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Pão & Circo

Pão & Circo

Nem tão santificada como o pão, nem tão carnavalesca quanto o circo. O cotidiano da cidade e de suas pessoas, a notável das coisas simples. Uma coluna aberta a seu tempo onde a versão é mais importante que o fato. Contato com o colunista: stavares@tce.pb.gov.br

O MEA CULPA NACIONAL

Nada mais difícil de admitir do que a culpa coletiva. Acabada a segunda guerra, os alemães juravam que não sabiam das atrocidades dos nazistas e que eram todas pessoas puras. Esse mesmo fenômeno se dá conosco, quando vamos às urnas e escolhemos errado. Todos reclamam da crise em que Lula e Dilma nos mergulharam, mas esquecem de que tanto Lula como Dilma foram eleitos e reeleitos com o voto de milhões de brasileiros, não só com a força petista que eles dominavam. Portanto, cada um de nós que sufragou o nome dos candidatos petistas tem uma parcela de culpa sobre a situação atual do Brasil, seus desmandos, seus descaminhos e a corrupção que não vem de agora, mas que nos foi mostrada pela televisão no processo do mensalão.
Nós preferimos acreditar na inocência de Lula a acreditar na realidade dos fatos, que mostravam claramente que um roubo na escala do mensalão não existiria nem se concretizaria sem o aval do Planalto. E conduzimos novamente Lula ao poder, como conduzimos Dilma, encantados com a súbita ascensão da classe pobre, com os benefícios do crédito aberto, sem nos perguntarmos nunca quanto custaria a nós mesmo essa farra política. Foi preciso a Lava-Jato, com o mar de lama que ela trouxe, para que enfim descobríssemos a real face do PT e suas políticas de permanência no poder. Foi preciso que chegássemos ao fundo do poço, com um PIB negativo, para que despertássemos desse sonho populista que nos impingiram.
Não adianta odiar Dilma de coração, nem rogar pela sua saída, depois que a mandamos de volta ao Alvorada, quando todos os fatos mostravam que ela levava o país a um desastre. Tivemos opções, mas preferimos Dilma, nesse crime coletivo em que o Brasil todo se deve sentir culpado. Pecamos pela confiança, pecamos por acreditar em discursos vazios, quando a realidade nos apontava outra rota, e pecamos pelo voto displicente, dado sem interesse ou por interesses escusos.

Privilégios
 

Uma ilegalidade nunca vem só. Depois da tal Câmara de Conciliação - que concilia o calote - veio a emenda ainda pior. As construtoras que prestam serviço ao Estado ficaram de fora dessa redução drástica de 15% cobrada de todos os outros fornecedores.
Pode não ser esse o caso, mas tradicionalmente as construtoras são as grandes doadoras nas campanhas eleitorais, e isso pode ter pesado no fato delas permanecerem com seus valores intactos até outra negociação.
Já para os outros - um grande contingente de comerciantes médios e pequenos - a lei é dura. 15% dados em nome da quebradeira oficial praticamente eliminam a margem de lucro de quem vende, e o Estado fatalmente terá problemas para encontrar fornecedores assim tão dóceis que se submetam a esse jogo.

Sangue
 

A Câmara de Conciliação foi toda ela composta de ricardistas de puro sangue, desses que não contestam ordens nem discutem determinações.
São na sua maioria do primeiro escalão e do núcleo duro do ricardismo, e com isso os fornecedores não esperem por moleza nas negociações.
As ordens do chefe serão cumpridas à risca, estejam dentro da legalidade ou não, agradem ou não a quem comercializa.
Portanto, quem esperava por tempos mais suaves que desista da ideia.

Paulada

A deputada Estelizabel foi contundente na sua crítica aos vereadores do seu partido. Ela acusa os legisladores socialistas de darem uma vida boa a Cartaxo sem baterem forte na sua administração.

Erro
Solenemente o nosso secretário da Comunicação, Luís Tôrres, diz que Cartaxo também deu um calote oficial nos fornecedores. Um erro, meu caro Tôrres, absolutamente não justifica outro.
 

Cisão
Havia uma cisão silenciosa na Comunicação da prefeitura até que Anderson Pires pediu para sair. O vereador Marcus Vinicius volta ao comando absoluto da pasta ao menos até retornar à Câmara.
 

Projeções
Interessado na vaga de prefeito de Guarabira, o radialista Célio Alves projeta uma união entre os Paulino e Zenóbio.
Para ele quanto pior, melhor.
 

Processo
Estado entrará com ação contra o Incor, em Campina Grande, pela morte de um paciente não atendido. Isso não exime o Estado nem a Justiça de sua parcela na culpa.  
 

Caminho
O PT já encontrou seu candidato, que será mesmo o presidente da legenda no Estado.
Falta agora encontrar os votos.

Frases...

Equiparando - Trabalho em equipe é ideal. Quando dá errado se divide o erro.
 

Idiotamente - Passar pela vida sem problemas, só se fazendo de idiota. Ou sendo um.
 

Solitário - Chato é aquele cara que lhe tira da solidão sem lhe fazer companhia.