coluna

Rubens Nóbrega

Rubens Nóbrega

A coluna é basicamente uma crônica política, que se diferencia da análise política clássica por não se prender ao factual nem à ordem ou pauta do dia. Contato com o colunista: rubensnobrega@uol.com.br

Ordenamento na orla

Neste verão, a Prefeitura da Capital vai promover uma “ação integrada de ordenamento de toda a orla marítima no que tange aos ambulantes, aos passeios turísticos terrestres e náuticos, com enfoque em Picãozinho e nas piscinas naturais da Praia do Seixas”. A informação veio em carta enviada ontem (leia a seguir) pelo vereador Bruno Farias, Secretário de Turismo de João Pessoa. Ele escreveu para esclarecer e se posicionar diante das críticas publicadas ontem na coluna sobre lixo em nossas praias e deficiência de informações ao turista no portal da PMJP.
***
Estimado Rubens, inicialmente, algumas observações sobre a participação da senhora Cristiane no CBN João Pessoa, durante entrevista que concedi ontem àquele programa, conforme registra sua coluna desta quarta-feira (26). A ouvinteabordoua questão da limpeza urbana, sendo mais enfática em relação ao Litoral Sul, não tecendo grandes comentários à capital paraibana propriamente dita. Há de se observar, contudo, que João Pessoa é o destino indutor do turismo paraibano e que, por ser a porta de entrada para as belezas turísticas paraibanas, deve planejar e executar políticas públicas de turismo de maneira cooperada e articulada com os demais municípios, principalmente os litorâneos vizinhos, a exemplo de Cabedelo e do Conde.
Em relação aos 24 km de praias urbanas de nossa Capital, alimpezaé feita diuturnamente pela Emlur. E é preciso dizer: sempre que algum tipo de reclamação chega à Setur, nesse quesito, comunicamos imediatamente à Emlur e somos prontamente atendidos. Aliás, limpeza é marca de nossas praias, sempre ressaltada pelos turistas e também por moradores de nossa cidade. E neste verão, a Setur, de modo mais específico, ao lado de outros órgãos como Sedurb, Semam, Guarda Municipal, Capitania dos Portos, PBTur e da própria Emlur, irá realizar uma ação integrada de ordenamento de toda a orla marítima, no que tange aos ambulantes, aos passeios turísticos terrestres e náuticos, com enfoque em Picãozinho e nas piscinas naturais da Praia do Seixas. A limpeza será redobrada, ao lado da conscientização em educação ambiental ao longo do nosso litoral, de maneira permanente, durante toda a alta estação, quando um número maior de pessoas visita nossas belíssimas praias.
Admitimos que a ausência de um site voltado especificamente para o turismo é uma deficiência de nossa cidade, mas não estamos de braços cruzados. Durante a entrevista, inclusive, admiti a carência desse instrumento essencial de informação turística. Ao assumir a pasta, há pouco de mais seis meses, deparei-me com esse problema, que já está sendo sanado. Um novo site, feito em parceria com a Secom, está em fase de conclusão, restando apenas alguns detalhes técnicos para ser apresentado e ir ao ar. Nele, estarão dispostas informações a respeito dos pontos turísticos, hotéis, restaurantes bares e similares, atividades de lazer, roteiro de passeios, calendário de eventos fixos da cidade, além de outras informações úteis ao turista. O próximo passo, do ponto de vista tecnológico, será a criação de um aplicativo (app) para celular, onde o usuário poderá dispor também dessa ferramenta.
João Pessoa é uma cidade que tem, simplesmente por sua beleza, um forte apelo para os turistas, que se encantam com a nossa beleza. Entretanto, aliado a isso, estamos trabalhando de maneira profissional o Produto Turístico da Cidade, e, para tanto, outra ação relevante é a elaboração de roteiros turísticos na cidade, como o ‘Conhecendo o Centro Histórico a pé’, Roteiro das Praias, Roteiro do Mergulho e o Catálogo dos Artistas Plásticos e dos Ateliês.
Atenciosamente, Bruno Farias, Secretário de Turismo de João Pessoa.

 

Um site próprio

Em homenagem à elegância fina e sincera do Secretário, aproveito para sugerir que o sítio de divulgação de João Pessoa na Internet ocupe seu próprio endereço, com formato diferenciado e ferramentas de interação mais modernas. Com atualização e alimentação permanentes, o novo site deve ser também mais bonito, mais atraente, mais dinâmico, mais objetivo e menos burocrático, comparativamente ao que existe. Não há razão alguma que justifique manter o conteúdo da Seturescondido ou perdido dentro do portal geral da PMJP. Afinal, o órgão cuida de promover um patrimônio natural, histórico e arquitetônico que atrai mais de um milhão de pessoas por ano (tomando como base a movimentação de embarque e desembarque em nossos aeroportos). Evidente que todo esse contingente não é de turistas, mas pelo menos dois terços desses viajantes buscam a Paraíba e sua Capital como opção de turismo, lazer, negócios ou moradia definitiva. Por essas e outras, não são admissíveis amadorismos nem acanhamentos nesse setor, nessa atividade. Isso se quisermos ver a cidade preparada e qualificada para incrementar o turismo como uma das mais dinâmicas alternativas de desenvolvimento da economia local. Por último, lembro que qualquer instrumento do tipo ou qualquer peça do gênero deve conter no mínimo uma versão em inglês.


Polícia no zap-zap

Alô, Secretaria de Segurança Pública da Paraíba. Copie, sem vergonha nem medo de ser feliz, a ideia do Rio Grande do Norte de abrir“um novo canal para a população ajudar nas investigações policiais”. Veja só de que forma, segundo peguei ontem no G1: “A Secretaria de Segurança Pública informou que o Disque-Denúncia 181 passará agora a operar também por meio do aplicativo Whatsapp no número (84) 8149-9906. O trabalho será realizado da mesma forma que via telefone, porém a linha não poderá ser utilizada para receber chamadas. As denúncias serão feitas apenas por meio do aplicativo. A privacidade do denunciante será mantida e a assim a população poderá repassar a informação com imagens, vídeos e até localização, segundo a Secretaria de Segurança”. Bacana, não?

