Bolsonaristas alucinados viram Sting com uma cobra no pescoço. Artista fez 70 anos

Todo mundo sabe que Sting é amigo de Raoni. Desde os anos 1980. O músico britânico é engajado em causas ambientalistas e luta pela defesa dos territórios indígenas e pelos direitos humanos. Ele e o cacique já viajaram juntos pelo mundo, e Raoni subiu muitas vezes ao palco de Sting.

Isso foi o bastante para o artista ser personagem da fábrica de fake news da turma de Bolsonaro. Bolsonaristas alucinados divulgaram, faz algum tempo, que Sting ganhara uma sucuri de presente de Raoni e que estava fazendo shows com a cobra enrolada no pescoço. Divulgaram a notícia. A foto, jamais.

Neste sábado (02), Sting fez 70 anos. De professor de matemática a grande astro da canção pop, ele percorreu um longo caminho a partir da segunda metade dos anos 1970, quando se projetou como um dos integrantes do grupo de new wave The Police.

No Police, Sting era contrabaixista, cantor e compositor. O power trio começou como uma banda que, para muitos, não era talhada para se transformar num grande êxito comercial. Agradava aos que têm a ilusão de que, no rock, há artistas que lutam contra o sistema e não são atraídos pelo sucesso.

O Police fez, sim, muito sucesso, e deixou ricos seus integrantes. Lançaram cinco álbuns e inúmeros singles, mas tiveram trajetória curta. Sting se sobrepôs aos seus companheiros de banda. O seu talento pedia uma carreira solo. Na época, diziam que o ego também.

O álbum de estreia (The Dream of the Blue Turtles) trazia um Sting completamente diferente daquele dos tempos do Police. Sofisticara suas canções, trabalhando com uma grande banda de músicos de formação jazzística. Desagradava antigos fãs e conquistava novos.

Muitos hits do Police (Every Breath You Take, do último álbum do trio, é seu maior sucesso) permaneceriam no seu repertório, mas a roupagem seria outra, dali por diante. Sting é um músico do mundo, aberto às mais diversas conexões. É assim que está consolidado na canção popular britânica do seu tempo.