Veneziano critica fatiamento da Reforma Tributária proposto por Paulo Guedes

Por ANGÉLICA NUNES e LAERTE CERQUEIRA

 

O senador Veneziano (MDB), vice-presidente do Senado, fez duras críticas ao anúncio do ministro Paulo Guedes de ‘fatiar’ a Reforma Tributária. A matéria tramita a passos lentos no Congresso Nacional e está longe de ser um consenso entre os parlamentares, independentemente da bancada. Em entrevista às TVs Cabo Branco e Paraíba, na manhã desta quarta-feira (25), o paraibano também comentou sobre reformas eleitoral e administrativa, além de fundão eleitoral.

Em relação à Reforma Tributária, Veneziano lamentou profundamente o recuo do governo Bolsonaro na “mais importante dentre todas as reformas que já poderia ser promovida”. “Não quero tirar de todos nós a expectativa melhor, mais esperançosa de que ela venha a se concretizar. O Senado continua se debruçando, semana passada tivemos reuniões, o senador Roberto Rocha fez um trabalho bem feito para que nós a apreciemos, mas sempre há uma indisposição por parte do governo federal e da própria Câmara. Você sequer pode dar uma convergência às propostas que estão na Câmara e as que estão no Senado porque não há o interesse do governo central”, comentou.

Para o senador, é preciso fazer uma reforma sistematizada. “Como todos nós, principalmente os cidadãos e, especialmente, os consumidores mais humildes que pagam uma carga maior do que nós que temos mais condições desejávamos”, completou.

Reforma Administrativa

Em relação à reforma administrativa, apesar delas ainda estar tramitando na Câmara Federal, Veneziano afirmou antecipadamente que é contrário à proposta como está sendo discutida em vários pontos. “Tenho questionamentos a fazer porque há riscos além daqueles que temos observado ao longo dos últimos anos, que é o de desnaturar, desnutrir a estrutura do serviço público”, pontuou.

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Ainda segundo o senador, a reforma administrativa claramente busca não apenas afastar privilégios, mas de atacar em alguns pontos a essência do serviço do público e, como consequência danosa, prejudicar os próprios servidores. “Eu tenho algumas ressalvas e quando ela vier ao Senado eu faço meus questionamentos”, disse.

Reforma eleitoral

O senador também reiterou seu posicionamento contrário ao ponto mais questionado na Reforma Eleitoral proposta para valer no pleito do próximo ano: a volta das coligações. Veneziano voltou a admitir que a matéria não deve ser aprovada no Senado. “A preço de hoje meu pensamento é de que os senadoras e senadores votem contra, mantendo as mesmas regras que conduziram o processo eleitoral em 2018”, disse.

Fundão

Ainda no que se refere às eleições, o senador, que é presidente estadual do MDB, também comentou sobre o veto do presidente Jair Bolsonaro ao fundão eleitoral para 2022. Ele concordou com a decisão do presidente e disse que vai votar pela manutenção do veto quando ele for apreciado no Senado.

Os senadores chegaram a ser questionados por terem aprovado o fundão, mas Veneziano voltou a se defender nesse ponto. Ele disse que no Senado a matéria não pode ser discutida propriamente, pois eles tiveram que votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) sem apartes.