Pra endoidecer turista

Há cinco dias uma morrinha que todo mundo chama de ‘virose’, inclusive médicos, tirou-me do contato diário com os ouvintes da CBN João Pessoa, onde dou pitaco no atacado e no varejo nos minutos finais do programa que leva o mesmo nome da emissora e vai ao ar de segunda a sexta das 8 às 11h (porque estamos em horário de verão). Mas a pausa involuntária e forçada não me fez deixar de ouvir ‘a rádio que toca notícia’, líder da audiência mais qualificada que há no radiojornalismo paraibano.
Como prova, apresento o que guardei da fala de Dona Cristina (vamos chama-la assim) no programa de ontem. De nacionalidade estrangeira que não pude identificar, casada com cidadão brasileiro, moradora de Jacumã e na Paraíba há três anos e meio, ela fez por telefone críticas mais do que oportunas, observações pra lá de consequentes e valiosas sugestões que mereciam ser ouvidas e acatadas por todas as autoridades do Estado e prefeituras municipais que cuidam diretamente do turismo patrocinado ou divulgado pelo poder público na Paraíba.
            Dona Cristina interveio durante entrevista do vereador Bruno Farias, atual secretário de Turismo da Prefeitura de João Pessoa. Primeiro, ela mostrou que de nada adianta o esforço de promover a Capital como destino turístico se o restante da região metropolitana e municípios litorâneos vizinhos não se integrarem a esse trabalho nem, principalmente, adotarem um mínimo de qualidade na proteção, manutenção e valorização de seus atrativos, principalmente os naturais.
Mencionou e lamentou, para ilustrar sua preocupação, a situação das praias do Litoral Sul. Do Amor a Tambaba, passando por Jacumã e Tabatinga, o lixo dá no meio da canela. Não muito diferente do que aconteceria nas praias da Capital, embora aqui a sujeira seja recolhida com mais ligeireza e regularidade. Da mesma forma, emendou, também não ajuda a sofrível informação que a Prefeitura de João Pessoa oferece em seus espaços de Internet sobre a cidade e o que ela tem a oferecer ao turista.
Encerrada a participação de Cristina, liguei o computador e dei uma olhada na página da PMJP na web (joaopessoa.pb.gov.br) para ver se a queixa da ouvinte tem procedência. Tem. Não chega a ser uma fratura exposta, mas as escoriações leves que vi por lá merecem cuidados, reformulações e atualizações. Do jeito que está, se o turista for se guiar exclusivamente pelo que existe no portal da Prefeitura ou fica doido ou não chega a lugar nenhum se pisar fora da calçada do hotel onde estiver hospedado.


Guia pra taxista?


Se alguém quiser conferir o que digo, na página principal da PMJP abra em ‘Serviços’ (à direita, na parte superior) a segunda aba de cima para baixo, que é, justamente, ‘Turistas – serviços para turistas’. Quando abrir, encontrará um link para ‘Táxi’ logo no topo dos serviços. Mas não pense que vai encontrar, pelo menos, números de telefone para chamar ou pedir um táxi. Clicando no óbvio ícone do carrinho que se apresenta, aparecem informações bastante úteis para taxistas, tais como a legislação do setor, as taxas e documentos que eles devem tirar e pagar para exercer o ofício, prazos que devem observar no trâmite de procedimentos e, no final, uma lista de pontos de táxi. Já para o turista... Nem a lista deve fazer sentido para quem vem de fora, não conhece a cidade e, muito menos, os logradouros relacionados. Ainda mais porque não há mapas, fotografias, infográficos ou qualquer pista que facilite a localização deste ou daquele ponto.


Guia de locadoras?

O segundo tópico dos ‘Serviços ao turista’ é o ‘Conheça João Pessoa’, que vai dar num texto longo de seis ou sete parágrafos intitulado ‘João Pessoa surpreende’, sem qualquer ilustração ou, como diziam lá em Bananeiras, “sem figura para agradar à vista do freguês que busca informações mais objetivas e de rápida assimilação”. De qualquer modo, ao lado do artigo exaltando as belezas de nossa cidade, na mesma página o internauta poderá entrar em ‘Galerias de Fotos’, embora aqui nada exista além das fotografias em si. Belíssimas, é verdade, mas desprovida de legendas para dizer ao turista o que é ou onde é o que foi fotografado. Não há, sequer, o crédito do autor ou autores das fotografias expostas. Como alternativa, talvez o turista pudesse explorar os ‘Roteiros de Lazer’, tópico que vem logo abaixo das ‘Galerias de Fotos’. Mas aí...
É mais um texto longo, ilustrado por apenas duas fotografias, uma noturna da praia do Cabo Branco e outra da Lagoa do Parque Solon de Lucena. Com um agravante: diz ao visitante que na Lagoa ele vai encontrar palmeiras imperiais e uma fonte de água “que jorra jatos (sic) coloridos acompanhados por uma boa música”. Vê-se que a informação é anterior às obras que se arrastam no local, onde tapumes impedem a visão de parte do lago, incluindo as palmeiras e a fonte que não funciona há mais de um ano. Não há, como seria desejável, uma nota explicativa à parte informando que desde o começo deste ano e até o fim do próximo a Lagoa está ‘fechada para reformas’ e, portanto, não há mínima chance de proporcionar o “agradável passeio no final de tarde”, como se divulga. E o ‘roteiro’ também não diz como, onde ou com quem o turista pode se entender para fazer os passeios que o próprio serviço da Prefeitura anuncia.
            Agora, o mais surpreendente, para não dizer lamentável, vem quando você se depara com o conteúdo do ‘Guia da Cidade’. O que tem lá é uma relação de cinco locadoras de carro, um receptivo e quatro casas de câmbio, com os respectivos endereços, números de telefone e, aqui ou acolá, horário de funcionamento. Ou seja, não é um guia da cidade, mas de publicidade de umas poucas empresas de serviços turísticos. Ainda assim, com informações expostas sem uniformidade alguma. No mais, esse ‘guia’ expõe a Prefeitura a questionamentos sobre os critérios que levaram a favorecer no seu portal essas empresas e não outras, concorrentes das contempladas, que oferecem os mesmos serviços.

Bia não frequentava a Granja

Além de não reconhecer que a violência chegou ao paroxismo, além de não apresentar qualquer política pública eficiente ou pelo menos alguma ação emergencial para tentar deter o avanço da criminalidade, o Governo do Estado não sai do seu canto nem parece se incomodar quando ocorre alguma tragédia na vida de pessoas inocentes que não pertencem ao círculo dos poderosos e empoderados, ricos e novos ricos, notórios e notáveis da Paraíba de agora.
Digo assim porque não vi, não ouvi nem li qualquer palavra da boca do governador, de secretário de Segurança ou de comandante da Polícia Militar sobre o caso de Maria Beatriz, Bia, 14 anos, assassinada a tiros pelo ex-namorado, de 15, dentro da escola onde aparentemente ambos estudavam, no bairro de Mandacaru, na Capital. Esses dirigentes sequer esboçaram condolências ou solidariedade à família da menina, que seguramente não frequentava a Granja Santana e jamais pegou um avião do Estado, pago pelo contribuinte, para passar réveillon em praias do Rio ou agitar nalguma balada mineira.
A família da garota executada dentro da escola que leva o nome de Violeta Formiga, outra vítima do machismo homicida, seguramente não tem qualquer relação de amizade, muito menos laços políticos com figuras que mandam e eventualmente desmandam no Estado. Mas o pior é que a postura das autoridades mata qualquer esperança de toda uma população que gostaria de ver pelo menos restabelecida a Patrulha Escolar, serviço que mesmo pouco, e praticamente restrito a João Pessoa, poderia no mínimo inibir crueldades como aquela.


Resolve na Justiça?

