Miles Davis, morto há 30 anos, foi o último gênio do jazz. Sem ele, o jazz não seria o que é

Nesta terça-feira (28), faz 30 anos da morte de Miles Davis, um dos mais importantes músicos da história do jazz. Ele só tinha 65 anos anos quando morreu, e pode se dizer que foi vítima dos excessos que cometeu durante a vida. Se estivesse vivo, teria feito 95 anos em maio de 2021.

Miles Davis entrou para o mundo do jazz na primeira metade da década de 1940 e, nele, permaneceu até morrer, no dia 28 de setembro de 1991. Fora hospitalizado depois de sofrer um AVC, teve pneumonia e um quadro agudo de insuficiência respiratória que o levou à morte.

Quando começou a se tornar conhecido, o jazz vivia a era do bebop. Seus nomes mais conceituados eram o saxofonista Charlie Parker e Dizzy Gillespie, trompetista como Davis. Miles gravou bebop, mas começou a ser protagonista no jazz com o cool, através do álbum Birth of the Cool.

O cool jazz seria, portanto, a primeira revolução da vida de Miles Davis, já a partir do início dos anos 1950. Aquela década não foi fácil porque, nela, o artista ficou viciado em heroína. O vício foi inicialmente superado, mas esteve presente outras vezes em sua vida, tanto quanto na de muitos outros jazzistas.

Entre o final da década de 1950 e o início da de 1960, gravou quatro álbuns extraordinários arranjados por Gil Evans. Já tinha John Coltrane como companheiro de palcos e estúdios, incorporara, agora, o nome de Evans, notabilíssimo arranjador no mundo do jazz. Um desses álbuns (Quiet Nights) é inspirado na bossa nova.

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Em 1959, fez outra revolução. Produzindo uma sonoridade nova no jazz, gravou o disco Kind of Blue, ladeado por músicos como o saxofonista John Coltrane e o pianista Bill Evans. O álbum, o mais vendido da história do jazz, mexe com o conceito de improvisação e harmonia e traz números como So What e All Blues.

Nos anos 1960, alternou álbuns de estúdio com muitos registros ao vivo. Entre esses tantos discos, estão alguns dos que prefiro em sua discografia. Aqueles ao vivo em que está no palco com Herbie Hancock (piano), Ron Carter (contrabaixo), Tony Williams (bateria) e Wayne Shorter (saxofonista).

Os ouvintes puristas encararam bem a música de Miles Davis até aí. Romperam com ele, banindo-o das suas discotecas, quando o artista fez outra revolução. Misturou o jazz com o rock e o funk e, dessa mistura, nasceu o jazz rock. Ou – como queiram – a fusion.

Miles foi um homem de notas mínimas no seu instrumento, mínimas e imprescindíveis. Miles foi um músico de rupturas e reinvenções. Depois dele, no jazz, não houve mais ninguém com a sua dimensão. Miles foi um gênio em sua praia. Sem Miles Davis, e não exagero, o jazz não seria o que é.