O Brasil precisa de uma nova abolição. Precisa também despachar Bolsonaro

Hoje é sexta-feira 13. Tem muita gente lembrando da sexta-feira 13 como dia de azar. Como curtir, que filmes ver. Prefiro lembrar de uma data: 13 de maio de 1888 é o dia da abolição da escravatura no Brasil. Não faz muito tempo, foi o centenário. Agora, lá se vão 134 anos. Não nos esqueçamos.

Por muito tempo, lembrei da importância da conquista, resultado de tantas lutas. Mas hoje, no Brasil de hoje, confesso que me ocorre uma outra coisa. Precisamos urgentemente de uma outra abolição. E, dessa vez, não será a abolição dos que sofrem com o racismo. Terá que ser desses e de muitos outros. Milhões e milhões.

Pode até parecer que sim, mas não sou lulista nem petista, volto, porém, há duas décadas para dizer que, quando empossado presidente, Lula revelou que, ao sair do governo (lá, passou oito anos), queria que todos os brasileiros tivessem, ao menos, direito a um café da manhã, um almoço e um jantar. Certamente, não tirou todos os brasileiros da miséria, mas fez muito nessa direção e obteve resultados inegáveis.

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No Brasil de Bolsonaro, é deprimente viver. O Brasil de Bolsonaro, faz pena de ver. É tão claro o que está acontecendo, mas, infelizmente, o mal foi banalizado. Saiam à noite para os bares, os restaurantes, as festas, e prestem atenção na quantidade de miseráveis dormindo sob marquises. Ficou normal, mas não é normal. Saiam durante o dia, parem nos sinais e vejam os miseráveis com seus cartazes: “Estou passando fome”. Também ficou normal, mas não é normal.

Enquanto isso, uma horda de idiotas (alguns bem cultos, letrados) defende a manutenção do que estamos vivendo. Paga caro pelos alimentos, pelos combustíveis, pela inflação e convive com desempregados (um parente, um amigo, um conhecido) que estão por perto. Mas não importa. Pouco importa: Deus salve o capitão! O capitão, o seu governo e seus sonhos de perpetuação no poder.

Defenestrar Bolsonaro não vai resolver os problemas brasileiros. Mas mantê-lo presidente vai aumentá-los. A derrota dele na eleição de outubro próximo não é uma nova abolição. Está muito longe de ser. Mas é imprescindível para os que creem minimamente no futuro do Brasil.