Acredito que não, lamento dizer. É certo que a Promotoria da Educação de João Pessoa entrou recentemente com ação na Justiça para obrigar o Governo do Estado a restituir o policiamento ostensivo e preventivo junto à rede pública de ensino. Mais certo ainda é que se a Justiça atender ao pedido do Ministério Público Estadual, a decisão não apenas será contestada pela administração como não será obedecida de qualquer forma, mesmo que o governo venha a perder a causa em instância superior. Desse jeito, resta aguardar a próxima ocorrência, a próxima vítima, enquanto prefeituras feito a daqui enxugam gelo em matéria de segurança nas suas escolas. Afinal, os governos municipais simplesmente não têm determinação, pessoal nem equipamento suficientes para proteger todos os seus alunos e professores de eventuais brutalidades ou insanidades como a que tirou Bia da escola e da vida de uma vez só.


Matança dominical

Mais seis homicídios e oito tentativas de foram registrados no último domingo na Paraíba. Somados a outros crimes semelhantes anotados pela Polícia no correr da semana passado, chegaremos à incrível marca de 36 mortes em sete dias, ou seja, cinco homicídios por dia, no mínimo. Detalhes: esses números referem-se apenas e tão somente àquelas pessoas que são atacadas e morrem na hora, no local do atentado. Quem é baleado ou esfaqueado e morre um, dois ou mais dias depois, não entra na contabilidade oficial dos assassinatos.
Por essas e outras dá pra ter uma boa ideia da confiança com que o cidadão deve encarar estatísticas governamentais sobre violência na Paraíba. Pior acontece com roubos e furtos contra pessoas isoladas ou assaltos e ataques a estabelecimentos comerciais e bancários. A subnotificação dos crimes contra o patrimônio bate na casa dos 90%. Sem contar invasões e arrombamentos de residências, sequestros relâmpagos, saidinhas de banco e outras modalidades que mostram o quanto pessoas de bem neste Estado vivem à mercê de bandidos ou de propaganda oficial que nos leva todo dia para morar no paraíso e por isso mesmo acha que somos burros, imbecis, rematados idiotas.


Jampa Digital em NY

Recebi ontem do Professor Menezes recorte de notícia da France Press publicada sexta (21) na Folha de S. Paulo dando conta de que “a Prefeitura de Nova York anunciou a seleção de um consórcio de empresas para a instalação da primeira rede de internet gratuita acessível em todos os bairros da cidade no final de 2015”. Com um detalhe que faz toda a diferença: “Os terminais oferecerão acesso à internet grátis 24 horas por dia, sete dias por semana, com velocidades de gigabytes, que é 100 vezes mais rápida que a média da internet pública". À mensagem na qual me repassou tal informação, o mestre agregou o seguinte comentário: “Guardadas as proporções, acho que os americanos estão copiando os nossos conterrâneos administradores municipais, que há muito desenvolveram projeto semelhante, o Jampa Digital, com igual objetivo. Nossos gestores chegaram muito antes a esse propósito... A questão de funcionar, para eles e no entanto, é de somenos importância!”.

 

Em nome de Ariano

A edição de dezembro da revista Rocha 100, editada pelo Professor Washington Rocha, trará matéria especial sobre a proposta do historiador Marcus Odilon de rebatizar o Palácio da Redenção com o nome de Ariano Suassuna. Há quem vá mais além e proponha que o mesmo seja feito com o nome da própria capital do Estado.

Nem patrulha escolar tem mais

Das 90 escolas mantidas pela Prefeitura da Capital, pelo menos 22 (24,4%) encontram-se em situação de risco permanente por conta da violência. O dado foi apurado em agosto deste ano pelo Observatório da Violência, criado e instalado pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Cidadania. Naquele mesmo mês, a Paraíba também ficou sabendo que metade dos alunos das escolas públicas de Campina já presenciou, cometeu ou foi vítima de algum delito nos educandários que frequenta, segundo pesquisa realizada em 2013 pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
Na mesma linha, dentro do mesmo assunto, trago outro dado preocupante, este revelado em matéria do G1PB publicada no dia 13 de agosto passado: a Secretaria de Segurança Pública do Estado não tem a menor ideia ou números sobre a violência nas escolas da Paraíba. Na mesma reportagem, informava-se que a Secretaria Estadual da Educação havia instalado câmeras de vigilância eletrônica em escolas do centro da Capital e acreditava poder levar esses equipamentos, brevemente, para outras cem. Detalhe: a rede estadual de ensino tem mais de mil escolas. Mais de 900 ficariam, portanto, sem qualquer monitoramento.
Lembro, a propósito, que o Estado deveria ter e manter 200 escolas a mais, mas elas foram fechadas pelo atual governo sob a justificativa de que tinham poucos alunos. Pelo visto, pouca ou nenhuma foi a disposição governamental de incentivar e incrementar novas matrículas que evitassem tão inconcebível fechamento. Podemos dizer, de qualquer modo, que a decisão do governo zerou o risco de violência nas mais de 200 escolas suprimidas da rede estadual de ensino. Mas podemos dizer ainda, de toda maneira, que o problema da violência pode crescer nas escolas sobreviventes, que desde o ano passado não contam mais com a Patrulha Escolar.
A morte desse importante serviço de segurança cidadã e preventiva foi anunciada na última quarta-feira (19) pela Promotoria de Justiça de Defesa da Educação de João Pessoa, que tenta ressuscitá-lo através de ação civil pública contra o Estado da Paraíba para obrigar o governo a reativar o programa Patrulha Escolar Solidária. Trata-se de uma ação em favor dos estudantes da Capital, mas outras, semelhantes, podem ser impetradas pelas promotorias de outras cidades. Ou, então, talvez a Procuradoria-Geral de Justiça devesse promover uma ação do tipo para proporcionar segurança a todos os alunos de todas as escolas em funcionamento no território paraibano. Fica a sugestão em forma de palavra de ordem: “Patrulha escolar para todos!”.


120 patrulheiros

Segundo nota distribuída no meio da semana pela Assessoria de Imprensa do MPPB, a ACP pela reativação da Patrulha Escolar, assinada pela Promotora de Justiça Ana Raquel Beltrão, pede ao Juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude da Capital que mande o Governo do Estado designar um mínimo de 60 policiais militares “para exercerem, com exclusividade, as funções de patrulheiros escolares junto às escolas localizadas na área de abrangência do 1° Batalhão de Polícia Militar (BPM), sendo 20 patrulheiros por turno escolar em 10 viaturas”. Um número igual de PMs deveria atuar na área sob ‘jurisdição’ do 5° BPM, formando, nas minhas contas, um contingente especializado de 120 membros especialmente treinados para esse tipo de patrulhamento. Só lamento não acreditar que o governo obedeça a qualquer ordem da Justiça nesse sentido. Basta ver o que foi feito da decisão do juiz que mandou reabrir as delegacias de Polícia da Capital durante as madrugadas, feriados e finais de semana.


Mas é preciso...

