Fabi Cavalcanti
Miguel Cavalcanti

Humanização de animal não é legal!

Jaca, Gaia, Ártemis, Priya e Napoleão sendo cachorros, na praia. Foto cedida por Thiago Zanetti Fotografia

 

O convívio da família com seus animais de estimação foi se intensificando nos últimos tempos. Animais tornaram-se membros da família, conquistando mais direitos e modificando nosso olhar para eles. 

Como aspecto positivo podemos destacar o aumento das possibilidades de cuidado para nossos pets, aumento da oferta de produtos específicos para eles e estudos na área da saúde e do comportamento, contribuindo para a melhoria de vida e bem-estar da família multiespécie. 

Por outro lado, houve um aumento na projeção de sentimentos e necessidades humanas nos animais, trazendo consequências ruins que podem interferir na saúde mental e física de cães e gatos. A esse processo chamamos de humanização.

A humanização consiste em implantar o que julgamos ser essencial para eles – roupas em excesso, acessórios como sapatos e jóias, hábitos alimentares humanos, evitar que o animal ande no chão, impedir o contato com a natureza e outras, esquecendo das reais necessidades deles. 

Vemos cães, por exemplo, que são animais sociais e, naturalmente, gostam do convívio com outros da sua espécie; vivendo suas vidas dentro de casa, indo do sofá para cama, sem passear, sem tomar um banho de chuva, sem poder cavar na terra ou pisar na grama. 

Como consequência, alguns entram em depressão, desenvolvem ansiedade de separação severa, tornam-se agressivos ou reativos, obesos, podendo também desenvolver outros problemas graves de saúde. 

Cães super peludos usando calça, blusas, tênis, casacos até desconfortáveis para agradar os olhos dos tutores. Mas veja, não estamos falando das roupinhas confortáveis em épocas frias…essas podem ser até necessárias para muitos animais sem pelos ou muito novinhos ou idosos; estamos falando dos exageros, dos chapéus, óculos, biquínis e sungas, estamos falando do agrado com comida de humanos, dos animais que são impedidos de exercer sua natureza. 

Não tem  problema em querer que seu animalzinho tenha brinquedos, caminhas, toalhas bonitas e roupa para dias frios…o problema está em querer torná-lo uma projeção de um ser humano com acessórios desnecessários, gostos e vontades que não são deles e, nesse processo, interferir negativamente na identidade do bichinho.

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