Conheça a versão em audio do Jornal da Paraíba
Blogs & Colunas

Rubens Nóbrega

A coluna é basicamente uma crônica política, que se diferencia da análise política clássica por não se prender ao factual nem à ordem ou pauta do dia. Contato com o colunista: rubensnobrega@uol.com.br

D. Ricardoleone, o Trabuqueiro (por Francisco de Paula Barreto)

Trata-se da saga de D. Ricardoleone, cavaleiro ideologicamente esfarrapado, oriundo de um coletivo em franca decadência política e moral, que pretende liderar e conduzir um pequeno e atrapalhado exército composto por figuras rotas e esquálidas, cuja habilidade é pilhar os burgos conquistados e impor a sua vontade férrea. O único móvel é se autoproclamar soberano e senhor da vontade dos conquistados.
D. Ricardoleone, ao perambular com a sua ‘armada’, intenta conduzir uma cruzada de terra arrasada, destruindo qualquer coisa e a quem quer que seja que se revele adverso à sua marcha batida pelo Poder. Qualquer meio ou utensílio bélico-financeiro serve para atingir os objetivos de se tornar um potentado. Como diria hoje o seu litúrgico ex-confessor e ex-conselheiro-mor Lucius Flavius, “para Il Príncipe Ricardoleone a grande e a única boa moral é aquela que traz a virtude de ser e de se sentir Poder”.
Ser ambicioso e cruel não é problema, desde que estejam asseguradas as perenes condições para o seu estável mandonismo. O seu principal desvario é assegurar aos vassalos e aos inimigos a indefectível genuflexão, o obrigatório beija-pés, propiciando-lhe um frenético frisson que se faz acompanhar de sua retórica predileta: “Adoro quando eles se curvam aos meus pés e louvam a minha vitória”.
Imbuído de seus cabotinos superpoderes, D. Ricardoleone, à semelhança do ‘Cocq de Chantecler’, sempre acreditou piamente que o Sol só nasce porque ele canta. Ao seu exército, a todos os recém chegados, seduziu pelas regalias da Corte, reservando-os feudos e cargos até mesmo para os mais ignaros serviçais prestadores.
Encantou a todos com o falacioso discurso de ser o novo, o diferente, o mais probo, o mais competente e, a um só tempo, o mais intrépido e formidável administrador dos negócios públicos. Além do mais, o que ele não conhecia, o seu coletivo dominava. Isto lhe bastava.
Com ênfase alardeava: “Sou o mais perfeito condutor senhorial, cuido com extremada devoção da coisa pública, zelo para que todos exerçam as suas condições de artífices e de empregos, consulto com magnanimidade a todos para que opinem sobre as ações e recursos do principado, desde que suas opiniões sejam iguais às minhas. Educo o meu povo para que todas as crianças sejam senhoras de si mesmas e que me reconheçam como o único pai do povo. Sou. E não admito que ninguém seja melhor do que eu. Nunca me olho no espelho, por que há tempos já destronei Narciso”.
D. Ricardoleone conclamou várias legiões estrangeiras, recomendou-as a recolher os seus pavilhões partidários, a abdicarem das suas identidades políticas e determinou num conclave mini-partidário que doravante só teríamos um rito: “Ave Cesar. Mirem-me, depois olhem o mar”. A choldra delirou.
Conclamou a todos os presentes e futuros serviçais de seu burgado a lhes renderem homenagens e obediências, prometendo-lhes que dividiria irmãmente os botins a serem conquistados. Ao lado de seus inferiores ‘capos’ (Rosa, o escopeteiro, Bernadino, o carabinieri, e El Fraim, o mercenário algébrico), pontificou D. Ricardocorleone: “Sem mim não há salvação”.
Dita a sentença, inflou o peito e complementou: “Eu vos darei o céu e a terra”. E mirou com um olhar de soslaio D. Cassius, o rival, e não persistiu olhando com medo de se ofuscar e de queimar a retina pelo brilho endiabrado do seu apóstata.
A platéia, comboiada pelo espírito da vendetta, e rogando a proteção do Príncipe D. Ricardoleone, fez juras de lealdade. Desembaiaram as suas adagas para o combate que se avizinhava e, à boca miúda, explicitaram os termos imprescindíveis ao conforto material e financeiro.
D. Ricardoleone, convencido de sua superioridade bélica e financeira, parte famelicamente para além da edilidade felipina em busca de um Poder avassalador e, sem avaliar a sua inferioridade ética e moral, requisitou até mesmo, de volta, o seu antigo cavalariço e porta-bandeira, Nonatus, para que viesse lhe reforçar a guarda cavalgando o insuperável Incitatus.
Nonatus não aceitou, dizem, negativa que teria encolerizado Il Principe. E, enquanto lhe remoi o ódio diante da recusa e anistia real que concederia ao desertor, remanesce-lhe o eco aos ouvidos do brado mais forte e retumbante com que o então fiel escudeiro vaticinouo os dias que viriam: “Sob as patas de seu corcel, Senhor, não restará pedra sob pedra e eu e meus bardos divulgaremos os seus feitos aos quatros ventos”. Foi quando os dois, juntos, deflagraram suas campanhas gálicas rumo ao domínio total.
Agora, nova guerra vai se travar. D. Ricardoleone e sua incredibile armata já queimaram as caravelas e irão cruzar o Rubicon sanhauensis. No delírio de sua saga, o Príncipe se repete à exaustão: “D. Romulus, o incongruente, já me asseverou: quem não está comigo, está contra mim, Deus inclusive. Um único exército, um único palanque: o de Don Ricardoleone, o nosso idolatrado ícone”.

Qualquer coincidência...

A versão original desse fabuloso escrito data de 2009. O texto foi adaptado recentemente e cedido à publicação neste espaço pela extremada generosidade do autor. Ao doar sua obra aos leitores desta coluna, o Professor Barreto também concebeu, para efeito de contextualização à realidade presente, inverter o sentido do velho ditado segundo o qual “qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência”. No caso, ficaria assim: “Essa pode ser uma história de ficção, mas baseada em fatos reais. Assim, qualquer coincidência com pessoas mortas, vivas ou muita vivas, pode acreditar: é mera semelhança”.