Antes de protocolizar a sua ação, a Doutora Ana Raquel dimensionou a questão em audiências públicas nas quais ouviu dirigentes, funcionários e professores de escolas de João Pessoa e membros dos conselhos tutelares do município. De todos colheu depoimentos sobre o quanto a Patrulha Escolar contribuía para dar alguma sensação de segurança dentro dos colégios, mesmo naqueles que registram a presença de gangues formadas por adolescentes e jovens infratores, a maioria envolvida com drogas.
A Promotora e seu colega da Promotoria de Defesa da Criança e do Adolescente procuraram ouvir também a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar, pedindo informações sobre a Patrulha Escolar. A Secretaria deu calado como resposta, mas a PM informou que o serviço abrangia as áreas dos 1° e 5° BPMs, “sendo que, até março de 2013, o 1° Batalhão contava com a colaboração de 18 PMs e cinco viaturas, mas depois passou a contar com 17 PMs para 105 escolas em João Pessoa e 35 em Cabedelo”. No mês seguinte, “o efetivo foi reduzido para 14 policiais e apenas duas viaturas, restringindo-se à área de atuação para 50 escolas da Capital”.
Não surpreende, portanto, que com a redução e, no momento seguinte, com a desativação da Patrulha tenha sido retomado o crescimento de roubos, furtos e outros crimes ainda piores no interior e no entorno das escolas da Capital. Entre os crimes, homicídios como esses que vitimaram há dois meses um vigilante no Lyceu Paraibano e, anteontem, uma adolescente de 14 anos. A menina foi assassinada com três tiros dentro de uma sala de aula da Escola Municipal Violenta Formiga, em Mandacaru.
Detalhe: o suspeito de ter matado a garota seria ex-namorado dela, teria apenas 15 anos e era aluno da mesma escola. Até o fechamento desta coluna, próximo das nove da noite de sexta-feira, o suposto assassino não havia sido encontrado pela Polícia. Que talvez nem precisasse procurar delinquente algum se a Patrulha Escolar ainda estivesse positiva e operante. Quero acreditar que o protagonista dessa tragédia, vendo os guardas por perto, rondando a escola, no mínimo pensaria duas vezes antes de se armar para acabar com a vida daquela que no futuro, quem sabe, poderia reconquistar na boa, na paz, sem violência.

Pedagogia Lava Jato

Aos poucos, um crescente número de cidadãos de boa-fé começa a usar o bom senso e a exercitar senso crítico para formar a própria opinião, fazer suas próprias descobertas e tirar suas próprias conclusões a respeito da corrupção no Brasil. Nessa pisada, a primeira grande constatação a que chegam é a de que na corrupção existem dois lados, um que corrompe e outro que é corrompido. Não é mais aquela via de mão única ou faixa exclusiva por onde trafegaria apenas e tão somente o bonde dos agentes políticos e servidores públicos subornáveis.
A segunda revelação, não menos importante, é a de que corruptor e corrompido são corruptos do mesmo jeito, não importando quem vendeu ou se vendeu, quem comprou ou se sentiu forçado a comprar. Não é só. Dá pra ver facilmente que no senso comum já se espalha rapidinho a percepção de que pela primeira vez na história deste país os corruptores estão sendo caçados, presos e processados. Agora, pra fechar com chave de ouro, se os ‘deuses’ togados daqui de baixo ajudarem, com a graça d’O lá de cima os corruptores também serão punidos.
Devemos à Operação Lava Jato boa parte do mérito dessa mudança de postura e visão diante do que se passa no Brasil. À Polícia Federal e ao Ministério Público cabem muitos créditos pelo novo e ampliado entendimento. Inclusive porque das notícias sobre escândalos na Petrobrás brotam ainda outros desvelamentos relevantes. Um deles, a de que a corrupção na companhia e a promiscuidade nas relações entre cobradores e pagadores de propina envolvidos em grandes obras não é invenção do governo do PT, não nasceu depois que esse partido chegou ao poder.
Bem, para quem ainda não acredita ou botou na cabeça que petismo e corrupção são a mesma coisa ou que a oposição ao PT é formada por imaculados partidos e expoentes, recomenda-se um mínimo de conhecimento da história contemporânea brasileira. Caso não se disponha a tanto, que tal prestar atenção no noticiário que dá conta da existência até de estudos acadêmicos que retrocedem a bandalheira aos Anos JK e dizem que o casamento das empreiteiras com o poder teve a sua lua de mel na ditadura militar?
            Bom, se remanesce a dúvida, permita-se sugerir a leitura de matéria assinada por Carlos Medeiros, publicada ontem no Uol, que mostra como a ‘parceria’ entre o poder e as empreiteiras apanhadas na Operação Lava Jato prosperou no governo Juscelino Kubitschek (1955-1960) e atingiu o apogeu nos ‘anos de chumbo’ (1964-1985). O repórter, é bom frisar, construiu seu texto com avaliações e informações de especialistas como o renomado e respeitado historiador Pedro Campos.


Da ponte à Transamazônica

Professor da Federal Rural do Rio, autor da tese de doutorado ‘A ditadura das empreiteiras”, Campos lembra que a construção de Brasília, fundada em 1961, foi um marco na história das grandes construtoras, mas observa que após o golpe de 64 elas “passaram a ganhar contratos do governo muito mais volumosos que os atuais”. Cita os casos “emblemáticos” da ponte Rio-Niterói, obra partilhada entre a Camargo Corrêa e a Mendes Junior entre 1968 e 1974, e da Hidrelétrica Binacional de Itaipu, inaugurada em 1982, feita por um consórcio formado pela Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Mendes Júnior. “As mesmas Mendes Júnior e a Camargo Corrêa iniciaram a Transamazônica, que começou em 1970 e foi inaugurada, incompleta, em 1972”, arremata.


‘Nunca se roubou tão pouco’

Outra leitura que recomendo com muito gosto e certeza de boa aceitação é o artigo com o título que tomo emprestado para este tópico. O escrito pertence à lavra do empresário – e tucano de carteirinha – Ricardo Semler e foi publicou ontem na Folha de S. Paulo. Começa revelando nada mais nada menos que a empresa dele, a Semco Partners, vem tentando vender equipamentos à Petrobrás desde os anos 70, mas nada conseguiu até hoje porque sempre foi “impossível vender diretamente sem propinas”. O que houve de lá pra cá, garante, foi uma queda nos percentuais cobrados ou coletados pelos corruptos que desde aquele decênio atuariam na empresa.
            Como prova, menciona “a turma global que monitora a corrupção” e estima que atualmente a “pátria mãe tão distraída” sem o saber é subtraída em 0,8% do seu PIB nas mais “tenebrosas transações”. Mas o rombo já andou pela casa dos 3.1% e chegou aos 5% há poucas décadas. “O roubo está caindo, mas, como a represa da Cantareira, está a desnudar o volume barrento”. Mesmo assim, reforça, por ignorância, desinformação ou má-fé tem até gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobrás.
            “Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão – cem vezes mais do que o caso Petrobrás – pelos empresários?”, questiona Semler, que também é professor universitário, tendo já lecionado em instituições mundialmente veneradas como a Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (o famosíssimo MIT), ambos nos Estados Unidos.
            O articulista adverte ainda que ‘a coisa’ não se limita à Petrobrás, pois “há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário”. Tanto é assim que seria raro “ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas”, mas o que muitos não sabem, revela, é que é igualmente raro vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais “sem antes dar propina ao diretor de compras”. No final do seu artigo, Semler prevê que a defesa dos executivos presos vai entrar novamente com habeas corpus e vários deles serão soltos, “mas o susto e o passo à frente estão dados” e “daqui não se volta atrás como país”.

