Tem muita gente mentindo para Solha nas redes sociais. Eliane Giardini, sobrinha do escritor, foi verdadeira. Ainda bem!

W.J. Solha não vende os livros que publica. Faz uma lista de supostos leitores e manda para estes pelos Correios. Não deixa de ser interessante o método. Talvez alcance mais gente do que se o trabalho estivesse exposto na prateleira de uma livraria.

Não tenho papas na língua quando vou falar sobre Solha. Não tenho porque faz pelo menos 50 anos que o conheço. Ele, levado por Roberto Peixoto, um colega do Banco do Brasil, para conversar com meu pai sobre astronomia. Queria elementos para o livro que pretendia escrever – os mesmos que foi procurar com o professor Rubens de Azevedo, que, à época, dirigia o Observatório Astronômico da Paraíba.

Quando Solha fez 80 anos, em maio último, e a Paraíba ficou a lhe dever uma homenagem proporcional à contribuição que deu à produção cultural do estado, fui eu que “vendi” à TV Cabo Branco – e obtive êxito – a ideia de que a emissora de televisão mais importante da Paraíba não poderia deixar passar a data sem um registro decente. Solha sabe de tudo isso. Por isso, fico à vontade para dizer o que penso sobre o que esse grande artista produz.

Seu novo livro chegou a muitas mãos via Correios, e, aí, seguiram-se os comentários nas redes sociais. Muitos, absolutamente desonestos, mentirosos mesmo. De gente que não se deu ao trabalho de ler 1/6 de Laranjas Mecânicas, Bananas de Dinamite. Ou que não está qualificada para o exercício da crítica.

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É um tratado poético-filosófico. De leitura difícil e bastante hermética. Li e não gostei. Normal. Livros, a gente tanto pode gostar quanto não gostar. Não tem nada demais. Não nos desautoriza enquanto leitores, nem condena o autor para todo o sempre. Ulisses, de Joyce, nunca consegui ler. Conheço umas três ou quatro pessoas que conseguiram. Não mais do que isto. Solha talvez seja uma delas. E conheço gente que diz ter lido porque enriquece o currículo.

Essa minha conversa toda é para chegar em Eliane Giardini (Foto/Divulgação). Eliane é sobrinha de Solha. Filha de uma irmã de Solha. E quem a fez atriz foi o tio, em tempos muito remotos, numa aventura cinematográfica genuinamente paraibana chamada O Salário da Morte, que deixou Solha e Zé Bezerra falidos.

Eliane podia ser agradável com o tio. Podia muito bem ter botado o livro nas alturas, como tanta gente fez, lançando mão de indisfarçável desonestidade intelectual. Mas não. Ela disse o que pensa. Foi verdadeira e honesta. Tão verdadeira e tão honesta que o próprio Solha postou nas redes sociais.

Fecho com a fala de Eliane Giardini. Cresce minha admiração por ela. Por Solha, minha admiração sempre esteve muito além do alcance das minhas mãos.

Eliane a Solha:

“Fico tão desconfortável de não comentar teu livro. Fico mais ainda de não ter conseguido decifrá-lo. Achei-o o mais enigmático de todos. Hermético. Para poucos. E eu não estou nessa lista dos poucos. Não consegui acompanhar. Não alcanço. Imagino a grandeza contida ali dentro. Mas não penetro.”