Cultura

Brado da natureza viva de Krajcberg

Exposição do escultor polônes Frans Krajcberg inaugura nesta sexta-feira (29) novo prédio da Estação Cabo Branco



Divulgação
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Frans Krajcberg passou pelos horrores da 2ª Guerra Mundial e hoje luta pela preservação da Amazônia


Quem vê o senhor circunspecto de olhar doce não diz que o polonês Frans Krajcberg, o senhor hoje no alto de seus 91 anos, passou mais de quatro anos mergulhados no horror da Segunda Guerra Mundial, teve sua família morta nos campos de concentração nazista e passou por muitas agruras na vida até chegar ao Brasil, para defender a natureza denunciando as queimadas no Paraná e o desmatamento da Amazônia.

“Acho que tenho muito para falar do Brasil, que o Brasil não conhece. Uma riqueza enorme e uma pobreza que dá para chorar”, pontuou o ambientalista, que está em João Pessoa para abrir nesta sexta-feira, a partir das 18h, a exposição Natureza Extrema, conjunto de totens e esculturas que inaugurarão o novo prédio do complexo arquitetônico da Estação Cabo Branco, no Altiplano.

Considerado um dos maiores escultores vivos do mundo, o reconhecimento do artista plástico transpassou as fronteiras brasileiras até o outro lado do mundo, no Japão, com o Grande Prêmio Enku, recebido este ano.

No seu discurso, Frans Krajcberg ainda demonstra uma força de poucos sobre o futuro da Terra. "Ignoram muito o que está acontecendo com a saúde do planeta. Um assunto sem dúvida muito preocupante", afirmou em um tom ressentido, sobre a Rio+20, a recente conferência das Nações Unidas acerca do desenvolvimento sustentável. "Não tinha nenhum intelectual para levantar a voz para essa situação. A cultura não acompanha o Século 21", criticou.

A maior preocupação do ambientalista é a Amazônia. "Tem um povo que vive nessa floresta que é queimada."

Na coletiva, Krajcberg estava acompanhado do poeta amazonense Thiago de Mello, que interrompeu a próxima pergunta para declamar um poema para o amigo. Ele fará mais uma declamação hoje, na abertura de Natureza Extrema, além de participar de um seminário no sábado.

"Vocês têm o privilégio de ouvir um grande brasileiro, que não nasceu aqui, mas que se fez brasileiro com amor", enalteceu o poeta.

Declaração de amor fez a cineasta mineira Renata Rocha, segurando as mãos dos dois e emocionada. A documentarista lançará no sábado seu mais novo trabalho, O Grito de Krajcberg.

"Quando Frans chegou ao Brasil, ele diz que nasceu uma segunda vez", disse Renata. “Eu também renasci fazendo este documentário.”

O filme tem narração da cantora Maria Bethânia. "Ela quis fazer como uma mensagem de amor para Krajcberg."