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CULTURA

Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena

Publicado em: 09/03/2022 às 8:42 Atualizada em 14/03/2022 às 16:01

Iris Helena enxerga ruínas como transformação - algo que deixa de ser uma coisa e se transforma em outra. É isso que a artista visual faz em seus trabalhos artísticos, utilizando objetos não usuais para criar fotografias. Ela é a segunda da série "Eu-mulher artista", do JORNAL DA PARAÍBA. Em comemoração ao mês da mulher, durante março, serão publicadas diversas histórias de artistas visuais paraibanas ou radicadas no estado, que atuam em áreas como pintura, escultura, fotografia, grafite, entre outras. O nome escolhido para a série faz referência ao versos de Conceição Evaristo, no poema “Eu-Mulher”.

Eu força-motriz. Eu-mulher abrigo da semente moto-contínuo do mundo

Iris Helena transforma objetos aleatórios em matéria-prima para sua produção artística. Um post-it, uma nota, papel higiênico, entre outros materiais, são utilizados por Iris para transmitir a mensagem que ela deseja expressar.

A temática central é a paisagem urbana, a cidade, mas também eu gosto muito de pensar a ideia de ruína, não no sentido de se destruir por completo. Ruína no sentido de que uma coisa vai se transformar e vai deixar de ser o que ela era. Isso eu faço com os objetos quando eu tiro eles da função original e coloco eles em outra função.

Formada em artes visuais pela Universidade Federal da Paraíba, Iris trabalha com arte desde 2008. O foco central de sua produção é a fotografia, mas também explora outras linguagens, como o vídeo, instalações e objetos. A paraibana de João Pessoa passou a infância e adolescência em Uiraúna, no Sertão da Paraíba. Essas vivências em duas cidades totalmente diferentes foram fundamentais para o seu trabalho.

  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Imaginário Cartográfico, Iris Helena, 2017. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Notas Públicas, Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Notas Públicas, Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Notas Públicas, Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Picasa
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trabalho de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Picasa
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    SONY DSC | Foto: Série Ruínas, Iris Helena, 2019. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Série Aliança, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Série Aliança, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Série Aliança, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trepidantes, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Trepidantes, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Série Aliança, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Mise en scene, Iris Helena, 2065. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Quinhão, Iris Helena, 2015. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Apontadores, Iris Helena, 2014. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Apontadores, Iris Helena, 2014. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Apontadores, Iris Helena, 2014. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Volumes, Iris Helena, 2021. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Volumes, Iris Helena, 2021. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Volumes, Iris Helena, 2021. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Volumes, Iris Helena, 2021. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Paisagem Afogada, Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Paisagem Afogada, Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Série Memorabilia, Iris Helena, 2020. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Série Memorabilia, Iris Helena, 2020. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Série Memorabilia, Iris Helena, 2020. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação).
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Exposição de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Exposição de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Exposição de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Exposição de Iris Helena. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
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    SONY DSC | Foto: Picasa
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    SONY DSC | Foto: Picasa
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Souvenir, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Souvenir, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto:
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Vista Poster, Iris Helena, 2016. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Livro do Tombo, Iris Helena, 2019. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Livro do Tombo, Iris Helena, 2019. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Livro do Tombo, Iris Helena, 2019. (Foto: Iris Helena/Divulgação)
  • Eu-mulher artista: conheça o trabalho de Iris Helena
    | Foto: Picasa

Sobre o Eu-mulher artista

Se pesquisarmos pintoras paraibanas no Google, todos os nomes que aparecem nas pesquisas são de homens. Mudando pintoras para escultoras, colagistas, muralistas, o problema permanece. Ao colocar “artistas visuais paraibanas” na mesma pesquisa o resultado é incipiente. No campo acadêmico, é difícil encontrar online bibliografias e trabalhos no campo das artes visuais que falam sobre artistas mulheres do estado. Nos museus, são poucas obras que trazem o nome de mulheres em sua autoria.

Segundo Luciana Gruppelli Loponte, a história da arte priorizou “um olhar masculino, branco, europeu e heteronormativo.” A luta por visibilidade surge no Brasil principalmente durante os anos 70 e 80, com a segunda onda do feminismo chegando no país. Porém, nessa época o Nordeste ainda seguia sob uma ótica coronelista muito forte e o mais importante era continuar viva e segura. Aqui, fazemos questão de relembrar da história da poetisa Violeta Formiga, brutalmente assassinada por seu marido no dia 21 de agosto de 1982, por conta de um ciúmes e machismo que fazia com que ele a visse como um mero objeto de sua posse.

É verdade que o cenário vem mudando. Nos últimos anos, a Paraíba teve um crescimento de mulheres produzindo arte e expondo, principalmente com o auxílio da gestão pública através de editais. Entretanto, é uma produção subvalorizada que ainda tenta reescrever e reaver a história de muitas artistas que passaram pelo estado e que seguem com nomes apagados e não tão marcados na história quanto nomes masculinos.

Porque não falamos sobre arte de mulheres produzidas no estado? Porque não temos um nome de referência quando se fala sobre arte visual? Porque, quando decidimos fazer essas série, não conseguíamos pensar de cabeça em uma pintora, desenhista, escultora, paraibana igual eu penso em nomes nacionais como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Lygia Pape?

Conforme a mestra em artes visuais Clara Nogueira de Carvalho, na capital e no estado há a quase inexistência de mulheres no campo das artes:

“Na Paraíba, somente em 1920, por exemplo, uma mulher artista, a pintora Amelinha Theorga, aparece nas páginas de jornais da época suscitando alguma crítica, mas é posteriormente esquecida por ter se casado e esse espaço de “amadora” das artes ter ficado restrito somente ao tempo de solteira”, escreve.

Diante desse cenário, o JORNAL DA PARAÍBA propõe uma chance que se conheça as artistas mulheres do estado, porque a arte é, sobretudo, uma investigação do mundo. Se podemos estudar e entender melhor nosso redor, as pautas e questões que movem a sociedade, podemos mudar. Mas não só isso, a arte tem um poder catalizador de expressão. Expressão essa que é válida e necessária apenas porque exprime, porque sentimentos são válidos e indagar é preciso. É somente olhando para si que podemos entender o outro. É somente ouvindo mulheres, consumindo produções de mulheres, incentivando sua produção e centralizando seu olhar e vivências em pautas de mulheres que podemos, talvez, fazer com que o ideal feminista não seja uma ideia utópica e sim uma realidade material.

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Lara Brito

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