Vida Urbana

Corpos de paraibanos mortos na Espanha são cremados

Cinzas devem chegar em João Pessoa nos próximos dias.



Reprodução Internet
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Os corpos dos paraibanos mortos em uma chacina na cidade de Pioz, na Espanha, foram cremados na manhã desta sexta-feira (23). Eles tinham sido liberados pela Justiça de Guadalajara na terça-feira (20) e agora os familiares aguardam uma documentação do consulado brasileiro para que as cinzas sejam trazidas a João Pessoa. A informação foi confirmada por Walfran Campos, irmão de Marcos Campos Nogueira, pai da família assassinada. O quádruplo assassinato aconteceu em agosto e foi cometido por François Patrick Nogueira Gouveia, que está preso em uma cadeia espanhola.

Segundo Walfran, quando as cinzas chegarem em João Pessoa os familiares devem fazer uma cerimônia em um cemitério da cidade. Isso deve acontecer nos próximos dias.

Os corpos da família paraibana foram descobertos no dia 18 de setembro, um mês após o crime. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência. As vítimas do crime foram Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos pequenos do casal.

Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. E François Patrick Nogueira Gouveia foi apontado como único suspeito, após a polícia achar material genético dele no local do crime. Patrick se entregou na Espanha e confessou ser o autor do crime.

Em depoimento, Patrick admitiu ter planejado o crime. Ele negou ter agido por impulso e disse que foi até a casa com o o intuito de matar todos os parentes e não apenas o tio. “Matei os quatro porque matar apenas Marcos me parecia cruel. Não ia deixar uma família sem marido e sem pai. Não sofreram, não gritaram, foi muito rápido”, disse o assassino. No primeiro depoimento, Patrick havia dado entender que agiu para se vingar do tio, por este ter supostamente lhe abandonado quando a família mudou de casa, deixando a cidade de Torrejón para Pioz, onde aconteceram os assassinatos.

O jovem explicou como surgiu a ideia de cometer os assassinatos e disse que pensou muito antes de executá-los. Patrick também afirmou que não foi a primeira vez que sentiu vontade de matar alguém. “Três dias antes, senti a necessidade de matar. Isso acontece muitas vezes, desde os 12 anos. Quando isso acontece, eu bebo muito”, declarou. Vale lembrar que, aos 16 anos, Patrick foi detido no Pará após esfaquear um professor dentro da sala de aula.

Patrick passou por um exame psiquiátrico que apontou que ele é um psicopata com risco de reincidência e um alto grau de periculosidade.
 

O exame também classifica Patrick como uma pessoa consciente do que faz, muito inteligente e com total carência de sentimentos. Segundo os psiquiatras, o jovem possui uma absoluta falta de empatia e se mostrou incapaz de se colocar no lugar das suas vítimas.

Os psiquiatras forenses estiveram com ele durante três sessões. O exame será uma das provas periciais para decidir a plena responsabilidade penal de Gouveia nos assassinatos.

Suspeito de participação solto

Além de Patrick Gouveia, também responde pela chacina o jovem Marvin Henriques Correia, de 18 anos. Ele foi preso em João Pessoa após as investigações apontarem que ele teve contato com Patrick quando estava cometendo os crimes. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) considerou que a ação do rapaz foi fundamental para a morte de Marcos e, por isso, ele foi acusado por essa morte, se tornando réu.

Marvin passou pouco mais de um preso e está respondendo ao processo em liberdade, sendo monitorado por uma tornozeleira eletrônica.