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Cultura Digital

Cultura Digital

Ricardo Oliveira traz novidades, dicas e opinião sobre o mundo da tecnologia, mercado digital, mídias sociais, games e tudo que respira bits. Toda quarta, na página 4 do caderno de Economia. Contato com o colunista: culturadigital@jornaldaparaiba.com.br

Sinuca no telefone

Eu sempre gostei muito de jogos eletrônicos de sinuca. O melhor que joguei no PC foi Carom 3D, que permitia partidas online com gente do mundo todo. Era um simulador realista, com algumas “licenças poéticas”, claro. Mas era muito divertido jogar contra turcos e coreanos (os melhores do mundo no jogo) e me sentir um profissional na área. Não era coisa nenhuma, claro. Tudo digital.
É por isso que estou gostando tanto de 8 Ball Pool, um jogo de sinuca para iOS, Android, Facebook e Web. Considerando jogar no PC, o game pode parecer simples demais, mas a solução foi muito bem pensada para as pequenas telas. A visão de cima da mesa é o suficiente e até facilita a jogabilidade.
O jogo é gratuito, com compras dentro do app (para aperfeiçoar tacos ou participar de campeonatos) e tem diversão garantida. Nele você sempre joga online com gente do mundo todo e pode marcar partidas com seus amigos. A cada partida se acumula experiências e fichas que podem ser trocadas por novos tacos. Vale o download.


Timelapse no Windows

Estabilização de imagens é um desafio para videomakers profissionais, disponivel de forma mecânica (com steadycam) ou digital (softwares de edição profissional). Se o app Hyperlapse do Instagram já ajuda a fazer esse processo no telefone com bastante qualidade e ainda possibilita um timelapse, agora chegou a vez da Microsoft proporcionar o mesmo no Windows (desktop e smartphone). O detalhe é que ela “se inspirou” no mesmo nome do app lançado pela rede de fotos. Apesar do “plágio”, o Microsoft Hyperlapse é bem simples e intuitivo. Basta selecionar o vídeo que se deseja estabilizar e gerar um efeito “timelapse”, selecionar algumas poucas configurações e pronto. O app é gratuito e pode ser baixado no endereço http://bit.ly/hyperwindows


O que quer um “torcedor” de e-Sports?
O leitor de Cultura Digital sabe que eu adoro acompanhar o movimento dos e-Sports. Acho uma tendência importante no mundo e que precisa de atenção especialmente de quem trabalha com tecnologia, marketing e produção de conteúdo. Uma pesquisa recente da empresa Evenbrite revela mais detalhes dos hábitos de consumo desse público. Numa amostra de 1500 entrevistados, por exemplo, se descobriu que 81% deles vai a eventos presenciais de campeonatos profissionais de videogames para fazer parte de uma comunidade maior. Já 61% disse que usa esses eventos para conhecer amigos com quem tiveram contato apenas no ambiente online. Para quem trabalha na área, aí vai mais um dado importante: 43% dos entrevistados afirmaram que estão dispostos a pagar por ingressos para conhecer os times profissionais (meet and greet). Confira mais dados da pesquisa em http://bit.ly/pesquisaesport


O caminho do acidente
Se já era difícil fazer as pessoas pararem de falar ao telefone enquanto dirigem, o novo desafio é fazer os motoristas esquecerem as notificações e mensagens nos smartphones. Várias campanhas falam sobre isso em todo o mundo, mas o Detran do Paraná foi especialmente bem sucedido em fazer isso de uma forma simples e totalmente ligada à rotina de uma grande parcela de motoristas: o desbloqueio de tela. Já que esse é o gesto inicial para qualquer situação de uso do telefone, a agência Opusmultipla relacionou o “caminho” do desbloqueio com o caminho do acidente.

Pré-crime na TV

Minority Report é um dos meus filmes preferidos. Adoro a tradução visual de Spielberg para as ideias de Philip K. Dick, não apenas se preocupando em tecnologia, mas aprofundamento narrativo. Afinal, o melhor do filme é refletir sobre passado, futuro e predestinação. Tudo isso agora é uma série da Fox e acabou de sair o trailer, disponível no endereço http://bit.ly/minorityreportfox.
A trama para a televisão vai focar em acontecimentos posteriores ao filme de 2002. Após o encerramento do programa de precogs (três humanos que conseguiam prever crimes para a polícia), um deles tem dificuldade em seguir com a vida por não se livrar das visões do futuro. Frustrado ao tentar impedir crimes e não conseguir, ele conhece uma policial que pode ajuda-lo e começa a tentativa de impedir novos incidentes.
Ao que tudo indica, a série vai ter o clima “um caso por semana”, seguindo a tradição de programas consagrados como CSI ou Cold Case. Minority Report não tem grandes atores no elenco e deve estrear entre o fim de 2015 e início de 2016.


