Craques do passado: Artilheiro do Paraibano de 1993, Marcos Pitombinha foi do Brejo à glória em carreira de 15 anos

Pitombinha começou no Guarabira, teve boas passagens no futebol potiguar, brilhou no Treze e rodou o interior de São Paulo, conquistando títulos e marcando gols

Um brejeiro de Bananeiras é um daqueles paraibanos que estão num seleto grupo que pode falar que foi o maior goleador do campeonato estadual de sua terra natal. Marcos Pitombinha foi o grande terror dos goleiros na temporada de 1993, vestindo a camisa do Treze. Pitombinha não foi campeão com o Galo, nem sequer foi vice no Campeonato Paraibano daquele ano. Mas marcou seu nome na história do futebol paraibano com 35 gols naquela edição do estadual. Foi um dos grandes nomes do torneio. E dali ganhou projeção, partindo para outros desafios, sobretudo no futebol paulista.

O início da carreira de Marcos Pitombinha foi diferente do de muitos jogadores daquela época. Pitombinha no fim da década de 1980 já dava seus primeiros chutes mais sérios e certeiros, mas dividia suas atenções entre o futebol e os estudos.

– Antes de ir ao Treze, eu estudava, fazia um curso técnico agrícola. Eu fiz até um teste no Treze, quando eu estudava, mas não passei. Eu preferi terminar o meu estudo para depois ir para a carreira de futebol – lembrou o ex-jogador.

Se ainda não era o momento de ser um ídolo trezeano, Pitombinha contou com as portas abertas no Guarabira Esporte Clube, onde ele começou a sua carreira em termos profissionais.

– Em 1988 eu terminei o terceiro ano e já estava no Guarabira. E em 1989 a gente fez uma ótima campanha no Campeonato Paraibano, junto com Severino, Marinho, Apolônio, Gilson Sergipano, dentre outros. Ganhando de várias equipes maiores – comentou.

Nesse time do Guarabira havia muitos jogadores de Natal. Eles indicaram Marcos Pitombinha, então jovem de 21 anos e promessa do futebol paraibano, para o América-RN. Foi o seu primeiro clube de massa da carreira.

Pitombinha deu conta do recado e já começou a se destacar nos primeiros passos no Mecão. Depois se transferiu para o ABC, fincando seu nome também no vizinho futebol potiguar.

– Através das amizades, eu fui para o América-RN, indicação dos amigos. Eu fui em 1989. Para mim foi uma mudança muito grande de nível. Fiquei do fim de 1989 até o fim de 1992. Onde tive uma bela passagem. Fui campeão pelo América-RN em 1991, onde joguei muito bem, e fui bicampeão em 1992. Me transferi em 1992 para o ABC e joguei o Brasileiro da Série B – contou o ex-atacante.

O que nos leva para a temporada inesquecível de Marcos Pitombinha no Galo da Borborema. Após não ter passado em um teste no Treze e ter saído para jogar na tradicional dupla de Natal, o destino do atacante refez seu caminho com Campina Grande. O jogador paraibano despertou a atenção do Alvinegro, que contratou o atacante.

Pitombinha era um jogador veloz. Mas também tinha qualidade na hora da definição. Tipo de jogador muito importante para equipe porque agrega a finalização com a criação. Foi assim que Marcos Pitombinha foi um dos grandes nomes do Paraibano de 1993, se sagrando artilheiro do longo estadual daquele ano, com 35 gols.

– Depois desse tempo em Natal, tive um convite para o Treze, através de Querequexé. Eu aceitei e fui para o Treze. Fizemos uma boa campanha, mas não conseguimos ser campeões. Tivemos destaques individuais como eu , Heron, Alisson e Mauro. A gente se destacou demais nesse campeonato – lembrou Pitombinha.

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Marcos Pitombinha trabalhou ano passado no Vila Branca // Foto: Divulgação

Naquele ano, Treze, Auto Esporte, Botafogo-PB e Campinense fizeram 52 jogos pelo Paraibano. Foram eles os quatro clubes que disputaram, após três turnos, o quadrangular final. Na última fase, o Galo perdeu fôlego e foi o lanterna. O grande rival, Campinense, foi o campeão do estadual. Mas não precisou do título para Pitombinha marcar seu nome na história do Galo da Borborema.

– Não fomos campeões, mas fui o artilheiro e marquei história no Treze. Vestir a camisa do Galo e ser um artilheiro sendo paraibano não é para qualquer um. Foi uma alegria imensa. Fui muito feliz. Até hoje penso muito nisso. Antigamente, os jogadores jogavam com muito amor ao clube. Isso mudou muito – analisou o ex-jogador trezeano.

Pitombinha ainda viria a vestir a camisa do Treze em outras ocasiões. Não conquistou títulos, mas ajudou o Galo em momentos em que os times montados pelo Treze não foram protagonistas no futebol paraibano. Mas foi em São Paulo que Pitombinha fez a maior parte da sua carreira. Após, justamente, essa grande temporada pelo Galo da Borborema.

– Depois fui para o Mogi Mirim. Jogamos com Rivaldo, Válber e Leto. O Mogi Mirim me comprou e tive essa felicidade de ser comprado. Fiquei dez anos em São Paulo depois disso. Joguei no Monte Azul, no Mirassol, no Sãocarlense, Santo André, XV de Jaú, Francana, Noroeste, Bragantino e Paraguaçuense – relembrou.

Em 1997, Pitombinha voltou a ter outro ano de destaque no futebol nordestino. Se transferiu para o Sampaio Corrêa, onde conquistou o Campeonato Maranhense e a Série C do Campeonato Brasileiro pela Bolívia Querida.

Jogou pelo Treze em 1998, pelo estadual, e em 2000, pela Série C do Campeonato Brasileiro, e encerrou a carreira no Noroeste de Bauru, entre 2003 e 2004.

– Fiz várias amizades. Os clubes que passei foram muito bons. Sei que não ganhei aquele dinheirão. Não sei se joguei na época errada. Mas o pouco que a gente ganhava, a gente jogava com muita dedicação e com amor ao clube. Para mim foi uma carreira vitoriosa. Sempre fazendo gol por onde passei. Sempre conquistando títulos. Eu fico triste porque hoje o nível é outro de salário. Se ganha muito mais. Aquela época era mais difícil. Ir para um clube grande era mais difícil. Amei os 15 anos que joguei como profissional – disse Pitombinha.

Mas por que Pitombinha? De onde veio esse apelido? Veio dos campos de terra do Brejo paraibano.

– Quando eu era pequeno eu gostava de jogar no meio dos adultos. Então a turma falava que eu era uma pitombinha jogando – comentou.

Atualmente com 53 anos, Marcos é agente de saúde em Bananeiras. Segue próximo ao futebol e já trabalhou, anos atrás, com a garotada do Vila Branca de Solânea. Uma de suas vontades atuais é ajudar a reativar o Atalaia, clube de sua cidade, Bananeiras, que já disputou o Campeonato Paraibano.