Conheça a versão em audio do Jornal da Paraíba
Blogs & Colunas

Rubens Nóbrega

A coluna é basicamente uma crônica política, que se diferencia da análise política clássica por não se prender ao factual nem à ordem ou pauta do dia. Contato com o colunista: rubensnobrega@uol.com.br

Bombas e barrigas

O editor do portal entrou na redação gritando por Clilson Júnior, um dos poucos que ainda exercitam na Paraíba o chamado jornalismo investigativo. Por essa e outras, detonador melhor não poderia haver para a suposta ‘bomba’: a internação no Hospital Infantil Arlinda Marques, em estado gravíssimo, de uma garota de oito ou nove anos de idade, doente renal, aparente vítima de suposto erro médico que consistiu em aplicar na menina uma medicação injetável com prazo de validade pretensamente vencido. O procedimento infeliz, denunciava um exaltado tio da paciente, acontecera em unidade de saúde da Capital.
Aquilo seria um prato cheio para aquele serviço jornalístico, que não poupava de denúncias cabeludas e críticas contundentes o governo do então prefeito Ricardo Coutinho. Mas a notícia jamais foi publicada, graças à responsabilidade do repórter encarregado de apurar o fato e fazer dele mais um ou o mais novo escândalo protagonizado pela gestão municipal da época. Graças a Clilson Júnior, portanto, o hoje governador – talvez ele nem saiba – livrou-se de ter seu nome vinculado a mais uma tragédia que não se consumou graças, também, à excelência de atendimento recebido pela criança no Arlinda Marques.
O fato é que ela foi levada à UTI com os rins paralisados. Ficou irreconhecível, de tão inchada. “Tudo culpa da incompetência do pessoal do PSF, que aplicou uma injeção nela sem olhar que o remédio tava vencido”, contou o indignado tio da ‘vítima’, que logo nas primeiras horas de internação dava como iminente a morte da sobrinha e, para comprovar, entregou ao jornalista – para fotografia – a prova do ‘crime’: um frasco onde aparecia bem visível a data que atestava a perda de validade do medicamento. O jornalista procurou ouvir os médicos do hospital, mas não obteve informações conclusivas de qualquer um deles sobre o que realmente causara aquela reação no organismo da paciente. Resolveu, então, visitar o Posto de Saúde da Família onde ela fora atendida. Encontrou enfermeiras muito firmes na negação da possibilidade levantada pelo denunciante.
De volta à redação, antes mesmo de abrir o computador no qual trabalhava, começou a ouvir os gritos e cobranças do editor. “E aí, cara, cadê a matéria? Vamo, vamo logo que é pra dar tempo de repicar na Câmara, na Assembleia e nos programas de rádio de meio dia”, pressionou. Em resposta, Clilson informou que alguma coisa não estava batendo naquela história, que era preciso ter calma para não cometer uma barriga e outras ponderações do gênero. Impaciente e irritado, mas sem argumentos para questionar a prudência do colega, o ‘chefe’ aceitou parcialmente os argumentos, mas fixou novo prazo para a entrega do texto. “Vou deixar pro final da tarde, mas vê se não passa disso”, disse.
Clilson sequer foi almoçar naquele dia e por um lance de sorte fez a primeira descoberta que o ajudou a desvendar as prováveis más intenções por trás daquela denúncia. Aconteceu quando resolveu ampliar a foto do frasco do remédio para publicá-la de modo a destacar a data referente à validade. Na ampliação sobreveio a granulação e nos poros que se abriram na superfície do detalhe deu para ver nitidamente o que poderia ser – e era – uma outra data encoberta por aquela que aparecia em primeiro plano. Sem querer acreditar no que estava vendo, Clilson leu direitinho todo o rótulo do vidro. Reparou, então, que o medicamento fora fabricado pelo Lafepe – Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco. Não teve dúvida. Ligou imediatamente pra Recife e falou com o técnico responsável pelo controle de qualidade do lote ao qual pertenceria aquela unidade.
“Esse lote não existe”, disse categórica e convincentemente ao jornalista o funcionário do Lafepe diante do número ou código lido ao telefone por Clilson. Depois dessa, não restava dúvida: o rótulo fora adulterado e a data de validade alterada para incriminar alguém do PSF da Prefeitura ou, então, queimar mais um pouco o filme da administração municipal, particularmente da Secretaria de Saúde. E se o rapaz do Lafepe dizia que aquele lote não existia, não existia. Não havia como duvidar, pensou Clilson, de alguém que trabalha numa instituição daquela respeitabilidade, que leva o nome do saudoso Miguel Arraes, foi criado em 1966 e é o segundo maior laboratório público do Brasil. Além disso, fabricante de remédios com preços extremamente acessíveis, que propiciam sua distribuição em larga escala para as camadas da população com menor poder aquisitivo.
Desmascarada a bilontra, Clilson chamou o editor e comunicou que a bomba sequer teria efeito de traque. Mais: se publicada, faria o portal cometer uma tremenda barrigada, pois nada do que fora denunciado correspondia à realidade dos fatos. A menina internada estava daquele jeito por alguma evolução de sua doença ainda não diagnosticada, não porque lhe fora ministrado um remédio vencido. Os dois ainda discutiram a alternativa de publicar a história com a versão que descaracterizava e desmoralizava a acusação original, mas resolveram deixar pra lá, fazer por menos, na crença de que a fraude poderia não ter sido perpetrada pelo tio da garota enferma. Mas, mal terminavam a conversa, o telefone da Redação toca e quem atende chama Clilson.
- E aí, meu caro repórter, a que horas sai a matéria? – quis saber o denunciante.
- Olha, amigo, eu preciso de mais alguns detalhes e gostaria que você viesse até aqui, na sede do portal – convidou o jornalista.
- Oxe! Só se for agora. Chego aí em dez, quinze minutos – prometeu o interessado em explodir a ‘bomba’.
O homem apareceu no portal em menos tempo do que o previsto. Logo foi levado a uma sala reservada, onde Clilson lhe narrou tudo o que fora apurado. O homem ficou contrafeito, um tanto pálido, parecia suar em pleno ar condicionado, mas, passados alguns segundos, recompôs-se, pigarreou e sugeriu na maior cara de pau:
- Olha, se você quiser, arrumo um frasco com data vencida de verdade. Que tal?
Clilson despachou o sujeito. Mas, ao me contar essa história, não revelou quem é ou era essa figura. Deu-me apenas uma dica: exerce mandato em um dos nossos parlamentos. É político, portanto, mas do tipo que já sai de fábrica com prazo de validade vencido. Mesmo assim, consegue ludibriar muitos eleitores. Eleitores que não costumam ler direitinho os rótulos e tomam qualquer porcaria que lhes prescrevem.