Van Gogh virtual

O mundo da realidade virtual tem tomado formas cada vez mais práticas em todos os seus experimentos. A chegada de tecnologias como o Gear VR da Samsung (que acopla um smartphone da marca a um óculos específico) potencializa o barateamento da produção criativa na área. Visando fomentar esse universo, a Samsung apoiou o evento VR Jam, uma maratona de hacking de realidade virtual. Uma dos resultados mais interessantes foi a bela “The Night Cafe”, que é um tributo para Van Gogh. A experiência pode ser vista sem um óculos no endereço http://bit.ly/vangoghvr. A ideia desenvolvida por Mac Cauley foi transformar o famoso quadro homônimo do pintor em um ambiente 3D. Alguns elementos ganharam animações e aprofundamento de detalhes e conseguem traduzir, para uma nova linguagem, parte da sensibilidade de Van Gogh.

 

Primeiras ideias
Eu adoro esquemas para montar minhas ideias ou mesmo explica-las para alguém. E também adoro o excelente app de ilustrações Paper para iPad. Agora, o Paper conta com a possibilidade de formas pre-prontas e novos recursos de edição. A ideia é facilitar quem gosta de usar a ferramenta para mapas mentais e apresentações de ideias. É possível unir círculos de cores diferentes automaticamente, gerando o efeito de interseção. Em vídeo (http://bit.ly/novopaper), a marca mostra que elementos desenhados podem ser movidos de lugar, através de um novo grupo de ferramentas. Agora, também é possível enviar esse material diretamente para o seu ambiente preferido de apresentações, como o Keynote ou Powerpoint. O Paper é exclusivo para iPad e gratuito, com compras dentro do app.

 

Power Rangers têm a força
O estúdio brasileiro de games Behold Studios já fez sucesso razoável pelo mundo com o meta-RPG Knights of Pen and Paper. Agora, garantiu atenção de quem curte jogos independentes com Chroma Squad, um jogo que homenageia os clássicos super sentai, aqueles programas de TV estilo Power Rangers. O novo RPG da Behold é todo em pixel art e tem o humor como seu principal elemento. A ideia é gerenciar um estúdio independente de televisão e as batalhas “gravadas” são no estilo X-COM. Chroma Squad está disponível para PC por R$ 27,99 na Steam e deve ter versões para consoles, smartphones e tablets.

Powerwall: energia sustentável, sem quedas

Estava na empresa de uns amigos e um deles comentou sobre as quedas de energia. Em poucos minutos elas foram constantes, estalando estabilizadores e deixando os nervos à flor da pele. Ainda que todos os no-breaks do mundo possam dar conta de uma falta de energia, a oscilação pode prejudicar equipamentos, especialmente computadores. E ninguém sai por aí comprando no-breaks para a casa inteira.
Juntando isso à clara necessidade gerar novas formas de energia sustentáveis, o bilionário Elon Musk da Tesla apresentou seu novo produto: um conjunto de baterias sustentáveis para residências e com zero emissão de carbono. O objetivo aqui é ser uma fonte de energia que ajuda a estabilizar a força elétrica da casa e evitar quedas.
As baterias se chamam Powerwall e Powerpack (esta para empresas). Basicamente um painel elegante que se conecta à sua energia e usa a força gerada por painéis solares. Estamos falando de um super no-break ecologicamente correto.
O Powerwall com potência de 7 KWh custa US$ 3.000 e já está disponível para compra em território americano no endereço www.teslamotors.com/powewall. A empresa Tesla é conhecida mundialmente por seus carros elétricos. O seu CEO, Elon Musk, fez fortuna através do Paypal e atualmente é conhecido por seu investimento em pesquisas científicas. O projeto SpaceX é o primeiro do mundo a vender uma viagem para a Lua. Musk também realiza pesquisas sobre como trazer foguetes de volta para a Terra. O Powerwall faz parte do que agora é a Tesla Energy.


