Considerações heterodoxas sobre o sonho
Nunca desista dos seus sonhos, mesmo porque isso não iria adiantar. Está provado que precisamos sonhar para manter nosso equilíbrio psicológico e a paz em casa. Quem não sonha dorme mal e perde o senso de humor. Antes de Freud, a ciência tinha preconceito contra os sonhos; achava que eles eram apenas uma forma de a mente reagir aos estímulos recebidos durante o dia. O pai da psicanálise demonstrou que não era nada disso. Sonhamos para realizar desejos, mesmo (ou sobretudo) os inconfessáveis.
Há gente que volta a dormir para retomar um sonho interrompido por alguma razão. Sobretudo quando se trata de um sonho erótico. Um amigo meu passou por experiência parecida. Sonhou que estava em idílio com uma mulher belíssima (mistura de Gisele Bündchen e Juliana Paes), quando foi acordado pelos latidos do seu cão.
Depois de conseguir que ele se calasse ameaçando cortar-lhe a ração do dia seguinte, voltou a dormir com o pensamento voltado para a deusa do sonho. Adormeceu, porém... decepção. Sonhou que era abordado por um fiscal da vigilância sanitária. Depois compreendeu o porquê: no dia anterior tinha lido uma reportagem sobre a possível volta da dengue... O sonhos têm disso: trazem tanto o que se deseja, quanto o que se teme. É uma forma de prazer e de exorcismo.
Um fenômeno curioso apontado por Freud é a “distorção onírica”. Ela é que dá ao sonho aquele aspecto irracional que faz as mentes cartesianas desprezarem seu conteúdo. Mas aí é que está o engano: a distorção decorre da censura, o tal superego, que não lhe deixa em paz nem quando você está dormindo. É um censor que deforma as imagens oníricas e só permite que se reconheça em parte o objeto de desejo. Por exemplo: se você quer muito ser médico, pode sonhar com uma cobra. A explicação está em que a cobra (ou melhor, a serpente) é o animal que circunda o bastão de Esculápio, deus da Medicina segundo os gregos. Pode-se também interpretar esse vínculo como uma alusão a quanto hoje um bom médico... cobra.
O sonho não é uma simples lembrança, mas uma vivência. Na chamada “cena do sonho”, representamos um papel e sentimos emoções por vezes insuportáveis. Isso já levou um repórter a escrever, a propósito de um indivíduo que sucumbiu durante um pesadelo: “Ao despertar, viu que tinha morrido.”
DE OLHO NO VESTIBULAR
O vestibular não avalia o candidato apenas como produtor de texto. Avalia-o também como leitor. Um dos meios de fazer é verificar se ele foi capaz de atender à proposta temática. Não é justo tratar da mesma forma quem entendeu e quem não entendeu o tema, mesmo que essa incompreensão não impeça alguém de produzir um texto linguisticamente satisfatório. Diante disso, é preciso interpretar corretamente as instruções formuladas pela banca. “Sabendo interpretar o que lê, o estudante organiza as ideias e produz bom texto” (Lygia Fagundes Telles).
Além do tema, deve-se também observar com rigor o tipo textual (no Enem e na maioria dos vestibulares se pede a dissertação argumentativa) e o registro de linguagem (deve-se respeitar a norma culta).
SINAL FECHADO
“Ser original é ter caráter próprio, ser inédito, que não procura imitar nem seguir ninguém.” (De um ator, em entrevista numa publicação de variedades)
Ao definir na frase acima o que é ser original, o entrevistado desrespeitou o princípio do paralelismo sintático. Segundo esse princípio, palavras ou expressões coordenadas têm o mesmo valor e devem, portanto, ter a mesma forma.
As duas primeiras expressões que caracterizam “ser original” aparecem sob a forma de orações reduzidas de infinitivo (“ter caráter próprio”, “ser inédito”). A última delas, contudo, aparece em forma de oração desenvolvida (“que não procura”). Restabelecendo-se o paralelismo, a frase fica mais clara e elegante: “Ser original é ter caráter próprio, ser inédito, não procurar imitar nem seguir ninguém.”
PALAVREANDO
Mais calma, motoqueiros. Ninguém morre de Vespa.
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Tem político que, quando faz alguma coisa importante, corre para divulgar. De fato, isso é tão raro que justifica mesmo um outdoor.
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- Joãozinho, qual a primeira coisa que você faz ao acordar?
- Abro os olhos, professora.
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Os lutadores de UFC são todos farinha do mesmo soco.
