Braulio Tavares lança livro com textos publicados no Jornal da Paraíba

Autor lança nesta quinta-feira (26), no Zarinha Centro de Cultura, a partir das 19h30, o livro A Nuvem de Hoje. Braulio Tavares escreve artigos no Jornal da Paraíba na página de Opinião.

Tiago Germano
Do Jornal da Paraíba

Diariamente, Braulio Tavares escreve, de sua residência, no Rio de Janeiro, os artigos que, desde março de 2003, fazem companhia aos leitores do Jornal da Paraíba na página de Opinião. Entre os temas, que vão do filme que acabou de ver em DVD ao sonho que teve na noite anterior, de uma anedota sobre algum conhecido seu, às vitórias e derrotas do Flamengo e do Treze (times que têm a sua simpatia), o escritor transita com a mesma polivalência que lhe consagrou como o profissional versátil que é: atuando em áreas como a literatura, cinema, televisão, música e cultura popular.

Pelas contas do autor, que lança nesta quinta-feira (26), no Zarinha Centro de Cultura, a partir das 19h30, o livro A Nuvem de Hoje (Latus, R$ 20 em média), foram cerca de 2.500 artigos publicados em 8 anos de coluna. Uma centena deles está compilada nesta que é a primeira reunião de seus textos diários, que são também reproduzidos na internet em seu blog ‘Mundo Fantasmo’ (mundofantasmo.blogspot.com).

Segundo Braulio, mais da metade da coletânea, que sai pelo selo Latus, da editora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), é dedicada a assuntos relacionados à cultura nordestina, enquanto o restante trata de tópicos gerais, como críticas, atualidades, ficção científica ou histórias em quadrinhos. Foi numa loja de HQs, por sinal, que ele recebeu a nossa reportagem para falar sobre o lançamento do livro e seu processo de criação.

“Por ser um espaço meu, onde eu posso publicar o que eu quiser, a coluna é um trabalho mais descomprometido em relação a outras coisas que eu escrevo”, explica Braulio, que tem se empenhado nos últimos anos a trabalhar em antologias como Contos Obscuros de Edgar Allan Poe (Casa da Palavra, 2009), lançado na Paraíba ano passado, também no Zarinha. “Às vezes você está fazendo um trabalho de maior fôlego, como um conto, que lida com a criação num nível mais complexo, e os artigos acabam funcionando como um ponto de descontração”, diz ele.

Braulio leva a comparação entre a literatura e seu ofício diário no jornalismo de opinião à cozinha: “Eu escrevo pouca ficção ultimamente. Eu tenho uma infinidade de contos e romances começados, mas eles realmente exigem uma concentração muito grande. Mal comparando, artigo de jornal é como comida feita em fogão a gás: você acende o fogo e logo ela está pronta. Literatura é como um forno: você precisa esquentar e ela só estará pronta dali a 40 minutos”.

A paella que Braulio Tavares prepara nas páginas do jornal, pelo seu volume, tem motivado o articulista a pensar em novas coletâneas. “Pretendo fazer seleções temáticas, com contos fantásticos publicados na coluna, textos de lá apenas sobre cordel, viola… sobre o Treze”, brinca. Segundo Braulio, uma destas seleções já está em posse da editora paulista Hedra, que coletou entre a sua safra diária crônicas voltadas para adolescentes a ser lançadas ainda nos próximos meses.

Para o próximo ano, Braulio projeta seu retorno à ficção com um volume de contos, que está sendo preparado.