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Pão & Circo

Pão & Circo

Nem tão santificada como o pão, nem tão carnavalesca quanto o circo. O cotidiano da cidade e de suas pessoas, a notável das coisas simples. Uma coluna aberta a seu tempo onde a versão é mais importante que o fato. Contato com o colunista: stavares@tce.pb.gov.br

MUDANÇA DE RUMO

O governador Ricardo Coutinho pavimentou seu caminho com um discurso de austeridade, equilíbrio fiscal e o pagamento de todas suas obrigações - inclusive as salariais - dentro do mês vigente. Essa era a tônica da propaganda governamental e o martelo com que ele batia em governos anteriores classificando-os de irresponsáveis por ultrapassarem limites legais com despesa. Foi tão repetida essa ladainha que alguns jornalistas mais eufóricos chegaram até a dar uma dimensão nacional a Ricardo pela maneira correta com que atravessava a crise em meio a um tenebroso quadro financeiro que deixava em palpos de aranha Estados da federação muito mais equilibrados.
Não era real a propaganda. Chegou o novo ano e com ele a crise bateu à porta de Ricardo e bateu com força. O começo do mês de janeiro foi tomado pelos boatos de atraso na folha de pagamento e agora, ao correr do mês, Ricardo decreta a falência ao instituir uma tal Câmara de Conciliação que significa a oficialização do calote aos fornecedores. De repente, a Paraíba deixou de ser a ilha de prosperidade que se pregava e descobriu-se que o Estado havia ultrapassado e muito a LRF no quesito funcionários, e não com servidores efetivos, mas com comissionados e codificados, uma denominação que se arranjou para justificar nomeações políticas.
Fica ruim para o discurso do nosso governador, todo ele montado em obras, austeridade e pagamentos em dia. Caíram as três premissas em uma hora só. Não devem existir mais obras com o caixa falido, ao menos obras de expressão. Para pagar a folha em dia é precioso dar um calote nos fornecedores e qualquer criação de nova despesa seria um ato de extrema irresponsabilidade. Ricardo perdeu seu discurso e justamente no ano eleitoral, no qual ele precisava de toda sua força política para fazer frente a uma eleição municipal que tem um caráter plebiscitário.

Epidemia.
O distinto leitor recebeu a visita de algum agente sanitário em sua casa? Viu o carro do fumacê pela cidade? Surpreendeu alguma ação coletiva contra o mosquito Aedes aegypti? Se não viu foi por que nada aconteceu.
Sobe para 665 o número de casos de suspeitas de microcefalia só na Paraíba sem que se veja nenhuma ação efetiva dos governos estadual e municipal como se não se tratassem de vidas humanas sacrificadas antes mesmo do nascimento.
A gravidade do problema não admite mais discursos inflamados nem promessas vazias. Se é dever do cidadão lutar pelo controle do mosquito e mais dever do Estado liderar a campanha para sua erradicação, suplementando equipes, agigantando todo o esforço.
Estamos criando uma geração de crianças defeituosas que devem seu martírio simplesmente a uma incúria do poder público.

Versões.
Correm duas versões diferentes sobre o cancelamento da visita do ministro Marcelo Costa, da Saúde, à Paraíba. A primeira diz que Dilma mandou chamá-lo. A segunda, bem mais paraibana, afirma que o encontro foi desmarcado porque o ministro haveria convidado o deputado Manoel Junior para compor sua comitiva e como Junior não é bem visto por Ricardo Coutinho estabeleceu-se um mal-estar que culminou com a desistência do ministro. Seja qual for a versão, perdeu a Paraíba que ia justamente dar o pontapé inicial na campanha contra o zika vírus.

Fechado.
O Porto de Cabedelo pode ser fechado provocando outra crise de combustíveis. Dessa vez é a Receita Federal que exige da Superintendência das Docas a fiscalização de passageiros, mercadorias e containeres que desembarcam no porto. Atualmente esse controle inexiste.

Poucos.
Foram poucos os deputados que ocuparam a tribuna da Assembleia para defender a Câmara de Conciliação criada pelo governo Ricardo.
A maioria deles tem muitos eleitores e apoiadores entre os fornecedores prejudicados.

Diferença.
Apontado por Luís Tôrres como tendo feito plano igual de calote, Cartaxo apressou-se em dizer que sua ação foi de cortes der gastos internos, como diárias e insumos. Ele não penalizou os fornecedores.

Caseiro.
Você acredita que um grande empresário dono de indústrias e revendedoras não tenha contas bancárias? Eu também não. Mas essa foi a explicação de Carlos Alberto Oliveira, da Caoa, ao acharem R$ 2,5 milhões em sua casa.

Zombando.
Em cima da quebradeira governamental, quase em tom de zombaria, Cartaxo anuncia o pagamento do novo salário mínimo aos seus funcionários.
E dentro do mês trabalhado.

Proibidos.
Depois de circularem livremente durante anos, 42 medicamentos foram retirados das prateleiras pelo Procon e Anvisa.
Entre eles, até a singela alcachofra, conhecida pelos que cultuam Baco.

Frases...

De Morte - Envelhecer não é assim tão ruim. A alternativa é pior.
Crocodilagem - Só xingue o crocodilo depois de ter atravessado o rio.
Dominical - O máximo que você pode chegar numa segunda é a terça.