Fiscalização do CRM-PB constata superlotação na UTI neonatal do Isea

Unidade tinha 15 recém-nascidos internados, tendo apenas 10 leitos.

Uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB) constatou superlotação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)Neonatal do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande. A fiscalização foi realizada na sexta-feira (4), mas o resultado foi divulgado nesta segunda-feira (7). De acordo com o CRM-PB, no momento da vistoria haviam 15 recém-nascidos na unidade, que possui apenas 10 leitos (8 na ala e 2 no isolamento). Além dos bebês que nascem no hospital, quase todos que necessitam de procedimentos cirúrgicos são encaminhados para o Isea, contribuindo para a sobrecarga.

A Secretaria de Saúde de Campina Grande esclarece que houve um aumento pontual no número de recém-nascidos internados na UTI Neonatal, sobretudo em função de casos em que as mães positivaram para a Covid-19. “A capacidade da UTI neo é de 10 leitos e, no entanto, se encontra com 12 bebês internados. Ou seja, foram abertos mais dois leitos extras e, dessa forma, nenhum recém-nascido que necessitou de internação em UTI ficou desassistido. Isso ocorre em face de a maternidade ser a maior da Paraíba e atender gestantes de até 170 municípios. São mais de 7 mil partos por ano”, diz a nota.

A escassez de leitos de UTI Neonatal em outros hospitais dificulta a regulação dos pacientes. Há apenas cinco leitos no Hospital da FAP, três no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC) e seis na Clipsi. Além disso, conforme relatado pelos médicos do Isea, estes hospitais só recebem os recém-nascidos que apresentarem teste negativo para Covid-19, no entanto, o resultado do exame pode demorar até cinco dias para estar disponível, retardando as transferências.

Conforme os médicos do Isea informaram ao CRM, outro problema é que o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) muitas vezes não consegue dar suporte a estas remoções, por ter apenas uma ambulância disponível no hospital e falta de equipe, que já está sobrecarregada no plantão. A direção administrativa do hospital ainda informou ao CRM-PB que o hospital recebe, frequentemente, pacientes de outros municípios que não são pactuados com Campina Grande.

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De acordo com a equipe médica de plantão na UTI, em relato ao CRM, nenhum dos 15 recém-nascidos internados no momento da vistoria possuía diagnóstico confirmado para Covid-19. Porém, dois gêmeos, nascidos de mãe que morreu por Covid-19 logo após o parto, aguardavam o resultado do exame.

“O Isea vem enfrentando uma sobrecarga há muitos anos. Há uma necessidade urgente de planejamento dos gestores para a abertura de outra maternidade com UTI neonatal em Campina Grande para que a população tenha um atendimento adequado. Esta superlotação, além de comprometer a assistência aos pacientes, sobrecarrega os profissionais e pode resultar na escassez de insumos básicos”, afirmou o diretor de fiscalização do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza.

A equipe de fiscalização do CRM-PB observou também que há disponibilidade de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), medicações e equipamentos. No entanto, referiram limitações relativas ao material estéril, que é terceirizado com uma empresa. O hospital conta ainda com laboratório de análises clínicas 24 horas, raio-x e ultrassonografia, além de gasometria. Quando há necessidade de tomografia, é realizada em clínica terceirizada.

O relatório do Departamento de Fiscalização do CRM-PB será encaminhado ao Ministério Público Estadual, à Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande e à direção técnica do Isea.