Debates na TV: 1° turno

Entre o traço de audiência e o risco de contágio.

A data da votação em primeiro turno será 15 de novembro. Portanto, estamos a 49 dias de comparecer às urnas eletrônicas e confirmar os nomes para prefeito e vereador. Até lá assistiremos a saga dos destemidos candidatos na intrépida caça ao voto. Nesse meio tempo, teremos a opção de acompanhar o guia eleitoral e as inserções gratuitas na mídia, com todas as caras e bocas partidárias que vão povoar a tela da TV. Eles lá, nós aqui. Afinal, o presencial segue em baixa na campanha…
 
Mas, e os debates do primeiro turno? Numa época em que uso de máscara e distanciamento social são atitudes cotidianas de prevenção e respeito à saúde alheia, como conciliar tantas candidaturas em pessoa no espaço físico de um estúdio durante o tempo de um debate? A essa questão, cada emissora local tem nos respondido à sua maneira. Basicamente, há dois grupos: o dos que não vão realizá-lo e os que toparam o desafio da aglomeração e seus riscos.
 
Alinhada às normas da Rede Globo, suas afiliadas locais – TV Cabo Branco e TV Paraíba – só farão debates no segundo turno. Assim também já decidiram a TV Manaíra (Rede Bandeirantes) e a TV Tambaú (SBT), que declarou remotíssima a possibilidade de vir a fazê-lo na primeira fase da disputa. Em posição oposta, a TV Arapuan, afiliada à Rede TV, já exibiu o seu primeiro na semana passada, adotando os protocolos sanitários descritos na abertura do evento. A TV Correio (Rede Record) fará o seu em novembro, naturalmente cercado de precauções.

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Sem entrar no mérito das candidaturas, o formato desses primeiros debates vai ser testado em mais de uma maneira. Há a franca experimentação dos protocolos propostos, com a responsabilidade de se conseguir preservar a saúde de todos, aqui incluindo candidatos, suas respectivas comitivas e assessorias, e as equipes técnica e jornalística de cada TV. Em paralelo, existe a incógnita do interesse do público diante de um programa que pode chegar a até 14 concorrentes, como é o caso de João Pessoa, se arrastando em suas inúmeras combinações de embate. Como a televisão exerce um papel amplo e importante no contexto eleitoral, a exposição sem retoques dos modos e motivações dos candidatos num debate cumpre a função cívica de deixá-los “de cara com o eleitor” em escala massiva. Vamos torcer para que os esquemas de pergunta/resposta mantenham cidadãs e cidadãos acordados; favoritos, azarões e “cacarecos” em saúde plena; e os profissionais da informação sem afastamentos ou baixas no RH. Depois de subverter a lógica da prevenção, seria trágico a atração estancar no traço de audiência ou resultar numa quarentena eleitoral.
 
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Foto por Morning Brew no Unsplash