Compartilhe

Justiça sobrecarregada

No contraponto às críticas e informações da coluna do último dia 10, sobre ‘Justiça de baixa produtividade’, o Doutor Juiz Manoel Abrantes, do Fórum de Mangabeira, Capital, enviou o comentário que reproduzo a seguir. No seu escrito, o magistrado mostra que baixa na Justiça Estadual é a verba orçamentária e alta, a carga de trabalho. Que ele e os colegas dariam conta com desempenho acima da média. Deixo vocês com o meritíssimo, a partir deste ponto.
***
Caro Rubens, leitor assíduo de sua conceituada coluna, gostaria de esclarecer sobre o tema publicado na edição do dia 10 de abril do corrente ano, relativamente à baixa produtividade dos magistrados da Paraíba, especificamente no que diz respeito ao fato de no mês de janeiro do corrente ano alguns magistrados (incluindo eu) não terem proferido nenhum despacho interlocutório, prolatado nenhuma sentença nem realizado qualquer audiência, conforme relatório publicado no Diário da Justiça do dia 1º deste mês. É que no mês de janeiro (assim como em outros meses), alguns magistrados se encontravam de férias, o que pode ser verificado na observação na última coluna do quadro demonstrativo do relatório de produtividade.
No meu caso específico, o juiz que me substituiu proferiu 38 decisões interlocutórias, três sentenças de mérito e realizou dez audiências, não obstante ser titular do 1º Juizado Especial de Mangabeira, onde proferiu 23 decisões e prolatou 215 sentenças de mérito (DJe de 24.03.2014). O grande problema da Justiça atualmente é a enorme demanda de ações que são ajuizadas, que está além da capacidade dos juízes em dar vazão a todas elas, aliado ao baixo orçamento do Poder Judiciário que leva a uma sentida defasagem de magistrados e servidores, os quais estão sobrecarregados de serviço. Mesmo assim, os magistrados paraibanos julgaram no ano de 2013 94,73% (noventa e quatro vírgula setenta e três por cento) dos processos ajuizados naquele ano, acima da média da justiça estadual (87,64%) e da média geral nacional (91,34%), o que pode ser verificado no site do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).


Um esclarecimento

Na correspondência que trocamos sobre o assunto, via i-meio, esclareci ao Doutor Manoel que tive o cuidado de verificar na coluna à direita da tabela da produtividade se o magistrado encontrava-se ou não de férias, de licença para capacitação ou qualificação (pós-graduação etc.), licença para tratamento de saúde ou outro motivo qualquer. Daí por que os casos de produtividade zero citados no artigo do dia 10 diziam respeito a juízes que realmente não estavam afastados em janeiro, mas verdadeiramente não deram 'um prego numa barra de sabão'.


Equívoco no registro

Em resposta, o Doutor Manoel fez também um esclarecimento, nos seguintes termos: “Rubens, mesmo nesses casos pode ocorrer equívoco no registro do desempenho. Salvo engano, ano passado estava de férias e minha produtividade não foi registrada, por óbvio, mas não se colocou a observação sobre o período de férias. Para confirmar se o juiz despachou ou não pode confrontar a produtividade da vara ou comarca. Por exemplo: eu sou titular da 3ª Vara Regional de Mangabeira. Se você consultar (Crtl + f) vai ver que vai aparecer a linha com meu nome (zerada) e de Adhailton Lacet com os números informados por mim. Mas é possível que o juiz titular esteja de férias, aparecendo produtividade zero, e o substituto não tenha praticado nenhum ato na unidade que substituiu, mas naquela em que é titular. Há outro caso: você pode verificar que Adhailton Lacet também está na produtividade da 2ª Vara Regional com apenas uma sentença. Neste caso, foi de um processo em que o juiz daquela vara averbou-se suspeito. Por fim, dê uma olhada no site do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) sobre os processos da Meta 1. Tem a tabela dos processos julgados em 2013 de todos os tribunais do país”.


Mais razões do atraso

Sobre tecnologia de dessalinização de água desenvolvida na UFPB, nota de coluna produzida em Brasília e republicada na imprensa local chamou bem a atenção do Professor Menezes. A esse respeito, ele fez pertinentes observações que compartilho agora com o leitor, após os asteriscos.
***
Caro amigo, nota de abertura da coluna ‘Esplanada’, publicada esta semana no Correio da Paraíba, nos dá mais uma dica profundamente lamentável dos motivos que estão tornando nosso Estado um dos mais atrasados desta nossa malfadada federação.
Fiquei admirado ao saber que tecnologia para dessalinizar águas, desenvolvida por nossa Universidade Federal, a que pertencemos com relativo orgulho, está sendo utilizada em outros estados com razoável aproveitamento, enquanto nós - digo nossos conterrâneos de muitas cidades ou localidades do interior - consomem a pouca água salobra que lhes é provida, sem que o Estado lhes dê assistência para superar o problema. Talvez seja pelo fato de tal serviço não ter o charme publicitário das inaugurações de trechos de estrada recém asfaltada (alguns, a pincel) ou assinatura de ordens de serviço, procedimento burocrático que antigamente cabia, quando muito, ao secretário "a quo", em despacho rotineiro com o chefe que executaria o serviço. Assim, lá vamos nós, persistindo em nossa trajetória de crescimento no melhor estilo rabo de burro, ou seja, pra baixo.
 

Compartilhe

Aspones em festa

Tenho a esperança de viver o suficiente para assistir ao fim da praga de gafanhotos e lagartas de fogo que comem a folha de Estado e municípios até o talo. O extermínio virá - assim espero - na forma de lei que acabe com a nomeação indiscriminada de cargos comissionados, orientada exclusivamente por critérios políticos.
A mesma legislação deverá proibir para todo o sempre a contratação de prestadores de serviço sob o pretexto fajuto de ‘excepcional interesse público’, quando todo mundo sabe que o único interesse em jogo, nesse jogo, é fazer com que os contratados votem no contratante ou naqueles que lhes arranjam a boquinha.
Quando isso acontecer, se acontecer, teremos enfim a consagração prática e definitiva do concurso de provas e títulos como única forma de ingresso no serviço público. Como manda a Constituição, aliás.
Levo a maior fé, por último, de no mesmo regulador da questão ser incluído dispositivo que limite o livre provimento a um número certo e limitado de funções de confiança preenchidas exclusivamente por servidores efetivos. Evidente que a mudança não eliminaria a prerrogativa do governante eleito de poder nomear, mas tal competência deveria ficar restrita ao primeiro e segundo escalões da administração.
Sabemos que numa democracia dita representativa como a nossa a eleição legitima o eleito para formar ao seu livre arbítrio a equipe de gestão executiva, mas não podemos aceitar eternamente que a legitimidade conferida pelo voto popular autorize o povoamento ou loteamento da formidável Asponelândia que cresce a cada mandato.

