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Rubens Nóbrega

A coluna é basicamente uma crônica política, que se diferencia da análise política clássica por não se prender ao factual nem à ordem ou pauta do dia. Contato com o colunista: rubensnobrega@uol.com.br

Serviço ruim

Não lembro ter recebido antes, como recebo de três anos pra cá, tantas denúncias contra os serviços públicos a cargo de um governo estadual. Ressalte-se, contudo, que a maioria dos denunciantes não se queixa dos encarregados de atendê-los. Conhece e compreende as razões da baixa qualidade de atendimento. Sabe da desvalorização acentuada dos funcionários, dos baixos salários que lhes são pagos. Sabe da precarização das condições de trabalho nas repartições que lidam diretamente com a população.
A julgar pelo acúmulo e diversidade das reclamações, carece dizer também da enorme dificuldade de encontrar uma ou outra área imune a uma avaliação negativa. Principalmente na saúde, na educação ou na segurança pública. Nos setores essenciais de responsabilidade intransferível de Estado, “aí é que o bicho pega”, diria o Compadre Horácio. Afinal, tanto quanto ele, a Paraíba inteira assiste a uma preocupante e progressiva deterioração de escolas e hospitais públicos, delegacias de Polícia Civil, bases fixas ou móveis da Polícia Militar.
Não para por aí. Como nada é tão ruim que não possa piorar, conforme nos ensinou o glorioso Apporelly, a situação assume proporções de calamidade quando se trata de um serviço onde o povo pobre é clientela preferencial. É o caso da assistência judiciária gratuita que o governo deveria fornecer a quem mais precisa, mas não dá conta da parte que lhe cabe nessa história. Não dá porque trata com indisfarçada má vontade e até desprezo tudo que se refere à Defensoria Pública, justamente a instituição capacitada para atender aos mais necessitados que demandam a Justiça por algum direito. Mas não dá conta, sobretudo, porque paga muito mal aos defensores públicos.

 

Entre os três piores

“Esta é, infelizmente, a realidade de alguns estados da federação, como a Paraíba, que junto com Pernambuco e Espírito Santo têm as piores remunerações do país. Nos demais, os que ainda não atingiram a paridade com os juízes e promotores de justiça estão em francos processos de valorização remuneratória, ainda mais após a promulgação da Emenda Constitucional nº 80/14, que efetivamente igualou constitucionalmente as três Instituições”, revela Patrícia Ketterman, presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos.


Injustificada demora

De passagem por João Pessoa semana passada, Patrícia conversou com o jornalista Cândido Nóbrega sobre os problemas da categoria que representa e manifestou-se particularmente preocupada com o que encontrou na Paraíba. Especialmente depois de tomar conhecimento da injustificada demora da Assembleia Legislativa em votar projeto que fixa os subsídios dos defensores públicos. A justificativa para suspender a votação da matéria, "por conta do período eleitoral", é completamente descabida, entende a Doutora.
“Não há nenhum impeditivo para que essa matéria não seja votada e nós esperamos que isso ocorra o quanto antes, respeitadas a autonomia e condições orçamentárias da Instituição. Só para exemplificar, recentemente, em Fortaleza, foi aprovada uma lei muito semelhante a que está sendo discutida na Paraíba. A própria presidente Dilma Rousseff acabou de encaminhar uma legislação ao Congresso Nacional buscando um aumento de salários para os policiais federais”, informa a presidente.

 

Mesmo assim...

Apesar de todos os percalços e entraves, a Defensoria Pública permanece positiva e operante e responde por no mínimo 90% das ações que tramitam na Justiça Estadual de primeiro grau. Tal como na DP, outros segmentos do serviço público estadual conseguem cumprir a sua missão, mas sem o menor incentivo ou reconhecimento dos escalões superiores. Pelo contrário. Certas cúpulas parecem ter prazer em menosprezar e até humilhar determinados servidores públicos.
Ainda assim, temos e teremos sempre as honrosas exceções em quaisquer das atividades que competem ao poder público. Mas devemos agradecer sua existência ao esforço, dedicação ou profissionalismo de valorosas equipes e seus respectivos líderes. O que funciona bem, garanto, não é mérito de quem está no poder. Quem se der ao trabalho de visitar e acompanhar essas ilhas de excelência ou decência concluirá rapidamente que elas existiriam de qualquer jeito ou forma. Com, sem ou apesar do governo que temos.

 

UTI encaixotada

No Estado onde uma mulher é estuprada a cada quatro dias, segundo divulgou ontem o Centro 8 de Março... No Estado onde um cidadão precisa se acorrentar na entrada de um hospital para a mãe idosa e diabética ser atendida... Não admira que em um Estado assim tenhamos um hospital público em Piancó com uma UTI prontinha da Silva há mais de um ano, mas sem funcionar porque todos os equipamentos adquiridos para a unidade continuam guardados nos caixotes dentro dos quais foram embalados e transportados. Seria responsabilidade do Estado. Procurei saber do governo. Mandei i-meio e twitter para o governador. Nada de resposta, pra variar. Fico no aguardo, lembrando ainda que não esqueci da Agevisa, assunto que trarei amanhã, sem falta.

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Leitos: números também não batem

Sem contestação alguma da parte interessada, esta coluna mostrou recentemente, em três artigos sucessivos, que a propaganda de governo sobre ampliação de rodovias estaduais asfaltadas não bate com a realidade e choca-se até mesmo com dados oficiais disponíveis. Hoje, a vez é de mostrar que o problema se repete quando o mesmo governo informa que criou 600 novos leitos na rede hospitalar sob responsabilidade do Estado.
Segundo estudo que me foi repassado pelo Professor Francisco Barreto, estudo esse elaborado por experiente gestor(a) de saúde pública, a informação do governo sobre expansão de leitos nos hospitais do Estado não resiste a uma simples checagem no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). E o que não está no CNES/Datasus, nessa matéria, é porque não existe.
Leia com atenção, por favor, o quadro a seguir. Traz o número de leitos existentes em dezembro de cada ano no Estado (com exceção de 2014, cujos dados são de junho) por esfera de atuação. A fonte, indesmentível, claro, é o CNES/Datasus (http://cnes.datasus.gov.br).

 

‘Mortos que o digam’

Como se vê, em vez dos 600 propagandeados, o acréscimo nos últimos três anos e meio foi de 105 novos leitos na rede hospitalar do Estado. “E ressalte-se que este número não se traduz em aumento da qualidade do atendimento, como os mortos por macas retidas podem atestar”, destaca o(a) autor(a) da análise sobre a questão, com um adendo ainda mais preocupante, objeto das considerações a seguir.

