Sinal dos tempos?
Revendo papeis velhos, encontro esta anotação encartada num dos tomos da História da República de Helio Silva: “O Agripino da Banda de Música da UDN reconhece, afinal, a existência de ‘forças ocultas’ e, mais do que isso, se dispõe a levar ao presidente minuta de decreto invalidando as concessões a empresas estrangeiras das jazidas de ferro que permanecem inexploradas”.
É de 1961, creio que anterior ao 25 de agosto, dia em que Jânio renunciou. Não tem assinatura, mas é de José Joffily, que compunha a mesa da API formada para uma palestra de Agripino ministro sobre a luta em que se debatiam os nacionalistas para preservar as riquezas minerais brasileiras da exploração estrangeira. Joffily me passava a nota enquanto João falava.
O grande impacto, para a maioria dos presentes, foi ver Agripino e Joffily na mesma mesa, oponentes partidários aqui e ideológicos nos debates da Câmara; mas fato previsível para os que vinham acompanhando o posicionamento do Agripino “entreguista” da UDN no enfrentamento com a Hanna, com a St. John d’El Rei Mining Co. na disputa pelo quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, todas atritando com a Vale do Rio Doce, a empresa estatal da grande resistência.
Ali Agripino vestia as cores do Brasil como primeiro ministro das Minas e Energia, entrando em choque com elementos do próprio governo, com seu próprio ministro da Fazenda, Clemente Mariani, quando da elaboração das leis antitruste e de limitação da remessa de lucros. É assunto de um passado que pouco significa para a nova geração e que rememoro num painel biográfico sobre a coerência de idéias de José Maranhão, lançado na hora errada , tanto que entendido apenas como biografia autorizada.
A API de então exultava com a pujança de sua representação política no campo das decisões nacionais mais consequentes .
Havia disputas renhidas, até barbarismos como o da praça da Bandeira na campanha de 1950, mas havia lances bonitos de união pela pátria ou pelos interesses do estado.
Quanto a essa menção aos interesses do Estado ... o da Paraíba, desde Epitácio, com a construção do porto, até os dias de hoje, o que se tem visto – diga-se - é o sucessor torcer a cara à obra do sucedido. Escapa a estrada central, a BR, desde quando saiu da esfera do Estado para a da União. Com recursos locais, Rui Carneiro conseguiu pavimentar de Bayeux até Santa Rita, retomada no segundo período de José Américo, oito anos depois. Passam-se mais dez anos para que Agripino prossiga a obra, completando a do outro, como não foi diferente com Mariz/ Maranhão retomada por Ronaldo etc , obra única de união entre governos. Ricardo, agora, que só tem críticas ao antecessor, assume obras como o Centro de Convenção, Acauã, Camará, etc. Sinal dos tempos?