Política digital

Um dos principais questionamentos sobre os protestos que ocorreram nos últimos anos, organizados via Internet, é sobre a sua real efetividade. Em diversos momentos, a população foi às ruas sem saber exatamente o que queria. As ideias são de oposição à corrupção, mas faltam formas de combate-la eficientemente. Pensando nisso, o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro criou a Plataforma Brasil (plataformabrasil.org.br). O ambiente online é focado na construção coletiva de políticas públicas, a partir de debates e formulação de documentos. A dinâmica começa com uma priorização de temáticas que devem ser debatidas de forma aprofundada. Quem quiser, participa dessa escolha inicial. Logo em seguida, começa a discussão do assunto através dos participantes do site e de organizações relacionadas. A partir daí se finaliza aquele debate com uma compilação que é enviada para quem pode transformar aquelas ideias em política pública. A experiência da Plataforma Brasil nasce a partir do que foi desenvolvido durante os debates do Marco Civil da Internet.

 

94 coisas diferentes
Quem nunca jogou adedonha (ou stop!), Imagem & Ação ou Quente e Frio na infância não teve infância, certo? A nostalgia dessas brincadeiras chegou ao mundo dos mobile games e uma série de jogos foi criada pela empresa Scimob. São eles: 94%, 94 segundos e 94 graus. A fixação com o número 94 não precisa de muita explicação, mas os jogos são bem legais e divertem mexendo de alguma mais inteligente com o cérebro. Em 94%, por exemplo, você precisa acertar o que as pessoas falaram sobre determinado tema. Por exemplo: sobre a Argentina, digitaram os termos futebol, alfajor, tango, vinho, etc. Em 94 segundos você precisa digitar o maior número de respostas sobre certos temas, neste tempo. Já em 94 graus, deve tentar acertar as palavras sabendo que sua pista está mais quente ou mais fria. Todos os jogos são gratuitos e disponíveis para Android e iOS.

Para produzir mais e melhor

Eu ouvia um podcast no carro que falava sobre mais uma ferramenta de produtividade e minha esposa apontou, certeira: é tanta ferramenta pra ajudar, que se a gente não se organizar, elas acabam atrapalhando.

Qualquer hora dessas inventam uma ferramenta para organizar suas ferramentas. Esse processo até aconteceu nas mídias sociais. Vários apps surgiram agregando suas contas de Twitter, Facebook, Instagram e Google+ numa mesma tela. Ninguém usa, claro. As experiências de cada espaço são individuais e seus recursos só fazem sentido por lá.

Mas o fenômeno das ferramentas de produtividade é incrível. Elas povoaram o universo da Startup e uma empresa em especial é A evangelista na área. A antiga 37signals (agora Basecamp), criou ferramentas como Highrise (um CRM para prospeção online), o Campfire (um chat colaborativo para equipes) e o próprio Basecamp (gestão de projetos).

A Basecamp propagou seus valores através de ferramentas para pequenos negócios e freelancers: organize seu trabalho para não se perder. Uma excelente forma de descobrir quais são esses valores é através do livro "Reinvente Sua Empresa", escrito pelos fundadores e lançado no Brasil pela editora Sextante.

Ferramentas digitais ajudam no dia a dia de freelancers e microempresas que ainda não tem orçamento nem demanda para um uso avançado. Eis as minhas preferidas:

1. CANVA - www.canva.com

Ideal para quem não é muito bom em design ou precisa de soluções bem práticas. O Canva é um editor para produzir artes tipo cartão de visita, e-mail marketing, posts de Instagram, Facebook, a partir de templates ou do zero com os recursos legais da ferramenta. Grátis.

2. EVERNOTE - www.evernote.com

Uma nuvem de "cadernos" para anotações rápidas e checklists. A ferramenta permite criar notas colaborativas, enviar imagens e áudios das suas ideias e conta com um chat para usar com os colaboradores. Grátis.

3. RUNRUN.IT - www.runrun.it

Uma startup nacional focada em gerenciamento de projetos e produtividade de equipes. O Runrun tem uma interface super amigável e em português, ao contrário das principais ferramentas similares da web. Possui uma versão gratuita para até 5 pessoas, como limite de megabytes anexados. Grátis com limitações.