 

 

Compartilhe

Meu candidato ao Supremo

Se tivesse a oportunidade ou a felicidade de ser ouvido ou lido pela Presidente da República pediria a ela a nomeação do Juiz Federal Roberto Wanderley Nogueira para o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). No lugar do recém aposentado Joaquim Barbosa. Por que? Primeiro, porque ele quer e faz campanha aberta e franca para chegar lá; segundo, como pessoa humana ou jurista, “o homem é bom, o homem é espetacular”, diria Luiz Gonzaga sobre esse seu conterrâneo; terceiro, mas não menos importante, daria representação em nossa Suprema Corte a pelo menos 50 milhões de brasileiros (um milhão e pouco na Paraíba), pois esse é o tanto de filhos deste solo que, como ele, apresenta algum tipo de deficiência física.
O meu ‘indicado’ é portador de Exostose Hereditária Múltipla (EHM), uma anomalia no desenvolvimento do esqueleto (definição que encontrei no portal de Internet da Universidade de São Paulo – Unifesp) ou, ensina o Dicionário Houaiss, “crescimento ósseo que se projeta para fora da superfície de um osso, geralmente sob a forma de ossificação das inserções musculares”. Mas esse é apenas o diferencial físico que se junta a significativos atributos intelectuais para formar uma credencial única e super qualificada que habilita o Doutor Roberto a uma cadeira no Pleno dos plenos. Afinal, além de juiz, temos aqui um estudioso e pensador do Direito, ou seja, um jurista de primeira, um magistrado por excelência.
A quem ainda não conhece o candidato à sucessão de JB, permita apresenta-lo resumidamente. Usarei dados colhidos em página do Facebook. Roberto Wanderley Nogueira, pessoa com deficiência, tem 57 anos de existência e 32 de magistratura. Começou Juiz de Direito do Estado de Pernambuco em 1982 e desde 88 é Juiz Federal. É ainda Professor do Mestrado em Direito da Universidade Católica de Pernambuco, onde ensina a pioneira disciplina Direito Inclusivo e Cidadania/Direito Processual Inclusivo. Também leciona na graduação da Faculdade de Direito do Recife, que pertence à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Como se fosse pouco, atua como Assessor Especial (não remunerado, claro) da Rede Latino Americana de Organizações Não-Governamentais dos Direitos das Pessoas com Deficiência e suas Famílias, vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA).


Bastariam 10 segundos

Encontrando-me com a Presidente, esses 10 segundos seriam tempo mais do que suficiente para dizer: “Ei, Dona Dilma, faça um bem ao Brasil: bote o Doutor Roberto Nogueira, lá de Pernambuco, na vaga de Joaquim Barbosa, lá no Supremo”. Juro como ousaria a indicação, mesmo correndo risco de levar um esbregue. Mesmo que alguém veja desde já, na minha atitude, excesso de presunção. Besteira! Faz tempo, aprendi com o meu amigo Duda, o jornalista Luiz Eduardo Teixeira, que “água benta, canja de galinha e pretensão nunca fizeram mal a ninguém”. Além do mais, sou parte do contingente que se sentiria exemplarmente representado e extremamente gratificado por ver o nosso juiz, merecidamente, no topo da carreira jurídica.


Mais algumas razões

Soube da existência, intenções e pregações do Doutor Roberto através da jornalista Íris Porto, colega da mais elevada competência e irrestrita credibilidade. “Desde 2003, ele tenta uma indicação para o Supremo. Eu o conheci ano passado, quando da movimentação em torno da indicação para o ocupante da vaga deixada no STF pelo ministro Carlos Ayres Britto - que Luís Barroso levou, como sabemos. Neste ano, quando JB anunciou a aposentadoria, o juiz Nogueira retornou à campanha”, contou-me a moça em mensagem de i-meio, acrescentando: “Bem, a intenção de Roberto Nogueira de ocupar uma das 11 cadeiras no STF é defender o direito de 1/4 da população brasileira, formado pelas pessoas com deficiência (PcD). Ele próprio tem exostose múltipla. [Claro que esse é o diferencial entre ele e os demais, já que é juiz de carreira, com 32 anos de magistratura, PhD em Direito Público, conduta ilibada (não é corporativista), militante dos direitos das PcD e, por isso mesmo, assessor especial da Riadis no Brasil]”.
Voluntária na causa e divulgadora da campanha em favor da indicação de Roberto Nogueira (que nas redes sociais já conseguiu mais de mil assinaturas), Íris Porto informou-me também que o ‘nosso indicado’, com apenas dois anos de exercício na Justiça Federal, ou seja, em 1990, foi um dos primeiros do país – talvez o primeiro – a conceder liminar contra o Plano Collor e em favor do desbloqueio de cruzados novos depositados em poupança. Um ano depois, proferiria outra sentença histórica: condenou a União por dano moral pelo desaparecimento de um militante político durante a ditadura militar. Até então, em casos semelhantes a Justiça limitava-se a reconhecer apenas danos materiais. A decisão beneficiou familiares de Ruy Frazão Soares, líder estudantil do curso de Engenharia Civil da UFPE preso e torturado em 1964 e sequestrado dez anos depois por milicianos, em Petrolina, para nunca mais ser visto.

 

Dia 4 em João Pessoa

Roberto Wanderley Nogueira visita João Pessoa na próxima quinta-feira (4). Deve ficar até a sexta, pois vem fazer a palestra de abertura do II Seminário de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, evento promovido pelo Fórum Paraibano da Inclusão de Pessoas com Deficiência e Reabilitadas do INSS que será realizado na Estação Ciência, no Altiplano. O tema da palestra? A Inserção Social e Profissional da Pessoa com deficiência. Previsão de começar às nove da noite, após a instalação do Seminário e a apresentação do Coral Coteminas.

Compartilhe

Agência do Estado coloca veterinário para inspecionar hospitais de humanos

Trago-lhes hoje mais uma demonstração do quanto desandaram nos últimos três anos e meio alguns serviços públicos a cargo do Estado, de reconhecida importância e indesmentível necessidade para a população. No caso exposto adiante, o problema tem sua gravidade acrescida por se tratar de uma questão de saúde coletiva. As informações que vocês lerão logo mais expõem com muita clareza a avançada precarização de setores da administração pública estadual que deveriam ser priorizados em matéria de atenções e investimentos para que possam desenvolver um trabalho de qualidade.
Digo desse jeito porque recebi ontem cópia de relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) com o resultado de auditoria que apurou denúncias contra dirigentes e servidores da Agevisa – Agência Estadual de Vigilância Sanitária. As irregularidades teriam ocorrido nos anos de 2012 e 2013. Algumas foram confirmados pela investigação, a exemplo do recebimento indevido de diárias pelo então diretor-geral, JailsonVilberto, e 16 ocupantes do cargo de gerente técnico no órgão. Apenas na amostra colhida pelos auditores, o embolso supera os R$ 30 mil.
Outra acusação gravíssima validada pela auditoria diz respeito à liberação de Autorização Sanitária, sem a devida inspeção, de uma indústria de água mineral e outra de plástico. Há, inclusive, menção a propinas supostamente pagas por uma das empresas, mas o relatório não indica se o suborno restou comprovado. O mais surpreendente, contudo, foi descobrir – como o TCE descobriu – que a Agevisa permitiu que um médico veterinário inspecionasse hospitais e farmácias que atendem pessoas mais água e alimentos reservados ao consumo humano.
Segundo a auditoria, um profissional com aquela formação acadêmica “não dispõe de habilitação técnica e legal para realizar inspeções nas áreas de sangue, hospitais, farmácias e indústrias de água e alimentos, já que o próprio Conselho (Regional) de (Medicina) Veterinária limita a atuação do veterinário a produtos e ambientes de origem animal, cuja competência é do Ministério da Agricultura e Secretaria Estadual de Agricultura, conforme preceitua a Lei 5.517/68”. A lei citada propiciou o regulamento da profissão de médico-veterinário, além de criar os Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária.
Curiosidade adicional nesse caso diz respeito à transferência do veterinário da Regional da Agevisa em Patos para a Capital, sob alegação de doença de familiar, ameaças e perseguições no local onde trabalhava. O curioso reside no seguinte aspecto: uma vez transferido para João Pessoa, o servidor passou a receber volume considerável de diárias para realizar pretensos trabalhos adivinha onde? Em Patos! Ou seja, justo no lugar de onde saiu em tese correndo de “ameaças e perseguições”.

