Racistas? Machistas? Rolling Stones se autocensuram nos shows da turnê americana

Você já viu os Rolling Stones ao vivo? Pode ser que sim, pode ser que não. Entre 1995 e 2006, vi seis vezes e asseguro que é uma impactante e singularíssima experiência audiovisual. “Eles evocam a nossa natureza animal” – o outrora tão estimado cineasta Arnaldo Jabor botou na Folha depois de ver o Voodoo Lounge em sua estreia em São Paulo. É mais ou menos isso. Ou: “É uma das maiores celebrações profanas do planeta” – disse um amigo ao meu lado, depois também de uma apresentação do Voodoo Lounge.

Evocação da nossa natureza animal. Celebração profana. Vê-se logo que não tem nada a ver com coisas politicamente corretas. Se tem algo que os Rolling Stones não são, nem nunca foram, é uma banda politicamente correta. Lembro disso agora por causa de um fato que ocorre atualmente na turnê que o grupo realiza pelos Estados Unidos, a primeira depois da morte do baterista Charlie Watts.

Sabem Brown Sugar? É um dos melhores rocks dos Stones. Não, não. É um dos melhores rocks de todos os tempos. É de 1971. Está no Sticky Fingers. Abre um dos quatro melhores álbuns da banda. Tem um riff incrível da guitarra de Keith Richards. E, ainda, proporciona um momento de grande alegria para a audiência, sempre bem perto do desfecho do show: quando Mick Jagger grita “I say yeah, yeah, yeah!”, e o público responde “uuuuuh!” e levanta os braços.

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Brown Sugar está no set list dos Rolling Stones desde 1971. Nunca ficou de fora e, depois de Jumpin’ Jack Flash, é a música mais executada ao vivo. Pois bem, pela primeira vez, ela foi “rifada” do repertório. É politicamente incorreta. É machista e racista – dizem. Tem letra incompatível com os dias atuais. Fazer o quê?

Sabem o que penso? O politicamente correto tem seus excessos. Brown Sugar é uma música composta há meio século, num contexto histórico completamente diferente do que temos hoje. Não haveria nada demais que permanecesse no set list dos Stones. Espero que, amanhã, não seja retirada dos discos também.

Fecho com duas versões, em vídeo, de Brown Sugar.