4. POCKET - www.getpocket.com

A melhor ferramenta para salvar conteúdos e consumi-los depois, seja por falta de tempo ou pesquisas. O pocket permite instalar extensões e apps no navegador do PC e do smartphone, fazendo com que você sincronize tudo e leia onde achar melhor. É possível inserir tags para agregar conteúdos similares e acessa-los agrupados depois. Grátis.

5. GOOGLE DRIVE - http://drive.google.com

Se é para falar das preferidas, não importa se não é uma grande novidade. O Drive salva minha vida. Crio meus textos, faço minhas planilhas e até apresentações em slides, sem depender do meu PC. O sistema é integrado ao seu Gmail e tem ótimas funções de compartilhamento e download dos arquivos. Os apps de smartphone são um tanto lentos, mas bastante funcionais. Grátis.

Não existe marketing digital



Meu chão na área de comunicação, marketing e publicidade não é de hoje. Aprendi cedinho, sem livros, e-books, webinários, sem meu curso de comunicação social ou o mestrado na UFPB, o que era marketing, publicidade, jornalismo. Aprendi fazendo - entendi a teoria depois.

A única coisa que eu nunca fiz e nunca pretendo fazer é tratar a comunicação como uma solução fácil pra qualquer coisa. E é isso que a nova turma do "marketing digital" faz.

A partir do momento que alguém resolveu resumir práticas desenvolvidas por pensadores como Philip Kotler em "8Ps do marketing digital", a coisa desandou profundamente. Era apenas um vestígio do que estava por vir. O que chegou depois foi muito pior.

O segmento de marketing sempre foi torturado por figuras que utilizam seus conceitos à serviço de um discurso secundário e perigoso. E o hype da vez é "o novo marketing digital", baseado em técnicas específicas de marketing de afiliados.

"7 passos para ganhar dinheiro na Internet sem investir um centavo".

Parece promissor. É impossível não clicar. O discurso não é exagerado como os antigos "Ganhe milhares de dólares, em poucas horas, sem sair de casa". Mas este mesmo papo também está lá. A ideia é quase a mesma.

Marketing de conteúdo, fórmulas de lançamento e infoprodutos são os clichês básicos desse discurso danoso. Explico:
A ideia vem sendo propagada por uma figura chamada Jeff Walker. Ele é o autor de um livro de título tão grande, que eu vou logo traduzi-lo pra facilitar: "Lançamento: a fórmula secreta de um milionário de internet para vender quase tudo online, construir um negócio que você e viver a vida dos seus sonhos".

Walker e seus seguidores ensinam que é possível ganhar muito dinheiro vendendo produtos informativos, como e-books e conferências online, investindo pouco, através da sua rede de contatos.

O "sonho" chegou ao Brasil. A fórmula consiste em uma metodologia de atração de clientes, relacionamento e venda de produtos digitais através de afiliados. Parece inocente, já que, a princípio, o método é usado por gigantes do varejo online, por exemplo.

O problema, porém, se resume a alguns fatores importantes:

1. Foco em conquistar afiliados formando mailing: tradicionalmente, essa é uma prática do chamado marketing de multi nível, também conhecido como Pirâmide, adaptada para o e-mail marketing. Quanto mais "parceiros" você tem para propagar uma ideia, maiores serão seus lucros. Esses afiliados ganham uma comissão na sua venda, o que diferencia a prática de pirâmide, mas não a afasta totalmente do método. "Quanto maior a rede, maiores os resultados". No fim das contas, a rede vale mais que o produto, mais que a sua marca. E o agregador de afiliados sempre ganha mais, muito mais que todos eles. Pior? Uma bolha se forma e ela vai explodir.

2. Os "gurus" e seu obscurantismo: esses métodos são propagados por gurus bem espertos. Eles limparam todas as arestas herdadas do marketing multi nível que o fazem parecer pirâmide. Também utilizam um discurso misterioso e cheio de "storytelling" com seus cases de sucesso (especialmente usando a fórmula) que não vem de lugar nenhum. Esses gurus de marketing digital e empreendedorismo, entretanto, não aparecem endossados em instituições tradicionais ou consagradas como Endeavor, HSM, Meio & Mensagem. Tão pouco possuem uma autoridade validada por outros profissionais consagrados, mas apenas pelos seus seguidores e afiliados.

3. O dinheiro pode não ser fácil, mas a solução é: uma das principais maquiagens dessa "máquina de vendas" é de que não é fácil ganhar dinheiro com ela. E realmente não é. Exige a dedicação de divulgar produtos para ganhar comissões, desenvolver produtos e conquistar mais afiliados. A solução, entretanto, é vendida como perfeita. Simples de entender: se a solução é igual para todos, não é empreendedorismo.