 

O que é

Asponelândia, vamos recordar, é aquele satélite do planeta Paraíba habitado por milhares de aspones, os famosos assessores de p... nenhuma. São detentores de gordos contracheques na maioria dos casos, mas sem obrigação de dar alguma contrapartida de trabalho produtivo ao contribuinte que banca, como diria o Gaspari, a choldra de parasitas. O trabalho do aspone, tanto quanto o de muitos prestadores de serviço, é pura e simplesmente votar no padrinho de sua nomeação ou arregimentar votos para quem os nomeou. E o pior: essa aberração financiada com o dinheiro suado e honesto do povo se sucede a cada governo e aumenta consideravelmente a sua densidade demográfica em ano eleitoral.


Quanto custa

Lógico que muitos comissionados trabalham de verdade, ou seja, não devem ser recenseados como habitantes da Asponelândia, mas o contingente de aspones pode ser impressionante, inclusive pelas cifras que subtrairia do Tesouro. De acordo com o Sagres, sistema de acompanhamento dos gastos públicos disponível no portal do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em 2013 chegou a 29.896 a soma de comissionados, temporários, estagiários e ‘outros’. Isso mesmo: tem uma categoria denominada ‘outros’ no serviço público estadual. Bem, os 29.896 representam quase um terço dos 113.851 que recebem salário, aposentadoria ou pensão do Estado. Desse total, quantos realmente prestariam algum tipo de serviço real ao Estado e, consequentemente, à sociedade? Quem arrisca um palpite? Difícil saber. Da mesma forma, seria difícil também calcular quanto pesaria no bolso do contribuinte o conjunto de comissionados, prestadores de serviço e outros temporários. Mas dá para acreditar que os comissionados em geral e aspones em particular recebem bem mais que a maioria dos servidores. Sendo assim, razoável estimar que dos R$ 3,1 bilhões gastos com pessoal ano passado cerca de R$ 1 bilhão tenha sido distribuído entre apadrinhados, amigos, correligionários e aliados do governo.


Vai rolar...

Há quem diga que a festa já começou. Festa de arromba, por sinal, a julgar pela oferta feita recentemente a um(a) amigo(a) que atua politicamente no interior. Eleitor(a) de Cássio Cunha Lima, a pessoa foi cantada para aderir a uma certa candidatura em troca de um holerite de R$ 5 mil. “Agora, Rubens, se eles são capazes de oferecer algo assim a um cassista de carteirinha feito eu, imagine, então, aqueles que aparentemente estão em cima do muro, mas só esperando a melhor oferta para fechar o negócio e pular de um lado pro outro”, disse. Com toda razão do mundo para dizer, pelo visto.


Aparelhados

Outra coisa vergonhosa nesse negócio de colocar a máquina pública e o erário a serviço de campanhas e candidaturas é ver governos pagando altos salários a pessoas que trabalham, na verdade, para o partido político do governante ou de sua base aliada. Se houver por aí alguém interessado em conferir, sugiro pesquisar e relacionar os nomes dos dirigentes de legendas governistas, procurar os atos de nomeação dessas figuras nos diários e semanários oficiais e puxar um por um no Sagres para ver onde estão lotados. Depois, é só verificar se esses cidadãos e cidadãs dão ou já deram pelo menos um minuto de expediente nas repartições para as quais foram designados. E aí... Aí o Ministério Público, especialmente o Eleitoral, bem poderia fazer essa checagem. Aposto como será bastante produtivo o trabalho e muito interessante o resultado.

Compartilhe

Abatedouro abatido

Como diria o clichê, “está redondamente enganado” quem pensa que a disposição do governo do Estado de piorar, descontinuar ou reduzir serviços públicos de indiscutível importância para o cidadão limita-se ao fechamento de escolas, delegacias e coletorias. A atual administração também é capaz de ‘proezas’ como a relatada a seguir por um técnico de reconhecida competência no meio em que atua. Atentem para as informações e revelações que ele faz à coluna e aos leitores a partir deste ponto.
***
Prezado Rubens Nóbrega, mais uma vez recorro à sua valiosa e acreditada coluna para denunciar mais um descaso do Governo da Paraíba que, todos sabem, prometeu fazer quarenta anos em quatro e também uma revolução no campo. Infelizmente, não fez uma coisa nem outra. Só conversa fiada.
Desta vez, quero me reportar ao absurdo caso do abatedouro de caprinos e ovinos encravado no município de Monteiro. O equipamento foi concluído no final do ultimo mandato do governo de Cássio Cunha Lima ao custo de aproximadamente R$ 1.300.000,00 (hum milhão e trezentos mil reais) e até hoje não foi inaugurado.
Desde o início da era RC, nada informam objetivamente à população os responsáveis pelo funcionamento da unidade, que deveria abater em média 110 animais por dia. Dizem que estavam discutindo a gestão do equipamento e nada foi concretizado até esta data. Que gestão tão complicada é essa, meu caro, se em fevereiro de 2007 estava tudo pronto e testado, faltando apenas abrir as portas e beneficiar os animais dos agricultores familiares, que precisam agregar valor à sua produção, tornando lucrativa a mais importante cadeia produtiva do Cariri paraibano?
Esse abatedouro, meu caro Rubens, beneficiaria várias cidades polarizadas por Monteiro, a exemplo de Zabelê, Sumé, Livramento, Taperoá, Gurjão, Cabaceiras e tantas outras que possuem um quantitativo de caprinos e ovinos capaz de dar sustentabilidade ao funcionamento da unidade.
Vale lembrar que a construção foi financiada com recursos do Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento Agropecuário, e Governo do Estado. Foi um trabalho bastante pensado e planejado, sem interferências políticas ou partidárias. Todos aqueles que participaram desta luta, inclusive eu, acreditávamos no sucesso do empreendimento. Soube recentemente que tudo lá está sendo devastado pelo tempo, porque não foi feita uma única ação do Governo do Estado para botar pra funcionar.
Para finalizar, fico às vezes a me perguntar: será que não inauguraram o abatedouro porque foi construído por Cássio ou isso seria fruto da comprovada inércia do atual Governo.
Com os meus agradecimentos, Antonio Carlos Ferreira de Melo, Zootecnista e Professor aposentado.

 

Governo não responde

Por i-meio, anteontem pela manhã encaminhei ao Governo do Estado mensagens solicitando esclarecimentos sobre o caso do abatedouro de Monteiro. O pedido foi dirigido inicialmente à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agropecuário (Sedap), precisamente às 7h37 da segunda-feira (14). Logo em seguida, às 7h39, comuniquei tal remessa ao governador Ricardo Coutinho, a quem avisei também pelo twitter. Quase 40 horas depois do envio, nada recebi. Mas o que vier, se vier, será publicado.


