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Cidades

Ronaldo Cunha Lima morre aos 76 anos na Paraíba

Ronaldo Cunha Lima morreu aos 76 anos, neste sábado (7), em sua casa.

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Rizemberg Felipe
Ronaldo lutava contra um câncer no pulmão

Ronaldo Cunha Lima morreu aos 76 anos, neste sábado (7), em sua casa na Paraíba. O ex-governador lutava contra um câncer no pulmão desde 2011. Desde a quinta à noite ele estava sob efeitos de sedativos e a família já dizia que a situação era irreversível.

Veja imagens da vida de Ronaldo Cunha Lima.

O corpo de Ronaldo será velado em João Pessoa no Palácio da Redenção e no fim da tarde segue para Campina Grande, onde será velado também no Parque do Povo. O enterro está marcado para acontecer neste domingo (11) às 11h no Monte Santo.

Em julho de 2011, exames médicos revelaram que o ex-governador estava com câncer no pulmão. Durante cinco meses ele passou por um série de internações em São Paulo e em João Pessoa, sendo que o último período do ex-governador internado ocorreu em janeiro deste ano. Desde então ele se encontrava na casa da família recebendo tratamento médico.

Ronaldo José da Cunha Lima nasceu na cidade de Guarabira, em 18 de março de 1936. Ele era  formado em Ciências Jurídicas, casado com Maria da Glória Rodrigues da Cunha Lima e tinha quatro filhos: Ronaldo Cunha Lima Filho, Cássio Cunha Lima, Glauce Cunha Lima e Savigny Cunha Lima.

Campina Grande foi o cenário da vida pública de Ronaldo, onde ainda jovem se envolveu com o movimento estudantil e acabou dando início a uma das mais longas trajetórias políticas da Paraíba.

Já aos 23 anos, em 1959, foi eleito vereador pelo PTB. No ano de 1963 foi eleito deputado estadual e em 1967 reeleito. Em 1969 foi eleito prefeito de Campina Grande, pelo MDB, mas teve seu mandato cassado pela Ditadura Militar pouco mais de um mês depois de assumir.

Depois de passar dez anos fora da Paraíba, exilado na região Sudeste, Ronaldo Cunha Lima retornou à Campina Grande e retomou a carreira política. Em 1982 foi novamente eleito prefeito da cidade, pelo PMDB, e assumiu o cargo em 1983. Sua gestão ficou marcada pela construção do Parque do Povo, espaço que se tornou palco da festa que hoje é conhecida como o 'Maior São João do Mundo'.

Em 1990, nas primeiras eleições gerais depois da redemocratização, Ronaldo foi eleito governador da Paraíba. Renunciou ao cargo no início de 1994, sendo substituído por Cícero Lucena, para concorrer nas eleições para o Senado Federal. Neste ano o PMDB foi o grande vitorioso das eleições conseguido eleger Ronaldo e Humberto Lucena como senadores e Antônio Mariz para o governo do estado.

Já em 1998 Ronaldo tentou ser candidato a governador mais uma vez pelo PMDB. Ele enfrentou na convenção José Maranhão, que havia assumido a administração estadual após a morte de Antônio Mariz, e acabou sendo derrotado. Depois disso o partido ficou divido entre 'ronaldistas' e 'maranhistas'. Em 2001 os 'ronaldistas deixaram o PMDB e migraram para o PSDB .

No ano de 1999, quando ainda estava no exercício do mandato de senador, sofreu um acidente que o deixaria com a saúde debilitada. Apesar disso, não desistiu da vida pública e ao término do seu mandato no Senado em 2002, se candidatou ao cargo de deputado federal e foi eleito com a segunda maior votação do estado, com mais de 95 mil votos. Em 2006 ele se candidatou mais uma vez e foi reeleito quase sem fazer campanha.

'Caso Gulliver' e a renúncia na Câmara Federal

Em 1993 quando ainda era governador da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima se envolveu no episódio mais polêmico de sua vida. Ele atirou contra o seu antecessor Tarcísio Burity em um restaurante na cidade de João Pessoa. Burity ficou alguns dias internados, mas conseguiu sobreviver, vindo a morrer em 2003 vítima de problemas cardíacos.

O ataque de Ronaldo Cunha Lima foi supostamente motivado por críticas que Tarcísio Burity fez ao seu filho, o hoje senador Cássio Cunha Lima (PSDB). A tentativa de homicídio ficou conhecida como 'Caso Gulliver', nome do restaurante onde aconteceu o crime.

Ronaldo chegou a ser preso, mas três dias depois conseguiu a liberdade provisória. E no mês de dezembro de 1993 o Supremo Tribunal de Justiça concedeu o relaxamento de prisão do então governador.

Com a eleição de Ronaldo para o Senado Federal, o processo subiu para o Supremo Tribunal Federal. Em agosto de 2002, o STF recebeu por unanimidade a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal.

Em 2007 a corte do STF iniciou o julgamento do processo contra Ronaldo, que na época estava iniciando seu segundo mandato de deputado federal. No entanto, ele decidiu renunciar ao mandato alegando que queria responder como cidadão comum. Com isso o processo foi devolvido para a Justiça da Paraíba para ser retomado do início. Desde a renúncia, Ronaldo não voltou a se candidatar a nenhum cargo público.