 

Mortalidade materna

Além das vítimas da insuficiência de macas e da evidente incompetência de gestão para resolver um problema dessa natureza, a situação crítica a que chegaram os serviços públicos de saúde a cargo do Governo do Estado pode ser atestada também pelos parentes de mães pobres de recém-nascidos na Paraíba que morreram no parto ou até 42 dias após dar à luz. Veja porque nos comentários e informações da fonte que abastece a coluna e seus leitores. A partir deste ponto.
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Uma das metas dos Objetivos do Milênio/PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) é reduzir a pelo menos 35, no máximo, o número de mortes de mulheres durante a gestação ou 42 dias após o parto. Tudo isso mensurado por cada grupo de 100 mil habitantes. Nos últimos anos, assim como para as estatísticas de violência (que nos colocam em evidência de forma negativa em jornais como o Globo, ver edição de 10 de agosto de 2014), houve um brutal recrudescimento de mortes de mães paraibanas quando do nascimento de seus filhos.
Números da Tabnet/SES (Secretaria Estadual de Saúde), mostram que no período 2003 a 2008 o número de mortes de mães paraibanas por cada grupo de 100 mil habitantes ficou em 36,48, bem próximo do número alvo do PNUD. Segundo dados da mesma SES, esse número nos últimos anos saltou quase 70%, atingindo a média de 62,13 nos últimos três anos, sendo que em 2013 chegou a 78,2 mortes por cada 100 mil habitantes, ou seja, o dobro da meta estabelecida pelo PNUD.
Outro dado talvez explique estes números. Entre 2008 e 2014, a Paraíba perdeu 305 leitos obstétricos e pediátricos, destarte o número de leitos realmente criados na rede estadual. Pode ser. Quem sabe? O fato é que mães estão morrendo e medidas são requeridas para o enfrentamento desta situação. Entre essas medidas seguramente não está a propaganda que diz o que não é, o que não existe.

 

Calado como resposta

Mais uma vez, apesar de procurado com bastante antecedência (desde o último dia 14), através de i-meio, o Governo do Estado não prestou esclarecimentos sobre leitos e mortalidade materna. Enviei mensagem com o pedido diretamente para o governador. Ato contínuo, postei no Twitter comunicado dirigido a @realrcoutinho sobre a remessa. Aguardei até oito da noite de ontem. Nada recebi. Mas o que vier posteriormente, se vier, será publicado nos conformes.


Sobre Agevisa também

Aproveito para lembrar ao Governo do Estado que no mesmo pedido de esclarecimentos e/ou posicionamento sobre leitos e mortalidade materna enviei também questionamentos sobre a situação em que se encontram a Agevisa e seus servidores. Fico no aguardo de resposta até o final da tarde de hoje. O assunto será tratado na coluna de amanhã.

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Geraldo, Rosa e Rogério

Geraldo mostrou talento para os negócios desde rapazote. Aos vinte e poucos anos já tomava conta do depósito de material de construção que convencera o pai a montar em praia de Cabedelo que naquele tempo, 50 anos atrás, já se candidatava a estação de veraneio preferida dos ricos e novos ricos da Capital. Graças à visão empresarial do jovem, e praticamente só no ramo, naquele pedaço, ligeirinho a família prosperou vendendo areia, pedra, cimento e telha para os abonados que construíam suas mansões no lugar.
Mas Geraldo queria mais e sabia como e onde conseguir. Passou a ganhar um extra razoável fazendo as vezes de corretor de imóveis. A partir daí,todo dinheirinho razoável que juntava, graças às boas comissões que recebia, investia na compra de terrenos em áreas pouco ou nada valorizadas à época. Desse jeito formou patrimônio razoável em menos de 30 anos. Honestamente, registre-se. Tanto que no final do século passado frequentava com todo mérito e direito o restrito clube dos latifundiários urbanos da Grande João Pessoa.
Por esse período, começo dos anos 90, Geraldo apaixonou-se por Rosa. Casou e foi morar com ela numa casa grande e antiga do bairro deTambiá. Casa que comprara no intento de restaurar e nela instalar uma imobiliária. Mas a esposa gostou tanto do jeito que a casa ficou... Pronto, resolvido. Em vez de escritório, lar. Lar onde nasceu Rogério, primeiro e único filho do casal.
Menino bonito e inteligente que só, aprendeu a ler antes mesmo de ir para a escola, onde se revelou excelente aluno logo nas primeiras séries do fundamental. Mas, quando estava para entrar no primeiro ano do ensino médio, o garoto queixou-se de um problema na vista. Revelou queestudava com tremenda dificuldade. Ler transformara-se em exercício cada vez mais penoso. A cada dia, mais e mais enxergava manchas em vez de letras.
Geraldo e Rosa entraram em desespero. Aconselhados por amigos, resolveram levar Rogério a um oftalmologista que atendia no Recife uma vez por mês. Famoso e concorrido, dono de uma rede de clínicas com sede em Belo Horizonte e filiais nas maiores capitais brasileiras, o Doutor descobriu no menino uma doença raríssima, algo semelhante a uma degeneração progressiva da retina que, mesmo assim, poderia ser revertida ou estancada mediante uma série de cirurgias. “Umas dez, no mínimo”, prognosticou, alertando em seguida que tudo seria muito caro e exclusivamente particular, “de preferência no dinheiro, em espécie”. Ou seja, nem plano de saúde nemsistema de saúde pública poderiam cobrir aquele tratamento, “único no mundo”, garantiu o médico.
O casal insistiu com o doutor por uma estimativa de gastos. Ele adiantou uma média por cirurgia e procedimentos acessórios e complementares. Diante das cifras apresentadas, no total a grana a ser desembolsada seria tamanha que Rosa pediu licença ao doutor, chamou o marido para uma conversa lá fora e lá fora do consultório sugeriu que fossem atrás da indispensável segunda opinião.
Geraldo acatou a ponderação da mulher, mas avisou que se o diagnóstico fosse o mesmo ou parecido voltariam ao especialista e com ele acertariam a série de operações nos olhos do filho. Assim foi feito. Até por que a segunda opinião bateu com a primeira, inclusive em matéria de custos. Sem alternativa, venderam uma casa e um terreno em Ponta de Campina para financiara primeira operação. Na segunda, dois apartamentos pequenosno Bessa. Um conjunto de salas comerciais no Centro garantiu a terceira. E nada de Rogério recuperar a visão...
Nove cirurgias depois, sem ter mais o que vender, Geraldo e Rosa passaram a depender da ajuda de parentes e parentes.Que, inclusive, cotizaram-se, fizeram rifa e campanha popular para depósito numa conta bancária aberta especialmente para suportar a última tentativa e esperança de cura do filho. Seria uma consulta com aquele sobre quem diziam ser o mais entendido do mundo na suposta doença que deixara Rogério cego de guia. Conseguiram dinheiro suficiente e foram bater lá. Lá em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Coincidência feliz, quem os atendeu na Capital gaúcha era na verdade um paraibano origem, natural de Bananeiras, que bem cedo ganhara o mundo e fora bater na Europa, mais precisamente na Alemanha, onde se formou e se especializou em medicina dos olhos. Para surpresa do casal, a primeira coisa que o doutor falou foi perguntar porque não recorreram a um colega dele que atuava em João Pessoa, mas era respeitado em todo o planeta pela ciência que acumulara e desenvolvera na oftalmologia.
Dadas as explicações necessárias, a fera examinou Rogério demorada e minuciosamente. Levou quase uma hora com o paciente. No final, voltou para o birô onde Geraldo e Rosa o aguardavam e recomendou que retornassem imediatamente à Paraíba, pois o menino não necessitava de cirurgia alguma. Como não teria necessitado de qualquer uma das nove que fizera até então.A mãe passou mal ao ouvir aquilo. Não estivesse na sala de um médico, teria desmaiado ou coisa pior. Mas o doutor tomou as medidas de sua competência, explicou tudo direitinho e acalmou mais ou menos o casal.
“E o que a gente vai fazer agora, Doutor?”, perguntou Geraldo, aparentemente refeito do choque diante daquela revelação. “Agora, vocês vão fazer um esforço para comprar ou alugar uma casa à beira-mar. Tirem o menino do colégio e façam com que ele frequente a praia diariamente, faça chuva, faça sol, durante um ano, pelo menos. Ele é muito novo. Depois recupera o tempo perdido nos estudos. E me voltem daqui a um ano. O importante é que, doravante, vocês tentem fazer do garoto um surfista, um pescador, um salva-vidas, um rato de praia, o que preciso for, enfim, que do resto Deus e o iodo cuidarão”, prescreveu.
Não deu outra. Oito meses depois, Rogério voltaria a enxergar com cem por cento de nitidez e alegria “esse verde que chega a doer das águas de Tambaú”, com diz a canção belíssima de Cátia de França. Mas seus pais, coitados, estavam praticamente na miséria. Teriam que reconstruir vida e patrimônio, recomeçando praticamente do zero.
Continua no próximo domingo.