Voltando à Lagoa

Comentando o chamado Projeto de Revitalização do Parque Solon de Lucena, lançado semana passada pelo Prefeito Luciano Cartaxo, o Professor Arael Costa, também jornalista, acredita que somente com abertura de um novo ou ampliação do canal de descarga será possível resolver o transbordamento das águas da Lagoa. Segundo ele, o problema decorre fundamentalmente “da pavimentação de todas as ruas ao redor, que por uma questão de declividade faz com que as águas de chuva corram para lá”. Recorda que desde a urbanização original da área, no governo Argemiro de Figueiredo, fez-se um canal que corre pela Rua Padre Meira, continua pela Avenida Guedes Pereira, alcança a General Osório, passa em frente do Theatro Sta. Rosa e segue pela Barão do Triunfo, até desaguar no mangue próximo à Estação Ferroviária.
“Ocorre que esse duto não teve ampliação que o adequasse à carga crescente, decorrente desse fator que citei acima e, sem isto, acredito que persistirá ainda por muito tempo, pois penso que esse tal de canal ou anel sanitário circundante não vai resolver muita coisa, já que as águas superficiais continuarão a correr para lá, parte mais baixa da área”, acrescenta Arael, lembrando ainda: “Com o desassoreamento que se promete (o último foi feito há muitos anos) haverá um aumento da capacidade de armazenamento e consequente retardamento do transbordamento, mas, sem ampliação da vazão do canal de descarga, nada feito”. Outra preocupação dele é com “a multidão que ali faz base para se servir do transporte público”. Pergunta para onde será deslocado esse contingente e o que fazer “com o grande volume de veículos que por ali transitam, volume esse acrescido ainda mais com o fechamento do acesso à Avenida Duque de Caxias para os veículos que venham da Guedes Pereira, hoje desviados para a Rua Diogo Velho”.
Quanto a esse ponto, Professor, pelo que entendi das informações divulgadas sobre o Projeto, o anel viário interno da Lagoa deverá ser fechado e o externo alargado para comportar carros, ônibus e os pontos dos ônibus para usuários do transporte coletivo.
 

Compartilhe

Cícero sem mel nem cabaça

O senador Cícero Lucena teria razões acumuladas por 25 anos para estar “um pote até aqui de mágoa” diante da sua possível exclusão da chapa majoritária do PSDB nas eleições deste ano. Para a vaga do Senado o seu partido estaria na iminência de fechar acordo com o PTB para apoiar Wilson Santiago, o novo ‘dono’ da legenda trabalhista na Paraíba.
Dois decênios e meio corresponderiam ao tempo de amizade, compadrio e parceria política de Cícero com o Grupo Cunha Lima. Tempo que estaria para ser facilmente suplantado pelos 40 segundos que o PTB de Santiago teria para agregar ao Guia Eleitoral no rádio e na tevê de Cássio Cunha Lima, o candidato tucano ao Governo do Estado.
Parece-me evidente, contudo, que a vantagem comparativa de Wilson Santiago em relação a Cícero não se resume a meros 40 segundos de propaganda eleitoral. Além do tempo, o ex-senador também agregaria valor ao projeto do PSDB de retomar o poder no Estado. Tanto que o tucanato paraibano teria 15 milhões de motivos para se acertar com o petebista.
De qualquer sorte, mesmo preterido para o Senado, Cícero alimentaria a esperança de ser o vice de Cássio. Mas aí o posto estaria reservado ao deputado Ruy Carneiro, que o ganharia em troca da desistência de tentar retorno à Câmara Federal na próxima legislatura. Desistindo, Ruy liberaria redutos em apoio à candidatura de Pedro Cunha Lima a deputado federal e à reeleição Aguinaldo Ribeiro (PP) e Leonardo Gadelha (PSC), que se integraria à aliança pró Cássio.
Se ficar sem ‘mé nem cabaça’, como dizem lá em Bananeiras, Cícero pode bater no peito extremamente dolorido e profundamente magoado e usar uma dezena ou mais de adjetivos deprimentes para explicar e descrever ao mundo a sua situação. Ele pode muito bem dizer que depois de ter sido alijado, descartado, retirado e afastado da sua pretensão de ser reeleito senador, também foi desprezado, repelido, renegado e rejeitado na sua quimera de voltar a ser vice-governador.

 

‘Saco de cimento’

O que se desenha nos bastidores das negociações tucanas com outros partidos autorizaria Cícero a dizer tudo aquilo e mais um pouco sobre o momento que está vivendo. Se, evidentemente, de Cássio e de Ruy não houver explicação pública e convincente para o motivo de Cícero estar sendo tratado feito um ‘saco de cimento’. A expressão serve tanto de referência à origem empresarial de Cícero (construção civil) quanto ao modo com que Ricardo Coutinho, segundo Cássio, trataria as pessoas. Caso contrário, Cícero poderá dizer também, agora numa dimensão exemplarmente substantiva, que bem mais do que uma exclusão, o que já teriam feito ou estariam para fazer com ele seria, sem tirar nem por, uma enorme e imperdoável traição.


Ratos e escorpiões


Publico adiante admirável suelto da Doutora Tereza Melania Veras. A autora dá ao seu escrito caráter de contraponto à coluna de sexta-feira (11), intitulada ‘Projeto Lagoa’, sobre o conjunto de intervenções da Prefeitura da Capital – e os resultados que dele a população espera – no Parque Solon de Lucena.
***
Bom dia, caro jornalista! Ao ler sua coluna desta sexta-feira no Jornal da Paraíba, de novo me deparei com as nossas divergências sobre a administração do atual prefeito de João Pessoa. Na coluna em questão, o Sr relata com muito entusiasmo o projeto de recuperação e restauração da Lagoa e diz sem medo de errar que se o atual prefeito executar o projeto poderá ser muito aclamado por poder devolver após quase 90 anos um dos mais belos locais da cidade de João Pessoa inteiramente reestruturado.
Poderia com muita sinceridade compartilhar sua felicidade e entusiasmo se não tivesse lido no jornal logo ao lado a notícia de que aumenta sensivelmente o número de ratos e escorpiões na cidade de João Pessoa e que a decisão da Prefeitura de realizar a coleta de lixo a cada três dias em muito pode piorar a situação.
Poderia ficar tão ou mais feliz que o Sr se a cidade de João Pessoa não estivesse em muitos pontos, não só na Rua das Acácias, Miramar, onde moro, pisando em puro cocô, derramado pelos poços de visita da Cagepa por total falta de infraestrutura e subdimensionamento da rede de esgotos. Mais feliz ainda ficaria se não pagasse um absurdo de taxa de coleta de lixo, para ter o desprazer de ser informada que o mesmo será coletado de três em três dias, agravando a situação já complicadíssima do aumento do número de ratos e escorpiões.
Desde a Idade Média já se sabe que saneamento básico e condições de higiene adequadas são imprescindíveis para a saúde da população. Como vê, discordamos e muito da atual administração e do destino dado aos recursos. Também quero a Lagoa linda e restaurada, mas só depois de ver priorizada a saúde da população.
A tempo: Gostaria muitíssimo que além de ter consciência ecológica e sustentável em relação à Lagoa, a atual administração pudesse ter o mesmo cuidado com as praias, construindo um local para showzinhos de gosto e preço duvidosos , deixando a natureza em paz e preservada. Mais uma vez agradeço o espaço e a paciência que disponibiliza para chatos feito eu.
***
Ah, Doutora, se todos os chatos do mundo fossem como a senhora, o mundo seria bem melhor e seguramente mais limpo, além de livre dos ratos e escorpiões reais ou metafóricos que andam por aí.
 