Timidez ou despreparo?

Das duas, uma: ou o governador Ricardo Coutinho não levou a Brasília projetos significativos para o Governo Federal financiar aqui no Estado ou, como bom vascaíno que deve ser, conforma-se em ver a Paraíba na condição de eterno vice no ranking invertido de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste. Digo assim porque o homem saiu de audiência anteontem à tarde com a Presidente Dilma, no Palácio do Planalto, jactando-se de ter ‘conseguido’ R$ 886 milhões para obras na área de recursos hídricos que, mesmo assim, ainda estão no papel ou na cabeça dos planejadores estaduais. É muito pouco para o tamanho da nossa precisão e menos ainda quando comparado ao que já foi investido em outros estados nordestinos. Pior é que a grana solicitada teria sido prometida para quando (e se) for deflagrado o PAC 3, pois ainda estamos no 2 e, nesse, permanecemos na mesma posição do 1: somos o penúltimo na região em volume de recursos federais captados e aplicados através do programa.
Só pra vocês terem ideia do quanto o nosso governante é tímido ou despreparado para pedir, propor ou cobrar ao Governo Federal, basta dizer que 15 dias atrás quem esteve em audiência semelhante com a Presidente foi o governador Cid Gomes, do Ceará, e de lá saiu com a garantia de que seu estado terá, sim, uma refinaria de petróleo no município de São Gonçalo do Amarante. O empreendimento está orçado em nada menos que 11 bilhões de dólares (algo em torno dos R$ 28,6 bilhões). Por que o nosso governador não tenta algo semelhante, desse porte? Por que se contenta e se vangloria de nos fazer pegar sobras da Fiat em Pernambuco ou de atrair investimentos privados que só vêm pra cá na certeza de ganhar mais em renúncia fiscal do Estado do que os recursos que se comprometem internalizar? Por que temos que nos resignar com a estagnação ou involução da economia paraibana, que de cinco anos pra cá desceu do quarto para o sexto ou, dependendo do setor, sétimo lugar no Nordeste?
Por essa e outras, tenho dito que o governador poderia ‘arrancar’ bem mais dinheiro da União se fosse a audiências dessa oportunidade e importância na companhia da bancada federal, até para mostrar que tem o apoio da nossa representação parlamentar e sabe, acima das picuinhas e arrogâncias, juntar força política para dar peso às reivindicações da Paraíba por investimentos realmente estruturantes e de grande monta para o nosso Estado. Lembro, contudo, que antes seria preciso debater, qualificar e consensuar os projetos com os nossos deputados e senadores, depois de obviamente ouvir também segmentos representativos diretamente envolvidos nessa ou naquela proposta capaz de dar um grau no desenvolvimento humano e material dos paraibanos. Seria necessário ainda elaborar competentemente os projetos e já chegar com os bichos prontos para mostrar à Presidência, aos Ministérios e/ou fomentadores e financiadores aos quais deve ser encaminhado todo esse material. Evidentemente, tudo com dados confiáveis e argumentos convincentes sobre o quê e o quanto precisamos para voltar a crescer de verdade e nos aproximarmos um pouco do patamar a que já chegaram nossos vizinhos.


VICE-LANTERNA

Os dados da tabelinha abaixo estão atualizados até 30 de outubro último. Foram extraídos diretamente do 10º Balanço do PAC 2, disponível na página do programa ou do Ministério do Planejamento na Internet. Qualquer cidadão pode e deve conferir as informações e cifras expostas a seguir. Se o fizer, comprovará: lamentavelmente, e apesar da importância dos investimentos que já vêm sendo realizados na Paraíba, poderíamos ter mais, bem mais, inclusive para deixarmos o incômodo penúltimo lugar no ranking do aporte de recursos do programa para os nove estados nordestinos.


CALÇADAS

Sobre trabalhos de recuperação e uniformização de calçadas na Capital, iniciados pela Prefeitura de João Pessoa na praia do Cabo Branco, recebi do Professor Hermano Toscano de Moura a seguinte mensagem: “Estimado amigo Rubens Nóbrega, sou assíduo caminhante pelas manhãs na calçada que vai de Tambaú ao Cabo Branco. Tem uma placa logo atrás do busto do Almirante Tamandaré propagando como vai ser a futura calçada da praia, com jardins, passarelas para pedestres e bicicletas. O que posso ver é que estão quebrando a calçada do outro lado. Já vem na altura do Edifício João Marques de Almeida. Estou achando absurdo quebrar a calçada, boa parte dela feita com pedra portuguesa, para se colocar esses tijolos de cimento (sem vida), enquanto para mim seria mais importante substituir o atual piso cerâmico do calçadão da praia que está todo quebrado e é um perigo para quem caminha, principalmente se estiver molhado. Sugiro ao amigo que perca uns 10 minutos do seu precioso tempo e observe que algo está errado no reino da Dinamarca. Meu abraço”.

Por uma agenda inclusiva

Fiquei até animado e confiante depois de ouvir ontem o governador Ricardo Coutinho lembrar que “o Brasil não é só corrupção”, que as denúncias envolvendo a Petrobrás estão sendo devidamente apuradas pelas instituições competentes e que precisamos de uma agenda positiva para a economia voltar a crescer e o país retomar seu desenvolvimento a índices e taxas compatíveis com o nosso potencial. Não foram exatamente essas as palavras dele, mas me parecer ter sido esse – e muito claramente – o sentido da entrevista que o governante reeleito concedeu ontem por telefone, desde Brasília, ao competente repórter Fernando Braz, da Arapuan FM de João Pessoa.
A entrevista foi reproduzida no programa Rádio Verdade, que na programação da emissora ocupa o horário de meio dia às duas da tarde, de segunda a sexta-feira. Pois bem, a fala do governador deixou-me esperançoso de que a tal agenda positiva proposta para o Brasil estenda-se à própria gestão estadual, ao modo de governar e de lidar com os governados. Que inclua a Paraíba nessa perspectiva, enfim, pautando a interlocução de governo com os diversos segmentos sociais pelo respeito democrático aos diferentes e divergentes, guiando a administração dos negócios de Estado pela transparência, impessoalidade e permanente busca da eficiência e qualidade dos serviços públicos.
Digo assim porque não há como prosperar entre nós qualquer possibilidade de entendimento entre governo e sociedade se não houver, em primeiro lugar, disposição para tanto de quem está no poder. Refiro-me à disposição para o diálogo, para o acolhimento tanto das críticas como das propostas que possam vir até mesmo da oposição, com a qual o governador deveria somar forças em defesa dos interesses maiores e mais legítimos da Paraíba. Querem ver uma coisa? Alguém aí soube – e pergunto porque não sei – se ele pelo menos tentou ir à audiência no Planalto na companhia de deputados e senadores que o apoiam, de modo a dar mais peso aos pedidos em favor do Estado? Pedidos como o terceiro canal de entrada das águas transpostas do São Francisco, o porto de águas profundas no litoral norte, o ramal da Transnordestina, a duplicação da BR 230 de Campina a Cajazeiras, a preferência do nosso território como sede da próxima grande montadora de automóveis que venha a se instalar no Nordeste, um metrô para a região metropolitana de João Pessoa...