Nessas horas eu lembro de Martha Gabriel, autora do excelente livro "Marketing na Era Digital". Segundo ela, não existe "marketing digital", porque o conceito não pode servir à plataforma. Reféns de ferramentas cheias de clichê cansativos, os gurus e afiliados do "novo marketing" ainda não entenderam o que ela quis dizer com isso. E seguem envenenando o mercado.

Leitura dinâmica do futuro

Há pouco mais de um ano, eu falei por aqui sobre o Spritz. A tecnologia de leitura dinâmica sem movimentação dos olhos estava em testes e nos últimos meses ganhou forma real em aplicativos de terceiros. Para quem não lembra, o Spritz é um app para leitura de textos em navegadores de PC e dispositivos móveis. Ele exibe uma palavra de cada vez, fazendo com que você leia no mínimo 20% mais rápido que o normal. Enquanto a leitura média movimentando os olhos da esquerda para direita é de 220 palavras por minuto, com o Spritz você aumenta essa média.
Usando o app ReadMe! (Android/iOS, pago) eu estou lendo 300 palavras por minuto, em português. O app permite que você abra arquivos ePubs (nada de PDF) e escolha qual a velocidade de leitura desejada. Existe um processo de adaptação, que pra mim teve um pouco de cansaço visual.
A sensação, porém, é de que com o hábito você consegue evoluir a sua velocidade e realmente ganhar muito tempo com suas leituras. Entretanto, não qualquer leitura. Livros com muitos verbetes desconhecidos, ilustrações e gráficos devem gerar dificuldade na absorção. Outro ponto a ser ajustado é a velocidade de exibição de palavras maiores. Não me parece fazer sentido exibir "casa" na mesma velocidade que "ornitorrinco", por exemplo.
Para quem deseja testar a funcionalidade sem precisar pagar por um app, dá pra usar a tecnologia Spritz direto no navegador. Acesse www.spritzlet.com e instale o botão na sua barra de favoritos. Basta clicar nele para ler o texto da página, por exemplo. A minha velocidade de leitura no PC é mais rápida que no mobile (por conta do tamanho das palavras), chegando a 400 wpm (words per minute).
E a absorção? Essa foi exatamente a mesma pergunte que me fiz quando comecei a testar, na semana passada. Isso também envolve hábito, claro, mas está longe de ser deficitária como poderia se imaginar. O Spritz me parece uma opção concreta para ganhar tempo e conhecimento numa tacada só.


Adobe Slate

Dando passos mais interessantes que simplesmente adaptar apps, a Adobe lançou o Slate. O aplicativo, gratuito para iPad, é um "diagramador" para quem não entende disso e está cansado de softwares de slides. Slate é uma solução redondinha e muito prática pra quem quer enviar uma proposta, projeto, orçamento, apresentação ou reportagem com um visual diferente. São vários templates personalizáveis, podendo inserir textos e imagens (quase) do jeito que você quiser. Um recurso bem interessante é poder fazer uma busca imediata por imagens livres para uso, com licença Creative Commons. Vale o download.


Quarentona

No último sábado a Microsoft virou quarentona. Uma empresa de meia idade, em plena reformulação. O dia foi celebrado com um e-mail de Bill Gates, relembrando o início tudo, quando sonharam com PCs na mesa de todo mundo. Cada vez mais engajado em causas sociais, Gates afirmou que a empresa tem "os recursos para resolver e lidar com problemas difíceis. Estamos envolvidos em todas as facetas da computação moderna, e temos o maior compromisso na indústria em pesquisa e desenvolvimento". O fundador da Microsoft fez essas afirmações exaltando o poder de inovação de produtos como o Hololens e o novo navegador, o Cortana.

Em busca do ouro perdido



Este ano tem tudo para ser divisor de águas na indústria da música. Com a evidente mudança do paradigma físico para o digital, artistas e gravadoras se movimentaram nos últimos anos tateando possibilidades, distanciando-se de várias e abraçando outros rumos.

O início de tudo foi o mundo dos singles através do iTunes. A Apple promoveu uma evolução considerável em um cenário que já caía vertiginosamente diante do MP3. Através do iPod, Steve Jobs mudou o nosso jeito de consumir música, trazendo aos artistas a "esperança" em torno de micro-lançamentos. O álbum ficou em segundo plano e os singles renderam milhões.