 

Governo não responde

Encaminhei ontem mensagem de i-meio para o Governador do Estado nos seguintes termos: “Senhor Governador, tenho em meu poder cópia do Processo TC nº 10.853/13, contendo denúncias de irregularidades na Agevisa nos exercícios de 2012 e 2013, entre elas o recebimento sistemático e indevido de diárias cheias por parte de diretores da agência, emissão de autorização sanitária para indústrias não submetidas às inspeções previstas em lei, acusações de assédio moral de servidora contra dirigente e até mesmo (essa me chamou particularmente a atenção pelo inusitado que é) a fiscalização de hospitais, farmácias e fábricas de alimentos etc. por um médico veterinário. Pergunto: o senhor tomou conhecimento do resultado dessa auditoria? Se estava ciente, mandou instaurar algum procedimento de apuração ou disciplinar?”. Nenhuma das perguntas me foi respondida.


Outro exemplo

O Ministério Público da Paraíba anunciou ontem que vai ajuizar ação civil pública contra o Governo do Estado porque até hoje não foi instalada a Delegacia do Idoso de Campina Grande, apesar de criada em 2003, ano em que também foi nomeado – vejam só! – o delegado titular daquela unidade da Polícia Civil. Quem pegou esse pião na unha foi o Promotor de Justiça Ricardo José de Medeiros e Silva, responsável pela Defesa dos Direitos do Cidadão no município. O Doutor garante que tentou por várias vezes “dar uma solução extrajudicial para a questão”, mas a Secretaria de Segurança sempre alega não dispor de pessoal nem dinheiro para fazer o serviço funcionar. Enquanto isso, “o número de agressões contra pessoas idosas, entre os anos de 2012 e 2013, de acordo com o promotor Ricardo José de Medeiros, subiu 39,49% na Paraíba”, ressalta nota divulgada pela Assessoria de Imprensa da instituição. “Por falta de uma delegacia especializada, as vítimas dispõem apenas da Central de Polícia para procurar seus direitos, em muitos casos sem sucesso, face à falta de profissionais qualificados para esse tipo de atendimento”, arremata o texto do MPPB.


‘Vem cuidar de mim’

Já tem carta aberta à sensibilidade dos congressistas brasileiros a campanha inspirada em Maria Luiza, a garotinha de quatro anos acometida de câncer que não pode contar com a assistência da mãe em tempo integral porque a legislação trabalhista não concede licença remunerada aos pais com um filho nessa situação. A carta foi redigida a partir de audiência pública no Centro de Ciências da Saúde da UFPB, Campus de João Pessoa, realizada no último dia 18. A ideia é pressionar o Congresso a aprovar o quanto antes o projeto de lei 3011/2011, de autoria do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), “que propõe o afastamento remunerado do empregado em caso de doença grave ou internação hospitalar de filho, ou dependente econômico, menor de idade”.

Compartilhe

Menos escolas, mais violência

O fechamento de mais de 200 escolas públicas por decisão doatual Governo do Estado é assunto para render uma eternidade, porque seus malefícios afetarão no mínimo mais três ou quatro gerações de paraibanos. Fiquei ainda mais convencido desse penoso e lamentável desdobramento depois de ler ontem escrito de altíssima qualidade intitulado ‘Juventude ameaçada’, obra da inteligência, experiência e conhecimentos do consultor e executivoJoão Manuel Lima de Farias.
Administrador de Empresas com pós-graduação em Administração Financeira e uma carreira de 35 anos, “com resultados comprovados em empresas públicas e privadas de médio e grande porte nos segmentos, financeiro, industrial e administração pública”, conforme peguei num perfil dele na Internet, ele mostra com dados e argumentos irrefutáveis o quanto o fechamento de escolas contribui para aumentar a violência na Paraíba.Começando pela consequência mais desastrosa e danosa do deplorável ato governamental: a impressionante redução do número de alunos matriculados na rede de ensino mantida pelo Estado.
“A Paraíba perdeu 101.358 vagas nas escolas, segundo dados do Ministério da Educação, passando de 358.618 vagas em 2008 para 256.760 vagas em 2013, uma redução de 28,4%. Especificamente no Ensino Médio, foram 16.680 vagas perdidas, passando de 127.509 para 110.829 no mesmo período, queda de 13%. Estes números são mais dramáticos no ensino médio, onde registra-se uma queda de quase 63% das vagas oferecidas”, informa.
Vejam agora o que diz João Manuel sobre o que esses números representam para um Estado com elevados índices de analfabetismo de um lado e, do outro, milhares de crianças e adolescentes fora da escola, extremamente vulneráveis diante da criminalidade que quando não os elimina os envolve no tráfico e consumo de drogas:
- A Paraíba tem, atualmente, 35 mil usuários de crack e o que mais preocupa é que 62% dos dependentes dessa droga são crianças e adolescentes com idade entre 10 e 18 anos. Significa que 21,7 mil jovens paraibanos já estiveram em contato com o crack, sendo que 8,7 mil usuários têm entre 10 e 14 anos de idade e outros 13 mil estão na faixa etária dos 14 aos 18 anos. Além disso, 80% dos crimes violentos ocorridos no estado é uma consequência do uso da droga. Os dados são do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid).

 

Formando criminosos


João Manuel alerta que o tráfico de drogas é, sem dúvida, “a maior e a mais explícita”forma de violência contra os nossos jovens; vale dizer, contra o nosso futuro. Porque esse tipo de violência “tem o poder de dilacerar toda uma sociedade”, na medida em que é “responsável pela manutenção dos usuários como também pelo recrutamento dos futuros criminosos”. Além disso, complementa, “a violência gerada pelas disputas de pontos de vendas da droga e pelo armamento adquirido para a defesa interna e contra a polícia são as razões pelas quais pode-se afirmar que quem compra drogas é o principal patrocinador da violência”.

