Cultura

Cantora Socorro Lira é indicada a Prêmio

Cantora já foi pré-selecionada duas outras vezes: em 2004, com o autoral Cantiga de Bem-Querer e em 2005, com Pedra de Amolar.




Val Portasio/divulgação
Val Portasio/divulgação
Radicada em São Paulo desde 2004, Socorro Lira fez seu primeiro show em 2001 como cantora, em Campina Grande

O canto da Paraíba já emplacou um certo favoritismo no Prêmio da Música Brasileira: nas últimas 22 edições da premiação, Elba Ramalho já trouxe ao Estado mais da metade dos troféus (12 no total) distribuídos a cantoras na categoria regional.

Este ano a situação mudou de figura: o nome de Elba não está entre os 104 finalistas do prêmio (selecionados de uma gama de 735 CDs e 93 DVDs), mas outra cantora pode honrar o retrospecto da música do Estado.

A surpresa é Socorro Lira, única paraibana concorrente a uma das 16 categorias do Prêmio da Música Brasileira, que este ano homenageia os 40 anos de carreira de João Bosco em uma cerimônia no próximo mês de junho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Indicada pela primeira vez ao prêmio, Socorro Lira já foi pré-selecionada duas outras vezes: em 2004, com o autoral Cantiga de Bem-Querer e em 2005, com Pedra de Amolar, disco em homenagem ao poeta Zé Marcolino que faz parte de um projeto chamado 'Memória Musical da Paraíba'.

A bola da vez é Lua Bonita, que dá continuidade ao projeto e lembra a passagem pelo centenário do poeta Zé do Norte (ocorrido em 2008), influência que remonta a sua infância sertaneja em Brejo do Cruz.

"Ainda criança eu ouvia 'Sapato de Algodão' (coco de 1969 que Lira regravou), mas só em 2006 tive um contato mais aprofundado com Zé do Norte no acervo de LPs de Assis Ângelo, pesquisador e jornalista, também paraibano", conta.

"Foi aí que despertei para aquela obra e para a sua diversidade de gêneros. Zé do Norte compunha de baião a carimbó, e tinha um olhar sobre o Brasil que me encantou muito: não só de uma Paraíba mais rica como de um Brasil inteiro".

Radicada em São Paulo desde 2004, Socorro Lira iniciou sua carreira em Campina Grande, estreando oficialmente em 2001, em um show no Teatro Municipal Severino Cabral.

"Já vim para São Paulo um pouco madura e com algumas certezas. Uma delas era que eu traria sempre a criança que carrego dentro de mim, que aprendeu coisas no Sertão e que nunca vai se esquecer disso".

Orgulhosa de suas origens, Lira demonstra nostalgia ao se recordar os tempos idos no sítio Silva: "Minha memória deste período é muito rica. No Sertão não tínhamos luz elétrica, mas tínhamos ar, comida boa, cantiga de viola. A gente concebe isso como vida, mas na verdade isso é arte dentro da vida, é expressão", afirma.

E alfineta, louvando o exemplo do vizinho pernambucano Herbert Lucena, que lidera as indicações ao Prêmio da Música Brasileira (em quatro categorias): "A Paraíba está aquém de Pernambuco no olhar que volta para o que é de sua alma. A indústria cultural tem faturado muito dinheiro com ícones fabricados e se esquecendo dos saberes que se desenvolvem fora das zonas urbanas".