Compartilhe

Cabra ruim

De tanta ruindade que carregava na cabeça, na alma e no coração, Japeu foi condenado pelo Tribunal do Júri Transcendental a morrer pelo menos três vezes em três vidas diferentes antes de merecer – ou não – a quietude eterna. Detalhe: a pena, para cumprimento imediato, deveria ser cumprida da forma mais inusitada, bizarra de preferência. O Operador das Execuções Infernais providenciou ligeirinho a transmutação de Japeu. Foi mandado para uma remota comuna do Curimataú paraibano, onde assumiu o corpo de um mau caráter exemplar, além de tudo impiedoso agiota.
Nesse papel, Japeu não apenas esfolava como transportava suas vítimas. Até o banco, claro, em dia de pagamento de salário e aposentadoria. Para que ninguém lhe atrasasse a usura. Mas um dia... Um dia a camioneta do salafrário, cheia de gente na caçamba e com apenas uma passageira na boleia, começou a puxar muito a direção para o lado do motorista. Justo no trecho mais íngreme na subida da ladeira que liga Tacima a Araruna.
Sem mais condições de continuar dirigindo, Japeu parou no acostamento. Parou, desceu e foi até a traseira do carro, onde se agachou para checar o pneu. Na cabine, acompanhando os movimentos do dono do carro pelo retrovisor lateral, ficara Maria dos Anjos. Viúva recente, herdeira de dívida impagável, dizem que fora dada em garantia dos inúmeros empréstimos do finado junto ao mais sacana dos usurários.
Pois bem, no exato momento em que Japeu praticamente deitara a cabeça no chão, aproximando-a da parte de baixo do pneu onde localizara um parafuso enfiado... O carro desceu! Foi difícil, depois, juntar o que sobrou. Na Delegacia de Polícia, onde seria interrogada uma semana após o sinistro, Dos Anjos confessou que batera sem querer no câmbio, tirando o carro de marcha.
A viúva seria liberada sem maiores questionamentos ou indiciamento. Não lhe foi perguntado sequer sobre o freio de mão. No relatório final do inquérito, a morte de Japeu foi atribuída a uma indefinida falha mecânica, embora o suposto defeito não tenha sido apurado por qualquer perícia. De qualquer sorte, ninguém apareceu para contestar as conclusões da autoridade. Doutor Delegado ficou por demais satisfeito. Afinal, também devia um monte ao desgraçado do agiota e esposa não tinha para oferecer à 'penhora'.

 

Bem no meio da testa

Japeu voltaria ao mundo dos vivos um ano depois, dessa vez na pele de articulado lobista de tenebrosas transações entre o poder público e o privado. Jovem ainda, noivou com Esmeralda, filha de deputado governista com muito prestígio no círculo mais íntimo do poder. E foi no apartamento de 320 m2 de puro carrara do sogrão, durante festa de aniversário da sogra, que Japeu reencontrou a morte pela segunda vez. Aconteceu quando ele foi à varanda fumar. Àquela hora, por volta das dez da noite, a rua lá fora praticamente deserta, uma movimentação estranha na calçada do prédio chamou-lhe a atenção. Do quinto andar, onde se encontrava, viu perfeitamente que naquele momento, lá embaixo, alguém sofria um assalto. O bandido apontava arma de fogo para a vítima quando Japeu gritou na direção da sala: “Ei, amor, vem cá ver uma coisa!”.
Esmeralda levantou-se e começou a andar na direção do noivo, mas o que ela viu, após um ouvir um disparo, foi o corpo do rapaz projetando-se para fora da varanda, escorregando, escorregando... Até se arremessar de vez ao encontro do solo. Caiu exatamente em cima do cidadão que estava sendo assaltado, matando-o também. O ladrão fugiu, mas seria preso horas depois pela eficiência policial que se revela por inteiro na caça a agressores ou matadores de figurões. Ao ser interrogado, disse que não queria matar ninguém. Apenas disparou para o alto como forma de intimidar a pessoa a quem assaltava e resistia em lhe entregar carteira e relógio.


Um bingo em Guarabira

No seu terceiro retorno, Japeu reviveu-se em Guarabira. Dono de bodega onde vendia fiado da cachaça ao fumo, do feijão ao charque, era odiado pela maioria dos fregueses. Porque se comprazia em humilhar os mais pobres e mais inadimplentes. Adorava particularmente constranger Nicolau, a quem frequentemente cortava ou limitava o crédito ao mínimo possível.
Mas um dia... Um dia Nicolau ganhou uma camioneta e uma moto num bingo. Vendeu a moto, zerou o fiado e foi viver de frete e transporte de gente para as feiras livres do Brejo. Numa dessas viagens, quando entrava em Guarabira teve que frear bruscamente para não atropelar Japeu, que naquele momento atravessava a pista. Só que o bodegueiro parou na frente do carro, viu quem era o motorista e, em vez de agradecer, desafiou: “Passe por cima, seu filho da puta!”. Nicolau não contou conversa. Engatou a primeira e...