 

Aumento de homicídios

Citando o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), João Manuel constata ainda que “o número de jovens envolvidos em delitos relacionados ao tráfico de drogas passou de 0,5% em 2002 para cerca de 13% nos dias atuais”. Daí vem o “brutal incremento dos homicídios” que ceifam a vida de jovens a partir dos 13 anos de idade: “As taxas pulam de 4,0 homicídios por 100 mil para 75,0 na idade de 21 anos”, de acordo com as estatísticas que compõem o Mapa da Violência 2014. “Na Paraíba, especificamente, o número de homicídios saiu de 620 em 2003 para 1.528 em 2012, um aumento de 146%”, fazendo com que a taxa de homicídios por 100 mil habitantes saísse de 17,6 em 2003 para 40,1 em 2012.
“A Paraíba hoje é o quinto pior Estado da Federação em crescimento de homicídios.Mas é entre a população jovem que estes números são mais perversos. Saímos de 344 mortes entre jovens em 2003 para 906 em 2012, ou seja um crescimento de 163%, ocupando a Paraíba novamente o quinto lugar entre os Estados mais violentos em termos de mortes por violência entre jovens”, observa o consultor, lembrando ainda que “João Pessoa é hoje a terceira pior cidade do País em número de mortes por 100 mil habitantes com 76,6 mortes, bastante superior à média nacional de 38,5 mortes”.

 

O que fazer, então?

A essa pergunta, João Manuel responde com extremada lucidez e irretorquível clarividência: “Para combater o uso de drogas e a violência, a melhor solução para o problema inclusive não é nada inovador, porém é um caminho muito mais fácil, barato e menos traumático: a educação. E isso não é só responsabilidade da escola, mas principalmente dos pais. Com uma verdadeira educação que combine ensino teórico e valores morais e éticos (saber o que é certo e errado e quais os limites da liberdade de cada um), bem como que aproxime a escola das famílias, incentivando os pais a contribuir verdadeiramente para a aprendizagem de seus filhos, aí, sim, ter-se-á uma real política contra as drogas e outros males sociais.Ao aplicar nossos esforços em favor de uma educação de qualidade, o único risco que se corre é tornar melhor a vida de cada pessoa, e, consequentemente da sociedade como um todo.Portanto, fechar vagas em Escolas e negar acesso à Educação é jogar gasolina na fogueira que está consumindo nossa juventude e nos remete a repensar esta estratégia antes que o problema se torne mais sério do que já está”.

Compartilhe

‘Quem paga a banda toca a música’

Na Semana da Pátria que vem chegando, de 1º a 7 de setembro, se você topar por aí com alguém carregando uma urna das antigas e esse alguém lhe apresentar uma cédula em papel e pedir seu voto, não estranhe. Vote. Vote porque tanto a causa como a alma valem a pena. Vote porque você estará diante de um voluntário do exército de bons cidadãos apoiadores do Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva e Soberana pela Reforma do Sistema Político Brasileiro.

Trata-se de um movimento nacional em favor da democracia real, verdadeira, absolutamente necessário à ética na política, crucial para quem defende a probidade e honestidade na gestão pública. Porque democracia sem esses predicados não é democracia. É um negócio ou, no máximo, ‘um troço’. Sendo assim, quem quiser se engajar nessa luta deve entrar em contato com o Plebiscito Constituinte Estadual para cadastrar sua urna e se informar sobre os locais de votação. Mande mensagem para plebiscitoconstituintepb@gmail.com ou ligue para os seguintes números de telefone celular: 8702.8819 e 8825.5680 (Oi) ou 9630.7164 e 9613.9745 (Tim).

Participando diretamente ou não da realização da campanha, não deixe de votar se aparecer na sua frente uma urna do plebiscito. Pode ser na sua rua, no seu sindicato, na sua igreja, na repartição ou empresa onde você trabalha... Vote e diga sim à Constituinte. Agora, se lhe falta motivação para tanto, permita-me apresentar alguns dados sobre financiamento privado das campanhas eleitorais em curso e o que isso pode significar nos governos que assumirão em janeiro de 2015.
Aviso desde já que peguei as informações contidas nos tópicos abaixo em belíssimo artigo do Padre Xavier Paolillo publicado na Revista Vitória Mais (aves.org.br/revista-vitoria-mais), da Arquidiocese de Vitória (ES). O título do escrito é o mesmo que dá título à coluna de hoje. Leia com atenção, adiante. Ao término, duvido que você continue indiferente ao apelo dessa campanha do bem.

R$ 73,9 bilhões
Segundo dados do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha eleitoral de 2014 poderá custar R$ 73,9 bilhões de reais, 25 bilhões a mais do que em 2010, ano em que as ‘despesas’ dos candidatos alcançaram a já então fabulosa cifra de R$ 48,4 bilhões. “O valor (...) é o resultado da soma dos limites de gastos de todos os candidatos registrados. Vale lembrar que cada candidato, na hora de registrar sua candidatura, deve declarar o valor total que pretende arrecadar para sua campanha. Os valores apontados, portanto, são estimados e não definitivos”, lembra Padre Polillo.

A que serve
Alguém aí duvida que a arrecadação eleitoral chegará oficialmente àquele montante (ou bem próximo), considerando que campanha é excelente oportunidade para doadores e lavadores de dinheiro? Alguém aí duvida também de que em muitos casos, para não dizer a maioria, doadores comportam-se como investidores, ou seja, aplicam agora para recuperar depois, com bastante lucro, claro, tudo o que contribuíram para a campanha daquele(a) que no final for eleito(a)? Como? Ora... Fornecendo! Obras, serviços, produtos e o que mais for preciso ao governo interessado e amigo. E tudo, lógico, a preços superfaturados e pela via de licitações de fachada.

Dá pra fazer...
Com R$ 73,9 bi? Muita coisa boa. E bota boa nisso! Mas, por enquanto, fiquemos nas comparações. Começando por aquela segundo a qual a montanha de grana projetada para cobrir os gastos da campanha deste ano daria para financiar três copas do mundo, segundo o jornalista Guilherme Barza, do Universo Online (Uol), citado pelo religioso. O cálculo leva em conta o fato de que o Mundial de Futebol no Brasil teve um custo total de R$ 25,8 bilhões. Além disso, a estimativa baseada no que foi informado ao TSE equivale a quase o orçamento 2014 do Rio de Janeiro (R$ 75,9 bilhões), “o terceiro maior do país, atrás apenas dos orçamentos da União e de São Paulo”.

De presidente
“Só a corrida presidencial custará pelo menos 1 bilhão de reais”, ressalta o escrito de Mais Vitórias. Esse bilhão vem dos R$ 298 milhões previstos pela campanha da Presidente Dilma (PT), mais R$ 290 milhões de Aécio Neves (PSDB), mais R$ 150 milhões de Marina Silva (PSB), mais R$ 90 milhões de Eduardo Jorge (PV), mais R$ 50 milhões do Pastor Everaldo (PSC), mais R$ 25 milhões de Eymael (PSDC), mais R$ 12 milhões de Levy Fidélix (PRTB), mais R$ 900 mil de Luciana Genro (PSOL), mais R$ 400 mil de Zé Maria (PSTU), mais R$ 300 mil de Rui Costa Pimenta (PCO) e mais R$ 100 mil de Mauro Iasi (PCB), conforme epocanegocios.globo.com.

