Entre Linhas

Análise: bravo e forte como um Dinossauro, Sousa encerra o ano com calendário cheio para 2022

Campeonato Paraibano, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, Série D e, pelo menos, R$ 1,2 milhão nos cofres para ir mais além neste próximo ano.

Foto: Jefferson Emmanuel / Sousa

A imagem de que os dinossauros são animais gigantes é construída no nosso imaginário, desde os primeiros anos de vida. Esse cenário é reforçado pelas imagens de livros, filmes, desenhos animados e instrumentos do gênero. Mas, graças ao futebol, o torcedor paraibano tem a oportunidade de conviver com um outro dinossauro maior, ou tão grande quanto esses da nossa imaginação. Estou falando do Sousa, que na atual temporada foi gigante e, por muito pouco, não foi tremendo.

Após nove anos, o Sertão da Paraíba voltará a ter um representante na Copa do Nordeste 2022 e, para a felicidade do torcedor alviverde, será novamente o Sousa. A classificação, mais do que merecida, foi conquistada na terça-feira, mesmo após a derrota para o ABC de Natal, no Estádio Frasqueirão.

Antes desse segundo jogo, inclusive, aconteceu um fato interessante. O presidente Aldeone Abrantes publicou em suas redes sociais uma foto com um livro de Raul Seixas, com o título “Não diga que a canção está perdida”.

Com certeza, o dirigente estava lembrando também da música, no momento em que o velho Raulzito diz a frase “basta ser sincero e desejar profundo” e, mais à frente, “não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida”. Todo esse misto estava na cabeça de Aldeone, dos jogadores e da comissão técnica.

O Sousa foi até Arapiraca-AL, até Aracaju-SE e até Natal-RN. Desejos profundos de classificação, vitórias conquistadas (e não perdidas) e desejando sempre mais batalhas. Mas, quem disse que o mérito da classificação da Copa do Nordeste foi um fruto colhido somente nesta semana?

Lá atrás, no comecinho da pré-temporada, o Sousa enfrentou vários percalços, que foram superados dia a dia (ou seria rodada a rodada?). Os treinadores foram muitos: Paulo Schardong, Índio Ferreira, Warley e Pedro Manta… até que um santo de casa, que atuava como auxiliar técnico, conseguiu encaminhar o time até este fechamento do ciclo 2021. O nome dele? Tardelly Abrantes, que acompanha o Sousa desde a sua fundação, afinal, mais do que funcionário, a sua família faz parte dessa história desde o começo.

Vice-campeão paraibano (e que por muito pouco não se sagrou campeão enfrentando o Campinense), eliminado na primeira fase da Série D e garantido na fase de grupos da Copa do Nordeste 2022. O que dá para perceber é que a temporada foi cheia de altos e baixos, o que se reflete no aproveitamento de 51,1%.

Desejada pelos clubes do Nordeste, a Lampions League do próximo ano contará com a bravura do Sousa, que fez por merecer essa classificação à fase de grupos. Bateu o tradicional ASA de Arapiraca fora de casa por 2 a 1 e depois, novamente longe do Estádio Marizão, eliminou nos pênaltis o Confiança de Sergipe — sim, o que joga a Série B do Campeonato Brasileiro.

A consolidação da caminhada foi contra o ABC de Natal e durou 180 minutos. Na primeira metade, uma vitória acachapante no Estádio Marizão por 3 a 0. Já no segundo encontro, uma derrota por 2 a 1, que não tirou o brilho do que já havia sido feito. Principalmente depois de uma convincente atuação do goleiro Ricardo, apesar dos dois gols sofridos, mas que, no auge dos seus 38 anos e revelado pelo Sousa, mostrou que ainda pode contribuir (e muito) com o time sertanejo.

Se em 2021 a pandemia fez com que as finanças fossem bem complicadas para o Dinossauro, o presidente Aldeone Abrantes já tem, pelo menos, R$ 1,2 milhão garantido para a temporada 2022. Se, com pouco, o Sousa conseguiu um vice-campeonato paraibano, vagas na Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Série D de 2022, imagine agora.

O que o maior Alviverde sertanejo fez na atual temporada confirma o motivo de o time utilizar o Dinossauro como mascote. Pensou que era por causa do Vale dos Dinossauros, em Sousa? Errou. É por causa da bravura e da força que o sertanejo tem. Pelo menos foi o que disse Euclides da Cunha. E o Sousa prova que o dileto escritor nunca esteve errado.