Nevermind, do Nirvana, não é rock alternativo. É produto comercial que vendeu milhões de cópias

24 de setembro. Nesta sexta-feira, o disco Nevermind completa 30 anos. O álbum do Nirvana foi lançado no dia 24 de setembro de 1991. Se você gosta ou não gosta, se ouve ou não ouve, não faz qualquer diferença. Nevermind, com sua capa icônica e seu repertório irresistível, é um dos grandes álbuns do rock.

Demorei muito a ouvir. Mas, assim que isso ocorreu, fui fisgado pelo som do grupo. Em 1991, aos 32 anos, me faltava paciência para um rock tão tosco e primitivo. Isso é coisa para adolescentes que creem que são alternativos de verdade – pensava na época e assim continuei pensando por muito mais tempo.

Entrei por um caminho oblíquo. Gostei imensamente de ver Cássia Eller cantando Smells Like Teen Spirit no Rock in Rio. Mas Cássia Eller estava no meu repertório com sua grande voz. Ia de Ataulfo Alves aos seus contemporâneos. Por que não iria de Nirvana?

Depois veio Caetano Veloso com Come As You Are. Num álbum cantado em inglês, fazia Nirvana a seu modo. Mas Caetano é um Rei Midas da canção popular. Transforma em ouro tudo o que canta quando se debruça sobre repertórios que não são de sua autoria.

Um dia, numa loja, peguei no Nevermind e, já certo de que não poderia deixar de ter o álbum, levei o disco para casa. Não demorei a constatar o óbvio: o quanto é visceral, o quanto é poderoso, nem a compreender porque é tão festejado, porque é sempre colocado entre os pontos altos do rock.

Agora, 30 anos depois, não me venham mais com essa história de rock alternativo. Não. O Nevermind colocou o Nirvana no mainstream – independente da opinião de Kurt Cobain. O álbum é um produto comercial que vendeu 30 milhões de cópias, e Smells Like Teen Spirit, um hit em escala planetária.

Kurt Cobain, líder do Nirvana, se matou com um tiro de espingarda no dia cinco de abril de 1994. Tinha somente 27 anos.