 


 

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Teorias da conspiração

A exemplo do que fazem desde anteontem milhares de pessoas Brasil afora e adentro, a leitora ou leitor que se apresenta como Shayene Bismarque também tem a sua própria teoria da conspiração para explicar a morte de Eduardo Campos. Segundo ela – ou ele – o candidato a Presidente da República pelo PSB foi “tirado de cena” por um “governo oculto” mais poderoso do que tudo no mundo, além de determinado a mudar a história política do país através de Marina Silva, provável substituta do ex-governador de Pernambuco na disputa pelo Governo Federal.
“O governo oculto manipula e controla o poder político e econômico do planeta há milhões de anos e nós humanos somos o ‘gado’ dele”, garante Shayene, acrescentando que “assim como os humanos se alimentam de vegetais e animais, o governo oculto (‘Deus’, ‘deuses’) alimenta-se das emoções que exalam da aura dos humanos”. E acresce uma explicação: “Tudo que causa paixão, devoção, amor, ódio, medo, tristeza ou alegria exala energias que alimentam os ‘deuses’ manipuladores, porque humanos são como baterias que alimentam um sistema”.
Ela – ou ele – deve acreditar, como diz, que o tal governo oculto intervém mediante prepostos que coloca nos sistemas político, financeiro e religioso. Como gerentes dessa engrenagem transcendental, Shayene relaciona banqueiros, chefes militares, megaempresários, políticos, donos ou executivos de redes de comunicação de massa, membros do Judiciário, maçons, controladores de cartéis de medicina, de ongs, papas, outros líderes religiosos e até ‘fantoches’ feito o colunista, pois assim ela ou ele me trata desde 2010, ano em que começou a me enviar mensagens desse jaez. Mas ‘fantoche’ seria qualificativo mais ameno do que aquele ao qual fui ‘promovido’ em março deste ano: “... um mosquito no cocô do cavalo do bandido, que quando não mais servir ao sistema será dedetizado”.
Mas qual seria mesmo o trabalho dos ministros terrenos do governo oculto? Seria dividir e jogar os humanos uns contra outros, “graças às crenças e dualidades dos opostos que inventaram (o bem e o mal, o certo e o errado, o difícil e o fácil, o preto e o branco, o homo e o hétero, o religioso e o ateu, a situação e a oposição...)”, esclarece Shayene. Por essas e outras, e dispondo de tão poderosos instrumentos, ela ou ele reforça que “o governo oculto tirou Eduardo Campos para colocar Marina e fazer a mudança que deseja, pois tudo indica que está aborrecido com a arrogância dessa turma do Lula e vai tirá-la do poder”. Conclui sua mensagem com uma advertência em tom grave e nitidamente ameaçador: “Lula, Dilma e sua turma que se preparem!”.

 

Avião sabotado?

Shayene Bismarque despertou-me a curiosidade de checar outras teorias da conspiração sobre o acidente em Santos (SP) que matou o presidenciável Eduardo Campos e outras seis pessoas. Na primeira busca no Google, encontrei logo de cara um blog que tem como missão desvendar “hoax, farsas e mentiras na Internet”. Trata-se do Boatos.org, do jornalista Edgard Matsuki, que se define também como “caçador de falcatruas” na web. Com essa credencial, ele se dedicou ontem a desmanchar os boatos que circularam abundantemente nas redes sociais de que o avião no qual viajavam o candidato e equipe teria sido sabotado e, pior, a mando de Dilma ou de Marina. Desmanchou o embuste, creio, com os seguintes argumentos:
- Claro que o acidente ainda é muito recente para se apontar qualquer informação mais exata a respeito. Porém, é improvável que Eduardo Campos teria sido assassinado. Estrategicamente falando, a morte dele não favoreceria a ninguém. Não se sabe para onde iriam seus votos. O PT poderia perder votos para Marina Silva. O PSDB poderia perder votos para o PT e a própria Marina entraria na campanha como uma incógnita. Além disso, as primeiras informações sobre o acidente dão conta que o tempo em Santos estava ruim na hora do acidente. O piloto arremeteu antes do avião cair. Isso se dá por circunstâncias meteorológicas. As hipóteses que a polícia investiga é que o mau tempo, falha mecânica ou falha humana pode ter causado o acidente. Ou seja, não há hipótese de sabotagem.


