em remasterizar jogos não é uma novidade. Especialmente na transição entre gerações de consoles (entre PS2 e PS3, por exemplo), vários games recebem um boost nos gráficos e são lançados para a versão mais nova de video game disponível. O movimento que vem surgindo desde o ano passado, entretanto, é uma investigação mais profunda no passado, trazendo títulos que são relevantes historicamente e que deixaram saudade. Sigo esperando um reboot do clássico Pitfall: The Mayan Adventure, de 1994.


Xing ling
Quem está chegando de vez ao Brasil é a chinesa Xiaomi, apelida de Apple Chinesa. A empresa já tem escritório nacional e seu vice-presidente global é o brasileiro Hugo Barra. Terceira em vendas no mundo, deve ter smartphone no mercado ainda no primeiro semestre.


Super imagem
Cada vez mais 4k, o mundo vai se adaptando à nova realidade das imagens em UltraHD. A popularização do formato não virá necessariamente das TVs, que ainda são caras, mas de interfaces como o iMac 5K, sistemas como a Netflix, YouTube e câmeras como a GoPro 4.

CPBR reaquecida



Começou ontem e vai até domingo a Campus Party BR 2015, que neste ano retorna ao Centro de Exposições Imigrantes, onde aconteceu a Comic-Con Experience em dezembro. Esse é um "passeio" e tanto para quem estiver por São Paulo e gosta de conferir tecnologia e cultura geek.

Nesta edição, a CPBR finalmente reaquece sua programação de palestrantes, trazendo nomes relevantes na ciência e no mundo digital: Leo Burd, brasileiro que é pesquisador do MIT; Chris Anderson, autor de "A Cauda Longa"; John Cioffi, criador da tecnologia DSL, que revolucionou a Internet; Miguel Nicolelis, que se destacou em 2014 com o exoesqueleto usado na abertura da Copa do Mundo; e, por fim e pela diversão, Paul Zaloom, apresentador do programa de televisão O Mundo de Beakman, que fez sucesso nos anos 90.

A Campus Party é um evento mundial que acontece no Brasil em duas edições anuais, em São Paulo e em Recife. Para participar integralmente do evento, é preciso adquirir ingressos que dão direito a todas as palestras e workshops do encontro. Este ingresso também garante o uso do espaço comum (mesas com tomadas e cabos de rede) com Internet de 50 GB/s.

A CPBR ainda traz um espaço gratuito, com palestras, debates e eventos de entretenimento, como uma batalha de robôs. Acesse www.campus-party.org para mais detalhes. Os cadastrados no site têm acesso a todas as palestras, gratuitamente, transmitidas online.



Spotify + Playstation


Uma novidade excelente para quem usa o PS3 ou PS4 como central multimídia. Além dos aplicativos do YouTube e da Netflix, agora a Sony também vai disponibilizar o Playstation Music, em parceria com o Spotify. Basicamente é um serviço de streaming de música no console, permitindo utilizar sua conta e o catálogo do Spotify. Para usuários do PS4, será possível até ouvir música no app enquanto estão jogando. Para quem já tem o hábito de utilizar o YouTube e a Netflix no console, realmente faltava uma opção fácil de colocar música para tocar na TV da sala em poucos passos. A novidade ainda não tem data de lançamento.

Cadê a chave?

A gente vive perdendo coisas dentro de casa. Não sabe onde deixou a carteira, a chave do carro, o tablet ou qualquer coisa que tenha tamanho o suficiente para "se perder". Amir Bassan-Eskenazi um dia não achava seu gato em casa e pensou que seria importante pensar soluções físicas para ajudar na integração entre o online e o offline. Assim, ele criou o Pixie: um sensor adesivo para seus objetos, fazendo com que ele seja encontrado pelo aplicativo. Um pacote com 4 sensores (um pouco maiores que uma moeda de 1 real) custa US$ 40 e o app é gratuito. A grande desvantagem é que esses sensores de 30 reais duram apenas 18 meses por conta da bateria, que não é substituível. No fim das contas, é uma boa tecnologia, mas seria muito mais interessante se houvesse uma tecnologia mais ubíqua para nossos objetivos. Ou seja: um componente comum e detectável que todos os fabricantes pudessem utilizar.