Governadores
Os 85 candidatos a governador, por sua vez, pretendem gastar R$ 2,4 bilhões. Nesse total, a Paraíba entra com R$ 78,54 milhões, mais do que os nossos vizinhos de Pernambuco (R$ 50 milhões) e do Rio Grande do Norte (R$ 59,76 milhões. Significa o seguinte: se no ranking do desenvolvimento humano e material brasileiro a gente ocupa um dos três últimos lugares, em matéria de riqueza de campanha estamos em 14º lugar. E aí? Dá pra continuar do jeito que está? Evidente que não. Sem uma reforma política digna desse nome continuaremos nessa esculhambação sem fim. Então, amiga, amigo, não deixe de votar quando setembro chegar. Vote sim. Diga sim à Constituinte.

Compartilhe

Palestra imperdível

Permitam-me sugerir a quem estiver amanhã no Manaíra Shopping de João Pessoa, por volta das sete da noite, dar uma chegada na Praça de Alimentação e assistir a um evento incomum para o local e ambiente, mas que tem tudo a ver com o interesse comum a todos nós. Trata-se de palestra do Promotor de Justiça Marinho Mendes sobre corrupção, o que fazer para combater esse câncer que corroi o Estado brasileiro e o quanto esse cancro já consumiu dos cofres públicos.
Sob o título 'Passado sujo não dá futuro – Do 7 a 1 à vitória cidadã', Doutor Marinho vai apresentar dados sobre a corrupção no mundo e no Brasil, aí incluída a subtração criminosa de R$ 130 bilhões por ano do erário. Ele vai dizer também o que daria para fazer de bom com tanto dinheiro, se aplicado honestamente. E tudo isso ilustrado por imagens selecionadas sobre os males causados pela desonestidade, pela improbidade, pela ganância, pela indecência, enfim, de bandidos travestidos de gestores públicos e agentes políticos.
O palestrante antecipa que levará sua pregação a outros shoppings da Capital, ao Terminal de Integração de Ônibus Urbano e à Rodoviária Estadual na Cidade Baixa, além de espaços de grande fluxo de pessoas em Santa Rita, Bayeux e Cabedelo. Até no trem que serve a esses três municípios o Doutor Marinho pretende falar sobre o assunto que motiva a atividade, parte da campanha do Ministério Público chamada 'O que você tem a ver com a corrupção?'.

 

QUEM É

Marinho Mendes Machado é um dos mais ativos, proativos e combativos membros do Ministério Público da Paraíba, instituição que representa no Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba. Respondendo atualmente pelas Promotorias de Jacaraú e Bayeux, coordena a campanha do MPPB que visa esclarecer e orientar a população no sentido de colaborar com as autoridades dignas desse título no combate à corrupção sob todas as formas. Sua atuação estende-se ainda à defesa daqueles que no dizer de Cristovam Buarque são os “exilados da cidadania”, ou seja, as pessoas mais pobres, mais excluídas e mais desvalidas, além de esquecidas – quando não oprimidas – pelo próprio Estado.

 

Agevisa “em frangalhos”

A expressão é do Professor e zootecnista Antônio Carlos Ferreira de Melo, que já foi diretor da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa). Hoje, ele presta diante dos leitores o depoimento a seguir. Cuida da precariedade a que chegou o órgão, motivo de denúncias publicadas semana passada neste espaço. Lembro que sobre tais denúncias o Governo do Estado não forneceu qualquer dos esclarecimentos solicitados pelo colunista.
***
Prezado jornalista, essa situação da Agevisa era esperada ou até pior. Digo isso porque estive diretor administrativo financeiro de lá por apenas quatro meses. Fui obrigado a pedir pra sair, ao tomar conhecimento de que estava em processo de fritura, por discordar de interferências de pessoas ligadas à época ao governador que trabalhavam na Vigilância Sanitária e área de Saúde do município de João Pessoa, mas mandavam e desmandavam na Agevisa.
Um desmando com o qual não concordei foi dispensar do cargo de chefia o então responsável pelo Setor de Informática e controlador do cadastro de usuários. Por se tratar de servidor cumpridor de seus deveres,que foi pra casa pelo simples fato de terem descoberto que votou na eleição de 2010 no candidato José Maranhão. O referido servidor foi substituído por um sobrinho de um dos que interferiam na Agevisa. A bem da verdade, esses dois que interferiam nunca os vi, mas os servidores da entidade me garantiram que todas as mudanças internas eram comandadas por eles, inclusive a minha fritura no cargo que exercia com isenção e responsabilidade.
Esses fatos podem ser comprovados em simples conversa com aqueles enxotados e também com muita gente que ainda trabalha por lá mas, por motivos óbvios, não podem falar abertamente, publicamente, sobre o que se passa na Agevisa. Pra encerrar, lembro que quando fui avisado sobre a trama chamei e alertei o diretor geral à época,o farmacêutico Dr. Antonio Sergio, que era servidor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Disse-lhe que ou ele tomava as rédeas da Agência ou teria o mesmo destino que eu. Meus temores em relação a ele seriam confirmados posteriormente. Dr. Antonio foi demitido e a Agevisa encontra-se hoje em frangalhos.

 

Debate sem Ricardo

O Fórum dos Servidores Públicos da Paraíba informou no meio da tarde de ontem que o governador Ricardo Coutinho é o único dos candidatos ao cargo que não confirmou participação no debate que será promovido hoje à noite, a partir das 19h, na Caixa Beneficente da Polícia Militar, em João Pessoa. “Os servidores convidaram todos os seis candidatos que disputam o pleito, conforme as exigências da lei eleitoral, inclusive notificando as coligações por meio de correspondências com Aviso de Recebimento”, diz nota divulgada pela coordenação do evento.

 

Perdemos Deodato

Como se fosse pouco a perda de Milton Nóbrega no último dia 16, a morte levou outro gênio do nosso convívio, ontem. Digo desse jeito porque não há qualificativo mais justo e adequado para definir quem possuia tanto talento como Deodato Borges, talento abençoado pelo dom de criar e se expressar multiplamente. O cara era fantástico tanto no traço como no teclado. Se trabalhava em jornal, como o conheci trabalhando em O Norte, desenhava magistravelmente, fazia charges como ninguém e finalizava peças publicitárias da mais alta qualidade. Se trabalhava em rádio, quando não dirigia a emissora dava conta de escrever, dirigir e atuar até em radionovelas. Minhas condolências à família, meu pesar à Paraíba e a todos os colegas que compartilham o mesmo sentimento diante de tamanho desfalque na galeria dos nossos melhores valores.

