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Falou e Disse

O professor Chico Viana associa a variedade de temas própria da crônica com reflexões e comentários sobre a língua portuguesa.

Os temas de redação da UFPB

A prova da UFPB apresentou dois temas O primeiro teve como suporte um fragmento de “O pagador de promessas”. Nesse fragmento, o padre Olavo procura demover Zé do Burro de levar a cruz ao interior da Igreja para agradecer o restabelecimento do burro Nicolau. Com isso, revela-se incapaz de compreender a concepção de religiosidade do interiorano. A dimensão ética da promessa, que impunha o cumprimento da palavra dada, constituía o tema propriamente dito. O aluno deveria desenvolvê-lo sob a forma de um texto de opinião com o mínimo de 12 e o máximo de 15 linhas.
O texto de opinião se caracteriza pela apresentação de um ponto de vista e de argumentos que visam sustentá-lo. O estudante não era obrigado a se limitar ao embate entre o padre e Zé; poderia (e mesmo deveria) ampliá-lo com a referência a outros domínios das relações sociais em que se exige cumprir o prometido.
O texto deveria se estruturar como um pequeno artigo, com título, desenvolvimento e conclusão. O título é fundamental em textos desse tipo, pois constitui uma prévia do posicionamento do autor. Além disso, mostra que o estudante tem poder de síntese e uma visão global do que desenvolveu. Às vezes constitui uma particularidade que, de modo original, reforça o ponto de vista. É pena que a banca não tenha reservado espaço para ele. O aluno poderia suprir essa lacuna apresentando-o na primeira linha e logo na seguinte iniciando a introdução.
O segundo tema parte de uma charge com dois quadros. No primeiro, uma criança pede ao pai que leia um conto de fadas para ela e o irmão dormirem. No segundo, o pai lê um trecho da Constituição segundo o qual “todo brasileiro tem direito a moradia”. O detalhe irônico, revelado também no segundo quadro, é que eles moram embaixo de uma ponte.
A banca solicitava novamente um texto opinativo, sob a forma de um comentário (entre 8 e 10 linhas). Sem dúvida, esse tema trouxe mais dificuldade para os candidatos devido à sua abrangência; em poucas linhas eles deveriam bordar “a questão da moradia no Brasil” -- um assunto que tem implicações políticas, regionais, demográficas!
Como se tratava de um “comentário”, o texto poderia dispensar o título (mas quem intitulou não vai perder nada com isso). O aluno deveria escrevê-lo em um ou, de preferência, em dois parágrafos. O motivo disso é que um parágrafo com tal número de linhas fatalmente apresenta mais de um “tópico frasal” -- e o tópico, como se sabe, é que lhe confere unidade.
A exemplo do que aconteceu no ano passado, a banca apresentou como suportes para os respectivos temas um texto verbal e outro misto (com gráfico, charge). Ou seja: procurou avaliar no aluno a capacidade de ler e inter-relacionar diferentes códigos. Esse foi um ponto positivo. O negativo é que a opção por dois textos curtos tende a propiciar redações pontuais, de pouco fôlego, insuficientes do ponto de vista argumentativo. Temas como ética, moradia ou trabalho infantil detêm uma complexidade que demanda maior espaço para serem suficientemente desenvolvidos.


DE OLHO NO VESTIBULAR
“Pais e mães que sempre sonharam com o que há de melhor para os filhos caem num abismo psicológico ao se depararem com os jovens no caminho das drogas.” (Redação de um aluno)
No intuito de parecer profundo, o estudante por vezes compromete o rigor semântico. Usa termos pomposos, que sacrificam a clareza da informação.
É o que ocorre na passagem acima com “cair num abismo psicológico”. O que vem a vem a ser isso? Trata-se de um conceito impreciso, exagerado, que obscurece o sentido. Dá a entender que o aluno não sabe bem do que está falando. Por que não dizer, simplesmente, que os pais “se frustram”, “se angustiam”, “caem em desalento”?
O tal do “abismo”, com sua incontornável amplidão, terminou arruinando a frase.


PALAVREANDO
Seja como for para você 2012, de uma coisa pode estar certo: ele vai lhe tirar um ano de vida.

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- A melhor forma de lembrar os compromissos é anotar tudo num papel. Por que você não faz isso?
- Eu faço... O problema é que sempre esqueço onde guardei o papel.

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Quem tem boca deve cuidar do aroma.
MURAL
“O perfeccionismo é uma forma malvada e fria de idealismo.”
Anne Lamott, em “Palavra por palavra”