Lamento e hipocrisia

Sob este título, o Professor Dimas Lucena publicou ontem em seu Facebook o texto que reproduzo logo mais. Tanto pela qualidade indiscutível como para não perder a oportunidade ou necessidade de repicar um pensar diferenciado sobre as tragédias humanas e suas interfaces com eventuais lances de proveito ou esperteza política.
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Lamento a morte das 18 mulheres em Goiânia e milhares de outras brutalmente assassinadas todo ano. Lamento a morte das 298 vítimas do avião da Malásia e de milhares outras em acidentes no trânsito. Lamento todas as vidas que se vão aos milhares por falta de atendimento nos hospitais ou mesmo pela falta do pré-atendimento do Samu. Lamento as 53 mil mortes anuais em nosso país por conta da violência desenfreada (nenhuma dessas mortes causa comoção ou indignação). Lamento cada árvore arrancada. Cada animal caçado ou morto por abandono. Lamento cada estrela que se apaga. Nesse sentido, também lamento a morte de Eduardo Campos. Mas minha razão não me permite entrar nessa histeria coletiva do endeusamento profundo. De repente é santificado e idolatrado. No meu olhar é mais uma vida que se foi e lamento da mesma forma que lamento todas as outras. Mas em uma sociedade formatada para não pensar é isso: um político morre e é santificado (veja Tancredo Neves que já faz até milagres). Virão agora os urubus aproveitadores e oportunistas. Urubus engravatados que choram diante das câmaras e holofotes. Urubus que vão se banquetear no gigantesco espetáculo midiático. E muitos urubus aproveitarão o momento para ganhar dividendos políticos. É a sociedade da hipocrisia e da manipulação. (Dimas Lucena)

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Agosto

Perdoe quem esperava encontrar hoje neste espaço um necrológio digno de Eduardo Campos. Não vou por aí. Sei das inúmeras opções mais qualificadas que se dedicam a esse propósito desde ontem nos melhores portais de Internet, telejornais e programas jornalísticos de rádio. Também não vou me atrever a especular sobre possíveis mudanças na sucessão presidencial com a provável ascensão de Marina Silva à candidatura vaga com a morte daquele que a maioria dos nossos vizinhos ao sul têm como o melhor governador de Pernambuco de todos os tempos. Muito menos arrisco-me a contraditar os urubus da grande imprensa e do grande capital que também desde ontem festejam sem disfarçar a presumível entrada de Marina no páreo só porque veem nela potencial para levar a disputa ao segundo turno e, por via de consequência, a tão sonhada derrota de Dilma Rousseff para uma elite que odeia de paixão o atual governo pelo tanto que fez e faz pelos mais pobres deste país.
Como todo brasileiro que respeita e admira figuras como Eduardo Campos, fiquei chocado com a desgraça que se abateu sobre toda a descendência do velho e bom Miguel Arraes, em virtude da estúpida e inesperada morte do seu neto e sucessor político. Mas optei por fazer hoje conexões entre a desgraça na cidade paulista de Santos e a sempre lembrada coincidência de acontecimentos funestos com o mês de agosto. Fiz tal opção porque tão logo soube da queda do avião que conduzia o presidenciável e equipe lembrei-me que entre pedaços e finais de filme que costumo assistir pertinho do amanhecer, nos canais fechados de televisão, ‘Rocky Marciano’ (Estados Unidos, 1999) ocupou-me imediatamente a memória após a notícia de morte tomar conta do mundo. Primeiro, porque o filme passou na madrugada de segunda-feira última, 11 de agosto. Segundo, porque passou poucas horas depois da confirmação da trágica morte de Robin William, um dos mais queridos atores e humoristas norte-americanos.
Preciso dizer ainda que o filme sobre o lendário boxeador e invicto campeão peso-pesado (49 lutas, 49 vitórias, 44 delas por nocaute) termina com o protagonista despedindo-se da família e embarcando em um pequeno avião que o levaria para uma reunião de negócios em Chicago (terra natal de Robin Wiliam). Rocky resolveu viajar mesmo diante das reiteradas advertências do seu piloto de que o tempo estava muito ruim e perigoso para voar naquele dia. Pois bem, ele diz algo como “já fiz essa viagem umas cem vezes”, o teco-teco começa a taxiar na pista e a tela escurece. Antes de rolarem os créditos da fita, aparece uma legenda informando que o lutador morreria hora e meia depois numa pequena cidade do interior do Estado de Iowa, onde o avião em que viajava caiu, matando seu famoso passageiro e as duas pessoas que o acompanhavam. Em 31 de agosto de 1969.
Por essas e outras, são famosas, intrigantes e inquietantes as tragédias humanas que ocorrem e ocorreram em agosto, o ‘mês do cachorro louco’ e de todos os sortilégios que fazem do oitavo mês do calendário (juliano ou gregoriano) a mais estigmatizada de todas as 12 divisões que compõem o ano civil em voga no mundo ocidental. Sem contar que agosto seria homenagem a Augusto, o imperador romano César Augusto, filho adotivo de Júlio César (aquele assassinado a punhaladas por colegas de Senado). O homenageado, segundo os enciclopedistas, morreu no ano 14 da era cristã. Data do óbito? 19 de agosto. Sem contar que a própria formação da palavra agosto (a-gosto) faz pensar que o ‘a’ entra nessa composição como prefixo (de origem grega, segundo o Dicionário Houaiss) e entra para dar o sentido mais explícito de negação, de contrariedade ou de privação do que vem logo a seguir (gosto).
Nessa linha, não há como esquecer a incrível coincidência de que Miguel Arraes também morreu num dia 13 de agosto. Em 2005. Ou que foi também em agosto que Getúlio Vargas deixou a vida “para entrar na história”. Em 24 de agosto de 1954. E que Juscelino Kubitschek morreu ou foi morto em acidente de carro em 1976. No dia 22 de agosto. Indo mais longe, além fronteiras, na lista dos trucidados pelo destino ou por seus algozes temos ainda Leon Trósky, executado a golpes de picareta em 21 de agosto de 1940. No México, onde se exilara na esperança de fugir da morte certa ordenada desde a Rússia por Josef Stalin. Mas não havia meio de escapar da fúria sanguinária do super ditador soviético, que em matéria de mandar matar gente rivalizou até mesmo com Adolf Hitler, o austríaco que seis anos antes, mais precisamente em 24 de agosto de 1934, assumira poderes totais e imperiais na Alemanha para levar o planeta à Segunda Grande Guerra.
Ah, e se alguém quiser persistir neste aparente esforço de cultura inútil, sugiro uma visita ao sítio Área H (areah.com.br) para conferir um resumo desses e de outros casos de mortes misteriosas - ou nem tanto - de grandes personalidades da história. Inclui, além dos citados, o músico Roberto Johnson, que ensinou a América a gostar e a tocar blues, e o rei Elvis Presley. Ambos morreram num 16 de agosto. Esse, em 1977; aquele, em 1938. De quebra, voltando ao Brasil, vamos nos deparar com a morte do escritor e jornalista Euclides da Cunha, que perdeu a vida em 15 de agosto de 1909 ao tentar matar o jovem tenente do Exército Dilermando de Assis, amante de Anna de Assis, mulher do autor de ‘Os Sertões’.

 

Vida que segue...

Dentro da programação do Caminhos do Frio, Bananeiras oferece hoje aos seus privilegiados habitantes e visitantes o espetáculo teatral ‘No Reino da Imaginação’, sob direção de Dalila Cartaxo. No Espaço Cultural Oscar de Castro, às 15h. Uma hora depois, o público poderá se concentrar para assistir ao pôr do sol ao som da Orquestra Lira dos Artistas, sob a regência do Maestro Batista de Andrade. No Colégio Emília de Oliveira Neves. Fechando o dia, lançamento do livro ‘A Botija de Camucá’, do escritor e jornalista Ramalho Leite. No Oscar de Castro, às 19h30.

