Estou duplamente vacinado e logo logo terei Aids. Quem disse foi o presidente Bolsonaro. Acabooou!

O acabooou! do título é uma piada interna. Dessas de redação. Era, antes mesmo de Bolsonaro, quando a gente queria dizer que o Brasil acabou. Servia também quando os mais velhos, nos seus desabafos, queriam dizer que o jornalismo de verdade acabou com  a chegada desses garotos e garotas que hoje abundam nas redações. No texto dessa segunda-feira (25), é somente para dizer, mais uma vez, que o presidente Jair Bolsonaro acabou com o Brasil. Muita gente viu. Muita gente ainda não viu. Mas esta é a realidade.

Amanhecemos com a notícia de que o Facebook e o Instagram censuraram Bolsonaro. Sim, as duas redes sociais não disponibilizam mais o vídeo da live presidencial da última quinta-feira (21). Aquela live em que o presidente, sem qualquer sinal de vergonha na cara, sem cerimônia alguma, lê uma notícia falsa segundo a qual pacientes totalmente vacinados contra a Covid-19 podem desenvolver Aids.

O presidente não comentou a notícia. Disse, aliás, que não iria comentar. Conseguiu o que desejava. Jogou para o seu gado e, novamente, irritou os que a seu gado não pertencem. Ou seja: nós, os imbecis que ainda perdem tempo com ele. Bolsonaro pode até ser doido, mas, não se iludam, de burro, ele não tem nada.

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A esquerda perdeu o jogo de três anos atrás, aquele de 2018. Lembram? Estava na cara que iria perder. Agora, se prepara para um novo jogo, o de 2022. Veremos se aprendeu alguma coisa com os erros de ontem. Bolsonaro ganhou o jogo passado e está no aquecimento para o próximo. Não vamos minimizá-lo. Ninguém chega à presidência à toa.

A associação entre a vacina e a Aids foi uma das suas piores falas. Uma das mais cínicas. Uma das mais desrespeitosas à inteligência. Mas o presidente sabe disso. Serve muito bem ao que ele quer, ao que ele é. E seguimos, atolados nessa gigantesca desconstrução do Brasil, esse país das coisas banalizadas. Acabooou! –  serve como comentário sobre o que estamos testemunhando. Mas é preciso que reste ao menos um pouquinho de crença, antes que tenhamos a convicção plena e absoluta de que acabou mesmo.