Compartilhe

Inspiração republicana

Muita coisa precisa ser mudada na legislação para impedir que governantes ruins arruínem mais ainda o que os eleitores de boa fé e enganados durante a campanha entregaram para alguém dessa qualidade administrar. Mas tem mudança que deveria ser providenciada com urgência urgentíssima: encurtar o tempo entre eleição e posse do eleito. A preocupação é muito clara e fácil de entender. Pensem no que pode fazer de mal à administração e aos administrados, após a eleição, aquele que perde a disputa por ser candidato à reeleição ou por apoiar outro nome que também se dá mal nas urnas. Não é difícil acontecer. Aliás, nosso repertório de má governança está cacheado de exemplos de operações tipo raspando o tacho, protagonizadas por corruptos ou incompetentes que usaram o dom de iludir para chegar ao poder e dele se locupletar.
É bom avisar que a mudança sugerida incluiria um adicional importantíssimo: encerrada a eleição, quem estivesse no exercício do cargo ficaria impedido de fazer qualquer despesa extra, não prevista na lei do orçamento. Salvo se, evidentemente, houvesse uma calamidade pública real que exigisse a mobilização de recursos públicos de monta para socorrer vítimas da tragédia. Acredito que essas duas alterações estreitariam enormemente a margem de manobra dos maus intencionados, dos ávidos por levar pra casa, de alguma forma ou de qualquer jeito, parte do dinheiro do povo que restou no cofre público. Teríamos, por fim, a possibilidade de marcar o dia da eleição para uma data emblemática: 15 de novembro. Seria uma bela homenagem à República, capaz até de inspirar o eleitor a pensar direitinho e a escolher alguém realmente capaz de vir a ser um governante verdadeiramente republicano.

 

Não seria bem o caso, mas...

Digam-me uma coisa, com toda sinceridade: é impressão minha ou o governo de Ricardo Coutinho está vivendo ou passando a sensação de fim de feira. Digo assim porque depois da história de o homem estar com dificuldade até de arrumar um líder pra chamar de seu na Assembleia, leio notícia de paralisação de obras no interior, de obras se arrastando na Capital e de falta de pagamento de outras que estariam sendo tocadas de algum modo, apesar dos pesares.


Prejudicando a transposição

Sobre paralisação de obras do Estado, a informação mais inquietante partiu ontem do Deputado Carlos Batinga, um dos mais diligentes e competentes do Legislativo Estadual. Segundo ele, falta de pagamento desmobilizou o serviço de empresas encarregadas de implantar o saneamento básico em cidades do Cariri que receberão as águas do Rio São Francisco. Das 11 cidades por onde passarão as águas transpostas, o problema foi identificado em seis: Serra Branca, Coxixola, Caraúbas, São José dos Cordeiros, Livramento e Camalaú. "Recebi denúncias de populares e lideranças políticas que as obras pararam por falta de pagamento. Mantive contato com as empresas responsáveis pelos trabalhos e as denúncias foram confirmadas", afirma Batinga em matéria que peguei no portal ClickPB.
Mas a coisa não fica por aí, porque seria muito pior. Segundo o Deputado, nas 51 cidades paraibanas que terão obras de saneamento, devido à transposição, os projetos básicos estão concluídos desde 2010, mas 40 não saíram do papel. E, dos 11 iniciados, agora a gente sabe que seis pararam por falta de pagamento. Por essas e outras, Batinga exorta o governador a resolver a questão com a celeridade que o caso requer e aconselha Sua Majestade a pensar menos no projeto da reeleição e mais no projeto da transposição. Para tanto, lembra a importância da obra, o tanto de paraibanos que ela beneficiará e a prioridade que representa para todo o Cariri paraibano, onde o Deputado atua politicamente.


Lagoa: João tem muita razão

João Paraíba escreveu-me para lembrar o seguinte: quem realmente tentou uma reforma digna do nome na Lagoa foi o engenheiro Hermano Almeida. Quando prefeito da Capital, ele interrompeu o tráfego de veículos no anel viário interno do Parque Solon de Lucena. A medida seria revogada na gestão seguinte, do Prefeito Damásio Franca. O leitor entende que Hermano fez o certo e o Prefeito Luciano Cartaxo fará errado se não fizer o mesmo. “Sem interrupção do tráfego de veículos na pista que contorna a Lagoa, o projeto anunciado esta semana será apenas mais uma maquiagem”, opina João, opinião à qual me acosto integralmente.


O nó do trânsito na Beira-Rio

Por intermédio do colunista, o Professor Menezes perguntou à Semob o que pode ser feito para resolver o nó do trânsito super congestionado nas horas de pico no Girador das Andorinhas da Beira-Rio, avenida que liga o centro às praias da Capital. A Semob disse que já tem um projeto pronto, mas tudo depende da igualmente projetada elevação da ponte sobre o Rio Jaguaribe, onde se forma uma lagoa sobre o leito da pista de rolamento a cada chuva mais forte. O órgão informou ainda que um edital para licitar, contratar e executar a obra já foi lançado, mas... Resumindo, só ano que vem teremos essa ponte elevada. Até lá, tome engarrafamento e alagamento!

Compartilhe

Projeto Lagoa

O Prefeito Luciano Cartaxo foi ontem protagonista e portador da melhor notícia que poderia dar aos moradores da Capital neste momento: começou a ser executado, finalmente, o projeto que pode fazer a Lagoa e de todo o seu entorno voltarem a ser o lugar mais bonito, mais agradável, mais acolhedor e mais seguro do Centro de João Pessoa.
Se até 2016 for concluído todo o conjunto da obra, orçado em R$ 30 milhões, ao final do seu mandato Luciano poderá bater no peito e dizer que nos últimos 90 anos foi o único prefeito da cidade, depois de Guedes Pereira, a promover uma intervenção verdadeiramente transformadora e decisivamente restauradora do mais importante e mais famoso parque da Paraíba.
Digo sem medo de errar que todas as outras ‘reformas’ empreendidas anteriormente, de Hermano Almeida a Ricardo Coutinho, não foram além de meros reparos, meias solas, adequações pontuais que atenderam menos à população e mais aos concessionários e permissionários que exploram comercialmente aquele espaço.
Agora, não. Agora, até o lago propriamente dito será recuperado. Passará por um desassoreamento de responsa, capaz de acabar com os transbordamentos causados por qualquer chuvinha mais grossa. Em reforço, o excesso sairá pelo ‘ladrão’, um túnel subterrâneo que será construído até o leito do Rio Sanhauá. Fechando esse firo, para despoluir serão bloqueados e desviados os canais por onde atualmente escorre toda a sujeira em volta para dentro do espelho d’água.
Quanto ao parque, a expectativa de todos os cidadãos, nativos ou turistas, é vê-lo completamente regenerado, reurbanizado dentro do melhor padrão de sustentabilidade ambiental. Significa preservar e proteger o verde já instalado para depois ampliá-lo, plantando mais árvores, estendendo jardins, botando mais grama e tudo o mais que possa fazer do nosso logradouro referencial o lócus preferencial para o lazer coletivo mais saudável que a gente pode ter.

