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Gonzaga Rodrigues

Espaço que revela, através de crônicas, acontecimentos do cotidiano do povo nordestino com um misto de política e literatura.

Dinâmica da política

O empresário vitorioso de hoje, ex-deputado Manuel Alceu Gaudêncio, não chegava, como político, a ser um pensador, talvez nem mesmo um bom consultor no ramo, mas sabia ver na política um terreno fertilíssimo de curiosidade e humor. Por conta disso são-lhe atribuídas algumas tiradas que ficaram na crônica política local com foros de aforismo. Um deles, gerado no vespeiro das disputas internas entre ernanistas e agripinistas, repete coisa parecida do velho Capanema sobre a dinâmica da política.
Vendo agora a botada de cartas de José Octávio para a sorte das dissidências, tendo em vista a disputa vinda a público de forma prematura nas hostes do próprio coletivo alçado há pouco ao poder, só me ocorre o velho clichê de Manuelzinho, ( A política ;e dinâmica) assim chamado pelos amigos.
Dinâmica até demais, para os nossos velhos tempos, mas talvez nem tanto para a instantaneidade virtual dos ícones e valores de hoje. Numa fração minimíssima de tempo a neta de minha amiga e confreira Adylla Rabelo, a doce e meiga Luiza, saiu dos cuidados familiares para o delírio de milhões de brasileiros e até estrangeiros. Na corrida política, uma das vantagens do presidente Obama correu imperceptível, infensa às pesquisas de alvo tradicional, através das chamadas redes sociais. Quem sabe se o secretário de Comunicação do Governo não está vendo e sabendo além do mirante do líder e chefe?
O governador Ricardo, mesmo ligado ainda às novas gerações, elegeu-se à moda velha. Isto é, conquistando voto a voto no terra-a-terra. No eleitor que ele via tocando no chão, real, concreto, digamos de carne e osso. Eleitor tangível, não apenas das telas, dos vídeos, nada on-line, arregimentado cara a cara a partir da grei universitária, do eleitorado dos bairros, deputado da cidade inteira, até alcançar a Prefeitura e o Estado. Apesar de ainda moço, pregando o novo, a mudança, recorreu à moda velha da aliança útil, relembrada no vai-e-vem de José Américo e Rui Carneiro, correligionários e adversários repentinamente, uma situação em cima da outra.
Na verdade, na verdade, nos ensaios presentes não há dissidência. A escala do time é do doutor Ricardo e só depende dele. A de 1960, mencionada por Arruda Mello, veio de baixo pra cima. O grito de Pedro flamejava, nada volátil, na fervura de dois anos de um governo que elegera Rui senador, derrotando o aliado de ontem, ninguém menos que José Américo. Foi ruptura mesmo, muito diferente.