Charles Chaplin, gênio do cinema, morreu no Natal de 40 anos atrás

Charles Chaplin morreu na Suíça no Natal de 1977, há 40 anos.

Participou da ceia com a família e da troca de presentes.

Foi dormir e não acordou mais.

Naquele 25 de dezembro, o mundo despertou com a notícia da sua morte.

O vagabundo Carlitos é a maior imagem estética do século XX.

No século XXI, só restará uma imagem do cinema.

A imagem de Carlitos.

Quem disse foi Glauber Rocha.

Há algum exagero na fala de Glauber, porque já vimos que outras imagens do cinema resistiram ao século XXI. Mas há algo que aponta para a incontestável genialidade do artista.

Gênio.

Palavra tão banalizada e usada de forma comumente equivocada.

Não quando se trata de Charles Chaplin, o primeiro gênio de uma arte nova, o cinema.

Ator, roteirista, compositor, produtor, diretor. Chaplin era tudo isso.

Judeu? Talvez.

Comunista? Quem sabe?

Ateu? Provavelmente.

Um imenso humanista? Com toda certeza!

Piegas?

Sentimental?

Dizem seus críticos. Os que preferem Buster Keaton.

Bobagem!

Foi artista e homem da indústria. Brigou com o som e demorou a ceder a ele. Foi cidadão engajado nas lutas do seu tempo. Perseguido pelo Macartismo, teve que abandonar a América que o acolheu na juventude. Vinha de uma infância miserável na Inglaterra, tal como um personagem de Dickens.

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O legado de Chaplin é de pura genialidade: alguns dos muitos filmes de curta-metragem e, sobretudo, os de longa duração com o personagem Carlitos.

Quando se dedicou somente aos filmes de longa-metragem, Chaplin produziu numericamente pouco. Mas realizou uma sequência de clássicos absolutos do cinema entre O Garoto e O Grande Ditador.

Em Busca do Ouro é sua obra-prima.

Contém algumas das mais belas imagens da era do cinema silencioso.

E Luzes da Cidade?

E Tempos Modernos?

E O Grande Ditador?

E os dramas pós Carlitos (Monsieur Verdoux e Luzes da Ribalta)?

Luzes da Ribalta conta a história de um palhaço decadente e antecede o momento em que Chaplin teve que deixar a América. A morte de Calvero no palco é como a morte do seu criador. Ao som de Limelight.

Fecho com um fragmento do Canto ao Homem do Povo:

Ó Carlito, meu e nosso amigo,

Teus sapatos e teu bigode

Caminham numa estrada de pó e de esperança

É Drummond.