 

Barracas terão que mudar

Confesso que fiquei otimista e feliz com o que vi, li e ouvi ontem sobre o Projeto Lagoa, mas espero que o prefeito e sua equipe encarem de vez um problema de enfrentamento irrecusável, inadiável: o reordenamento das barracas lá existentes, tanto no espaço que ocupam quanto nos serviços que prestam aos frequentadores em particular e consumidores em geral.
Difícil imaginar que aquelas barracas continuem servindo como bares ou lanchonetes de limpeza e higiene sofríveis, inteiramente incompatíveis com o parque que a Lagoa voltará a ser. Não estou sugerindo expulsar qualquer comerciante estabelecido, fechar qualquer estabelecimento do gênero. Mas o governo municipal botará a perder todo o projeto, todo o investimento, se não requalificar essa ocupação, se não redirecionar a função e a serventia dos ocupantes.

 

DPVAT terá novo mutirão

Indignado cidadão remeteu-me ontem por i-meio sua revolta diante da suposta desumanidade com que estariam sendo tratadas as pessoas atendidas esta semana no Mutirão DPVAT, que termina hoje na Asfita, Bessa, Capital. “Basta passar no Retão de Manaíra pela manhã e olhar para o muro da Asfita. Vê-se uma multidão: mulheres, crianças, idosos, pessoas com dificuldade de locomoção ao relento, debaixo de um sol devastador. Outras centenas passaram a noite numa fila, muitos sem dinheiro para comer, sem uma cadeira para sentar”, relatou o cidadão, questionando se é dessa forma que o Poder Judiciário trata aqueles que procuram seus direitos.
Sobre o assunto conversei no meio da tarde com a Desembargadora Fátima Bezerra, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado. Ela reconheceu os problemas, mas explicou que a demanda foi muito além das expectativas e do planejamento inicial do Núcleo de Solução de Conflitos, responsável pelo mutirão.
Apesar disso, salientou, não faltou empenho da equipe para atender a todos, inclusive quem sequer constava da pauta dos mais de 2.500 processos agendados, abertos nas comarcas da Grande João Pessoa e de outras 23 de cidades do Litoral Sul, Brejo, Vale do Paraíba e Vale do Mamanguape. Lembrou, de outro lado, que a semana foi sacrificante também para servidores, juízes e conciliadores que trabalharam na Asfita, pois esse pessoal extrapolou e muito a jornada prevista (das 8 às 18h), nunca saindo de lá antes das dez e meia da noite.
A Presidente confirmou que não haverá prorrogação do mutirão atual, mas outro será realizado na Capital ainda este ano e nele deverão ser adotados novos métodos e procedimentos que o Núcleo encarregado certamente estudará e implantará, visando melhorar e agilizar o atendimento.
Por fim, fazendo um balanço do trabalho, estimo que do total de processos pautados cerca de 1.700 estarão resolvidos quando o TJ encerrar a maratona nesta sexta. Significa que chegará perto de R$ 6 milhões o volume de pagamentos liberados pela Justiça para indenizações do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre, como é chamado por extenso o famoso DPVAT.

 

“Eu não quero acreditar...”

Gosto Ruim não aposta um centavo nessa história de Ricardo Coutinho desistir de disputar a reeleição. “Quem conhece minimamente o governador sabe que ele se lasca todinho, mas não é homem de se quebrar”, disse.

Compartilhe

Justiça de baixa produtividade

Segundo o relatório ‘Justiça em Números 2013’, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal de Justiça da Paraíba está entre os dez estaduais de pior desempenho na prestação de serviços à população. A culpa seria da baixa produtividade dos nossos juízes, agravada por uma elevada taxa de congestionamento de processos, que por aqui andaria na casa dos 70%.
O tal congestionamento, pelo que entendi, é verificado e medido quando no período de um ano, por exemplo, de cada cem processos que começam a tramitar apenas 30 são resolvidos, baixados. Os outros 70 permaneceriam em aberto, se arrastando, aguardando desfechos que muitas vezes os autores ou os réus demoram até um decênio ou mais para ver.
Mas é preciso dizer que o relatório 2013 do CNJ foi feito com base nos números apurados em 2012. A situação atual seria outra, então? Será que de lá pra cá melhorou a performance da Justiça Estadual? Não dá pra responder com 100% de certeza, mas dá pra chegar perto acompanhando a produtividade dos juízes que trabalham nas comarcas da Grande João Pessoa e de Campina Grande.
A informação mais recente a esse respeito foi publicada no Diário da Justiça do dia 1º deste mês. Os dados são de janeiro. Mostram tanto coisas interessantes como preocupantes na chamada 3ª entrância, onde atuam os magistrados mais experientes e aqueles poucos em condições de subir para a Casa Grande, como eles costumam chamar o TJ.
Pra vocês terem uma ideia, tem juiz em Campina que proferiu 81 sentenças com resolução de mérito, outras 25 sem resolução de mérito e pelo menos cinco homologatórias nos primeiros 30 dias de 2014. Mas lá também tem juiz que passou o mês inteirinho sem escrever um único despacho em qualquer processo.
Da mesma forma, em João Pessoa encontramos juiz de Vara da Fazenda com 182 sentenças com resolução de mérito e 144 sem, enquanto o(a) colega de uma Vara Mista é capaz de zerar em todos os itens da avaliação, das decisões interlocutórias (atos processuais mais simples, incluindo despachos) às audiências que não fez umazinha sequer por todo o janeiro.

 

Embate improdutivo

Por aqueles e outros indicadores da nossa Justiça, creio que do ponto de vista do jurisdicionado, ou seja, do cidadão que bate na porta da Justiça para se defender ou buscar algum direito pra chamar de seu, seria irrelevante, para não dizer inútil, esse embate entre a Ordem dos Advogados do Brasil na Paraíba (OAB-PB) e a Associação dos Magistrados da Paraíba (AMPB) em torno do expediente forense. Interessa a quem é parte de algum processo em tramitação é vê-lo resolvido logo, pelo menos dentro dos prazos que a própria lei estabelece ou no limite do razoável, aceitável, levando-se em conta as condições objetivas de trabalho dos julgadores e, claro, dos elementos e movimentações processuais que lhe permitirem, enfim, julgar.


Do jeito que está...