Compartilhe

Geraldo, Rosa... (final)

A coluna de hoje traz a continuação e o desfecho da história que comecei a contar domingo passado (17), sobre o caso de Rogério, filho de Geraldo e Rosa. Vou resumir o ‘capítulo’ anterior para quem está chegando agora. Seguinte: quando criança, Rogério começou a apresentar dificuldades para ler. Em vez de enxergar letras, manchas lhe apareciam nas leituras de colégio e dever de casa.
Os pais procuraram ajuda médica para salvar a visão do filho e encontraram um inferno de sucessivas cirurgias que os levaram à falência e à desmobilização quase completa do patrimônio que edificaram por mais de duas décadas em que Geraldo, atuando na corretagem de imóveis, juntou um bom dinheiro e investiu toda grana livre em terrenos, casas e apartamentos. Esses bens, pressentia, seriam bastante valorizados no futuro. Como o foram, pois o futuro de então seria precisamente o que hoje é a Grande João Pessoa, tal como a conhecemos.
Na época em que começou a construir a sua fortuna, Geraldo procurou comprar imóveis justamente em praias mais afastadas do núcleo urbano da Capital ou em bairros estigmatizados por serem identificados como moradia de proletários. Um exemplo: a parte de Mandacaru que na metade dos anos 60 começou a ser ocupada por conjuntos habitacionais destinados a servidores públicos e terminou por dar origem ao Bairro dos Estados.
Bem, pra resumir mesmo, tudo aquilo precisou ser vendido para cobrir os gastos com as cirurgias em Rogério. Mas o garoto recuperou a visão graças a um especialista paraibano que atua ou atuava no Rio Grande do Sul e prescreveu para o seu jovem paciente viver o mais próximo possível do mar, de preferência morando em bairro de praia e de frente para as águas do Atlântico, que “Deus e o iodo cuidariam do resto”.

 


Má intenção e ganância


Rogério, segundo me contaram, é hoje um advogado bem sucedido e dedica parte do seu tempo a ajudar os pais na recuperação e soerguimento do patrimônio que se consumiu no tratamento inicial do filho. Um tratamento equivocado, para dizer o mínimo. Ou para não dizer mal intencionado, pois parece evidente a má intenção de alguém de ganhar dinheiro em cima da desgraça alheia. É o que transparece das atitudes, diagnósticos e prescrições da parte de quem recomendou e fez as cirurgias que o médico de Porto Alegre atestaria e comprovaria depois como absolutamente desnecessárias.

 

Mas tudo isso é passado...

A boa notícia é que Geraldo e Rosa estão voltando aos bons tempos de antes do menino adoecer. E estão retomando a vida de antes, por incrível que pareça, graças também a um erro que ele próprio cometeu quando relacionou os imóveis de que dispunha para vender e pagar as operações em Rogério. Vejam só, de tão aperreado, talvez por acreditar que já tinha vendido tudo, simplesmente Geraldo esqueceu uma quadra inteira de terrenos que havia adquirido em Intermares no começo dos anos setenta. Quando Intermares sequer existia como lugar de gente bacana morar.
Mais aí, um dia desses, remexendo nos papéis velhos da velha imobiliária que trouxera pra casa, depois de fechar o estabelecimento por conta da agonia e pindaíba, Geraldo redescobriu cópia de um ‘termo de compromisso e venda’ dos lotes de Intermares. Tão logo se deu conta do tesouro que tinha em mãos, não contou conversa. Pegou a mulher e com ela dirigiu-me imediatamente até o bairro de Cabedelo. No caminho, contou do que se tratava. Fariam, assim, um reconhecimento da propriedade.


Uma enorme surpresa

Acreditem, sobre o solo que podia chamar de seu o casal encontrou um baita prédio de alto padrão. Prédio em fase de acabamento, em vias de ser entregue aos felizes adquirentes das unidades. Todavia, coincidência feliz para os donos do terreno, um dos sócios da construtora estava na obra. Foi com ele que se entenderam e a ele contaram a história, mostraram documentos e convenceram da verdade que diziam.
O empresário, um jovem engenheiro, ficou naturalmente surpreso e abalado ao mesmo tempo. Sacou no ato que sua empresa fora vítima de um golpe, de uma grilagem, coisa do gênero, enfim. De imediato, convidou o casal para discutir a questão no escritório da construtora, para onde se dirigiram com boa vontade das partes para se chegar a um entendimento.
E de fato chegaram a um acordo. Para evitar uma ação na Justiça, a construtora ofereceu uma das coberturas e mais dois apartamentos no prédio construído. Rosa contrapropôs duas coberturas e um apartamento. Fecharam em uma cobertura, dois apartamentos no prédio e um terceiro que a firma construiria no Bessa. Tudo certo, ao cartório. Melhor ainda: acertaram reabrir a imobiliária de Geraldo, que se transformou no vendedor preferencial dos empreendimentos da construtora.
Rogério, por sua vez, está montando um super escritório de advocacia no Centro da Capital. Rosa, sua mãe, praticamente obrigou Geraldo a vender um dos apartamentos de Intermares para ajudar o filho a se instalar e a evoluir profissionalmente. Nem precisava. O jovem advogado é super dedicado à profissão e está à frente de uma causa milionária na Justiça. Trata-se de uma ação na qual processa os médicos que por muito pouco não o deixaram cego de guia e seus pais, na mais completa miséria.
 

Compartilhe

“Eu centralizo”

Asas para o NE
Na sua peregrinação pela Paraíba e RN na tarde/noite de quinta-feira, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) salientou que “é preciso tratar os desiguais como desiguais", ao comentar a necessidade de incentivos para o Nordeste.
“O nosso governo vai priorizar obras de infraestrutura para o Nordeste”, garantiu.

 

Nada muda
O ´tucano´ evitou falar sobre a nova fase da sucessão presidencial com a candidatura de Marina Silva (PSB).
"O meu adversário nesta eleição é o governo que aí está”, assinalou.

Improvisações
"Assistimos no Brasil, já não é de hoje, o governo do improviso, o governo do remendo. Na verdade, o governo percebe que a diminuição da atividade econômica vem ocorrendo mês a mês”, cravou o mineiro.

Rótulo
Aécio anunciou que “serei o presidente da República do emprego, do desenvolvimento, do trabalho, da solidariedade. A nossa proposta é a que vai recuperar a confiança no Brasil, para que os investimentos que nos deixaram retornem, e o Brasil possa se desenvolver em todas as regiões”.

Ascensão
Sobre o programa Bolsa Família, o presidenciável frisou que “ele vai permanecer, mas nós vamos permitir que a pessoa receba não só o recurso financeiro, mas ascenda socialmente”.

Livre acesso
Ao falar para o ´público interno´ no Sertão paraibano, Aécio pediu que “vocês prestem atenção no que vou dizer agora: a partir de 1º de janeiro, Cássio, você não terá apenas as portas do Palácio do Planalto abertas. Você terá a chave do Palácio e as portas estarão escancaradas para o povo paraibano".

“Meu irmão”
Aécio seguiu nos afagos ao aliado Cássio: “Dentre os meus amigos, tem um que se transformou num conselheiro, além de também num exemplo de conduta pessoal e amor a sua gente. Conto com cada um de vocês para ter o privilégio de governar o Brasil ao lado do meu irmão, governador Cássio”.

Ecoar
“E avalizado por Cássio, peço que sejam a minha voz e a minha coragem para acabarmos com esse ciclo de governo que já não faz bem ao país e a este Estado", acrescentou o ´tucano´.