Acontece que o mercado se movimentou bastante em torno da força do streaming. Muitos não têm paciência para o limitado armazenamento de arquivos e preferem a nuvem. Serviços como Spotify, Deezer e Rdio trouxeram de volta a noção do álbum. As prateleiras digitais dessas plataformas dão novo fôlego à música na Internet, reduzindo a pirataria e garantindo lucros.

Esses lucros, entretanto, não agradam a todos. Nesta semana foi divulgado o lançamento da plataforma de streaming de música e vídeo Tidal. Assinada pelo rapper Jay-Z e uma lista enorme de artistas que são sócios, o Tidal fez bastante barulho. Coldplay, Jack White, Madonna, Beyonce, Daft Punk, Alicia Keys e muitos outros estão juntos na divulgação, falando de qualidade sonora e mais justiça nos lucros.

O Tidal pode parecer uma opção interessante, a princípio. Seu principal argumento é de um som de alta qualidade, acima dos 320kbps que as melhores plataformas já entregam. Além disso, também conta catálogo de vídeos e é endossado pelos artistas.
A pergunta que surge é se essa diferença de áudio, apresentada como principal argumento, é o suficiente para atrair usuários. Afinal, quem percebe de fato uma mudança entre 320kbps e arquivos de 1.400kbps em um fone comum é um especialista.

Quem também se movimenta sobre o assunto é a Apple, agora abraçando a revolução que ela não cumpriu. Desde a compra da marca de headphones Beats, a maçã tem fundamentado rumores sobre o tema. Agora, a notícia é que Trent Reznor vai chefiar toda a esfera da música da empresa. A ideia aqui é reformular por completo o aplicativo de músicas da Apple, considerando que Reznor já foi diretor de criação na própria Beats. Reznor é o líder da banda Nine Inch Nails e vencedor do Oscar de melhor trilha sonora por A Rede Social.

A grande dúvida, diante de tudo isso, é para onde vai o consumo de música. Ainda que o streaming tenha ajudado a recuperar o fôlego das gravadoras, ele ainda não parece ser a solução (muito menos o Tidal). Diante dos últimos atropelos da Apple, também fica difícil acreditar que eles podem aparecer com novidades realmente disruptivas. As incertezas que sempre foram a base de toda essa história permanecem firmes e fortes.

 

Estamos ao vivo

Fique ligado na tendência em alta para 2015: transmissões ao vivo em dispositivos móveis. Através de aplicativos como o Meerkat e o Periscope (do Twitter), usuários podem usar seus smartphones e tablets para transmitir o que quiserem ao vivo. Ambos gratuitos, os apps transmitem com facilidade, de qualquer lugar, para sua rede de amigos no Twitter, Facebook, etc. O Periscope permite gravar suas transmissões por até 24 horas.

Indie game pra galera

Brasil Game Show é um evento de porte internacional que acontece em São Paulo anualmente, trazendo as principais empresas e franquias de games do mundo. Funcionando como uma grande feira, o foco é nos lançamentos e na diversão dos gamers, com competições e testes. Aparentemente inspirado no modelo, acontece na próxima sexta o João Pessoa Game Show, evento da Secretaria de Ciência e Tecnologia da prefeitura. O evento será na Praça da Paz, nos Bancários, das 15h às 22h.
O evento da PMJP tem proporções diferentes, claro. A ideia é apresentar à população o que vem sendo desenvolvido no mundo dos games por aqui. Estarão por lá os estúdios Noir, Fenrir Entertainment, Kaipora Digital, Ni Digital Studio, Nars Vera, Yupi Studios, Think Box, Firaga, R.M.A.L., Yo-Ho Studio, Mago Cinzento, além do curso de jogos digitais da Facisa e a escola de efeitos visuais Gracom.
Sim, a gente tem isso tudo de produção formal de games em nosso Estado. Essa é a galera que tem se organizado e vai apresentar por lá produções que passam com destaque por eventos com o SBGames.
"É um evento que mostra o interesse dos setores públicos na temática e vai ser excelente para as empresas testarem os jogos direto com o público", contou-me Pablo Laranjeira por telefone, um dos organizadores do evento. Ele é coordenador pedagógico e professor da Gracom e organiza o evento junto a Bruno Elias, Anderson Philip e Rodrigo Motta, que é coordenador do curso de jogos digitais da Facisa.
Totalmente gratuito, o João Pessoa Game Show também terá uma estação móvel de acesso à Internet e jogos digitais, com 11 notebooks disponíveis à população. Segundo André Valentim, coordenador geral do evento, a ideia é transformar o João Pessoa Game Show em parte do calendário anual do município. "Nós já enviamos essa sugestão à Câmara Municipal, para a criação do Dia do Desenvolvedor de Jogos Digitais", explica Valentim.
Ainda que pareça realmente fora de tempo (diante do ritmo dos gamers e desenvolvedores da capital), o evento tem sua importância. O contato da população com a produção local de games é praticamente nulo e o João Pessoa Game Show pode ser um bom passo inicial.


