Bom mesmo é quando quem é gay pode assumir que é gay

GLS.

A sigla era assim. Lembram?

G de gays, L de lésbicas, S de simpatizantes.

Eu me enquadrava nela. No S de simpatizantes.

Meus pais também. Creio que mesmo antes da sigla existir.

Na casa da minha juventude, não havia diferença entre ser hétero ou ser homo.

Os frequentadores eram amigos e amigas.

LGBTQIA+.

Agora, a sigla é assim.

Junho é o mês do orgulho gay. Então, nesta quarta-feira (30), trato do tema.

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Vi, nas redes sociais, a moça linda e corajosa ostentando a bandeira multicolorida e festejando o mês do orgulho gay.

Fiquei feliz por ela e pelas lições que há no gesto.

Há 40, 50 anos, vi amigos crescendo atormentados porque não podiam assumir a sua homossexualidade.

Havia a família a fingir que não enxergava o óbvio e o mundo lá fora cheio de preconceitos.

Hoje, entro no ambiente de trabalho, e um colega, ao me oferecer uma deliciosa fatia de bolo, diz que quem fez foi o marido.

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Acho admirável.

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Há avanços notáveis.

Três dias atrás, quando fomos todos surpreendidos pela morte de Artur Xexéo, as notícias diziam assim:

“O jornalista vivia com o marido há 30 anos”.

A mídia, bem mais tarde do que a teledramaturgia da Globo, afinal assumiu que homem não casa só com mulher.

Homem também casa com homem e mulher também casa com mulher.

Entre os políticos, o debate ainda permanece no atraso.

Ao assumir que é gay, o candidato – a não ser aquele que é militante da causa – corre o risco de perder votos.

É como assumir que é ateu. Ou que fumou maconha na juventude. Fernando Henrique Cardoso sabe bem disso. O preço que pagou pela maconha o levou a uma sempre duvidosa “conversão” religiosa.

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Mas, voltando ao universo LGBTQIA+, o bom mesmo é quando quem é gay pode assumir que é gay.

Como tantas outras questões importantes, vejo isso como uma luta imprescindível ao nosso processo civilizatório.