“Num país negro e racista…na cidade do Recife”. É uma pancada Bethânia cantando a indignação de Adriana Calcanhotto

Todos lembram da morte de Miguel, o garoto que estava com a empregadora da sua mãe e caiu do alto de um edifício, no Recife. A história foi contada por Adriana Calcanhotto numa canção chamada Dois de Junho e interpretada por Maria Bethânia (Foto/divulgação) em seu novo álbum, Noturno.

O episódio, ocorrido no dia dois de junho de 2020, em plena pandemia do novo coronavírus, provocou/ainda provoca indignação. Porque é verdadeiro demais como retrato do Brasil e de suas relações sociais. É verdadeiro e, ao mesmo tempo, reúne muitos símbolos.

Noturno, o álbum de capa branca de Maria Bethânia, é belo e denso. Acredito que reúne mais tristezas do que alegrias. Tem um conceito que talvez a gente encontre no diálogo possível entre as dedicatórias que estão no encarte, junto das letras de cada canção.

Bethânia, essa grande estrela da canção popular do Brasil, nos oferece mais uma vez a sua liberdade. A liberdade plena de fazer ao seu modo – marca profunda de sua trajetória. E, já perto do final do disco, vem com Dois de Junho, essa música/pancada composta por Adriana Calcanhotto. Ouça. Veja que não exagero.