Único cinema de rua em atividade na PB faz campanha para arrecadar recursos e evitar fechamento

Projetor apresentou defeitos por causa das sessões suspensas e reparos custam R$ 50 mil.

Cine RT, em Remígio, na Paraíba / Foto: Regilson Cavalcante
Cine RT, em Remígio, na Paraíba / Foto: Regilson Cavalcante

O prédio alugado no Centro de Remígio, no interior da Paraíba, abriga a materialização do sonho alimentado pelo mecânico Regilson Cavalcante, de 39 anos, desde a infância. Quando reaberto por ele, em 2012, o “Cine RT”, único cinema em atividade atualmente no estado, passou a ser um ambiente para contemplação da sétima arte e uma opção de lazer moradores da cidade. Há quase dois anos, no entanto, a pandemia de Covid-19 deu início a um ciclo de prejuízos para o local. Pela falta de uso com as sessões suspensas para manter o distanciamento social, os equipamentos do cinema começaram a apresentar defeitos. Por isso, o dono do estabelecimento resolveu realizar uma campanha virtual, para angariar recursos, pagar os reparos necessários, retomar as atividades e evitar o fechamento do espaço.

“É um pedido urgente de socorro. Não podemos passar mais muito tempo com os equipamentos parados, porque eles podem dar mais problemas, que não temos como reverter”, lamentou.

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Manter o funcionamento do cinema que, começou oferecendo cadeiras de plástico ao público, sempre foi um desafio para Regilson. Ele contou que quase todos os meses precisava tirar um pouco da renda do trabalho na oficina para cobrir despesas como aluguel e os salários dos três funcionários.

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As finanças começaram a melhorar com a digitalização em todo o processo de projetar os filmes. Com o tempo e uma quantia economizada durante anos, a sala onde as sessões acontecem passou a contar com o conforto de 100 poltronas compradas de segunda mão, de outro cinema que foi reformado em Campina Grande.

Mas agora, Regilson mal consegue manter o equilíbrio entre o que é destinado à manutenção do Cine RT e o próprio sustento.


As peças do projetor que apresentou defeito são importadas e custam, em média, R$ 50 mil. Desse total, ele conta que apenas R$ 100 foram arrecadados. O valor não cabe no orçamento do mecânico. Diante dessa situação, ele teme dar adeus ao sonho de manter aberto o cinema que frequentou quando era criança.

Apesar das dificuldades financeiras, Regilson não deixa de esperar por dias melhores.

“Reabrir vai representar o sentimento de superação para mim. Para a cidade, vai representar a alegria de quem gosta de frequentar o cinema”.