Sistema eleitoral atual prejudica estados como a Paraíba, diz Efraim ao defender coligações

Por ANGÉLICA NUNES e LAERTE CERQUEIRA 

 

Foto: divulgação

O fim das coligações poderia colocar em risco a sobrevivência de legendas menores, sobretudo em estados pequenos com dificuldades em formar chapas, como a Paraíba. Essa é a opinião do deputado Efraim Filho (DEM), líder da bancada da Paraíba, que votou ontem (17) pela volta das composições entre partidos nas eleições 2022, além de outras mudanças.

“Para estados com o perfil da Paraíba, que são da metade para baixo em termos de tamanho, é importante porque gerava uma dificuldade muito grande no sistema atual de formação de chapas e fez gerar até o desparecimento de legendas, provocar fusões e gerava um tumulto no ambiente político nos estados de menor porte. Acho que foi um bom avanço”, destaca o líder.

Efraim Filho segue a lógica da ‘redução de danos’ na tramitação da PEC da Reforma Eleitoral. Alega que o mais importante é que a volta das coligações afastou o ‘distritão’, que chegou a ser analisado na Casa, mas foi derrubado. “O distritão era muito criticado pelo enfraquecimento dos partidos e para preservar essa identidade, essa ideologia é importante nesse momento do Brasil”, argumenta.

Divergências

Esse também parecer ser o entendimento da maioria da bancada paraibana. Pelo menos pelo placar da votação, em que consta apenas o deputado Damião Feliciano (PDT) como contrário à volta das coligações.

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O entendimento da bancada paraibana, no entanto, vai em rota de colisão à análise de especialistas que defendem exatamente o contrário. A principal crítica é a de que a união de partidos em um único bloco para a disputa das eleições proporcionais pode favorecer os chamados “partidos de aluguel”, que não têm ideologia específica e tendem a negociar apoios na base do “toma-lá-dá-cá”.

Outros temas, destaca Efraim, significaram evolução, como a questão das federações partidárias, o voto potencializado para mulheres, que teve um ganho nessa disputa. “Acho que passou, vamos aguardar o que vem pelo Senado Federal”, afirma.

No Senado

Apesar do longo debate na Câmara Federal, até a aprovação em segundo turno, a proposta deve esbarrar no Senado e morrer sem que se torne lei até outubro, prazo para valer já para o próximo pleito.

O presidente do Senado Rodrigo Pacheco já antecipou ser contrário à mudança e esse posicionamento deve conduzir os trabalhos na Casa. Assim, os favoráveis à volta das coligações terão que conseguir o voto favorável de 3/5 dos parlamentares, ou seja, pelo menos 49 dos 81 senadores.