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De volta aos narcocandidatos

“Também já fui ingênuo como você”, disse-me ontem jornalista de boa quilometragem ao entregar avaliação que guardara desde o dia 1º deste mês sobre coluna publicada naquela data (‘Eleição viciada’), baseada em denúncia de um Juiz de Direito de Solânea sobre troca de voto por droga naquela cidade.
Encontrei o colega durante café da manhã em restaurante da Capital, onde revelou ter participado de campanha eleitoral na Grande João Pessoa na qual foram eleitos no mínimo dois narcovereadores na penúltima eleição municipal. Disse ainda ter conhecimento de que outros dois da mesma qualidade consagraram-se nas urnas da mesma disputa, mas em outra comuna bastante populosa de nossa região metropolitana.
Não vou citar nomes dos eleitos ou de suas respectivas bases eleitorais porque obviamente nem ele nem este colunista têm provas materiais ou testemunhais para tanto. E também porque não teria chegado a qualquer resultado sequer uma investigação aberta pela Justiça Eleitoral em 2008 para apurar aquela modalidade de corrupção de eleitores em uma das cidades mencionadas pela fonte da coluna.
De qualquer forma, tenho como absolutamente compreensível o medo do cidadão comum e até de autoridades de enfrentar a questão. Inclusive porque dos quatro eleitos de que me falou o jornalista, pelo menos três seriam policiais ou ex-policiais que aderiram o crime e se aliaram a traficantes e os transformaram em cabos eleitorais. Além do quê, essa é daquelas verdades sabidas sobre as quais nenhum cristão lúcido e orientado se dispõe a testemunhar na Polícia ou em juízo. A não ser por falta de juízo. Aí, arrisca-se a perder a própria cabeça. Literalmente.
A um risco dessa magnitude jamais se submeteria, por exemplo, o colega que me abordou. Ele diz ter presenciado farta distribuição de papelotes de cocaína e trouxinhas de maconha durante passeata do candidato a prefeito que assessorava. Passeata somente possível, diga-se, depois de permitida pelos donos e gerentes das ‘bocas’ do lugar, que obviamente abraçaram o ‘projeto’ para o qual o colega trabalhava.
De qualquer modo ou sorte, nenhuma pessoa de bem no pleno domínio de suas faculdades mentais, como diziam antigamente, dispensaria ver Justiça e Polícia empenhadas em combater tão vergonhosa feira de compra e venda de eleitores onde a moeda corrente pode ser uma pedra de crack, uma carreira de pó, uma baga de marijuana ou coisa pior.

 

Nem tão ingênuo assim


O colega jornalista que me deu mote e informações o artigo de hoje talvez não tenha lido por inteiro aquele do dia 1º. Em um dos tópicos daquela coluna, justamente intitulado ‘Apenas em Solânea?’, escrevi exatamente o seguinte: “Não é difícil pensar e acreditar que a nova (ou já seria velha?) modalidade de cooptação estaria ocorrendo em larga escala com maior intensidade e volume em todos os colégios eleitorais da Paraíba, principalmente nos maiores. Ou vamos acreditar que esse é um problema circunscrito à 48ª Zona Eleitoral? Nessa história, amiga, amigo, só tenho certeza de uma coisa: por insuficiência legal de um lado e, de outro, ineficiência do aparelho policial, a denúncia do Juiz de Solânea mostra que na Paraíba a corrupção eleitoral expandiu-se e diversificou-se de tal forma que agora compra viciados para viciar de modo insanável o voto desses pobres coitados”.


Jornalista revela casos de troca de voto por droga na Grande João Pessoa

Sobre ‘Nem pneu de bicicleta’, publicado sexta-feira (8) como réplica de ilustre morador do Brejo à denúncia do Professor Antônio Carlos F. Melo sobre buracos na ‘rejuvenescida’ estrada de Rua Nova (Belém) a Bananeiras, o denunciante foi à tréplica remetendo à coluna o texto que sirvo aos leitores a partir deste ponto.
***
Prezado jornalista, não me surpreendeu a contestação desse nosso conterrâneo que trabalha para o governo, porque deve ser um dos muitos de plantão pagos para fazer defesa daquilo que não se pode defender, porque os buracos existiam até quarta-feira, dia 6.8.2014, ocasião em que as máquinas voltaram à pista no trecho mencionado (Rua Nova-Bananeiras) para fechar o que a chuva abriu e passar uma segunda camada de asfalto, que parece mais tinta preta, de tão fina.
O defensor lembrou que os buracos existentes não furavam nem pneu de bicicleta, porque deve ser um dos míopes que não enxergam os defeitos do atual governo, tanto em estradas como em saúde, educação, segurança, agricultura... Enfim, em praticamente todos os serviços essenciais que o Estado é obrigado a prestar ao povo.
Finalmente, o defensor do governo não lembrou que a estrada foi inaugurada sem estar pronta. Só reclamei porque a inauguração foi feita deixando para depois o conserto de buracos que tinham potencial para furar até pneu de caminhão. De toda forma, valeu a reclamação. Mandaram reparar o que estava errado. Só não deviam lhe pedir para reparar uma informação que expressava a pura verdade. Um forte abraço, Antonio Carlos.


Postos irregulares

Pedi ontem ao Ministério Público Estadual que esclareça se tomou ou pretende tomar alguma providência contra postos de gasolina supostamente licenciados pela Sudema sem atender às normas que protegem pessoas e natureza de incêndios, explosões, infiltração de combustíveis no solo e contaminação do lençol freático, entre outras ameaças. Em busca de resposta, a Assessoria de Imprensa do MPPB acionou a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente da Capital. Leitores e colunista aguardam.