O que a população precisa é de uma Justiça rápida e eficaz. Não importa tanto se ela virá em duas, três ou quatro horas de lida dos juízes que levam processos para casa ou daqueles que dão conta de tudo no próprio local de trabalho, decidindo o que houver para decidir durante o horário regular de trabalho. Se o resultado é a celeridade de resolução, de julgamento, estamos feitos. Jamais alcançaremos esse patamar de eficiência, todavia, se o próprio Judiciário admite que um juiz leve impunemente um mês todinho sem pregar um prego numa barra de sabão, mesmo acumulando cinco, seis mil processos, enquanto outro se mata de trabalhar para dar conta do recado e fazer justiça ao bom salário que lhe paga a sociedade em geral e o contribuinte em particular. Do jeito que está e vai, a preguiça de uns anula a produtividade de outros e derruba a de todos, manchando o cartaz do Poder como um todo


O dinheiro das multas

O Professor Menezes mandou perguntar ontem à SemobJP (Superintendência de Mobilidade Urbana da Prefeitura da Capital) quanto rendem por mês multas aplicadas aos infratores do nosso trânsito. Ontem mesmo chegou a resposta, que compartilho com vocês após os astericos.
***
A média de arrecadação mensal em 2013 foi de R$ 729.158,18, incluindo nesse valor todas as multas de trânsito geradas pelo órgão, não só a de todos os equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade e de avanço do sinal vermelho do semáforo, mas também os autos de infração de trânsito aplicados pelos agentes de mobilidade urbana. Os recursos provenientes da arrecadação das multas são destinados, segundo determina o Art. 320 do Código de Trânsito Brasileiro, às seguintes atividades:
- 1) implantação e manutenção de sinalização de trânsito, incluindo a sinalização horizontal, vertical e semafórica; 2) engenharia de tráfego e de campo, que envolve atividades voltadas para ampliar as condições de fluidez e de segurança no trânsito; 3) fiscalização, que são os atos de prevenção e repressão que visam a controlar o cumprimento da legislação de trânsito; 4) educação de trânsito, que é a atividade direcionada à formação do cidadão como usuário da via pública, por meio do aprendizado de normas de respeito à vida e ao meio ambiente, visando sempre o trânsito seguro.
 

Compartilhe

Semob explica ‘via monitorada’

A Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) respondeu aos questionamentos da coluna publicada ontem. Sob o título ‘Mais um golpe contra o povo’, trouxe a este espaço as críticas contundentes de Paulo Vinicius Cabral à instalação de novos equipamentos de vigilância eletrônica do trânsito na Capital e uniformização em 50 km/h do máximo de velocidade permitida em ruas e avenidas de tráfego mais intenso. Segundo PV, a iniciativa tem como pretexto a prevenção de acidentes, mas serviria na verdade à realimentação e expansão da chamada indústria da multa, com a qual ganharia também ou principalmente a empresa contratada para instalar os novos pardais no lugar dos antigos bandeirões. Em resposta, a Semob prestou os esclarecimentos que solicitei e reproduzo no pingue-pongue a seguir.
***
1. Por que a mudança dos equipamentos?
- O excesso de velocidade é uma das principais causas de acidentes, sobretudo os de maior gravidade. Com objetivo de evitar acidentes, estimulando os condutores a se manterem dentro do limite de velocidade permitida, a Semob decidiu investir em campanha educativa e substituir os equipamentos de fiscalização por novos modelos, para reduzir o risco de acidentes nas vias, salvando vidas. O órgão, inclusive, nos últimos anos, vem recebendo reclamações da população da atitude dos motoristas em vias monitoradas por só reduzirem a velocidade quando passam pelos equipamentos, acelerando entre um e outro.
2. Qual a empresa fornecedora ou locadora e quanto custa ou custará a mudança?
- Quem opera na cidade é o Consórcio João Pessoa, formado pelas empresas Serttel, Fotosensores e Perkons. Não haverá aporte financeiro pela substituição dos equipamentos. O valor é pago pelo equipamento de forma mensal e não tem nenhuma relação com o número de multas.
3. Houve licitação, inexigibilidade ou dispensa (de licitação)?
- A contratação foi precedida de licitação, inclusive na modalidade pregão, que possibilita melhores preços.
4. Quantas 'vias monitoradas' teremos na cidade (nos moldes da implantada na Avenida Cabo Branco)?
- Não temos no momento nenhum estudo para instalar os equipamentos em outras avenidas. Importante ressaltar que todas as avenidas que receberam os novos modelos de equipamento já possuíam a fiscalização eletrônica, inclusive em quatro delas a velocidade regulamentada já era de 50 km/h e as outras duas passaram de 40 km para 50 km/h.
5. Qual o número de acidentes nos últimos 12 meses na avenida citada ou em outra que venha a ser monitorada por tais equipamentos?
- Em 2013 foram 255 acidentes nas seis avenidas monitoradas. Em janeiro de 2014 já aconteceram 40 acidentes.
6. outras informações que julgar relevantes.
- Importante ressaltar que a Semob lançou ampla campanha educativa, inclusive colocando banners e pórticos com mais de 10 metros de largura em todas as avenidas que receberam os novos equipamentos. O intuito é justamente alertar os condutores sobre a necessidade de respeitar os limites de velocidade para reduzir acidentes e informar a existência dos novos equipamentos.

 

Faltou dizer

Dá pra ver na resposta à pergunta 2 que a Semob não informou quanto custa ou custará a mudança. A resposta ficaria completa se tivesse informado valor e duração do contrato, dados que solicitei objetiva e explicitamente ontem. Quanto ao número de acidentes que pudesse justificar a implantação das seis ‘vias monitoradas’, com base na resposta à pergunta 5 chega-se a uma média de 3,5 por mês. Razoável ou muito pouco? Saberemos dentro de um ano, quando fecharem a estatística do período. Se reduzir a zero ou algo próximo do zero, estarão justificadas a troca dos equipamentos e a padronização do limite de velocidade.

 

Vergonha na Paraíba

O título veio na mensagem do cidadão que me escreveu ontem para relatar um episódio que ilustraria bem o estágio a que chegamos na Paraíba em matéria de segurança pública. Leiam: “Tenho casa em Baia da Traição que foi arrombada e dela levaram vários objetos de valor. Ao ser informado, fui até lá e tentei registrar uma queixa na Delegacia de Polícia. Não consegui porque era sábado. Fui orientado a me dirigir à Delegacia de Rio Tinto, que encontrei fechada. Só em Mamanguape, disseram. Na minha rua foram arrombadas cinco casas. Nenhuma queixa registrada. É assim na Paraíba: você é roubado e não tem a quem reclamar. Nem ao Bispo, pelo visto”.

Teoria da conspiração

Vejam só o que Ubaldo me mandou ontem: “Fique atento ao movimento por Diretas já no TJ. Não se trata da mais pura democracia corintiana. Cheira mal. Envolve muito mais, incluindo aí saltos muito elevados, até a estratosfera da Justiça Nacional, por quem sabe dar grandes saltos, saltos triplos, saltos soutos, mesmo com o peso de uma caçamba nas costas. Alerta! Sempre alerta!”.

Compartilhe
Anterior
página 1 2 3 4 5
Próxima