Estudo revela que 55,2% das famílias da Paraíba não tem acesso à rede de coleta de esgoto

Em relação ao acesso à rede de abastecimento de água, 57,1% não acessam o serviço.

Foto: Herbert Clemente/Arquivo
Estudo revela que 55,2% das famílias da Paraíba não tem acesso à rede de coleta de esgoto (Foto: Herbert Clemente/Arquivo)

Dados do Instituto Trata Brasil mostram que 57,1% das famílias paraibanas não possuíam acesso à rede de abastecimento de água e 55,2% não tinham acesso à rede de coleta de esgoto. O estudo, divulgado esta semana, faz parte da pesquisa “As Despesas da Família Brasileira com Água Tratada e Coleta de Esgoto”, baseado em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018 e 2019.

Outro ponto apresentado no estudo demonstra que as regiões Norte e Nordeste têm as maiores participações nas despesas com água e esgoto. Para os responsáveis pela análise, isso ocorre pelo fato destas regiões apresentarem uma grande quantidade de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza. Isso ocorre, segundo o estudo, por causa dos elevados déficits de saneamento nesse grupo social e da própria privação de renda para estas famílias.

Entre os estados do Nordeste com graves problemas de acesso regular ao abastecimento de água estão Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

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Sobre a despesa média de água e esgoto na Paraíba, até 2019, o valor chegava a R$ 64,38. O estudo mostra que em 2018, 22,2% das famílias paraibanas estavam abaixo da linha de pobreza, ficando atrás apenas de outros dois estados nordestinos: Maranhão e Sergipe, ambos com 26,4% cada. O Instituto Trata Brasil utiliza como indicador para definir a linha de pobreza, famílias com renda diária per capita de U$ 5,50 (aproximadamente R$ 28,12), conceito do Banco Mundial.

“É extremamente preocupante ver que os mais privados dos serviços são justamente as pessoas abaixo da linha da pobreza, fato que se repete ao longo dos anos. Até mesmo o atendimento irregular de água é muito mais comum nas casas dos mais pobres, o que também aumenta a vulnerabilidade pelo fato daquela família não receber água encanada 24 horas por dia e 7 dias por semana”, disse Fernando Garcia de Freitas, economista e responsável pelo estudo.