Entre Linhas

Análise: Gerson Gusmão tem tudo para fazer uma temporada ainda melhor em 2022, pelo Botafogo-PB

No estágio em que o Belo se encontra, é preciso um técnico com experiência em acessos (Gerson tem) e com carta branca para montar seu time (o Belo precisa dar).

Foto: Josemar Gonçalves/AGIF

Desde que Gerson Gusmão foi anunciado como substituto de Marcelo Vilar no ano passado, no Botafogo-PB, fui simpático à decisão, mesmo sem nunca ter acompanhado o seu trabalho in loco. Mas e como isso é possível? Simples. No estágio em que o Belo se encontra, é preciso um técnico com experiência em acessos, com carta branca para montar seu time e que possa fazer isso antes da temporada começar, para não “pegar o carro andando”.

Se isso está sendo levado em consideração pela diretoria, não sei se exatamente esses pontos da forma como descrevi acima, Gerson Gusmão tem tudo para fazer um 2022 melhor do que 2021, em relação ao seu trabalho no CT da Maravilha do Contorno.

Sobre a minha simpatia por Gerson, posso justificar com algunss aspectos do seu currículo: 1) foi técnico de um importante clube do cenário nacional (Operário-PR) durante cinco temporadas, algo bem difícil – para não dizer impossível – dentro do que se pratica no futebol brasileiro; 2) foi campeão das séries C e D do Campeonato Brasileiro em 2017 e 2019, deixando o Operário na Série B nacional, após 28 anos que o time não sabia o que era isso.

Na casa da minha mãe, lá em Patos, eu sempre ouvi que “tudo que é bom, é caro”. Gerson é caro? Com certeza. Assim como bons jogadores que o Belo com certeza precisará para o que está almejando em 2022. Mas, ao contrário de ser um gasto, a manutenção de Gerson Gusmão é um investimento, vide o que ele já fez no futebol paranaense e o que pode fazer no futebol paraibano.

Tudo se moderniza. E por que o futebol não?

Sempre gosto de bater na tecla que qualquer time precisa contratar bem e, para que isso aconteça, é preciso que os clubes – antes de pensar no elenco – pense nos profissionais que precisam ser contratados para os bastidores (gerentes, supervisores, diretores…). Pessoas qualificadas, com experiência e que atuem com profissionalismo.

O futebol tem espaço para abnegados? Sempre terá… Mas estes não podem ocupar os espaços que precisam de profissionais dedicados à gestão do clube. Abnegados são excelentes para o dia a dia do clube, afinal são pessoas que dedicam uma vida inteira para ver uma determinada agremiação cada vez maior. Mas, sem a qualificação devida, sempre vão atrapalhar mais do que ajudar.

Dois episódios

Quem contrata bem é quem contrata certo. Em dois momentos, conversava com pessoas ligadas a dirigentes do futebol do Nordeste, que me contaram dois episódios bem distintos.

Um deles falava do CSA de Alagoas, quando o time foi campeão da Série C. Uma pessoa ligada aos bastidores do clube me disse que o Azulão do Mutange tinha uma folha na casa de R$ 900 mil.

Já em outro episódio, esse no futebol da Paraíba, um amigo me falava sobre um dirigente que sempre gosta de assistir a jogos de times do interior do Nordeste, de futebol amador, e nesses lugares é que ele descobre nomes para os seus elencos. Em vez de perder tempo assistindo a Série A ou a Liga dos Campeões da Europa (como alguns), o referido dirigente está preocupado em ver jogando o que pode ser convertido em matéria-prima para o seu time.

No fim das contas, quem está certo nesses dois episódios? A resposta que eu posso dar é: depende de quanto você – ou seu clube – tem para gastar. O Botafogo-PB já gastou muito e deu errado, como também já gastou menos e deu certo.

O que eu posso dizer que o que já deu certo, para 2022, no CT da Maravilha do Contorno, foi a renovação de Gerson Gusmão. A possibilidade de montar um elenco desde o início, mantendo algumas peças de 2021, sem um calendário cheio e com isso podendo focar em objetivos mais pontuais, é um cenário que, pelo menos, me anima.

Se tudo isso que eu disse vai dar certo ou não, Gerson Gusmão e seus comandados é que vão poder responder lá na frente!