Recentemente, o blog da Cia. das Letras perguntou aos seus leitores o que caracterizaria um clássico. "Um clássico é uma deliciosa conversa entre milhares", dizia a resposta vencedora da enquete.
A frase tem o mérito de captar a atmosfera de obras como A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água (1958), romance de Jorge Amado que ganhou reedição da própria Cia. das Letras em 2008.
Texto que já foi adaptado para o cinema, Quincas chega ao teatro no centenário de seu autor, em uma leitura absolutamente original do Grupo Osfodidário.
Marcando a estreia do ator Daniel Porpino na direção, a montagem aposta na fragmentação narrativa e no frenesi polifônico, delegando aos quatro companheiros de boemia de Quincas os papéis que irão testamentar não só duas, mas três mortes do protagonista.
A morte do Quincas pai, esposo e funcionário público, é contada da perspectiva da família do distinto Joaquim Soares da Cunha, em cenas como a de um banquete iniciado com um artifício bolado pelo grupo, de forma bastante engenhosa.
Outros artifícios são apresentados como pequenas surpresas em uma montagem cujo cenário e adereços são aproveitados para sonoplastia, trocas de figurino e até para a incorporação de personagens.
A morte do Quincas 'patriarca do baixo meretrício' é narrada a partir de esquetes hilárias em que Thardelly Lima e Odécio Antônio dão, literalmente, um 'banho' de interpretação. A terceira morte, metafórica, brota deste diálogo delicioso que Osfodidário propõem com o público, que vem lotando o Piollin para ver uma versão não somente inovadora, mas com requintes de ineditismo da saga de Quincas.
Serviço
• QUINCAS. No Teatro Piollin (R. Professor Sizenando Costa, s/nº, Roger, João Pessoa – tel.: 3241.6343). Quartas e quintas, 20h, até 16/02. Gratuito.
