Craques do passado: Joãozinho, o paulista goleador de Treze, Campinense e Auto Esporte

Ídolo e maior artilheiro da história do CRB, ex-atacante também marcou época no futebol paraibano, conquistando títulos e sendo artilheiro de uma edição do estadual da Paraíba.

Foto: Arquivo pessoal

Que Joãozinho Paulista, maior artilheiro da história do CRB, é ídolo do Galo da Pajuçara e um dos grandes nomes do futebol alagoano, o amante do futebol já sabe bem. Mas não foi só na terra de Djavan que o ex-atacante de muita qualidade na hora de finalizar fez sucesso no Nordeste. No futebol paraibano, Joãozinho Paulista também deixou um legado, com títulos e muitos gols.

Natural de Piracicaba, no interior de São Paulo, o ex-atacante, hoje com 65 anos, começou a carreira no tradicional XV de Piracicaba. Mas foi no Nordeste, mais precisamente no CRB, que a carreira de Joãozinho decolou. E foi nossa região, claro, que o Paulista virou sobrenome. 

Com a camisa regatiana, Joãozinho marcou 190 gols e é até hoje o maior goleador da história do clube alagoano. Chamou atenção de equipes maiores do país, como Internacional e Atlético-MG. E é no Galo Mineiro que começa a história do ex-jogador com o futebol paraibano. 

Com o então atacante sem conseguir tanto espaço no clube de Belo Horizonte, o Campinense viu uma boa oportunidade de mercado. A Raposa foi até Minas Gerais buscar o jogador em 1979 por empréstimo e não se arrependeu. 

“Eu estava no Atlético Mineiro em 1979 e fui contratado pelo Campinense. O presidente da época, José Aurino de Barros Filho, foi até Minas Gerais ver se eu conseguiria ir por empréstimo. A proposta foi boa e eu fui. O Campinense fez um bom time, e conseguimos ser campeões”, disse.

Formação do Campinense em 1979; Joãozinho segura uma criança na foto // Foto: Arquivo pessoal

A temporada de Joãozinho e do clube foi muito boa em 1979. E cheia de histórias inusitadas, como a do carro que ele ganhou após um clássico e a de um possível boicote da torcida raposeira em um jogo do Campeonato Brasileiro. 

“Naquele ano, o Campeonato Brasileiro era como a Copa do Brasil: jogavam os campeões estaduais e os vices. Fomos muito bem na competição, passamos da primeira fase e fomos para a segunda, onde encontramos o Atlético-MG. Eu estava emprestado e não poderia jogar contra o Atlético-MG. E a torcida do Campinense ameaçou não ir a campo se eu não jogasse. Naquela época havia divisão de renda nos jogos. Se o Atlético-MG ganhasse o jogo, iria levar a maior parte da renda. Então, temendo não ter torcida, o Atlético-MG liberou para que eu jogasse contra eles. Empatamos por 1 a 1 com um gol meu. Já sobre a Brasília que ganhei foi uma proposta do presidente, José Aurino. Ele disse que, se eu fizesse um gol contra o Botafogo-PB, me daria uma Brasília. Marquei e ganhei o carro”, conta o goleador.

Naquela temporada, o Campinense foi campeão paraibano em cima do Botafogo-PB após um empate por  1 a 1 na decisão. Na 1ª divisão do Campeonato Brasileiro, o Campinense passou da primeira fase, com a quinta posição, num grupo que tinha Botafogo-PB, Treze, América-MG, Campo Grande, Villa Nova-MG, Paysandu, Tuna Luso, Fast-AM e Rio Negro-AM. 

Na segunda fase, a Raposa por pouco não passou numa chave que teve Atlético-MG, Coritiba, Colorado-PR, Francana-SP, América-RJ, Brasil de Pelotas e Mixto. O clube ficou em terceiro na chave, e só passavam dois. Aquele time do Rubro-Negro contava com outras figuras conhecidas da história do clube, como Gabriel, Timbó, Benício, Bebeto e Alberi. 

ARTILHARIA E TÍTULO PELO GALO DA PARAÍBA

Joãozinho Paulista parece que tinha alguma coisa com os Galos. Ídolo do da Pajuçara, jogou no mineiro e ainda foi jogar no paraibano. Após sair do Campinense, o então atacante voltou para mais uma das suas muitas passagens pelo CRB, onde ficou em 1980 e 1981, até ser contatado pelo ex-presidente do Treze, Petrônio Gadelha, naquele momento diretor de futebol do Alvinegro da Borborema.

Pôster do Galo na edição dos campeões em 1981; naquele ano o Treze se denominava Treze Athletico Paraibano// Foto: Revista Placar

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“Eu tinha vindo para o CRB em 1980, mas tinha muitos clubes me querendo. Foi quando Petrônio Gadelha assumiu e fez uma proposta para mim, para eu ir jogar o Paraibano. A proposta foi maior do que a de outros clubes. Eu disse que iria, então. E fizemos uma máquina de fazer gols, num time que tinha eu e Lulinha”, lembra Joãozinho.

De fato, foi uma máquina de bola nas redes adversárias. De uma vez por todas, o jogador gravou a sua marca no futebol paraibano, sendo campeão pelo Galo e se sagrando artilheiro do estadual de 1981, com 30 gols marcados. O Treze, naquele torneio, marcou 91 gols em 44 partidas.

A relação com Campina Grande ficou ainda mais forte. E Joãozinho Paulista, grande amante de Maceió, diz amar muito a cidade paraibana e tê-la em um lugar especial no seu coração.

“Eu amo muito Campina Grande. Eu tenho um carinho muito especial pela Paraíba, onde fui muito feliz. Criei muitos laços em Campina e tenho muitos amigos. Quando eu jogava em João Pessoa, no Auto Esporte, quando acabava o jogo, no domingo, eu ia logo para Campina Grande, ficar com os amigos. Deixei um legado muito bom lá, uma história muito grande. Eu fui aplaudido pela torcida dos dois clubes num Clássico dos Maiorais. Foi uma coisa muito bonita”, lembra com muito carinho o ex-atacante. 

DESPEDIDA DA PARAÍBA NO AUTO

Mas não dava para encerrar sua linda passagem no futebol da Paraíba sem passar por João Pessoa, a capital do estado. E foi o Auto Esporte que, em 1990, resolveu investir no atacante, que vinha de duas boas performances na dupla de Campina Grande.

Foto: Arquivo pessoal

E não tinha como ser diferente. Gols e títulos novamente na trajetória paraibana do atacante, que fez parte do título estadual do Alvirrubro em 1990, ao lado de Salerno, Adailton, Neto Surubim e outros companheiros.

“Quem me levou para o Auto Esporte foi o então treinador do clube, o pernambucano Nereu Pinheiro. Eu estava para fechar com o Central de Caruaru, e ele foi ser treinador do Auto. Então ele pediu para eu não fechar com o Central e ir com ele para o Auto Esporte. Fiz isso e fizemos outra boa equipe. Consegui ser campeão de novo na Paraíba”, disse Joãozinho Paulista. 

Atualmente, Joãozinho Paulista mora com a sua família em Maceió. Segundo o ex-jogador, em breve vai ser publicado um livro sobre sua carreira, que deve ter lançamento marcado em Alagoas e também na Paraíba.