Paul McCartney faz 80 anos. Com ou sem Beatles, ele é mestre da canção popular

Em 1967, quando os Beatles lançaram o álbum Sgt. Pepper, uma canção de autoria de Paul McCartney sugeria que ter 64 anos era ser velho. When I’m Sixty Four – até hoje, os fãs verdadeiramente ardorosos do quarteto, como curtição, esperam por essa idade. Mas é claro que ela deixou de ser sinônimo de velhice. Neste sábado (18), Paul McCartney faz 80 anos. Aí sim, podemos dizer que o eterno beatle é, afinal, um homem velho.

Paul McCartney nasceu em 1942. Tinha 20, em 1962, quando os Beatles lançaram Love Me Do, o primeiro single. 28 em 1970, quando o grupo se separou, pondo fim à dupla Lennon/McCartney, uma das mais prestigiadas no mercado internacional da música popular. Há 52, portanto, iniciou a carreira solo, embora, na década de 1970, tenha formado o grupo Wings, no qual tinha absoluto protagonismo.

McCartney é um dos grandes artistas da sua geração. Se pensarmos na canção popular produzida a partir da década de 1950 do século XX, ele, com certeza, estará ao lado dos grandes compositores que o mundo conheceu. Seu cancioneiro nos põe em contato com um músico intuitivo, mas extraordinariamente talentoso. E com absoluto domínio da arte de escrever canções.

Paul não é homem de harmonias complexas. Nunca foi. Mas é autor de melodias irresistivelmente bonitas. Não é um letrista excepcional, como Bob Dylan, mas sabe exatamente como deve se dar o casamento das notas musicais com a sonoridade das palavras cantadas. A essa habilidade autoral uniu a beleza do seu canto. A sua voz de “sereia sílfide”, como um dia definiu o grande maestro Leonard Bernstein.

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John Lennon e Paul McCartney foram e não foram parceiros. A assinatura dos dois quase sempre não correspondia à autoria de uma canção. Em alguns casos, sim. Mas, na maioria das vezes, não. O que havia era a “provocação” permanente de um ao outro. Dessa – digamos – disputa, nasciam as canções. E, nessa disputa, Paul sempre ostentou mais talento musical do que John, mesmo que este fosse a maior persona pública do grupo.

McCartney é também um performer. Adora o palco, vive em turnê pelo mundo, e vê-lo de perto é uma experiência incrível – pela competência que há no seu show, pela generosidade com o público na escolha do repertório e na duração do espetáculo, pela evocação dos Beatles e da década de 1960. Agora mesmo, às vésperas dos 80 anos, percorreu muitas cidades americanas, depois dos dois anos de isolamento a que foi submetido pela pandemia.

Paul é um cidadão envolvido com causas nobres. Nunca teve o tipo de engajamento político adotado por Lennon, mas está sempre ao lado dos ambientalistas e de quem luta pela vida dos animais. A integridade da sua postura pública soma-se à imensa beleza da sua criação musical. James Paul McCartney. Paul McCartney. Paul. Macca. Sir Paul. Ou, como o maestro Bernstein escreveu há muitos anos, apenas “São” Paul.