Paraíba Digital

Outro evento que promete chamar atenção de quem curte cultura digital na Paraíba é a Expotec. Trazido pela Associação Nacional para a Inclusão Digital, que já realizou a Conferência Brasil-Canadá 3.0, a Expotec amplia o calendário de eventos nesta área para nosso Estado. Entre 27 e 30 de maio, o Centro de Convenções terá palestras, debates, workshops e muito conteúdo na área de software livre, robótica, desenvolvimento, inclusão digital, blogs e ativismo digital. Por sinal, ao mesmo tempo, acontece o IV Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais, buscando discutir mídias alternativas, Marco Civil e outras temáticas. Com palestrantes nacionais e internacionais, a Expotec traz à Paraíba novamente Maddog, que é o diretor-executivo da Linux Internacional. O evento tem taxa de inscrição por R$ 200 e 50% de desconto para estudantes. Mais informações em http://expotec.org.br


Windows 10 para piratas

Para finalizar, a notícia que deixou muita gente surpresa e muito mais gente ainda bem feliz. A atualização do novo Windows 10, que deve chegar entre julho e setembro, será não somente gratuita para usuários de Windows 7 e Windows 8, como para todos que usarem o sistema da Microsoft em versão pirata. Durante 12 meses será possível atualizar o seu PC com a nova versão, que continua tentando integrar mais o PC com dispositivos móveis. A tentativa aqui é frear especialmente o mercado chinês, onde há altíssimo consumo de versões pirateadas do Windows.

Mario touchscreen

Que a Nintendo parou no tempo a gente já sabe. O clichê "nunca é tarde para recomeçar" pode ser inválido na economia de hoje, mas é exatamente nesse princípio que ela está de olho em seu novo anúncio. Os rumores já circulavam desde o ano passado, com uma menção do presidente da companhia e, agora, tudo se confirmou: a japonesa vai começar a produzir games para dispositivos móveis.
A parceria para tudo isso foi fechada com a DeNA, uma gigante nipônica do mundo mobile. A ideia aqui é utilizar as franquias consagradas e lançar novos jogos para as plataformas móveis. Informalmente, já é possível jogar games da Nintendo em Android e Windows Phone há bastante tempo, através de emuladores diversos. Agora, nada de relançamentos simples que apenas compensariam esse consumo ilegal. A ideia é conteúdo original.
O anúncio ainda prometeu um novo console, que por enquanto está com codinome NX. É possível que ele já traga novidades como uma integração entre smartphones e consoles, que também foi prometida.
Acordada, a Nintendo parece animar os fãs mais ávidos e aqueles que têm alguma relação com seus games tradicionais, da franquia Mario e Zelda. Resta saber se virão com algo inovador o suficiente para bater a qualidade de gigantes do mundo mobile como a Rovio.


Encontro geek
A turma de Ciência da Computação da UFPB recebe os feras com muito conteúdo na próxima semana. De 23 a 27 de março acontece a Semana da Computação, um evento gratuito, com palestras, minicursos e treinamentos da plataforma Linux. O encontro trará para os participantes apresentações sobre cultura hacker, empreendedorismo, mercado de games paraibano, robótica e tendências no mundo do desenvolvimento. As inscrições podem ser feitas no site http://semcomp20151.petccufpb.com.br até a próxima sexta.