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Arquidiocese rebate padres

Publiquei domingo último manifestação de padre da Arquidiocese da Paraíba que critica duramente o arcebispo Aldo Pagotto, a quem acusa de sempre atuar como fiel aliado e permanente defensor dos ricos e poderosos. Segundo ainda o mesmo sacerdote, que diz falar em nome de outros como ele, a maior autoridade da Igreja Católica no Estado não apenas discrimina como por vezes até achincalha pobres quando os chama de “preguiçosos”, por serem beneficiários do Bolsa Família.
Reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), entre outras instituições internacionais, como exemplo de política pública de sucesso na erradicação da pobreza, aquele programa do Governo do Brasil não passaria de um ‘Bolsa Preguiça’ no conceito de Dom Pagotto. Daí não espantar que o mesmo padre diga que o mesmo arcebispo trate invariavelmente os sem-terra como meros “invasores” e tenha mulheres de famílias de baixa renda na conta de “raparigas”, no sentido mais pejorativo e degradante do termo.
De qualquer modo e sorte, antes de publicar tais críticas, encaminhei a mensagem do padre à Assessoria da Comunicação da Arquidiocese para conhecimento do arcebispo e eventual posicionamento dele. Dom Pagotto – previsível que agisse assim – não deu cabimento de responder diretamente, mas liberou resposta de caráter institucional que chegou em horário posterior à remessa da coluna à Editoria, resposta essa que compartilho agora com os leitores, a partir deste ponto.
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Prezado Rubens Nóbrega, de início agradeço o envio da mensagem, à qual a Assessoria de Imprensa/Comunicação da Arquidiocese da Paraíba responde da seguinte forma:
- O Arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, não exclui os pobres. Pelo contrário. Sempre defende a criação e execução de políticas públicas que combatam a injustiça social. O teor da mensagem parece-nos vago, mas podemos entender que, ao citar o "bolsa preguiça", o autor da mensagem poderia estar se referindo às críticas de Dom Aldo ao Bolsa Família. Sim. O Arcebispo já fez críticas a esse programa do Governo Federal, isso por não concordar com a forma pela qual ele é colocado em prática. Dom Aldo defende que "não se deve dar o peixe, mas sim ensinar a pescar". "Ao invés de dar dinheiro, seria melhor criar condições para que as famílias possam se desenvolver social e economicamente", analisa o Arcebispo.
- Sobre as invasões de terra, Dom Aldo diz que muitos conflitos para uso da terra e da água tendem a se acirrar com invasões ilegais. Ele defende "o desenvolvimento sustentável, planejando a agricultura familiar em regime de cooperativas agrícolas, dando condições para a capacitação, assistência técnica e crédito aos que realmente têm vocação para se fixar e tornar a terra produtiva". O Arcebispo lamenta a ausência de planejamentos e incentivos, aumentando assustadoramente o êxodo rural. Por fim, não temos conhecimento sobre a parte que cita suposta comparação de mulheres.
Eisenhower Almeida de Albuquerque, Assessor de Imprensa/Comunicação da Arquidiocese da Paraíba.


Postos irregulares

A Sudema não se pronunciou sobre denúncia publicada na coluna de sábado (9) de que estaria licenciando postos de gasolina sem atender às exigências de leis feitas para proteger pessoas e o meio ambiente de acidentes e da poluição causados pela revenda de combustíveis. Sobre o mesmo assunto, recorri ontem ao Ministério Público Estadual, na expectativa de que a Promotoria de Justiça do Meio Ambiente ou do Consumidor tome alguma atitude ou iniciativa de pelo menos apurar se procede ou não a denúncia formulada por empresário do setor. Fico no aguardo.


“Estarrecedora”

É assim que o Professor Menezes qualifica a suposta omissão ou desídia da Sudema em relação aos postos de gasolina que pelo órgão seriam licenciados sem atender às exigências legais. Leiam a seguir o comentário completo do assíduo e qualificado colaborador deste trabalho sobre o assunto da coluna de sábado último.
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Caro amigo, vejo mais uma denúncia sobre o estado de coisas que marca a atual administração imperial, desta vez envolvendo a Sudema, órgão que teoricamente deveria cuidar e proteger o meio ambiente. Causa espécie a informação de que esse órgão, embora não seja motivo de admiração, aja com presteza ao expedir licenças em favor de postos de gasolina, mas sem verificar se na verdade esses empreendimentos cumprem suas obrigações no tocante à legislação ambiental.
Essa informação se faz mais estarrecedora se nos lembrarmos da morosidade, os muitos empecilhos e inúmeras exigências que o órgão contrapôs ao processo de licenciamento do Shopping Intermares, chegando até a encontrar uma vizinhança da área onde se pretende instalá-lo com a Mata da Amém.
A isto se somam as vistas grossas que parece existir no tocante à descarga do chorume do aterro sanitário de João Pessoa, levantado em coluna anterior, registro que, parece, despertou a grande imprensa, como vimos em matérias divulgadas semana passada pela revista IstoÉ e pelo Jornal Nacional, de que por aqui não recebe nenhum tratamento, sendo despejado “in natura” no Rio Sanhauá. Isto tudo só nos faz pensar na amplitude das mazelas com as quais somos obrigados a conviver na Paraíba de hoje.

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Padres X Pagotto

Não sei exatamente quantos nem se formam a maioria ou constituem uma minoria que represente o todo, mas se pudessem falar abertamente muitos padres da Arquidiocese da Igreja Católica na Paraíba diriam que em nome da paz e da harmonia do rebanho o arcebispo Aldo Pagotto deveria ser transferido, voluntária ou compulsoriamente. De preferência para uma diocese bem longe de João Pessoa e do Estado onde, segundo os mesmos críticos e divergentes, o prelado notabilizou-se pelo alinhamento incondicional aos interesses dos ricos e poderosos do momento em desfavor dos que podem muito pouco ou quase nada.
Esses padres diriam, por exemplo, como me disse um deles na quinta-feira (7), que chegou ao limite do insuportável a relação de Pagotto com parcela considerável do clero paraibano, particularmente aqueles religiosos que devem obediência ao arcebispo e, segundo os cânones, não poderiam criticá-lo publicamente. Diriam ainda que entre as razões para tamanha indisposição com o arcebispo estaria o fato de ele “em suas análises e posições políticas quase sempre excluir os pobres e por vezes até achincalhá-los como preguiçosos”, pois assim adjetivaria os beneficiários da ‘Bolsa Preguiça’, expressão com que deprecia o Programa Bolsa Família e seus beneficiários.
De acordo com a mesma fonte, Dom Pagotto invariavelmente trata como ‘invasores’ pessoas que ocupam terras improdutivas, sem função social alguma, porque imobilizadas pela especulação. E o pior, acrescenta o padre com quem conversei através do correio eletrônico, é quando ele se refere a mulheres do interior, pobres e vestidas com modéstia. ‘Rapariga’ seria a palavra mais usada pelo arcebispo para desqualificar aquelas mulheres. “Dói, amigo, vermos aquele que devia ter a ternura e a compaixão de pastor tratar os pobres com deboche!”, lamenta meu interlocutor, acrescentando que “no caso da política, ele acosta-se à política dos poderosos, tanto que nunca ouvi dele um elogio à política em favor dos pobres”.

 

O outro lado


Por i-meio, encaminhei anteontem à Assessoria de Comunicação da Arquidiocese o seguinte pedido: “Caro Colega, recebi a mensagem abaixo, de um padre da Arquidiocese que, por motivos óbvios, requer sigilo da fonte. Peço que a repasse a Dom Pagotto, com meu pedido para que ele, querendo, comente ou desminta as afirmações contidas”. O conteúdo da mensagem mencionada é aquele do qual tirei os comentários e frases para compor a abertura desta coluna, em atenção ao apelo de quem os fez. Apelo que o Evangelho de Lucas resume assim: “Se calarem a voz dos profetas, até as pedras gritarão!”. O autor da frase seria ninguém menos que o próprio Jesus.


