Conheça a versão em audio do Jornal da Paraíba
Blogs & Colunas

Gonzaga Rodrigues

Espaço que revela, através de crônicas, acontecimentos do cotidiano do povo nordestino com um misto de política e literatura.

Niskier e sua fé

No auge da “Manchete”, de Bloch Editores, conheci um dos seus nomes mais famosos, o jornalista Arnaldo Niskier, escritor dedicado à Educação na sua prática e na sua História. Na prática da sala de aula, da conferência, da arregimentação e da divulgação das técnicas e experiências modernas nesta sua área. Escrevia sem complicação, como sempre escreve, sem exibicionismos de especialista, revelando uma sinceridade que ajudava em seu crédito de jornalista, escritor e professor.
Eu trabalhava com Aramis Alves Ayres num álbum da Paraíba que a Bloch editava pelas mãos de Alvimar Rodrigues, quando me vi, no restaurante da empresa, a dois passos do professsor Niskier. Ele almoçava com Carlos Heitor Cony, o cronista que tomara as dores da imprensa e do país oprimido, em sua coluna do “Correio da Manhã”. Duas celebridades que eu via de longe.
“Vou te apresentar”- levantou-se Aramis, conviva da casa. Acompanhei-o receoso, pois nunca me saí bem nessas situações. Encolho-me quando vejo um vulto muito grande diante de mim. Foi assim com Francisco de Assis Barbosa, aqui em João Pessoa; autor da minha devoção depois que narrou a vida de Lima Barreto. E ali tive uma surpresa das poucas: Niskier quase me convencia que o prazer era dele.
Agora, neste exato momento, vejo-o tocando em dois pontos que renovam a simpatia e a identificação: não acredita na morte do livro, como apregoam os mais apressados, e faz menção ao crescimento significativo da venda de jornais. Isto quando bilhões de dólares são aplicados pela gigante Apple na produção de livros eletrônicos na área da Educação. E quando assisto ao fechamento de O Norte, patrimônio cívico e cultural da Paraíba. O que fazer?
Entra, então, o velho professor que não se assusta com a revolução tecnológica: “Vêm aí tabuletas coloridas, lousas eletrônicas, associadas a vídeos e jogos interativos que fascinam o espírito dos nossos jovens. Teremos cursos on-line e aulas virtuais que acabarão configurando o que chamamos de pedagonet”. E adverte: “O que precisa ser feito é uma revolução rápida e inadiável nos cursos de formação de professores. (...) Há milhares de professores que não sabem usar um computador”.
Ou uma revolução mais em baixo – tomo a liberdade de acrescentar - que ajude o professor, com bom preparo e salário razoável, a responder ao aluno as dúvidas anteriores ao computador.