Política


'Eleição para prefeito de JP está indefinida', diz cientista político

Analista político diz que é prematuro projetar tendências para o 2º turno na capital




Toda pesquisa quantitativa necessita ser analisada e interpretada para que se compreenda o real significado dos números, sobretudo quando se cruzam os percentuais da espontânea e da estimulada. Das análises qualitativas que processaremos sobre a pesquisa Ipespe, não temos dúvidas em afirmar que as eleições para prefeito de João Pessoa, estão, literalmente, indefinidas.

A pesquisa Ipespe, contratada pelo Jornal da Paraíba, está medindo visibilidade eleitoral de grandezas diferentes porque compara dois candidatos conhecidos e populares com outros que não são tão conhecidos. Isso fica evidente quando se percebe que o candidato José Maranhão (PMDB) atingiu o topo de sua visibilidade, sendo conhecido por 91% dos eleitores, enquanto Cícero Lucena (PSDB) detém 87% de conhecimento.

Já Luciano Cartaxo (PT) e Estelizabel Bezerra (PSB) detêm conhecimento pessoal, respectivamente, de 61% e 43%. Cícero e Maranhão dispõem de pouco espaço para crescer em visibilidade. Apesar desse nível de exposição, na votação estimulada, a soma de Maranhão e Cícero é de apenas 54%.

O percentual de intenção de voto espontânea traduz os votos garantidos dos candidatos, no dia da votação; votos que somente um fato bombástico poderia alterar. De modo imediato, o que chama a atenção após a leitura dos números é que 57% dos eleitores de João Pessoa estão abertos a votar em um nome diferente dos políticos mais tradicionais, que são Maranhão e Cícero (juntos, eles somam 30% das intenções na pesquisa espontânea).

Além disso, as rejeições de Maranhão e Cícero (que projetam 28% e 23%, respectivamente) estão arraigadas no eleitorado, sendo difíceis de serem revertidas. Cícero tem maior possibilidade de reduzir sua rejeição, se conseguir limpar sua imagem ligada às denúncias de corrupção relacionadas ao chamado “Escândalo da Confraria”. O candidato tucano, entretanto, corre o risco de enfrentar muitos gargalos, porque o que ele disser, agora, vai parecer desculpas de campanha. Já Maranhão apresenta a imagem desgastada, dados os vários anos de exposição como gestor público, o que leva boa parte do eleitorado a entender que ele deveria dar vez aos mais novos.

O índice de rejeição de 19% de Luciano Cartaxo pode ser considerado como menos
preocupante em comparação aos dois candidatos que lideram a disputa para prefeito de
João Pessoa. Isso significa que o candidato petista ainda tem espaço para crescer, o que lhe possibilita ampliar a abrangência e a profundidade de sua visibilidade.

Embora apresente a maior rejeição nominal dos candidatos (33%), Estelizabel Bezerra tem como minimizar esse aspecto negativo, uma vez que tal rejeição não é relacionada à sua pessoa, mas, possivelmente, à imagem pessoal do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho.

Outro aspecto que pode favorecer a candidatura socialista é que Estelizabel também
apresenta o menor percentual de conhecimento pessoal, dentre todos os postulantes. Um
trabalho competente de marketing poderá reduzir - e muito - esse patamar de rejeição,
apresentando a candidata como identificada com os problemas da cidade e que tem
conhecimento sobre a realidade dos bairros, adquirido no exercício de suas funções de
secretária de Planejamento da capital.

Uma tendência que também deve ser avaliada é que os números espontâneos e estimulados indicam que o apoio do prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, ao candidato petista Luciano Cartaxo teve um impacto bem menor do que se esperava no crescimento do índice de intenção de votos. O que se depreende que o prefeito da capital ainda não conseguiu transferir a avaliação positiva de sua administração ao seu apoiado. Os demais candidatos não apresentaram números significativos que possibilitassem uma análise qualitativa.

SEGUNDO TURNO

Pelos dados da quantitativa, seria prematuro projetar tendências para o segundo turno
porque o desenrolar das campanhas terá influência decisiva para a definição dos candidatos. Se os candidatos não tradicionais, no caso Luciano Cartaxo e Estelizabel Bezerra, não forem convincentes, Cícero Lucena e José Maranhão irão para o segundo turno. Não será surpresa, porém, se Estelizabel e Luciano forem para o segundo turno, caso a imagem de Cícero seja desconstruída e a rejeição de Maranhão, mantida.