Com o Promotor

O Doutor Marinho Mendes, Promotor de Justiça que se destaca por suas posições firmes e corajosas em defesa dos carentes de tudo, escreveu e publicou no último dia 5 um contundente artigo (‘Digam não a Dom Aldo’) no qual repudia o desejo do arcebispo de acabar com a Festa que todo ano lembra e comemora a fundação da nossa Capital e homenageia a padroeira da cidade, Nossa Senhora das Neves.
Marinho não fica só no repúdio. Vai além e diz, entre outras coisas, que “Dom Aldo não tolera nada que o povo possa desfrutar”, que Dom Aldo “é contra os presos da Paraíba”, porque expulsou da Pastoral Carcerária o Padre Bosco e a assistente social Guianny Coutinho, que Dom Aldo “tem por objetivo acabar com a atuação dos padres na política paraibana, não quaisquer padres, mas sacerdotes que se doam todos os dias pela causa dos pobres” e, no arremate, sugere: “Dom Aldo, é bíblico, existe hora para tudo, não teria chegado a sua hora de ir embora com seu catolicismo excludente, preconceituoso e liberal para outras plagas, pois aqui já estamos cheio das suas pregações para devotos endinheirados e poderosos. Se dependesse de mim, lhe aconselharia a dizer que sim”.
Por conta do seu escrito, o autor recebeu semana passada um grupo de padres da Arquidiocese que se sente contemplado na veemência de Marinho Mendes. No encontro, ao Promotor de Justiça teria sido repassado dossiê no qual estariam relacionados e relatados todos os episódios, incidentes e polêmicas nos quais se envolveu o arcebispo desde a sua chegada à Paraíba, em maio de 2004. E cópia do material já estaria há mais tempo sob cuidados vaticanos.

 

Projeto Orla

“Não é correto pensar (nem dizer) que a Prefeitura de João Pessoa recebeu sinal verde para dar continuidade ao atual Projeto Orla na praia do Bessa, pois a ilegalidade declarada na decisão de 1º grau (da Justiça Federal na Paraíba) foi, notadamente, ratificada no 2º grau (no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife”.
Explicações de Andres e Eveliny Vondessauer, autores de ação popular contra o projeto de ‘reurbanização’ (com calçadão, acessos asfaltados etc.) do trecho da praia do Bessa que vai do limite com a praia de Manaíra ao Iate Clube. Lembram que na 3ª Vara da JFPB foi reconhecida “não só a ilegalidade do atual Projeto Orla como também a ilegalidade de qualquer urbanização com base na ausência dos requisitos legais para a intervenção nessa Área de Preservação Permanente (APP)”. Essa briga vai longe. Os próprios Vondessauer preveem 17 anos até uma decisão final.
 

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Postos irregulares e poluidores

Surpreendeu-me esta semana ouvir um dono de posto de gasolina da Capital queixando-se de que a grande maioria dos seus concorrentes – para não dizer a quase totalidade – estaria funcionando em João Pessoa e região metropolitana sem atender aos requisitos da lei e das normas específicas de segurança que protegem as pessoas e o meio ambiente de incêndios, explosões e vazamentos de combustíveis. Vazamentos, aliás, com enorme potencial de poluir e contaminar o solo, principalmente o lençol freático, com elementos cancerígenos.
Surpreendeu-me mais ainda uma segunda revelação do empresário, decorrente da primeira: a Sudema estaria emitindo licenças prévias ou renovando licenças de operação de postos de gasolina que não obedecem um tico à Lei 6.938/81, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, não dão a menor importância ao decreto que regulamenta aquela lei (Decreto 99.274/90), menos ainda às resoluções do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que tratam da questão. Não estariam nem aí, particularmente, para a Resolução Conama nº 273/2000, “que estabelece diretrizes para o licenciamento ambiental de postos de combustíveis e serviços e dispõe sobre a prevenção e controle da poluição” causada por esses estabelecimentos.
Para atender aos dispositivos previstos na legislação, um posto de gasolina tem que ter, por exemplo, piso impermeabilizado segundo as especificações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Só assim é capaz de impedir a infiltração de líquidos e resíduos inflamáveis e poluentes no solo. Ter que ter também tanques ecologicamente corretos, feitos de material resistente à corrosão e à oxidação. Tem que ter ainda sistemas de monitoramento e detecção de vazamentos, sistemas de drenagem e de proteção, aí incluídas canaletas que devem ser instaladas no entorno dos compressores ou geradores. Não podem faltar, por fim, as válvulas de contenção de vapores no respiro dos tanques de combustível, para que esses vapores não escapem para a atmosfera.
Tem que ter muito mais, mas... Todas essas adequações e equipamentos significariam um gasto superior a R$ 200 mil reais. Mas isso não é despesa. É investimento. Absolutamente necessário, diga-se, e em respeito à vida, à integridade física, à saúde, enfim, das pessoas que trabalham nos postos ou consomem os produtos neles comercializados. Sem contar a importância de tais providências para a sustentabilidade ambiental do empreendimento e o fato de que essas mesmas providências não podem em hipótese alguma ser dispensadas ou esquecidas por quem tem a competência de licenciar e fiscalizar o setor.

 

Sudema não responde


Tentei obter informações e esclarecimentos da Sudema, encaminhando a mensagem a seguir aos endereços de i-meio disponíveis na página do órgão na Internet.
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Olá, sou Rubens Nóbrega, colunista do Jornal da Paraíba. Solicito informações e esclarecimentos acerca de denúncia que recebi de empresário, dono de posto de gasolina, segundo quem a Sudema estaria licenciando esse tipo de estabelecimento sem, contudo, exigir do licenciado todas as conformidades previstas na legislação (em especial a Resolução Conama nº 273/2000).
Pergunto: 1) procede tal informação? 2) quantos postos a Sudema licenciou em João Pessoa e no restante do Estado nos últimos três anos e meio? 3) com que frequência a Sudema fiscaliza os postos revendedores de combustível? 4) quantas autuações nos últimos três anos (se possível discriminando João Pessoa e região metropolitana da Capital, Campina Grande e interior)?
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Para manter a tradição, a remessa seguiu com cópia para o governador Ricardo Coutinho e pelo Twitter avisei aos dois que acabara de enviar o pedido de informações e esclarecimentos que agora compartilho com os leitores.

 

Sindicato também não

Cópia da mensagem à Sudema e ao governador foi encaminhada também ontem ao SindipetroPB - Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo da Paraíba, com a seguinte solicitação: “Senhor(es), acabei de enviar a mensagem abaixo à Sudema, com cópia para o Governador do Estado. Solicito posicionamento desse Sindicato face à denúncia que levou aos questionamentos ao órgão ambiental responsável pelo licenciamento de postos de combustíveis, além da suposta fiscalização das conformidades de funcionamento de acordo com as normas de proteção ao meio ambiente”. Nada recebi da entidade até o fechamento desta coluna, às 20h30 dessa sexta, 8 de agosto do ano da graça de 2014.