TV self-service
Algo que vem me inquietando nos últimos tempos é a ausência de um serviço de TV a cabo mais self-service. A amarração das operadoras a combos sempre foi predatória e acarreta para o usuário um custo desnecessário. A transição que vemos foi uma consequência desse processo: a gente passou a assinar mais sistemas de conteúdo em vídeo sob demanda, como Netflix. Mas e quem quer assinar apenas um canal de esportes, por exemplo, e nada mais? Parece que a Apple está ligada nisso e pretende fornecer algo parecido através da sua Apple TV. Segundo o Wall Street Journal, a empresa estaria preparando para lançar na primavera um sistema de assinatura de pacotes com menos canais e mais qualidade.


Palavreado
Pra quem gosta de caça-palavras, a opção brazuca pra conhecer é o Letra Dourada. Desenvolvido pela Cupcake, o jogo tenta resolver a falta de bons jogos digitais nesse estilo, mas com opção em português brasileiro. Disponível para Facebook e Android, Letra Dourada é gratuito e é divido em fases, como o famoso Candy Crush. Cada conquista nas fases vale pontos e, por ser conectado a sua rede de amigos, é possível disputar com eles. Acesse hwww.cupcakese.com/ para baixar o jogo.

As horas da Apple

A gente sabe que tem algo fora do lugar quando, após um keynote da Apple, a imprensa tem mais dúvidas do que certezas e mais críticas do que elogios. A última segunda-feira foi dia de apresentar o Apple Watch na prática e um novo Macbook, mas nem todo mundo celebrou.
O relógio inteligente ainda gera incertezas, até mesmo entre os que tiveram a oportunidade de testar o gadget na prática. Vai ser realmente útil? A pergunta é vital, considerando que mesmo com inúmeros smartwatches disponíveis no mercado, eles não são exatamente populares. Ainda não existe um senso comum de que estamos diante de uma tecnologia disruptiva, que muda a vida de todo mundo, como os smartphones. Todas essas dúvidas, vejam só, também valem para o relógio da Apple.
A interface apresentada pela Apple tem aplicativos em dependência ou independência do seu iPhone. E nessa dependência, para consumir conteúdo do Instagram por exemplo, surgem novas perguntas: porque eu veria isso nessa telinha de 35 mm se posso ver no iPhone?
As suas utilidades mais práticas pareceriam incríveis (notificações rápidas, SMS ditadas por voz e até pedir um táxi pelo aplicativo Uber), não fosse a estranha duração de bateria: apenas 18 horas. Quem quer, afinal, mais um gadget pra se preocupar em carregar diariamente? E o que realmente significam essas horas em termos de uso ao longo do dia?
Produzidos em alumínio, aço inoxidável e ouro, os Apple Watches custam entre US$ 369 e 10.000 obamas, em preços iniciais. Seus valores variam bastante, considerando que ele é customizável nas opções de pulseiras. Existem versões em ouro, por exemplo, que chegam a 17 mil dólares.
O problema é que a pergunta mais importante tem uma resposta totalmente incerta. Não se sabe se vale a pena, porque os testes até agora foram muito rápidos. As certezas podem vir a partir de 24 de abril, quando ele chega as lojas de todo mundo. Essas convicções não influenciam em uma verdade que se tornou absoluta: o Apple Watch vai vender muito.


Tem MacBook também

Quem também deu as caras no evento da Apple foi um novo MacBook. Nada de Pro ou Air - é o retorno do MacBook raiz. Claro que a Apple quis apresentar inovações e assim fez: ele consegue ser surpreendentemente mais fino que um MacBook Air, que já era conhecido como papel. São quatro milímetros a menos na espessura e um peso de apenas 907 gramas. A tela é de 12 polegadas com Retina Display e o notebook tem um novo trackpad chamado Fource Touch. O sistema permite não apenas o clique tradicional, mas também por pressão, acionando recursos diferentes.
O ponto de discussão disso tudo é que, para toda essa redução, a Apple precisou diminuir as entradas do dispositivo. Isso quer dizer que existem apenas duas: uma para headphone/microfone e outra para todo o resto. Sim, a nova USB-C é, ao mesmo tempo, entrada de força, USB, HDMI, VGA e tudo mais. A invenção da Apple, claro, exige um adaptador para todo resto e isso quer dizer custo.
O novo MacBook vai custar a partir de R$ 8.499,00, com 256 GB de SSD e 8GB de memória Ram e seu adaptador sai por R$ 429,00. O preço americano deixa claro do que estamos falando aqui: US$ 1.299,00. O novo MacBook, além da versão tradicional em prateado, vem em dourado e cinza espacial.