Diferencial
Em seu discurso, Cássio reiterou que a Paraíba "precisa de um olhar especial".

Cerco
De acordo com o jornal Folha de São Paulo, ”petistas esperam que dois governadores do PSB, Ricardo Coutinho e Camilo Capiberibe (Amapá), abandonem Marina e apoiem Dilma”.

Intenções
No guia eleitoral da TV, ontem, Cássio afirmou que “pretendo fazer um governo técnico, mais ousado, mais criativo e mais eficiente”.

O guia
Ricardo Coutinho foi o entrevistado de ontem no JPB 2ª edição das TVs Cabo Branco e Paraíba.
Confrontado sobre o seu discurso contra a política conservadora e as oligarquias políticas, e a diversidade de alianças ideológicas que tem feito nos últimos pleitos, ele respondeu que “o que me move é exatamente um projeto político”.

´Minha tese´
Conforme RC, “desde a primeira eleição majoritária o projeto político é o mesmo. Eu tenho a tese de que se for para fazer o bem você se alia, não interessa quem”.
“E em todas essas alianças eu preservei o eixo central, que é democratizar o poder público, e a geração de emprego”, adendou.

´Outra praia´
Para Ricardo, “quem está errado talvez sejam os outros. Eu continuo a dizer e a fazer a mesma coisa. Eu tenho uma coerência enorme com relação a isso. Tanto é que talvez seja isso o que tenha motivado outros que se alinharam a mim a não manter a aliança. Ou seja, quando perceberam que não podiam me manipular enquanto candidato e gestor, talvez tenham visto que essa não era a praia deles”.

Tangente
Indagado sobre as várias denúncias que envolvem a área de saúde do Estado, o governador disse que aumentou em 52%, em sua gestão, o número de leitos em hospitais estaduais construídos em toda a história da Paraíba.

Faz parte
“O erro e inerente à pessoa humana”, comentou acerca das críticas feitas ao governo.

Muito além
Quanto à denúncia veiculada recentemente no programa ´Fantástico´ da Rede Globo, RC disse que “reduzir o problema da saúde pública à falta de macas é um erro tremendo. Imagina o que é achar que o problema da saúde é maca! Se fosse, eu compraria 10 mil macas. Não é possível relevar um problema tão grave à questão das macas”.

 


“Estão vendendo o Estado”

Ao ser questionado sobre a pecha de “centralizador” e “autoritário”, Ricardo Coutinho afirmou que “eu centralizo quando o assunto é dinheiro público, que a responsabilidade é minha. Eu não permito que o Estado seja fatiado, como foi em outros momentos. Tem candidato que já está vendendo o Estado por antecipação. Toda a Paraíba sabe disso: quem vai ficar na Cinep... Sabe onde cada secretaria está vendida. Eu não faço isso!”
- Eu tenho profundo respeito pela população. Eu sei o quanto é fundamental para a população ter uma gestão democrática, que possa dar resposta aos grandes problemas que são enfrentados pela população – concluiu.

 

Um ´irreverente´ artista campinense agora é Zé...

Compartilhe

'Visitas qualificadas'

Paladino Vigilante começou a fiscalizar usos e abusos da máquina pública na campanha eleitoral em curso desde o começo de junho deste ano. No dia 6 daquele mês, enviou-me i-meio avisando que reunião agendada para o dia seguinte, pleno sábado, deflagraria um gigantesco processo de mobilização de comissionados, prestadores de serviço, codificados, outros temporários e precários que frequentam folhas de pessoal suportadas pelo erário.
Todo aquele contingente seria mobilizado para adesivagens, panfletagens, bandeiraços e outras atividades de rua que promovem, divulgam e dão visibilidade à candidatura do chefe e/ou das candidaturas apoiadas pelo capo. Detalhe: a reunião seria, como foi, em repartição pública localizada na região central de João Pessoa. Com base nessa e outras informações de Paladino e outras fontes que abastecem a coluna, escrevi artigos e notas sobre o assunto. Um deles, publicado no dia 31 de julho último ('Máquina pública na campanha'), mereceu imediato repique do nosso amigo.
No dia 1º deste mês, o colaborador mandou mensagem atestando que não apenas continuava como havia se intensificado “o uso despudorado de funcionários comissionados na campanha da Paraíba”, agora sob modalidade que consistiria em visitas às residências de eleitores. Entre os visitantes, acrescentou, encontrar-se-iam “comissionados de secretarias, autarquias e empresas de economia mista”.
Paladino manifestou seu entendimento de que nada de anormal existiria nessa atividade não fosse “o fato de ser realizada nos horários de trabalho dos comissionados (em desacordo com a legislação eleitoral), antes recrutados das 6 às 8h e depois das 18 horas”. Para viabilizar a missão, os soldados e cabos eleitorais estariam dispensados do segundo turno de trabalho, embora se saiba que “na Paraíba o funcionalismo público trabalha oito horas por dia em dois turnos”. Concluindo o alerta, ele ofereceu dicas à Justiça Eleitoral de como identificar ou flagrar servidores pagos pelo contribuinte a serviço da campanha de quem os contratou ou nomeou:
- Basta observar que os cabos eleitorais que estão segurando bandeiras nos semáforos e fazendo “visitas” são os mesmos, em grande parte funcionários de órgãos públicos (basta fazer uma checagem nas fotos das campanhas). E o pior: são recrutados sutilmente pelos chefes e superiores em suas repartições, através de reuniões de “trabalho”, conforme informação fornecida diretamente por vários comissionados de repartições públicas que não podem aparecer senão perdem seus empregos e gratificações.

 

Confirmação

O recrutamento não seria tão sutil assim. Tanto que na manhã de ontem outro qualificado colaborador da coluna entregou-me material que confirma as informações do Paladino Vigilante. O material consiste em mensagem de i-meio postada no domingo (17) tendo como destinatários mais de 70 pessoas, às quais avisa que chegou a hora de dar início ao que chama de 'visitas qualificadas'. O autor da convocação considera que as tais visitas constituem “o nosso maior instrumento de convencimento de votos para nosso líder”, referindo-se obviamente ao seu candidato a governador, acrescendo pedido de empenho também na campanha do candidato a senador do chefe.

 

Em Mangabeira
Na mesma mensagem, o motivador-mobilizador-convocador das 'visitas qualificadas' informa que para realizar a atividade no bairro de Mangabeira (Capital), por exemplo, “os grupos foram divididos por território de uma forma que nenhum sobreponha o território do outro no mesmo bairro, ou seja, em Mangabeira”. E complementa: “Sendo assim, nós temos 6 (seis) grupos com 15 pessoas cada que atuarão no período da manhã em determinada área de Mangabeira; 4 (quatro) grupos compostos de 16 pessoas em cada grupo que atuarão no período da tarde e 1 (um) grupo que fará visitas manhã e tarde”. E acrescenta:
- Cada grupo terá uma van que os conduzirá com o material até o local das visitas qualificadas e em cada grupo terá uma pessoa de referência (pode ser chamado de coordenador ou facilitador do grupo) que se responsabilizará por pegar o material, ligar para todos do seu grupo, combinar o local de encontro de cada um e recolher o material das visitas e levar para equipe que condensará os dados. Todos os grupos serão conduzidos por alguma liderança da área em Mangabeira que todos vocês irão conhecer na segunda. Foi criado um grupo whatsapp para cada equipe, com a finalidade de facilitar a comunicação.