Por essa e outras...


Após viajar nessas digressões ou quimeras, desembarco na realidade e lembro que o governador não divide cena e brilho sequer com coadjuvantes de luxo que poderiam ser um José Maranhão, os irmãos Vital Filho e Veneziano Vital, os deputados Luiz Couto e Hugo Mota e outros seguramente interessados em participar de reunião com a Presidente da República. Quando lembro que o homem é assim, ligeirinho esqueço “aquela esperança de tudo se ajeitar”, conforme recomendou o poeta. E a esperança vai mesmo embora e não volta porque também volto os olhos para dentro da Paraíba e me pego questionando porque, por exemplo, em vez de podar o orçamento dos poderes Judiciário e Legislativo ou de instituições como Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, Defensoria Pública e Universidade Estadual (UEPB), por que o governo não discute previamente a proposta orçamentária de cada um e em conjunto descola um meio termo que atenda a todos?

 

Com os servidores

Noutra ponta, por que não abrir e manter aberta uma mesa de negociações para debater com cada categoria do serviço público as aspirações de melhoria salarial e condições de trabalho, mais critérios de avaliação de desempenho, fixação de metas, cronograma de atendimento às reivindicações do funcionalismo? Tudo isso, claro, observando os limites das disponibilidades financeiras e condições fiscais do Estado. Mas, em vez disso, o governo faz da data-base que o próprio estipulou o momento de impor a vontade unilateral do governante. Que concede percentuais risíveis de ‘aumento’, só beirando a inflação do período quando a categoria se enquadra entre aquelas que não que não cobram nem são cobradas, porque fazem perfeitamente o tipo “o que vier tá bom” do mais puro conformismo ou submissão que aceita qualquer merreca.
Diante dessas lembranças, começo a duvidar da sinceridade de propósitos do governador quando se reporta a uma agenda positiva para o Brasil. Como, se na Paraíba o grande protagonista de um processo assim persegue com tenacidade a hegemonia, jamais a harmonia? Ademais, como distender o ambiente político pós-eleição se os vitoriosos do último pleito sequer esperam a proclamação dos resultados e logo deflagram a tradicional caça às bruxas, reeditando e reforçando as retaliações e perseguições de sempre contra quem não se rendeu nem vendeu seu direito a uma outra opção, não negociou nem ofereceu sua capacidade de abraçar uma causa ou candidatura distinta daquela que já se encontrava no poder?


Bode na sala

Os cortes no orçamento dos outros poderes pelo Poder Executivo têm a cara da velha estratégia do bode na sala. Os prejudicados acusam o golpe, chiam diante do incômodo que o animal vem causando, mas vão ter que aguentar o cheiro do bicho até a situação ultrapassar o limite do suportável. Aí, quem botou tira o bode da sala. Ou seja, chama para negociar, não dá tudo o que querem ou pedem, mas bate a parada do jeito que queria e ninguém tem mais motivo para reclamar. Afinal, sem o bode tudo fica limpinho, cheiroso e bacana. E ninguém tem mais do que reclamar. A não ser quando faltar dinheiro lá na frente. Mas aí o governo bota de novo o bode na sala e começa tudo outra vez...

O Plano A da Aije

Não passaria de um Plano B a famosa ‘Aije da Imprensa’, a Ação de Investigação Judicial Eleitoral com que o candidato à reeleição Ricardo Coutinho e sua coligação (‘A Força do Trabalho’) tentaram, no segundo turno das últimas eleições, tirar este jornal de circulação e a CBN João Pessoa do ar, além de suspender os blogs dos jornalistas Helder Moura, Marcone Ferreira, Dércio Alcântara e Alan Kardec. O Plano A, segundo um dos investigados, seria expor os veículos mencionados, este colunista e os blogueiros citados em matéria da Veja. Todos na condição de mercenários de uma guerrilha eleitoral financiada pela Assembleia Legislativa para encher a bola de Cássio Cunha Lima (PSDB) e ao mesmo tempo murchar a do governador.
“Como a Veja não acolheu nem topou a matéria, decidiram, então, recorrer à via judicial para tentar cassar a liberdade de expressão no período eleitoral e ao mesmo tempo amordaçar parte da imprensa que não abriu mão de fazer jornalismo e muito menos crítica, não ao candidato, mas ao governante e ao seu governo”, relatou-me ontem o colega, extremamente indignado diante do que tem na conta de “pura canalhice” do suposto mentor e redator da ‘denúncia’ recusada pelo semanário do Grupo Abril. De minha parte, disse-lhe acreditar que desde o famoso Boimate a Veja passou a tomar mais cuidado com as colaborações ou plantações externas e só publica as histórias que ela mesma inventa.
O colega discordou radicalmente da minha interpretação. “Nada a ver”, garantiu. Disse que as gestões supostamente palacianas ou secomianas junto setor editorial ou comercial da revista deram em nada porque o texto pretensamente redigido por aqui seria tão sofrível quanto inverossímil. Tal e qual o boimate, que se você ainda não sabe o que vem a ser nem tem disposição de pesquisar na Internet permita-me, então, resumir no tópico seguinte uma das maiores barrigas do jornalismo brasileiro de todos os tempos.

 

COMO FOI

No começo de abril de 1983, a revista inglesa New Scientist publicou uma piada em ‘homenagem’ ao ‘Dia da Mentira’ informando que cientistas alemães haviam desenvolvido um híbrido de boi com tomate. A lorota acabou saindo como informação séria, tremendo furo jornalístico, na edição de Veja do dia 27 daquele mês, naquele ano. O redator dos Civita chegou a dizer, inclusive, que a experiência dos pesquisadores alemães permitia “sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate". Por essa e outras, a barrigada virou alvo de chacota internacional, mas Veja somente viria a reconhecer publicamente o erro cometido na edição de 6 de julho, quando pediu desculpas aos leitores pelo “lastimável equívoco”.


