Não vai ter golpe no Bicentenário da Independência. Cão que ladra não morde

Nesta terça-feira (02), estamos a dois meses do primeiro turno da eleição presidencial. A campanha pra valer ainda não começou, e – eleição é assim – qualquer prognóstico é arriscado. De todo modo, as pesquisas, até aqui, têm registrado um cenário de estabilidade no qual a disputa se dá entre o ex-presidente Lula, que é franco favorito, e o presidente Jair Bolsonaro, que aparece em segundo lugar.

Pode tirar o cavalinho da chuva quem torce para que o golpismo ponha as unhas de fora no 7 de setembro, quando estaremos a menos de um mês da eleição. Não vai ter golpe. Pelo menos, não na comemoração do Bicentenário da Independência. O grande indicativo é que Bolsonaro convidou presidentes de países lusófonos para a festa, e é improvável que um golpe de estado ocorra na presença desse grupo de ilustres visitantes.

Nesta segunda-feira (01), foi divulgado mais um manifesto em defesa da democracia. O documento é assinado pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), pela Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e pela ANJ (Associação Nacional de Jornais). “Não existe democracia sem liberdade de imprensa, e não existe liberdade de imprensa sem democracia”, diz o manifesto.

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Por outro lado, a carta em defesa da democracia, divulgada na semana passada e aberta ao público para adesões, já tinha, até esta segunda-feira (01), cerca de 640 mil assinaturas. O texto será lido da sacada da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco, no dia 11 de agosto. Uma fatia expressiva da sociedade civil está atenta. A ela caberá reagir aos ataques à democracia desferidos pelo bolsonarismo.

Cão que ladra não morde. Sabem o provérbio? Bolsonaro parece se enquadrar bem. Ele gostaria de dar o golpe? Por certo que sim. Mas há uma distância muito grande entre o seu desejo e as condições de concretizá-lo. A dois meses do primeiro turno, a gente sabe que o presidente transformará o Bicentenário da Independência num ato de campanha. Mas sabe também – está na Folha – que, derrotado, ele teme sair preso do Planalto.