Preservando
O leitor deve ter percebido que não citei nome de qualquer partido, coligação ou candidato envolvido nesse esquema de visitas domiciliares. Percebeu mais ainda, lendo o texto da convocação, que as visitas foram programadas para o horário de expediente. Mesmo que não seja, ainda assim considero que o caso configura flagrante conduta vedada aos agentes políticos pela legislação eleitoral. Também não menciono o nome da pessoa que convoca ou das pessoas convocadas. Poderia, mas não o faço nem vou fazê-lo. Poderia porque a mensagem do convocador relaciona nominalmente os componentes de cada grupo encarregado das ‘visitas qualificadas’ em Mangabeira. Alguns deles, quando rapidamente pesquisados no Sagres, aparecem como beneficiários de diárias pagas pelas repartições onde estão lotados. De qualquer modo, vou preservá-los porque sei que muitos não têm como dizer não, não têm como resistir à pressão ou coação de quem lhes obriga a esse trabalho. Dependem do emprego e do salário de governo para sobreviver e sustentar famílias. Sei disso; seus chefes, muito mais. Tanto que se valem dessa dependência para fazer o que fazem.

Compartilhe

Pesos e medidas eleitorais

A Lei das Eleições (Lei 9504/77) diz cristalina e objetivamente no seu art. 57-C: “Na Internet, é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga”. No parágrafo primeiro e inciso I do mesmo dispositivo da mesma lei está escrito que pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, não podem de forma alguma veicular propaganda eleitoral em sítios na Internet. Apesar disso, anteontem à noite, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que a pessoa jurídica Empiricus Consultorias & Negócios pode continuar pagando a veiculação, na Internet, dos seguintes anúncios: “Como se proteger da Dilma: saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição da Dilma, já” e “E se o Aécio Neves [PSDB] ganhar? Que ações devem subir se o Aécio ganhar a eleição? Descubra aqui, já”.
O placar contra a Presidente (e flagrantemente contrário à letra da lei, data vênia) foi de cinco a dois. Maioria puxada pelo voto do ministro Gilmar Mendes, coincidentemente aquele membro do Supremo Tribunal Federal que dentro e fora do STF é tido e havido como o mais notório (e duro) crítico do governo do PT e das maiores lideranças desse partido. “Não vamos querer que a Justiça Eleitoral, agora, se transforme em editor de consultoria”, disse ele, acrescentando que seria censura “tentar tutelar o mercado de ideias”. Mesmo reproduzindo essas falas, não quero vender nesse mercado a ideia de que o ministro votou daquele jeito e disse aquelas coisas por conta do visceral antipetismo que transparece de seus posicionamentos jurídicos ou comentários políticos. Vai ver, seu convencimento escora-se em fundamentos estritamente técnicos. Pode ser. Afinal, como diria o Compadre Horácio, “o benefício da dúvida existe pra isso mesmo e serve para justificar até Papai Noel”.
De qualquer modo, conforme peguei ontem no portal Consultor Jurídico (conjur.com.br), ao julgar o caso Empiricus nessa quarta-feira o TSE entendeu “que não houve propaganda de qualquer espécie nas considerações feitas pela empresa sobre a oscilação do mercado financeiro em caso da vitória de Dilma ou de Aécio”. E com esse entendimento rejeitou o pedido da coligação petista contra a consultoria que paga anúncios na Internet para dizer que a reeleição de Dilma ameaça o patrimônio das pessoas, enquanto uma vitória de Aécio é oportunidade de investimento, chance de enriquecimento. Nem por isso, garante o Tribunal, aquela empresa faz “propaganda de qualquer espécie” contra um candidato ou a favor de outro. Eita nói!

 

Enxofre desequilibra


Depois dessa, vou ficar mais ligado e atento. Porque fiquei muito curioso para saber se o TSE vai liberar ou não comercial da Petrobrás veiculado em julho último nos intervalos do Jornal da Band, dizendo exatamente o seguinte: “A gente faz tudo para evoluir sempre. Por isso, modernizamos nossas refinarias e hoje estamos fazendo uma gasolina com menos enxofre, combustível de padrão internacional que já está nos postos do Brasil inteiro. Para levar o melhor para quem conta com a gente todos os dias: você”.
Pois bem, aquele comercial está proibido desde o dia 10 do mês passado por força de liminar expedida pelo ministro Admar Gonzada, do TSE, atendendo a uma ação da coligação Muda Brasil, encabeçada pelo PSDB de Aécio Neves. Sua Excelência entendeu que a divulgação de uma gasolina com menos enxofre pela Petrobrás pode causar “considerável risco de desequilíbrio na disputa” pela Presidência. Eita nói!

 

Por falar em enxofre...

Dilma deve erguer as mãos para o céu e agradecer muito a Deus se escapar dessa eleição. Eleitoral e fisicamente falando, pois a morte política ou o fim da existência de qualquer humano é um irrecorrível fato da vida. Sem segundo turno. Digo assim porque não é brincadeira o tanto de gente importante e rica e de forças conservadoras que se juntaram para demonizar e aniquilar a Presidente, o seu partido e o seu governo.
Nem Lula enfrentou tanta oposição e esforço tão bem articulado para evitar que chegasse ao poder ou para derrubá-lo do poder. Dilma luta contra um exército extremamente aplicado e bem armado que tem entre as suas divisões uma artilharia pesada comandada pela chamada Grande Imprensa. Noutro front, um batalhão especializado em sabotagem trabalha 24 horas por dia para destroçar a economia nacional, causar enorme prejuízo a milhões de brasileiros e lucro imenso a algumas poucas dezenas de especuladores. Tudo sob as ordens de um general chamado mercado financeiro, tratado com devoção e subserviência por alguns dos mais destacados adversários da Presidente.

 

Máquina na campanha

Graças ao diligente Paladino Vigilante, retomo amanhã a questão do uso de servidores públicos comissionados, prestadores de serviço e aspones regiamente pagos pelo erário para fazer campanha de rua em favor de determinados candidatos. Para fugir de possível investigação da Justiça e do Ministério Público Eleitoral, mentores e operadores dessa conduta explicitamente vedada pela lei teriam mudado de estratégia e tática, conforme o colaborador da coluna. Vamos ver, vamos ver.


Temas esquecidos

Observação mais do que oportuna do Doutor Newton Coelho: “No último debate entre candidatos a governador (terça 19 na TV Arapuan de João Pessoa), pelo menos quatro temas importantíssimos para o desenvolvimento de qualquer Estado não foram sequer citados em todo o programa: agricultura, indústria, comércio e serviços”.

Compartilhe
Anterior
página 1 2 3 4 5
Próxima