Radiotelescópio que estuda origem do universo deve incentivar a ciência na PB

Radiotelescópio BINGO deve começar a ter operações iniciais em julho, com telescópio auxiliar, e ficar pronto em 2022.

Foto: Gabriela Almeida/USP
Radiotelescópio BINGO Foto: Gabriela Almeida/USP

O radiotelescópio BINGO (Baryon Acoustic Oscillations from Integrated Neutral Gas Observations), que vai ser instalado na cidade de Aguiar, no Sertão da Paraíba, vai estudar a origem do universo e deve incentivar também o estudo da ciência na região. Nesta terça-feira (6) o site do projeto foi apresentado oficialmente pelos pesquisadores ao público em geral.

 

Coordenado pelo professor Elcio Abdalla, da Universidade de São Paulo (USP), o BINGO é um projeto liderado pelo Brasil com cooperação internacional, que vai estudar cosmologia e astrofísica,  buscando vestígios de matéria e energia que estavam presentes na formação do universo, após o Big-Bang, por meio de ondas de rádio. 

 

“O projeto Bingo quer aproximar a ciência da população. A instalação deste projeto vai propiciar o desenvolvimento local do Sertão paraibano. Vamos trabalhar neste local, aproximar os moradores do fazer científico, levar educação às escolas, às crianças que estão aprendendo e vão ver de perto a ciência como algo importante e uma parte significativa da sua posição pessoal e perante o mundo” disse Elcio. 

 

Atualmente em fase de instalação, após atrasos na logística por parte da pandemia, a primeira parte do BINGO deve começar a funcionar ainda em julho. O telescópio auxiliar Uirapuru já está sendo testado na UFCG e a previsão é de que até o fim do ano o BINGO comece a ser de fato montado em Aguiar.

 

Antes disso, porém, a equipe de pesquisadores nacionais e internacionais por trás do projeto já começaram a realizar ações de divulgação da ciência em escolas da região. 

Antes da pandemia, pesquisadores apresentaram o projeto em escolas – Imagem: Jefferson Valentim/Colaboração BINGO

 

“Além de estar nas escolas apresentando o projeto do telescópio, nós também recebemos projetos de estudantes das faculdades. Temos discentes que fazem trabalho sobre várias partes do projeto. Um exemplo é o projeto óptico, que foi feito com auxílio de um grande grupo de estudantes que faziam seus cálculos em computadores pessoais. Nós aceitamos a contribuição para as várias questões e quem tiver interesse pode nos mandar seus projetos”, comentou o pesquisador.

 

Na região de Aguiar, segundo o coordenador do BINGO, as ações estão sendo feitas em parceria com a UFCG. “Eles tem feito, ou fizeram, antes da pandemia, apresentações públicas na cidade de Aguiar e em locais próximos para incentivar os mais jovens e as crianças a pensar sobre a ciência e a fazer algo nessa direção”, comentou. 

Quando estiver em funcionamento, o BINGO vai captar radiação emitida por átomos de hidrogênio em um período remoto, quando o cosmo tinha entre 7 e 11 bilhões de anos de idade. 

 

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“A principal pergunta científica que nos motivou ao projeto é saber o que significa a chamada parte escura do universo. A parte que vemos corresponde a apenas 5% do universo e é muito pouco. Temos objetos 20 vezes maiores e mais intensos e que nós não compreendemos. Além disso, queremos compreender também a origem das emissões enormes de energias que, inicialmente, pensava-se ser algo terrestre ou um ruído, mas depois verificou-se que era energia vinda do espaço”, explica Elcio Abdalla. 

 

O BINGO consiste de dois pratos gigantes, com cerca de 48 e 32 metros, feitos de grades de metal entrelaçados, chamadas de espelhos. Elas vão coletar e rebater as ondas de rádio. Ao fundo, existem antenas, que são apelidadas de cornetas. Os dados são captados pelos espelhos, traduzidos e tratados pelas cornetas e transmitidos pela internet para os pesquisadores. 

 

“Com a conclusão do telescópio auxiliar e o fim da parte estrutural inicial em Aguiar, vamos começar a construção física do radiotelescópico, que deve se iniciar até o final deste ano. Como as cornetas já estão em preparação, devemos ter o projeto testado e em pleno funcionamento provavelmente no segundo semestre de 2022”, completa Elcio. 

Cidade de Aguiar – Imagem: Bozzano.info/Colaboração BINGO

Por que a Paraíba?

 

Segundo conta o professor Elcio Abdalla, alguns outros locais foram cotados inicialmente para colocar a pesquisa em prática. O Uruguai foi o primeiro a ser descartado. No Brasil, o Rio Grande do Sul, Brasília e Bahia também tiveram suas áreas estudadas para concluir um local fixo. Mas foi a Paraíba o estado que deu mais viabilidade para a pesquisa sair do papel.

 

 “Vimos um céu claro”, destacou o professor. Uma questão importante, já que o trabalho utiliza ondas de rádio e eletromagnéticas. Portanto, o local, com poucas antenas de celulares e circulação de avião, era propício para execução do projeto.

 

O BINGO é todo feito com tecnologia nacional e tem recursos financeiros da Fapesp, da Fapesq, do MCTI, da FINEP, da University of Manchester, da University College of London, da Universidade de Yangzhou, da National Science Foundation of China, da UFCG, do INPI e da USP, e tem parcerias com empresas brasileiras. O projeto é uma colaboração entre Brasil, China e Reino Unido e tem pesquisadores da Coreia do Sul, França, Itália, Espanha, Alemanha e África do Sul.