 

Selo Verde em Natal

Por iniciativa do Ministério Público do Rio Grande do Norte e entusiástico engajamento do Sindicato patronal do ramo em Natal, o SindipostosRN, todos os postos de gasolina da capital potiguar (110, segundo a última contagem) estão nos conformes da Resolução 273 do Conama. Desde 2011, graças a esse trabalho conjunto, que contou ainda com o decisivo apoio e assessoramento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), os postos de Natal passaram a respeitar as normas de proteção ambiental e, também, a receber e exibir com justificado orgulho um Selo Verde que bem poderia ser adotado por aqui. Com a palavra, o Ministério Público da Paraíba.

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Fazer sem esquecer o feito

Fazer obra pública é bom porque em geral atende a uma necessidade da população, mas algumas obras atendem bem mais – inegável, prioritária ou exclusivamente – aos interesses de quem constrói e manda construir. Acontece habitualmente em governos que se acham bons em realizar coisa nova, mas deixam muito a desejar quando se trata de cuidar do patrimônio público que encontrou pronto, consolidado, não raro funcionando bem e servindo melhor ainda à comunidade para a qual foi construído.
O caso das rodovias estaduais é emblemático e ilustrativo sob esse ponto de vista, porque pouco ou nada adianta fazer estrada nova se a velha vive cheia de buracos, sem sinalização, sem acostamento, carente de tudo que lembra manutenção e conservação. Que o digam os moradores de São José de Piranhas e região, no Alto Sertão da Paraíba. Ontem pela manhã, eles voltaram a bloquear a PB-366 no entroncamento com a PB-400, em protesto contra as precárias condições da pista por onde passam carretas, caminhões e tratores mobilizados para concluir o Eixo Norte da Transposição do São Francisco.
As duas PBs foram liberadas pelos manifestantes no começo da tarde. Mais uma vez graças à intercessão do Ministério Público Estadual, através da Promotoria de Justiça de São José de Piranhas. Termo de compromisso foi celebrado com o Ministério da Integração Nacional, Polícia Militar e Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB), que se encarregou de providenciar um tapa-buraco nos próximos 15 dias. Caso não o faça, conforme nota divulgada ontem pelo próprio MP, vai sobrar para o Ministério e até para a Queiroz Galvão, empresa responsável pela construção do canal por onde entrarão águas sanfranciscanasno extremo oeste paraibano.
Pelo visto, o acordo com os revoltados piranhensescuidou de prever alternativas de solução diante da possibilidade de o Governo do Estado descumprir o acertado. Afinal, ressalta a própria divulgação do MP, “essa já é a segunda vez que manifestantes interditam as duas rodovias para protestar contra as más condições das pistas e que a promotoria de Justiça intervém para resolver o problema”. Verdade. Ano passado, um termo de compromisso assinado pelas mesmas partes estipulava a recuperação das duas PBs, mas apenas uma, a 400, foi recomposta. A outra, a 366, que já estava ruim, piorou um bocado após as chuvas deste ano e o presumível esquecimento de quem se comprometeu restaurar o asfalto daquela estrada.

 

Por todo canto

Situações como a de São José de Piranhas não são pontuais ou isoladas, infelizmente. Neste ano da graça de 2014 esta coluna já trouxe dezenas de denúncias e reclamações sobre estradas antigas em condições críticaspor diversos pontos do território paraibano. Além do Sertão, o quadro é horrível entre várias cidades do Cariri, Litoral Sul, Litoral Norte, Curimataú e no meu Brejo. Mas a restauração demorada ou a falta dela não atinge apenas as PBs velhas de guerra. Algumas que passaram por um ‘rejuvenescimento’ asfáltico há poucos meses ou de dois anos pra cá não demoraram a apresentar buracos, rachaduras, depressões, ausência de sinalização horizontal e até de roço do mato que invade o acostamento para dificultar eventuais paradas e facilitar acidentes vez por outra.


‘Nem pneu de bicicleta’

Semana passada publiquei que o Professor Antônio Carlos F. de Melo perdeu um pneu num buraco entre Rua Nova e Bananeiras, recapeado antes do último São João. A informação mereceu reparos de um amigo que trabalha no governo e também é ‘lá de nói’. Segundo ele, os poucos buracos abertos na pista não têm tamanho ou potencial para furar “nem pneu de bicicleta”. Disse ainda que o serviço naquele pedaço não terminou. Falta dar uma segunda mão, botar uma segunda camada para curar as feridas no leito da rodovia. Não foi feito antes, explicou, porque o governador mandou deslocar homens e máquinas para refazero trecho entre Solânea e Cacimba de Dentro. Na sequência, deverão ser beneficiadas as estradas de Rua Nova a Belém, de Belém a Tacima, de Tacima a Riachão e Araruna e de Araruna a Cacimba. Ainda bem, porque pessoas dos meus afetos adoeceram nos solavancos entre Solânea a Cacimba, em pleno São João,ehá menos de duas semanas tiveram que ir pelo Rio Grande do Norte para visitar minha Tia Dulce em Tacima.


O fim da Granja

Gratifica-me por demais constatar autoridades e lideranças políticas da Paraíba adotando bandeiras, propostas e sugestões apresentadas há mais de dez anos nos espaços de jornal que me foram confiados. Uma delas, o fim da Granja Santana como residência oficial de governador e família, para que, doravante, jamais volte a servir apenas e tão somente ao desfrute de mordomias e privilégios que custam milhões de reais aos cofres públicos. Por essas e outras, vejo com muita satisfação pelo menos dois candidatos oposicionistas – os senadores Vital Filho (PMDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB) – assumindo publicamente o compromisso de socializar aquele patrimônio com seus proprietários naturais, ou seja, todos nós, além do desejo de transformá-lo em hospital, parque, museu...
Qualquer das finalidades será muito bem vinda pelo contribuinte. Este colunista já aventou diversas serventias para o lugar, de casa de acolhimento de servidores estaduais aposentados de baixa renda a escola de gastronomia. Mas ultimamente me ocorreu que bem poderia abrigar o centro de reabilitação motora – estilo Sara Kubistchek – que a UFPB deve começar a construir até o final deste ano, graças aos esforços e gestões de especialistas como o neurocirurgião Ronald Farias, graças também às emendas ao Orçamento Geral da União de autoria do próprio Vital e da Deputada Nilda Gondim. Os recursos poderiam ser aplicados em adaptações e ampliações daquele espaço para assegurar aos pacientes que demandassem o novo centro um ambiente bucólico, aconchegante e revigorante como nenhum outro de qualquer equipamento do gênero em funcionamento no Brasil.
 

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