Elba Ramalho faz 70 anos entre a grande estrela que é e os comunistas que ela pensa ver

Elba Ramalho é atração confirmada no São João 2022 de Bananeiras.

Elba Ramalho faz 70 anos nesta terça-feira (17).

Percorreu longa estrada desde que nasceu em Conceição, no interior da Paraíba.

Tem Campina Grande e João Pessoa no seu caminho.

E tem, sobretudo, a voz e o palco.

Cantora e atriz. Cantriz, como tantas vezes foi chamada.

O encontro desses dois elementos tornaram Elba incrível no palco.

Uma daquelas artistas que sabem tudo do espaço cênico no qual estão pisando.

Quando vi Elba Ramalho ao vivo pela primeira vez, nos idos da segunda metade da década de 1970, fazia um duo com Tadeu Mathias.

Baião de Dois. Voz e violão. Como era bonito. Como era promissor.

Sua voz aparece junto com a de Marieta Severo no álbum Ópera do Malandro, com a trilha do espetáculo escrito por Chico Buarque, e aí temos o impacto do disco de estreia, Ave de Prata, seguido de Capim do Vale.

Elba – uma grande voz em estado bruto. Um diamante a ser lapidado.

Dois discos inesquecíveis, antológicos.

A década de 1980 foi de sucesso comercial. Discos inferiores ao Ave de Prata e Capim do Vale, e shows sempre impecáveis.

Na década de 1990, destaco Leão do Norte – grande disco – e o início do projeto O Grande Encontro. Elba no palco ao lado dos seus contemporâneos. Geraldo Azevedo, sempre. Zé Ramalho, às vezes. Alceu Valença, também.

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Elba Ramalho chega aos 70 anos como um dos grandes nomes da música popular que a Paraíba ofertou ao Brasil.

Mas chega, melancolicamente, com uma postura que é o inverso da Elba que vimos surgir ao lado de Chico Buarque na Ópera do Malandro.

Esse texto, que ela postou nas redes sociais no início de 2021, aponta para os que veem comunistas onde eles não existem.

É a voz da Elba cristã, que vou reproduzir:

“Mas tudo bem, estamos aqui, cristãos, sobrevivendo. E vamos sobreviver a essa turbulência que a humanidade está atravessando. Para muitas pessoas é apenas uma pandemia, para nós é muito mais coisa por trás dessa pandemia e que vem ainda com o intuito de nos destruir. Nós somos o incômodo, o calo dos comunistas. Somos nós, cristãos, mas nós somos também a resistência e vamos permanecer fiéis porque Deus vai nos proteger”.

Dizem que Elba é bolsonarista.

Dizem que Elba é negacionista.

Dizem que Elba é contra a vacina.

É verdade?

Se for, é muito lamentável.