APURANDO

Estranhei ontem pela manhã na CBN João Pessoa que o Ministério Público da Paraíba não tivesse instaurado ainda qualquer procedimento para apurar o caso do promotor de Justiça acusado de ameaçar bater em criança num clube recreativo na cidade de Sousa. Fiz tal observação porque até aquele momento a única apuração publicamente anunciada fora determinada anteontem pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que abriu Processo Administrativo Discplinar (PAD) contra o Doutor Valfredo Alves Teixeira, Promotor da Infância Infracional de João Pessoa.
Até 11h dessa terça (18), horário de encerramento do programa de rádio do qual participo diariamente, não sabia que o MPPB, por sua Corregedoria Geral, já havia aberto Reclamação Disciplinar (RD) para o caso desde segunda-feira (10). Soube dessa informação ao ler nota divulgada pelo órgão depois do meio dia, acrescentando que o promotor já foi ouvido e internamente enfrentará, além de um PAD, outra comissão processante, essa na área criminal. Isso porque o incidente também virou caso de Polícia, mediante Boletim de Ocorrência (BO) registrado na Delegacia de Sousa.

 

NOVO ACESSO

Qualificado colaborador avisou-me ontem que o Manaíra Shopping, de João Pessoa, constrói novo acesso de estacionamento exatamente na faixa de pedestres situada na esquina da Avenida Flávio Ribeiro Coutinho com a Rua Manoel Arruda Cavalcante. Fui atrás de saber. Disseram-me o seguinte: a faixa será recuada para um trecho bem próximo da parada de ônibus. O reposicionamento facilitará o fluxo de pessoas que em breve entrarão e sairão do estabelecimento por uma nova portaria, a ser aberta em pleno Retão.

Pense numa crise!

Fui a Pipa (RN) no final de semana conferir os efeitos da crise. Crise que comecei a sentir desde a procura por hospedagem. Alguns dos hotéis e pousadas nos quais sempre quis ficar estavam, mais uma vez, com demanda esgotada há três semanas ou mais. “Crise de leitos em Pipa derruba turismo no Rio Grande do Norte”. Fui logo imaginando a manchete e os comentários que renomados analistas da economia brasileira fariam em jornais, colunas, blogs, portais, programas de tevê e rádio. Fui logo visualizando a repercussão da ‘notícia’ no twitter, no facebook, nos grupos de zap-zap... Fui logo pensando nas multidões de duas ou três centenas de pessoas pedindo golpe militar ou o impeachment de Dona Dilma por conta da crise na hotelaria potiguar.
Diante de sintoma tão forte do cataclismo que todo dia anunciam pr’amanhã, embora tenha descolado um quarto onde dormir (através de saite que faz esse tipo de reserva), antes de viajar cuidei de passar no supermercado e me abastecer para uma eventual experiência de camping. Vai que chego tarde e alugam minha unidade pra outro, feito aconteceu em Natal ano passado... Escaldado, tratei também de me suprir contra possível desabastecimento feito esse que rola na Venezuela. Afinal, se também me dizem 24 por 24 horas que isso aqui vai virar uma Venezuela ou uma Cuba... Melhor, então... Dei-me tremendamente mal. O hipermercado escolhido estava mergulhado numa crise braba. Faltavam caixas e embaladores. Filas imensas nos disponíveis, um horror de gente comprando, consumindo.
“Esse povo todinho deve ter vindo também se preparar para a falta de mercadorias”, pensei. Antes de sair do estabelecimento, perguntei a um moço com roupa e cara de gerente porque não contratava mais gente. “Se o amigo estiver interessado, pode começar agora mesmo, que a agente assina a carteira na hora”, falou-me, num tom que parecia sério. Bem, enfim... Optei por me mandar dali e arriscar a sorte num posto de gasolina, onde enchi o tanque do carro; na conveniência, enchi uma sacola de plástico com biscoitos sortidos, barrinhas de cereais e chocolates. Peguei ainda quatro pets com litro e meio de água mineral, cada. “Vai passar o feriado em São Paulo?”, perguntou-me o caixa do posto. Não entendi a pergunta nem o motivo dela.
Peguei estrada, finalmente. Quase noite. Tráfego intenso na BR 101. Pior ainda na pista estreita e mal conservada que vai de Goianinha a Pipa. E, pela quantidade de placas de João Pessoa que me ultrapassavam, deduzi que muitos dos meus conterrâneos e concidadãos tiveram a mesma ideia que eu. “Eita, tá todo mundo indo ver a crise”, concluí. Confirmei a suspeita na chegada e nos dois dias que passei por lá. Pra vocês terem uma ideia, da entrada da vila até a pousada gastei não menos que meia hora dentro do carro. Não dá meio quilômetro. “É mais uma crise, a crise da falta de espaço para o trânsito fluir”, constatei.
Enfrentaria e apuraria outras crises antes de fechar e pagar a conta da pousada. Sexta à noite, restaurantes e bares lotados. “Lotado quer dizer superlotado”, diria o saudoso José Vasconcelos. No sábado, a mesma coisa. Após o almoço, perguntei ao garçom se ainda existia em Pipa uma sorveteria que adoro porque faz sorvete com fruta de verdade. “Não só existe como abriu uma nova aqui perto, na rua principal”, informou. “Aquele italiano (o dono) deve ser maluco pra expandir, pra investir aqui no Brasil numa crise braba como essa”, comentei com minha mulher.
Ela pareceu não dar importância ao que eu disse. Estava mexendo no celular naquele instante, lendo notícia que o G1PB publicara no dia anterior. Sem dizer palavra, botou o aparelho bem próximo dos meus olhos, a uma distância segura para este leitor de vista fraca. “PIB da Paraíba cresce 4% (em 2012)”, dizia a manchete. “Sim, mas não quer dizer...”, tentei falar algo do gênero, bem ao estilo Gosto Ruim. Dona Branca não me deixou terminar. Voltou o celular para o seu campo de visão, deu outro clique e retornou o bicho pra mim. Outra matéria do G1PB informava: “Paraíba gera 1.817 novos postos de emprego em outubro, diz Caged”. Não me dei por vencido. Lembrei que o Nordeste todo vem crescendo a taxas bem acima da média nacional e a geração de empregos a mais, aqui, deve-se a alguma sazonalidade qualquer.

 

“Eu não disse...”

Ontem à tarde, indo deixar a mulher no trabalho, ouvindo a CBN João Pessoa no rádio do carro prestei atenção e chamei a atenção dela para uma das manchetes lidas por Bruno Filho, o venerado apresentador do programa Cotidiano. Referia-se ao anúncio do Sine de que estão em oferta mais de 600 vagas de emprego em João Pessoa e outras 900 em Campina Grande. “Repare que é apenas na Capital e em Campina e é só o Sine”, observei, como quem diz “Eu já sabia”. Ela não deu a menor. Tanto que encerrou o assunto dizendo o seguinte: “Devo acreditar, então, que não tem mais emprego pro povo trabalhar em Patos, Santa Rita, Sousa, Bayeux, Cabedelo, Cajazeiras, Bananeiras... Ou seja, em mais nenhum outro lugar. Realmente, pense numa crise!”.

