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Gonzaga Rodrigues

Espaço que revela, através de crônicas, acontecimentos do cotidiano do povo nordestino com um misto de política e literatura.

Árvores do caminho

Duas árvores do meu caminho que continuo a avistar de longe neste começo de fevereiro: A União, que sobrevive suspensa na copa, pela fronde professoral, ainda que desalojada há quarenta anos do primitivo tronco. E meu amigo Reinaldo de Oliveira Sobrinho, representante vivo de uma das famílias mais cordiais, benemérita da cidade , das suas instituições e do seu povo.
O irmão, José Clementino Junior, um dos fundadores da Universidade, foi dos pioneiros no tratamento moderno da tuberculose. Foi amparo e exemplo para muito dos seus bons alunos. Fez devotos na legião dos que logrou curar, entre os quais lembro Nathanael Alves, e entre os que fez escola, como Marcos Pedro da Silva e Francisco Carneiro Braga.
O irmão Reinaldo, voltado para as letras, fez jornalismo, dedicou-se à historiografia, tendo como suporte o serviço público. Foi quem primeiro me chamou a atenção, através de ensaio biográfico, para a figura de Arthur Achylles, jornalista que se antecipou a muitas lideranças na luta pela modernização da Paraíba. Como ensaísta foi mais longe, mergulhando nas raízes de Areia, nas suas origens civilizatórias, para nos oferecer a saga produzida no massapé brejeiro. Hegemônica na produção de rapadura, de latinistas, abolicionistas, de presidentes de Estado e das grandes estrelas das letras e das artes. Tudo, em Reinaldo, com a maior modéstia, a ver pelos títulos: “Esboço de monografia do município de Areia”, “Terras de Massapé”, “Capítulos de Historia da Paraíba (I e II).
E sem nenhuma vontade de parar aos 95 anos, com vistas para ler, mais livro para escrever e, de quebra, entre amigos e cuidados da família, com uma dose mansa e loquaz de bom uísque.
Não faz um mês animou-me, pelo telefone, a segurar a pena, lembrando que é arriscado aposentá-la.
Além dele, tive em seus irmãos Geraldo, Toinho, nas irmãs que me faziam parar em suas janelas de Cruz do Peixe, as falas e os gestos mais afáveis da boa amizade. Pessoas unidas a algumas outras que me fizeram grudar nesta cidade.
São muitas as afinidades. Quando nos demos a conhecer, numa porta de livraria, enquanto eu falava de “A União”, que aniversaria com ele, Reinaldo falava de “A Imprensa”, onde deve ter aprendido com D. Carlos Coelho, além de escrever, a virtude da eficiência com simplicidade.