 

Petrovidência

Estão pegando no pé de Vital Filho porque ele e sua mulher, Dona Vilauba, foram assistir a uma corrida de Fórmula 1 em São Paulo, a convite da Petrobrás. Em 2011. Como o senador está sendo especulado para uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU), onde, vejam só, herdaria a relatoria de processo que investigaria corrupção na companhia... Inacreditável, mas, pelo que insinuam notícias e repiques sobre a presença do senador e senhora naquele GP, quem convidou o casal sabia com no mínimo dois anos de antecedência que estouraria todo esse escândalo na Petrobrás. Mais extraordinariamente ainda, que no futuro o senador paraibano articularia no PMDB indicação para substituir o conselheiro José Jorge, que se aposenta no TCU por ter alcançado a idade ‘expulsória’ (70 anos) no serviço público.

Tenham pena do pedestre!

Desde 2003, ano de estreia no colunismo diário da imprensa paraibana, venho pedindo calçadas pra onde não tem a sucessivos prefeitos da Capital. Para tirar o povo do meio da rua, evitar que mais gente morra atropelada. Mas não é só por isso, não. Tem que fazer porque é direito nosso, moradores em particular, bípedes e transeuntes em geral, viventes da Aldeia das Neves, enfim. Um direito assegurado no Estatuto do Pedestre que o então vereador Tavinho Santos apresentou, a Câmara aprovou e em 2007, se não me sacaneia a memória, o alcaide da vez sancionou. Creio que foi Ricardo Coutinho, a quem à época reivindiquei calçadas que deveriam ser implantadas, primeiro e prioritariamente, em vias de grande fluxo.
Lembro ter mencionado o caso da Beira-Rio. Achando que tinha algum cartaz com o homem, pedi por alunos, professores e funcionários da Escola Leonel Brizola, por exemplo. Argumentei que em determinados trechos eles são obrigados a desviar do mato ou lixo que cobre a lateral da pista de rolamento. Para chegar no colégio, são forçados a invadir o asfalto e disputar a vizinhança do meio-fio com motoristas afobados. Mas pouco ou quase nada foi feito na bucólica avenida. A não ser a transformação de um bom pedaço do que deveria ser calçada em viveiro de mudas de palmeira vendidas por loja de plantas e vasos que fica no sentido centro-praia, em frente ao bandeirão multador de velocidade acima dos 50 km/hora.
Daquele tempo pra cá, soube que fizeram uma calçada na ladeira e descida que ligam Valentina a Mangabeira e outra na Ladeira da Promac, entre a BR 230 e os conjuntos Verdes Mares e Pedro Gondim. E só. Se alguém souber de mais, favor comunicar que faço o registro. De qualquer modo, fiquei animado quando Luciano Agra assumiu a Prefeitura. Pensei: “Ah, agora, sim, pois temos um urbanista na Prefeitura, especialista em mobilidade urbana e humana, que certamente vai construir e regularizar o piso de nossas calçadas, principalmente no centro da cidade, em especial no Centro Histórico, onde a ‘minha gente anda olhando pro chão’, como diria o poeta Chico Buarque”. Qual o quê! Arquiteto e Professor do seu ofício, Agra passou pelo cargo sem dar a ajuda esperada para o povo andar de cabeça erguida pelas ruas do comércio e de muitos outros lugares desprovidos de calçada nesta cidade de meu Deus e de João Pessoa.
Aí veio Luciano Cartaxo. Reanimei-me ao nível do entusiasmo, pois o novo prefeito seria mais acessível e sensível à questão. Desta tribuna e também pessoalmente reapresentei a antiga reivindicação, em pelo menos duas oportunidades, uma para cada ano do mandato em curso. Esta é a terceira, mas desta vez estou mais confiante de ser atendido. Ou melhor, de a população ser atendida, porque não é uma cobrança individual, mas de um monte de gente boa, cidadãos de primeira. De qualquer sorte, registre-se que o trabalho aguardado em locais de maior precisão começou. Na praia, mas pelo menos começou. Mais precisamente na Avenida Cabo Branco. Do lado das residências, hotéis, bares, restaurantes e prédios de apartamentos. Pelo que vi até aqui, o serviço vai dar estabilidade a quem caminhar sobre essa calçada. Que possui, inclusive, parte do piso adaptada para orientar os passos dos deficientes visuais. Reparei também numa inserção mais apropriada de rampas para acesso de cadeirantes.
A famosa Calçadinha deverá ser a etapa seguinte de recuperação. Evidente que prioritariamente a reposição ou recomposição do piso de nossas calçadas deveria contemplar de início o centro e bairros tradicionalmente menos assistidos. Mas, durante entrevista este ano ao programa CBN João Pessoa, no qual dou uns pitacos e faço algumas perguntas a entrevistados, o Prefeito explicou que está fazendo primeiro na praia porque havia dinheiro em caixa carimbado para o Cabo Branco desde o governo passado. Quanto aos demais logradouros, “está na pauta”. Não deu nem estimou prazo, mas já é alguma coisa. Raciocino o seguinte: se o problema ganhou as atenções do alcaide é porque deve estar nas preocupações do Professor Rômulo Polari, secretário municipal de Planejamento, a quem caberia montar projeto, captar os recursos e fazer do nosso passeio público um ambiente decente e seguro para todos os pedestres.
O melhor de ter Polari como operador de tais providências é porque ele é o maior construtor de calçadas que conheço. Basta ver o que fez na Cidade Universitária da UFPB em João Pessoa, durante o seu profícuo Reitorado (final de 2004 a meados de 2012). Graças às calçadas que o então Magnífico Reitor mandou fazer, o Campus transformou-se em um dos mais aprazíveis locais para caminhadas ao ar livre, a céu aberto. Realmente, é uma beleza caminhar por dentro da Universidade, preferencialmente de manhãzinha cedo ou no final da tarde. Em matéria de satisfação, rivaliza pau a pau com a orla. Com a vantagem que de que lá você dificilmente tropeça em alguma falha ou buraco no piso, ao contrário do que acontece com frequência na Calçadinha da praia. Lá você também não divide o espaço com temíveis patinadores e skatistas, um pessoal capaz de provocar estrago grande se trombar com um coroa fraquinho feito o colunista.


AJUDA AÍ, MP

O Estatuto do Pedestre de João Pessoa virou letra morta, mas poderia ser ressuscitado por iniciativa do Ministério Público Estadual e força de uma ação civil pública movida pela Promotoria do Cidadão. Não tem como juiz ou tribunal negar o pedido de uma demanda assim. Não tem como não mandar a Prefeitura fazer o que deve. Tanto quanto formiga sabe a roça que come, prefeito deve saber onde pisa. A não ser que o cargo lhe tenha subido a cabeça, como dizem lá em Bananeiras, e o governante esteja flutuando, indiferente aos governados que mantêm os pés firmes no chão. Embora vez por outra levem um tropicão, uma queda e acabem na oficina de osso do hospital mais próximo, onde engrossarão as estatísticas dos acidentes tão evitáveis quanto previsíveis em calçadas esburacadas, mal cuidadas, esquecidas.